#034 – Bolsonaro e Lula em 2022: quem leva?

A pergunta do e-mail é bem interessante e você pode achar que estou louco.
Mas não. Você verá que alguns dados ainda mostram a força do Partido dos Trabalhadores (PT) e do ex-presidente Lula. 2022 ainda está longe – temos o desenrolar dessa pandemia e as eleições municipais, por exemplo. Porém, temos uma economia em frangalhos e que, pode sim, definir o o próximo presidente do Brasil. O ponto é: como o brasileiro votará em 2022? Há duas linhas de pensamento: uma diz que, depois de um governo mais de extrema-direita, a tendência é a as pessoas darem um voto de esperança e mudar tudo; outra turma diz que uma outra via mais a direita da direita por surgir e radicalizar ainda mais o discurso. Com os dados e tudo que está acontecendo, não duvido nada que essa segunda opção possa vir a acontecer – basta ver a militarização do Estado e a radicalização, cada vez maior, de extratos do Bolsonarismo. Tem chão até lá, mas as cartas estão na mesa.

#colunistas

Hoje estamos bombando de convidados. Todos incríveis!
Começo com a estreia de hoje: Bruno Renzi, publicitário, professor, vencedor de vários prêmios e um Entusiasta Digital. Ele vai falar sobre “Propaganda e Marketing”. Clique e leia seu primeiro texto: “A Síndrome do novo normal”.

Lara Bianco traz mais uma dica perfeita para você assistir – leia a coluna “Cine e Série” e a dica da vez: Closer

Ana Julia Lacerda traz mais uma história com seu filho Matheus na coluna “Mãe e Filho”. Leia – “Escolha suas batalhas”.

Deborah D’Almeida e suas palavras para acalmar a “Mente Humana” falando sobre “Ansiedade: é preciso ficar atento”

LEITURAS EXTRAS

1 – Falas de Bolsonaro contra isolamento podem ter matado mais seus eleitores. Isolamento caiu e houve mais óbitos proporcionalmente em cidades que tiveram mais eleitores do presidente. Leia na Folha de S.Paulo.

2 – “Quando os entregadores se fazem classe” de Rafael Grohmann e Paula Alves na Jacobin, sobre a mobilização do #BrequeDosApps e a luta desses trabalhadores.

3 – Empresas não exploram mudanças climáticas em relatórios financeiros. Pouco mais da metade reconhece a mudança climática como questão material, mas menos de 10% informa os riscos e oportunidades ligadas ao clima. Leia na Economeaning.

4 – O FBI teve “total conhecimento” das investigações da Lava-Jato. Reportagem exclusiva da Agência Pública.

5 – PCC veste branco. Traficante usou 38 clínicas médicas e odontológicas para lavar dinheiro, comprar insumos para o tráfico e socorrer “irmãos” baleados. Reportagem maravilhosa na revista piauí.

6 – Dezenas de empresas estão boicotando o Facebook. Elas deixaram de anunciar na redes social. A BBC Brasil explica.

7 – Pela primeira vez, mais da metade dos brasileiros não tem trabalho, segundo o IBGE. Leia na CNN Brasil.

Brasileiros perderam renda, acham que tem que abrir tudo e Lula ainda tem força para 2022

O jornal Valor trouxe dados que mostram o atual cenário do brasileiro em relação ao governo de Jair Bolsonaro, as eleições de 2022 e sobre a economia.

1 – Avaliação do presidente Jair Bolsonaro

17% avaliaram como “ótimo” e 13% como “bom”. Logo, a avaliação positiva é de 30% – o mesmo valor que aparece em várias pesquisas que já comentei por aqui. Faça chuva ou faça sol, o presidente não tem abalo em sua popularidade – mesmo com a prisão recente de Fabrício Queiroz e as recentes confusões em seus ministérios, por exemplo.

Há 25% que disseram estar “regular” e os mesmos 25% que apontaram como “péssimo”. Temos ainda 16% que avaliaram como “ruim”. Temos, então, uma avaliação negativa de 41%.

