#029 – Quem é o pior vírus: o presidente ou a Covid?

Quero começar divulgando dois artigos incríveis dos nossos colunistas:

LARA BIANCO (Cine e Série)
#laraflix em “O Sol também é uma estrela”

NANDES CASTRO (Produção Musical)
Música Pura

DEBORAH D’ALMEIDA (Mente Humana)
Você sabe o que é Saúde Mental? Quando foi a última vez que você parou para pensar nesse assunto?

Os gastos da CoronaTrip Bolsonarista

(Mar a Lago – Flórida, 07/03/2020) Presidente da República Jair Bolsonaro acompanhado do Senhor Presidente dos Estados Unidos Donald Trump, posam para fotografia. Foto: Alan Santos/PR
Lá no começo de março desse ano, o presidente Jair Bolsonaro e sua turma foram para os Estados Unidos em uma viagem de quatro dias na Flórida. Na época, a Casa Branca disse que o “os dois líderes discutirão oportunidades para restaurar a democracia na Venezuela, o processo de paz no Oriente Médio, políticas comerciais e investimentos em infraestrutura. Trump agradecerá ao Brasil pela ‘forte aliança’ com os EUA”

De Mar-a-Lago, na Flórida, a comitiva trouxe, de concreto, mais de 20 pessoas contaminadas com a Covid-19. Há quem diga que a CoronaTrip Bolsonarista foi um dos epicentros da dispersão do vírus no Brasil. O coronavírus pegou gente como Augusto Heleno (ministro do GSI), Bento Albuquerque (ministro das Minas e Energia), Filipe Martins (assessor de Assuntos Internacionais do Planalto), Fábio Wajngarten (secretário de Comunicação), entre outros.

Essa viagem viral custou R$ 2 milhões aos cofres públicos brasileiros, segundo dados da Fiquem Sabendo, agência de dados independente e especializada no uso da Lei de Acesso à Informação. O Yahoo repercutiu as informações.
Vejam os detalhes dessa viagem:

1 – Foram 20 autoridades e convidados, além de 90 auxiliares ue atuaram nas equipes de segurança, cerimonial, comunicação e Coordenação Geral de Transporte Aéreo (CGTA). Apenas três convidados constam como “sem ônus” para o governo: o deputado federal Daniel Freitas (PSL/SC), o cônsul-geral do Brasil em Miami, João Mendes Pereira, e a primeira-dama Michelle Bolsonaro.

2 – Quase metade do custo da viagem foi desembolsada com o pagamento de diárias de servidores, sendo a grande maioria militares. Os participantes receberam entre quatro a doze diárias, que são pagas em dólar, mas nenhum deles recebeu o valor integral da indenização. Isso porque a legislação determina o pagamento de metade da diária nos dias de deslocamento ao exterior ou de retorno ao Brasil. 

3 – Nos demais dias de missão, os integrantes da comitiva receberam o equivalente a 70% de cada diária, que é o percentual máximo concedido aos servidores em viagens do presidente ao exterior, “quando o pagamento das despesas cobrir apenas as relativas à pousada”. Foi o que ocorreu com o ministro Augusto Heleno, que recebeu US$ 1.426 por percentuais entre 50% e 70% de cinco diárias. 

4 – Segunda despesa mais cara, a hospedagem custou U$ 78,4 mil (cerca de R$ 437 mil). Os dólares foram drenados para o pagamento de diárias em quatro hotéis: Hilton Miami Downtown (US$ 22,8 mil), Miami Marriott Biscayne Bay (US$ 26,2 mil), Hilton Singer Island Oceanfront/Palm Beaches Resort: (US$ 9 mil) e Hampton Inn South Jacksonville (US$ 20.3 mil).

5 – O terceiro item mais caro do roteiro presidencial foi o custeio com “despesas aeroportuárias”, que consumiram US$ 67,4 mil (cerca de R$ 376 mil) dos cofres da União. A Presidência informou que este campo de gastos diz respeito a “taxas cobradas pelo aeroporto, comissária aérea, serviços de aluguel de equipamentos com escada, limpeza, etc”.

6 – Um registro importante: as contas dessa viagem foram as mais cara entre todas as comitivas internacionais da atual gestão. Um comparativo entre os gastos das missões presidenciais ao exterior revela que a visita oficial aos Estados Unidos custou o dobro de uma viagem anterior de 19 dias a cinco países. 

Os pedidos de impeachment contra os presidentes a partir dos anos 90. Bolsonaro já tem 44.

