#035 – BolsoVírus e o assassinato de negros e pobres

Bolsonaro está cristalizado com aprovação popular. Ele balança, mas não cai

DataPoder360 trouxe uma nova pesquisa sobre o governo Bolsonaro.
Não há grandes novidades: o presidente mantém os índices de aprovação e de apoio mesmo depois do silêncio de algumas semanas depois dos casos envolvendo Fabrício Queiroz e seu filho Flávio Bolsonaro. 

Ao que tudo indica, o presidente está seguro com seu apoio popular e pouca coisa pode desestabilizar o seu governo.

Se tivermos que traçar um padrão de quem apoia, temos: homens, moradores do Norte, mais jovens, desempregados e sem renda fixa. 

Se tivermos que traçar quem o crítica, temos: mulheres, moradores do Nordestes, com ensino superior e das classes média alta e alta.

1 – Aprovação do governo

47% desaprovam. O destaque é esse número vem caindo desde junho. No começo daquele mês, eram 50% e depois foi para 49% no fim nas últimas semanas do mês passado.

Por outro lado, subiram os brasileiros que não sabem/não responderam: de 10% no começo de junho para 13% agora.

Os que aprovam somam 40%.

-Homens aprovam mais do que mulheres.
-Na faixa etária, a maior aprovação está nos brasileiros entre 16 e 24 anos.
-O Norte é a região com maior aprovação (56%) e o Nordeste tem a maior desaprovação (49%).
-Quanto maior a escolaridade, menor o índice de desaprovação.
-Os brasileiros que recebem + de 10 salários mínimo são os que mais aprovam: 45%.

2 – Avaliação do trabalho de Bolsonaro
46% acham ruim/péssimo – 2% a menos do valor no final de junho.
29% disseram ser ótimo/bom – o mesmo valor do último levantamento.

-Homens avaliam melhor do que as mulheres.
-Pessoas entre 25 e 44 anos são mais críticos: 50% avaliaram como ruim/péssimo.
-O Norte é quem mais avalia positivamente (40%) e o Nordeste é onde é maior o índice de ruim/péssimo (50%).
-Maior a escolaridade, maior o índice de ruim/péssimo.
-Maior a renda, maior o índice de ruim/péssimo.

Homem, pobre, jovem, negro e pardo: é esse o perfil de quem morre de Covid-19 no Brasil

revista Época dessa semana traz a matéria de capa “Pobre, negro e sem ar”, um levantamento que mostra o perfil dos brasileiros que perderam a vida em maior número por causa da pandemia.

Os dados são do Sistema Sivep-Gripe, do OpenDataSUS, mantido pelo Sistema Único de Saúde e foram analisados pela consultoria Lagom Data. Ao todo, foram 54.488 vítimas que tiveram seus dados levantados.

De acordo com a revista, os números levantados pelo SUS são obtidos graças à inserção obrigatória das fichas de todos os pacientes. Mas a publicação alerta que há defasagem de dados nos cadastros – nos prontuários do SUS, por exemplo, as informações sobre as comorbidades do paciente está em apenas um terço das fichas. 

A conclusão da revista Época é:
Por razões socioeconômicas e sociodemográficas, a doença matou mais pobres e pardos, mais homens do que mulheres e mais jovens do que em outros países. 

Vamos aos dados gerais da análise:

1 – 96% dos óbitos foram de pessoas que viviam em zonas urbanas.
2 – Quase 6 em cada 10 dos óbitos eram de homens. No Mato Grosso, por exemplo, era taxa de homens chega a 70%.
3 – No Norte, 86% das vítimas eram pardas ou pretas. No Nordeste, eram 82%.
4 – Foram 218 indígenas mortos.
5 – No Mato Grosso, 40% dos mortos tinha menos de 60 anos – já no Rio Grande do Sul, 21% estavam nesta faixa etária.

No Brasil, a média para as mulheres é de 70 anos e para os homens de 67.

Por aqui, 6% das vítimas tinha entre 40 e 49 anos – na Itália, Espanha e Suécia esse percentual não passou de 1%.

Já entre 50 e 59 anos, os brasileiros que morreram vítima da Covid-19 superavam 10% no total – nos três países citados anteriormente, as vítimas nessa faixa eram menos de 5%.

Na Espanha e na Itália, 40% das vítimas tinham entre 80 e 90 anos – por aqui, essa faixa correspondia a 20%.

Nos EUA, 19% dos mortos tinham menos de 65 anos. No Brasil, 26% tinham menos de 60 anos.

Os especialistas ouvidos pela revista deram algumas explicações.

A começar pelo fato de que os brasileiros sofrem mais de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, do que outras populações.

escolaridade reflete mais do que o conhecimento, reflete oportunidade de emprego, renda, ocupação – que geralmente levam à informalidade, com péssimas condições de trabalho e maior exposição ao coronavírus.