2 – Se a eleição fosse hoje, em quem você votaria?
25% – Jair Bolsonaro
19% – Lula
12% – Sérgio Moro
10% – Ciro Gomes
8% – Luciano Huck
5% – João Doria

“As últimas pesquisas indicam que o presidente pode estar perdendo apoio entre os mais ricos, mas ganhando adesão entre os mais pobres. Suspeita-se que isso seja resultado do ‘coronavoucher’, o benefício de R$ 600. Se o motivo for de fato a liberação desse tipo de recurso, tudo indica que  atual situação do presidente tem um fôlego bastante curto” disse o cientista-político Carlos Melo, professor da escola de negócios da Insper, em São Paulo.

Na disputa entre Bolsonaro e Lula:
-o presidente conta com ampla vantagem do voto masculino (30%) e Lula tem 16%;
-entre as mulheres, o petista aparece com 22% e Bolsonaro com 19%;
-por regiões, o atual presidente vence Lula no Sul (32% a 12%), no Norte/Centro-Oeste (36% a 13%) e no Sudeste (23% a 17%). O ex-presidente leva no Nordeste: 30% para ele e 17% para o capitão.
-na renda, Bolsonaro está bem dividido: 23% entre quem ganha até 2 salários mínimos; 28% entre quem recebe de 2 a 5 salários mínimos; 30% de 5 a 10; e 28% acima de dez salários mínimos.
-na renda, Lula mantém os votos nas classes mais baixas: 21% até 2 salários mínimos; 16% entre quem ganha de 2 a 5; 12% entre 5 e 10; e 9% dos brasileiros com mais de 10 salários mínimos.

3 – Avaliação de outros temas importantes

a) 45% desaprovaram a atuação do Congresso Nacional em relação à crise política do país – 31% aprovaram.

b) 39% desaprovaram a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação à crise política do país – 35% aprovaram.

c) 43% é a favor do aumento da presença de militares no governo Bolsonaro. Outros 42% são contrários – há ainda 15% de pessoas que não sabem (um número considerável).

d) 52% é a favor das manifestações de apoio à democracia – 33% são contrários (coincidência ou não, temos um número muito próximo das pessoas que avaliaram positivamente o governo).

4 – Questão sanitária-gestão da crise

a) 56% desaprovam a ação do presidente diante da pandemia. Em março, eram 50%. Destaque aqui para a queda dos que não sabiam: de 22% naquela época para 9% agora.

b) houve uma boa queda na aprovação das ações dos governadores: de 70% em março para 55% neste momento. 

c) a avaliação dos prefeitos pouco se mexeu: de 52% em março para 53% atualmente.

d) houve uma mudança na sensação de quanto tempo o Brasil vai demorar para superar a pandemia. Em março, 48% acreditava que demoraria muito tempo – agora 44% acreditam nisso. Atualmente, 47% acreditam que o Brasil vai demorar algumas semanas – em março eram 22%. Tivemos uma mudança clara de opinião.

e) outra opinião que mudou foi sobre o isolamento. A pesquisa perguntou o que é o mais adequado para o momento. Em março, 57% acreditavam que o melhor era fazer o isolamento geral da população, fechando o comércio, evitando aglomerações e deixando apenas o serviços essenciais. Hoje esse número está em 45%. Por outro lado, cresceu 6x (de 2% para 12%) quem acredita que o momento é de permitir a livre circulação de pessoas com todos os serviços funcionando.

Bolsonaro mantém aprovação, brasileiro quer o impeachment e tá com medo da Covid-19

Se você me acompanha aqui já sabe que, seja qual for a pesquisa, o presidente Jair Bolsonaro vai ter por volta de 30% de aprovação. Essa constatação foi uma vez confirmada no levantamento do Altas Político divulgado nessa quarta-feira. A grande questão que fica é por quê. 

1 – 65,1% desaprova o desempenho de Jair Bolsonaro. O brasileiro que aprova é, no geral, homem, morador do Sul, evangélico, entre 25 e 34 anos com renda média.

2 – Quase 60% avalia o governo como “ruim/péssimo”. Aqui vale destacar que, de fevereiro para agora, o índice subiu 20% – e quem achava regular despencou de 33% para 19%. Mas há um sinal de alerta: subiu 2% (de 21% para 23%) quem acredita que o governo está “ótimo/bom”.

3 – Quem avalia o governo positivamente é, resumindo bem: homem, morador do Sul, evangélico, com 60 anos ou mais, que tem renda entre R$ 2 mil e 5 mil e eleitor do presidente em 2018.