(Sarney entrou de xereta na arte porque não achei outra com todos juntos)

Fernando Collor de Mello
29 pedidos entre 22 de agosto de 1990 e 09 de janeiro de 1992

Há vários temas, entre eles a violação de patente de direito social; investigação de PC Farias em casos de corrupção; mentiras amplatamento comprovadas durante seu pronunciamento ao país; crimes de responsabilidade; sequestro da poupança, corrupção, inflação e escândalos, entre outros.

Itamar Franco
4 pedidos entre 20 de abril de 1993 e 30 de março de 1994

Os pedidos foram referentes à privatização da Companhia Siderúrgica Nacional; a crimes eleitorais; crime de responsabilidade sobre os acontecimentos em um camarote durante o Carnaval do Rio de Janeiro; e outro crime de responsabilidade com Itamar e o então ministro Fernando Henrique.

Fernando Henrique Cardoso
27 pedidos entre 27 de junho de 1995 e 2 de dezembro de 2002
Há vários temas, entre eles a compra de votos para a reeleição; privatização da Telebrás; obra superfaturada do TRT de São Paulo; MP do Apagão; permissão de forças estrangeiras em solo nacional; entre outros.

Luiz Inácio Lula da Silva
37 pedidos entre 23 de julho de 2003 e 14 de dezembro de 2010
Há vários temas, entre eles a acusação de Prevaricação; crime de responsabilidade pelas provas da CPMI dos Correios e do Mensalão; favorecimento ilícito ao BMG; realização de campanha política com dinheiro público para a Dilma Rousseff; venda das refinarias da Petrobras à Bolívia; entre outros.

Dilma Rousseff
68 pedidos entre 25 de janeiro de 2012 e 06 de maio de 2016

Há vários temas, entre eles os tais famosos crimes de responsabilidade; improbidade administrativa; supostas irregularidades contra o Sistema Financeiro Nacional e contra a ABIN; ações contra a Petrobras e a Eletrobras; empréstimos junto à Caixa, FGTS e BNDES; entre outros.

Jair Bolsonaro
44 pedidos entre 02 de maio de 2019 até hoje

Há vários temas, entre eles o post no Twitter do Golden Shower; comemoração do golpe de 64; apoio ao ataque norte-americano ao Irã; convocação para manifestações anti-democráticas; desautorização das medidas da OMS sobre o isolamento social; uso do poder governamental para interesse pessoal; uso das redes sociais de maneira ilegal durante a campanha eleitoral; empresa fantasma; ataques à imprensa; soberania em risco; abuso de poder do empresário Luciano Hang; entre outros.

A Justiça manda soltar, mas a Justiça não solta

Em 17 de março, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) editou uma recomendação com medidas de contenção da Covid-19 no sistema prisional.

No documento, há vários pedidos como a aplicação de medidas socioeducativas em meio aberto e a revisão das decisões que determinam a internação provisória, principalmente em gestantes, a reavaliação de medidas socioeducativas principalmente a aquelas aplicadas em adolescentes gestantes, lactantes, mães ou responsáveis por crianças de até 12 anos ou por pessoa com deficiência, assim como indígenas, entre outros. (leia aqui a íntegra).

Dentre os 25.822 processos movimentados desde a edição da recomendação, apenas 756 processos tiveram alvará de soltura expedido no período, o que representa 3% dos processos.

🔸 Em um total de 1.526 (7,65% do total) processos relativos a pessoas idosas (acima de 60 anos), houve apenas 44 com alvarás de soltura;

🔹 Entre os 2.211 (10,56%) processos de mães, gestantes e lactantes, foram expedidos alvarás em 104;

🔸 De 5.960 (27,92% do total) processos de pessoas com Covid-19, foram concedidos alvarás em 134;

🔹 No caso de pessoas com deficiência, em 288 processos (1,36% do total), houve somente 9 com alvarás;

🔸 Entre os 5.385 (28,82%) processos de pessoas presas preventivamente, foram expedidos alvarás em 508;

🔹 Para os 8.290 (40,56%) processos de pessoas que já tiveram deferida a progressão ao regime semiaberto, houve só 56 com alvarás de soltura.

Conheça mais dados sobre o sistema prisional brasileiro:

No final de 2019, o Brasil tinha 748 mil pessoas presas. Desse total, cerca de 362,5 mil estão no sistema fechado, outros 133,4 no semiaberto e 25,1 mil no aberto. Destaque para os mais de 222 mil detentos no provisório.

Em 2000, eram cerca de 232 mil pessoas presas. Em 2010, esse número era de 496 mil.

São Paulo era o estado com a maior massa carcerária no fim de 2019: mais de 231 mil pessoas. A menor quantidade de presos está no Amapá, com cerca de 2,7 mil. 

-Entre julho e dezembro de 2019, 95% dos presos são homens.