Em relação ao fato de mais homens morrerem:
“Há várias teorias para isso. Uma delas diz respeito a comorbidades não tratadas: os dois podem ter hipertensão, mas a das mulheres tende a ser mais controlada. De forma geral, sabemos que as mulheres aderem mais à medicação, procuram mais rapidamente o serviço de saúde e têm maior cuidado com a saúde do que os homens. Elas também costumam seguir mais as recomendações preventivas, no caso lavar a mão, usar a máscara, fazer distanciamento. Em geral, os homens se cuidam menos” disse Guilherme Werneck, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
 
A pobreza também afeta.
Um índice para medir o impacto de caracaterísticas socioeconômicas na saíde foi criado por pesquisadores da USP e no Hospital Israelita Albert Einstein, em parceria com o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS. Batizado de GeoSES, o indicador já mostra que quanto maior o percentual de pobreza de uma cidade, maior o risco relativo de mortalidade pela Covid-19.

Outro estudo feito pelo site Medida SP, em que foram cruzados os dados de mais de 3 mil mortos na Grande São Paulo com seus CEPs, constatou que 66% das vítimas viviam em bairros em que a renda média estava abaixo de R$ 3 mil. Nas regiões com renda acima de R$ 19 mil, foi registrado pouco mais de 1% das mortes.

#ForçaCovid no Twitter

Depois que foi confirmado que o presidente está com a Covid-19, a tag #ForçaCovid rapidamente ganhou força (desculpe o trocadilho) no Twitter. Alguns comentários eram irônicos e outros pediam a morte do presidente.

Pedro Barciela (sempre ele) fez uma análise da tag.
Segundo ele, “o maior cluster (laranja) teve 47,93% dos usuários. Nele estão @analuiiizsa@gl4u_ , @leonardokkkj e @vingxdorxs
e outros que você provavelmente não conhece”


Pedro destaca que o ódio ao presidente não ficou restrito à esquerda. Segundo ele, já é domínio público o ódio à Bolsonaro.
Pedro coletou ainda os comentários das principais publicações do Facebook sobre o diagnóstico do presidente. Foram mais de 1,4 milhões de interações nas 20 principais notícias sobre o tema. Importante: quase 30% de apoiadores – o mesmo índice de aprovação e apoio ao presidente.

Como vota o LGBTQ norte-americano nas eleições de novembro

GREELEY, CO – OCTOBER 30: Republican presidential nominee Donald Trump holds an LGBT rainbow flag given to him by supporter Max Nowak during a campaign rally at the Bank of Colorado Arena on the campus of University of Northern Colorado October 30, 2016 in Greeley, Colorado. With less than nine days until Americans go to the polls, Trump is campaigning in Nevada, New Mexico and Colorado. (Photo by Chip Somodevilla/Getty Images)
As eleições norte-americanas estão cada vez mais próximas e quentes. As recentes pesquisas mostram a liderança do democrata Joe Biden, mas tudo ainda está incerto. A economia está em colapso, o descaso de Donald Trump com a pandemia e as recentes manifestações antirracistas podem movimentar o jogo político por lá.

Hoje trago uma pesquisa feita pela Morning Consult sobre os eleitores LGBTQ norte-americanos. Os números foram divulgados depois do mês do Orgulho LGBT onde a comunidade internacional lembra dos direitos desse grupo – o que, claro, não é diferente nos Estados Unidos.

Em junho, a Suprema Corte do país decidiu por seis votos a três que os empregados não podem sofrer discriminação no trabalho por serem gays ou transgêneros. A decisão sacudiu o país e, claro, reverberou no governo Trump.

Pensando nisso, é importante analisarmos como essa comunidade pretende votar nas eleições presidenciais de novembro.

Primeiro, é importante lembrarmos que s pessoas LGBTQ representam 4% dos eleitores do Partido Republicano, enquanto são 12% no Partido Democrata. Aqui já podemos ver uma diferença clara de posicionamento em relação aos partidos.

Segundo dados da Morning Consult, o candidato democrata Joe Biden tem uma média de 43% pontos de vantagem em relação ao presidente republicano Donald Trump quando falamos do apoio dos eleitores LGBTQ dos Estados Unidos.

Nao último levantamento feito de 15 a 21 de junho com mais de 30 mil eleitores registrados, o democrata venceu por 45% – 64% a 19%.

Importante destacar que, quando analisamos a pesquisa sem esse recorte, a vantagem de Biden é de algo em torno de 10% a 15%. Outro fato interessante é que Biden vem mantendo essa grande vantagem desde o fim da Super Terça, no começo de março deste ano.
Essa diferença entre Biden e Trump se deve aos 86% de diferença entre a votação dos democratas LGBTQ: 89% irão em Biden e 3% no atual presidente; e em uma vantagem também entre os LGBTQ independentes: 47% demostraram apoio à Biden e 19% em Trump.

Há ainda um desempenho superior entre os republicanos LGBTQ em comparação aos republicanos heterossexuais que apoiam Biden. Segundo a pesquisa, os eleitores republicanos LGBTQ tem 5% mais chances de votar em Biden do que os republicanos héteros – 12% contra 7%. E 8% menos chance de votar em Trump – 80% para LGBTQ e 88% para heterossexuais.
Quem são esses eleitores LGBTQ?

