#033 – Ditadura nunca mais!

Hoje trago um extenso material divulgado pela Folha de S.Paulo sobre a ditadura militar no Brasil. O jornal lançou nesse domingo um caderno especial e diversas ações sobre o tema – fazem parte uma campanha publicitária (assista aqui), lives com especialistas e um curso sobre o tema (clique e acesse)

Em um editorial chamado “Democracia, nunca menos”, a Folha lembrou que o país passa pelo “maior teste de estresse desde a volta de um civil à Presidência, há 35 anos” ao lembrar dos ataques do presidente Bolsonaro. 

Sobre o projeto do veículo, o editorial diz que ele serve para “acordar os saudosistas de um mundo de fantasia, em que não haveria corrupção nem escândalos, a segurança pública seria grande, e a economia, milagrosa. Na vida real, o arbítrio sufocava as instituições, o pensamento livre e o direito de expressá-lo. A tortura era política de Estado, os adversários desapareciam, os desmandos ficavam ocultos pela mordaça nos outros Poderes e o crescimento econômico da década de 1970 acabou em inflação descontrolada e dívida”.

No editorial, a Folha lembra que apoiou o golpe e disse que errou. Relembra que, nos anos 80, “liderou na imprensa o movimento das Diretas Já, firmando-se como defensor intransigente da democracia e das liberdades individuais”.

A partir desse domingo, a Folha trocou o seu slogan que era de “UM JORNAL A SERVIÇO DO BRASIL” para “UM JORNAL A SERIÇO DA DEMOCRACIA” até as próximas eleições presidenciais.

75% dos brasileiros afirmaram que a democracia é sempre melhor do que qualquer outra forma de governo

Esse valor é o maior desde a série histórica iniciada em setembro de 1989 e feita pela Folha de S.Paulo desde então. O índice subiu 13% desde dezembro de 2019 e era 69% durante as eleições de 2018.

Atualmente, míseros 10% acreditam que, em certas circunstâncias, é melhor uma ditadura do que um regime democrático. Essa fatia também é a menor de toda a série histórica. O percentual de pessoas que preferem uma ditadura vem caindo sequencialmente desde abril de 2018.
Há ainda 12% que tanto faz se o governo é uma democracia ou uma ditadura, 10% a menos do que o levantamento de dezembro de 2019, e também o menor índice da série histórica levantada pelo jornal.
Há a chance de uma nova ditadura no Brasil?
Quase metade da população disse que não há nenhuma chance. 
21% acredita que há muita chance. Esse número era 31% em outubro de 2018, bem durante a eleição presidencial. Há ainda 25% que diz que há um pouco de chance.

A Folha de S.Paulo perguntou o que ameaça à democracia no Brasil

Os direitos do governo brasileiros

De novembro de 2018 para cá, veio caindo sistematicamente a quantidade de pessoas que “discorda totalmente” do fechamento do Congresso Nacional. Ou seja: aumentou o número de brasileiros que apoiam o assunto. Porém, de dezembro para cá, houve uma subida vertiginosa em quem “discorda totalmente” do fechamento, assim como houve um recuo considerável de quem “concorda totalmente”. O que nos mostra que tivemos mais pessoas radicais do fim de 2018 até dezembro de 2019, quando algo fez essas pessoas caírem em si e pararem de apoiar isso.

Em relação ao Supremo Tribunal Federal, 56% discordam totalmente de que o governo brasileiro deveria ter o direito de fechar a Corte. Há aquele núcleo duro extremista que concorda totalmente (14%) e uns que concordam em parte (7%). Coincidência ou não, a quantidade é o mesmo valor que o presidente Jair Bolsonaro tem – os cerca de 20%.

A Folha quis saber quem o governo deve ouvir para tomar as decisões

Cresceu muito o desejo de ouvir os técnicos e especialistas. Em fevereiro de 2014, 13% apontaram que isso era fundamental. Hoje, 42% disseram isso. Por outro lado, caiu o apoio do governo em ouvir mais o cidadão: de 83% em fevereiro de 2014 para 54% em junho desse ano.

78% dos brasileiros acreditam que houve uma ditadura militar de 1964 a 1985

Folha de S.Paulo perguntou sore o legado da ditadura.
Em fevereiro de 2014, 46% diziam ser negativo e 22% diziam que havia realizações positivas. Havia ainda 32% que não sabiam.

De lá para cá, despencou quem não sabia: agora são 13%.
A partir de outubro de 2018, data da eleição, a curva das avaliações positivas e negativas começaram a mudar: aumentou quem achou que o legado é negativo e caiu quem acredita no legado positivo.
A partir da eleição do presidente Bolsonaro, aumentou a quantidade de brasileiros que já ouviram falar do AI-5.

A Folha pesquisou outros temas para ver se o brasileiro já tinha ouvido falar

Tão lembrada pelas víuvas da ditadura, o “milagre brasileiro” não é lembrado por sete em cada dez cidadãos. Outro tema relativamente desconhecido é o assassinato do jornalista Vladimir Herzog. Interessante é que há mais brasileiros que conhecem a guerrilha do Araguaia do que os que não conhecem. O mesmo vale para a Lei de Anistia.
Folha questionou ainda sobre a vigilâncias das pessoas. Podemos ver uma alteração significativa entre fevereiro de 2014 e junho de 2020.

Mais da metade dos brasileiros disseram que o presidente é pouco inteligente

A má avaliação de Bolsonaro nesse quesito piora ainda mais em alguns recortes da população que se mostram refratários à figura do presidente. Um dos destaques é a visão crítica a ele dos jovens de 16 a 24 anos: 67% o veem como pouco inteligente. Entre eleitores com curso superior, grupo hoje distante do presidente, embora o avaliasse bem antigamente, 61% desconfiam da inteligência do mandatário.
 No outro campo, a imagem presidencial é bem vista nesse item entre eleitores do Sul do país, que desde a época da campanha eleitoral constituem uma das bases do bolsonarismo. Na região, 48% o veem como muito inteligente, taxa que cai para 35% entre entrevistados do Nordeste.