4 – 58% é a favor do impeachment – 10% a mais do que o levantamento de março. Quem é mais favorável: mulheres, moradores do Nordeste, agnósticos ou ateus, pessoas entre 16 e 24 e de 45 a 59 anos e dos dois extremos quando falamos de renda (até R$ 2 mil e acima de R$ 10 mil).

5 – 53,9% é a favor da prisão do Lula. Há quase 20% que não sabe/não quis responder.

6 – 70% não tem nenhum partido de preferência. O primeiro que aparece na lista é o PT (11,6%), seguido pelo Aliança pelo Brasil (4,9%) e pelo NOVO (2%). Aqui vale destacar a falta de credibilidade dos partidos, a força dos petistas e como o Bolsonarismo segue sua ideologia, não um partido.

7 – O ex-ministro Mandetta é o líder político com a imagem mais positiva, 52%. Aparecem depois o ex-ministro Sérgio Moro (42%) e o atual ministro Paulo Guedes (38%). Blsonaro tem 32%, enquanto Lula aparece com 28%. Mas o atual presidente é quem tem o maior índice de imagem negativa (64%), seguido de Rodrigo Maia (63%).

8 – 72% concordam com as medidas de contenção ao coronavírus – 10% a menos do que o levantamento feito em março.

9 – Mais da metade disse que a renda mensal diminuiu por causa da pandemia. O maior impacto aconteceu no Sudeste, nas pessoas mais velhas e que ganham menos.

10 – Quase 50% tem medo de pegar a Covid-19 – 10% acima do valor apontado em março.

11 – 68,1% está mais preocupado com as pessoas que poderão morrer – e 24,1% tem preocupação com o impacto da crise econômica (próximo aos índices de aprovação do presidente).

12 – 53,4% acreditam que as medidas de isolamento social devam ser ampliadas.

Presidente não vai bem nem entre quem recebeu auxílio emergencial

O Datafolha fez uma pesquisa para entender quem são os brasileiros que estão recebendo ou pediram o auxílio emergencial e como elas estão vendo tudo que está acontecendo no país.

Oito em cada dez pessoas que pediram ou já receberam tem renda familiar mensal de até 2 salários mínimos. Temos uma esmagadora maioria de brasileiros das classes sociais bem baixas. São pessoas mais vulneráveis e com a renda mensal mais instável.

Segundo o Datafolha, 24% delas não tem trabalho fixo (fazem bico e serviços esporádicos); 17% são desempregados; 17% são donas de casa; e 15% são autônomos.

Seis em cada dez pessoas que tiveram acesso ao benefício moram no interior; 40% dos que receberam moram no Sudeste e 33% no Nordeste.

Entre as pessoas que pediram e já receberam pelo menos uma parcela, 49% consideram como “ruim/péssimo” o trabalho do presidente na pandemia. 
Datafolha perguntou ainda se o presidente mais ajuda do que atrabapalha.
Seis em cada dez pessoas que pediram ou receberam o auxílio disseram que ele mais atrapalha do que ajuda – a mesma quantidade quando vemos os brasileiros que não estão participando do auxílio. A faixa de pessoas que disseram que ele mais ajuda do que atrapalha ficou na casa os 30%, o mesmo índice de aprovação que se tem visto.
As pessoas ainda foram questionadas sobre como elas estão vendo a atuação do Ministério da Economia na pandemia.Entre quem recebeu o auxílio, 39% disse estar regular, 32% afirmou que está “ótimo/bom” e 25% falou que está “ruim/péssimo”. Não há a predominância de nenhuma opinião entre essas pessoas.

Entre quem pediu e não recebeu, quase metade diz estar “regular” – e há mais gente achando “ótimo/bom” do que “ruim/péssimo”. Interessante isso: mesmo sem receber, as pessoas estão achando bom a atuação porque, possivelmente, ficaram feliz com o fato do auxílio ter sido criado.

Brasileiro sabe que há racismo no Brasil e cresce o número de pessoas que têm preconceito contra negros

Uma pesquisa do DataPoder360 mostrou que 76% dos brasileiros afirmaram que existe preconceito contra negros no Brasil. Esse valor é 13% menos do que os números divulgados em 1995. Para 12%, não há preconceito contra negros no Brasil. 