49% dos republicanos são conservadores e 25% são liberais.
Entre os democratas, 78% são liberais e 13% moderados.

87% dos republicanos e 75% dos democratas são brancos.
Entre os negros, 17% são democratas e 12% são independentes – apenas 7% são republicanos.

74% dos independentes tem menos de 45 anos.
39% dos republicanos e 39% dos democratas tem mais de 45 anos.

63% dos republicanos são homens e 56% dos independentes são mulheres.
Há mais mulheres LGBTQ democratas do que republicanas.

30% dos republicanos vivem nas áreas rurais – 18% entre os democratas.
36% dos democratas estão nas cidades e 46% nos subúrbios.
Quais são as prioridades dos eleitores LGBTQ nas eleições?

A maior preocupação entre os eleitores LGBTQ é a economia: é a prioridade para 25%. Esse número cai para 20% entre os LGBTQ democratas, dispara para 36% entre os LGBTQ republicanos e sobe para 29% entre os independentes.

Os LGBTQ democratas se preocupam mais de duas vezes com o sistema de saúde do que os LGBTQ republicanos.

Os LGBTQ republicanos priorizam cinco vezes mais a segurança do que os LGBTQ democratas.

25% dos LGBTQ independentes tem outras prioridades – mais de três vezes a preocupação dos republicanos.

Memes da ultradireita fetichizam homens fortões e machões

Reprodução da coluna “Braço forte, mão amiga” de João Perassolo publicada na Folha de S.Paulo de domingo
Durante o período de um ano e meio no qual trabalhou em seu novo livro, o escritor Ricardo Lísias angariou uma série de imagens de líderes conservadores retratados com corpos musculosos, segurando armas ou vestidos de super-heróis, não raro com um peitoral avantajado em destaque.

O curioso é que essa iconografia, recheada de referências homoeróticas, serve para defender presidentes que fazem declarações e apoiam leis homofóbicas —a exemplo de Bolsonaro e de Putin.

Na visão de uma série de pesquisadores, a fetichização do corpo masculino —e de uma ideia específica de masculinidade— é de fato um dos temas mais presentes nos memes da ultradireita. Estas imagens de homens indestrutíveis, que costumam vir embaladas numa linguagem humorística típica das redes sociais, aparentemente inofensiva, também servem para divulgar de maneira eficaz o ideário político por trás de seu surgimento.

“Em geral, nós vivemos em sociedades que valorizam esse tipo de corpo, que não são sociedades fascistas em si, mas o fascismo pega esses corpos e os leva ao extremo”, diz Federico Finchlestein, professor de história da universidade New School, em Nova York, e autor de “Do Fascismo ao Populismo na História”, lançado no país pela Edições 70.

A exaltação do biotipo hipermasculino deixa claro que uma sociedade de inclinações fascistas é uma sociedade de homens, em que as mulheres estão ausentes do quadro e não têm papel de decisão, mas servem para a função reprodutiva e se dedicar à casa, acrescenta Finchelstein.

A beleza física como significante de masculinidade —uma alusão aos princípios gregos de harmonia, proporção e controle— passou a vigorar nas sociedades modernas a partir da segunda metade do século 18 e do início do 19, coincidindo com a ascensão da burguesia europeia.Mas a construção desse imaginário só existe graças à exclusão de tipos considerados marginais, a exemplo dos homossexuais e dos judeus, como notou o historiador George Mosse em “The Image of Man: the Creation of Modern Masculinity”, livro ainda sem tradução para a língua portuguesa.A própria indústria do erotismo e da pornografia gay estimulou durante várias décadas do século 20 a circulação de imagens de corpos masculinos trabalhados em academias de ginástica, tornando esse físico desejável e alimentando o mito do homossexual bonito e que se cuida, lembra o sociólogo Fábio Mariano Borges, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing.

Leituras complementares

1 – Novos documentos mostram que rachadinha de Jair Bolsonaro na gasolina chegou a R$ 25 mil em mês de eleição. Reportagem exclusiva da Sportlight – Agência de Jornalismo Investigativo.

2 – Escritório do Crime: como o grupo de matadores colecionou execuções no Rio por uma década. Matéria do G1 do Rio de Janeiro;

3 – Foro de SP, bicho-papão do Bolsonarismo, faz 30 anos e busca nova relevância. Matéria de Fábio Zanini na Folha de S.Paulo de domingo.

4 – Teste no Brasil trata estresse pós-traumático com MDMA, princípio ativo do ecstasy, que está em vias de se tornar a primeira droga psicodélica a receber a licença de remédio nos EUA. Matéria importantíssima na Folha de S.Paulo.

5 – Artistas LGBTQI+ dão a nova cara do sertanejo. É o queernejo. Reportagem sensacional na Gama Revista.