-O déficit de vagas nesse período era de mais de 312 mil.

50% dos crimes entre julho e dezembro de 2019 foram crimes contra o patrimônio; 20,28% estavam relacionados com drogas; 17,36% foram crimes contra a pessoa.

-Podemos ver uma grande diferença entre homens e mulheres. O maior tipo penal entre as mulheres é o relacionado a drogas (50,94%). Entre os homens, são crimes contra o patrimônio (51,84%).

-Entre os crimes hediondos e equiparados, de julho a dezembro de 2019, 41,65% era ligado ao tráfico de drogas e 28,74% foram homicídios qualificados.

-Entre os crimes violentos, no mesmo período, 51,21% foram roubos qualificados e 19,27% homicídios qualificados.

-O Brasil terminou 2019 com 1.325 indígenas no sistema fechado.

-Entre os estrangeiros da África, 34,62% das mulheres eram da África do Sul, 19,23% de Angola e 15,38% de outras nações africanas. Entre os homens, 53,8% são nigerianos, 10,44% de outras nações africanas e 5,7% da África do Sul.

-Quando vemos a América, 37,34% das mulheres presas são da Bolívia, 17,2% da Venezuela e 15,1% do Paraguai. Entre os homens, 21,55% são paraguaios, 20,8% são venezuelanos e 13,49% são bolivianos.

-Quando vemos a Europa, 28,57% das mulheres presas são da Espanha, 23,81% vieram de Portugal e 19,05% da França. Entre os homens, 26,39% são portugueses, 15,28% são espanhóis e 13,19% são italianos. 

-Por fim, nos países da Ásia, 41,67% dos homens são filipinos e 16,67% são tailandeses. Entre as mulheres, 27,59% são chinesas e 22,99% são libanesas.

O fim do minimalismo

Um dos meus maiores embates com minha namorada é sobre o fato de eu querer guardar um monte de coisa. Não sou um acumulador doentio, mas sinto que gosto de ter algumas coisas com significados e simbolismos. Dou exemplos: tenho duas bombas de gás lacrimogênio de duas manifestações, uma de 2013 e uma de 2020; tenho jornais impressos da posse da Dilma, do dia da votação, da saída dela e da posse do Bolsonaro; peguei um parafuso da obra do Hospital de Campanha de Mogi (talvez esse seja o mais X mesmo).

Gosto de guardar e lembrar. Talvez realmente eu não precise, mas gosto. 
E esse texto da The Atlantic caiu como uma luva para mim. Escrito pela jornalista Amanda Mull, ela conta de sua relação com as coisas guardadas na casa de sua mãe em Atlanta e em como o norte-americano virou um acumulador.

Ela lembra do crescimento do consumo, do barateamento dos preços e do quanto isso tudo está ligado à mente humana. “Os psicólogos descobriram que, em muitos casos, as pessoas que se apegam a muitas coisas estão respondendo a algum tipo de ansiedade, sobre perda, instabilidade financeira e até imagem corporal e que a desordem em si é frequentemente uma fonte de estresse” diz a jornalista. 

Vez ou outra, acordo e dou uma limpada em geral.
Farei isso o quanto antes. E você, leia o texto aqui.

LEITURAS COMPLEMENTARES

1 – Há um crescimento de sites neonazistas no Brasil espelhados no discurso de Bolsonaro. Somente em maio desse ano, foram criadas 204 novas páginas de conteúdo neonazi – ante 42 no mesmo mês do ano passado e 28 em 2018. Matéria do El País.

2 – O The New York Times divulgou um artigo sobre o recente golpe na Bolívia que tirou o ex-presidente Evo Morales do jogo. Segundo o jornal, houve falhas sobre uma possível fraude. Leia também no Portal G1

3 – Para entender mais sobre essa eleição tão conturbada na Bolívia, o jornalista André Ortega escreveu na Revista Opera dois textos com os nome “Bolívia: lições de um golpe de estado”. Leia a Parte 1 e a Parte 2.

4 – Há um projeto na Argentina para um imposto extraordinário para quem tem patrimônio declarado acima de US$ 3 milhões. O objetivo é pegar o dinheiro arrecado e destinar para a área da saúde. O projeto já foi apresentado na Câmara dos Deputados e conta com o apoio do presidente Alberto Fernández. Leia na BBC Brasil.

5 – The New Yorker retrata o enterro de George Floyd em Houston.

6 – 52,5% dos brasileiros tiveram mais cuidado com as fake news por causa da Covid-19. Divulgado pelo B9.

7 – O mesmo B9 trouxe uma pesquisa com as “Marcas Transformadoras” durante a pandemia. São empresas que conseguiram construir relevância para o consumidor. Conheça aqui.