Mais mulheres do que homens acham que tem preconceito no Brasil (78% contra 73%, respectivamente).

Quanto mais jovem, maior o índice de que há preconceito no Brasil: 86% entre quem tem de 16 a 24 anos e 71% entre os brasileiros de 45 a 59 anos.

Está no Centro-Oeste o menor índice dos brasileiros que acreditam que há preconceito contra negros no Brasil: 70% – o maior está no Sudeste, 79%.

Os brasileiros com Ensino Médio são os que mais acham que há preconceito (80%) – o menor índice está em quem tem apenas o Fundamental (70%).

Quanto a renda: o menor índice está entre os brasileiros que ganham mais de 10 salários mínimos (70%).

Há 28% de brasileiros que disseram ter preconceito contra negros – quase 3x mais a quantidade de pessoas que responderam isso em 1995.

É preocupante e extremamente curioso o aumento de brasileiros que dizem ter preconceito contra negro.

Juarez Xavier, professor de jornalismo e coordenador-executivo do Núcleo Negro para a Pesquisa e Extensão da Unesp (Universidade do Estado de São Paulo), lembra que em 25 anos houve uma mudança significativa no contexto da luta contra a desigualdade e a questão racial. Segundo ele, em 1995, o Brasil vinha de uma trajetória de abertura do espaço democrático, celebrava o tricentenário da morte de Zumbi dos Palmares e o governo de Fernando Henrique Cardoso abria espaço para políticas afirmativas para negros.

Juarez avalia que desde 2008 o mundo vive 1 momento em que o discurso da extrema-direita tenta minimizar a importância do debate sobre a questão étnica-racial e da questão de gênero, além de tentar criminalizar a cultura. Para ele, a população jovem hoje, que não viveu o período de ascensão da democracia, pode estar reproduzindo essa construção ideológica. 
 “Pela 1ª vez, nós temos à frente da Presidência da República 1 presidente que faz depoimentos misóginos, racistas, preconceituosos, de violência. Isso nunca aconteceu naquele período democrático. A impressão que se tem é que esse discurso, o chamado ‘discurso do ódio’, da intolerância, da ausência de debate público e do respeito à opinião, pode ter influenciado 1 grupo de pessoas que tem se mostrado fiel a esse ideário”, disse.
 Sobre o percentual de pessoas que hoje se afirmam racistas, para Juarez Xavier, o dado pode ser resultado da percepção de que hoje a população negra é maioria no país. Ele diz que isso “pode ter provocado certo ressentimentos em determinados setores sociais”, que passaram agora a “se sentir à vontade para destilar o seu preconceito em relação à população não branca”.

BREQUE DOS APPS

Aconteceu nessa quarta-feira a primeira greve dos entregadores de aplicativo. A mobilização rolou forte em pelo menos 10 capitais do Brasil, principalmente em São Paulo. Trago abaixo uma análise do Pedro Barciela (@pedro_barciela) feita com a tag #BrequeDosApps.
A explicação é dele – reproduzida na íntegra.

Uma maravilhosa mobilização no #BrequeDosApps que foge completamente da já tão manjada polarização política. Enorme presença de usuários que fogem desse perfil, como
@anarcopedagoga@nathfinancas@galodeluta@gabriolaz@tretanotrampo@YuriMarcal e tantos outros.

A beleza e a diversidade da mobilização está no agrupamento verde, com 53,88% do grafo. Uma série de lideranças jovens, com uma linguagem muito menos burocrática, de fácil assimilação e que compraram essa briga também nas redes sociais.

O interessante é: esse cluster é didático em sua essência: explica lucro, exploração, aborda a ideia de classes e a importância da paralisação. E faz tudo isso de uma forma leve, prática, não engessada e de fácil assimilação para boa parte dos usuários. (eu, inclusive!)

O agrupamento político desse dia é composto principalmente por lideranças petistas e do PSOL. @MidiaNINJA e @J_LIVRES também estão presentes pela cobertura das manifestações. Mas, ainda que com um alto poder de ativação, esse agrupamento corresponde apenas a 26,92% do grafo.

E para quem se perguntar, o bolsonarismo tá ali, encostado e sem entender nada. Nessa thread não vale a pena perder tempo com isso