#037 – Cresce aprovação de Bolsonaro e presidente chega com força em 2022

O mar está virando para Bolsonaro? Há indícios que sim.
Quem acompanha a nossa newsletter, sempre vê as pesquisas de aprovação do governo federal. As análises de vários levantamentos davam a ideia de um norte com indefinição e até preocupante para o Executivo. As informações não eram nada animadora para Bolsonaro. A tendência, até então, era de aumento da reprovação e uma via sem saída para o futuro do presidente.

Mas a nova pesquisa da XP Investimentos traz um cenário completamente diferente do que tínhamos até agora: há um novo momento e uma luz no fim do túnel para o presidente. Explico.

Ao que tudo indica, Bolsonaro começa a inverter o cenário catastrófico. A começar pela queda na avaliação “ruim e péssimo” e o crescimento na expectativa de um futuro como “ótimo e bom”.

Mas são os índices econômicos que merecem a nossa atenção. É economia que faz um governante ser reeleito. Não tem como.

Caiu a quantidade de pessoas que acham que a corrupção vai aumentar; cresceu a sensação de que a economia está no caminho certo; houve redução no número de pessoas que acreditam que vão perder o emprego nos próximos meses; e caiu, consideravelmente, a quantidade das pessoas que acham que as dívidas vão aumentar. O cidadão está confiando mais no futuro e tendo a sensação de que as coisas vão melhorar.

Outro ponto importante foi a queda de pessoas que colocaram o presidente Bolsonaro como responsável pela crise econômica. 

O momento é de virada de jogo para Bolsonaro. Os brasileiros começam a ficar mais otimistas com a economia e isso está sendo refletido, diretamente, no presidente.

Ao que parece, Bolsonaro está colhendo os louros do pagamento do auxílio emergencial de R$ 600. Isso é muito peculiar. O presidente está conquistando novos eleitores para a sua base fiel (falaremos disso mais para frente, aguarde). 

A sensação é que o brasileiro está descolando do presidente os problemas do país. E colocando em quem? Governadores e Congresso. Isso está muito ligada à retórica bolsonarista de tirar a culpa de Bolsonaro e jogar para outro qualquer – e parece que está dando certo.

Nesse contexto, temos dois pontos de virada do presidente que podem estar contando para esse novo momento: o “Bolsonaro paz e amor”, com a redução dos ataques anti-democráticos, por exemplo; e a união do governo com os partidos do Centrão. Tais atitudes podem ter acalmado os brasileiros menos radicais. Mas, por outro lado, os mais extremistas criticaram o seu líder.

Tudo isso é novo e inédito no governo Bolsonaro. 
O que precisamos saber: o presidente vai se manter sem o seu radicalismo e sua base extremista? E como fica 2022?  O presidente chega com força para a disputa se conseguir manter os seus cerca de 30%. A ver as próximas jogadas.

1 – Avaliação do governo
45% apontaram como “ruim e péssimo”. O número de brasileiros que avaliaram o governo dessa maneira vem caindo desde o meio de maio, quando 50% avaliaram dessa maneira. Isso mostra uma tendência que pode ou não se perpetuar: a que menos pessoas estão avaliando negativamente o governo Bolsonaro. 

Por outro lado, também desde o meio de maio, vem aumentando a avaliação “ótimo e bom”: naquela época, eram 25%; hoje já são 30%.


2 – Expectativa para o restante do mandato Bolsonaro
Assim como na avaliação do governo, aqui também há uma tendência de melhora para o presidente. Do meio de maio para cá, caiu 5% a avaliação “ruim e péssimo”: de 48% para 43%. 

Em contrapartida, subiu de 27% para 33% a avaliação “ótimo e bom”.


3 – Avaliação dos governadores e do Congresso
Em julho, houve uma inversão: até esse mês, a avaliação positiva era maior do que a regular. Mas, desde o meio de maio, o cenário veio mudando, tanto entre ambas avaliações quanto com as opiniões negativas.

Naquela época, 42% avaliaram os governadores como “ótimo e bom” e 33% como regular. Agora, 38% acham que eles estão “regulares” e 36% como “ótimo e bom”.

A avaliação “ruim e péssimo” veio crescendo: no final de abril, 18% opinaram assim; hoje são 25%.

43% disseram que o Congresso está “regular”, 39% apontaram como “ruim e péssimo” e 13% como “ótimo e bom”.


4 – A corrupção nos próximos 6 meses
Caiu, de junho para julho, a sensação de que vai “aumentar ou aumentar muito”: de 47% para 43%.

Por outro lado, aumentou quem achasse que vai “ficar como está”: de 29% para 31%.

21% acreditam que vai “diminuir ou diminuir muito”.


5 – Maior responsável pela situação econômica atual
Houve uma redução considerável das pessoas que acham que o presidente Bolsonaro é o responsável: de 24% em junho para 19% agora. 

E houve um crescimento dos que acreditam que há “outros fatores”: de 14% para 25%.


6 – O caminho da economia brasileira
De maio para cá, subiu de 27% para 33% os brasileiros que acreditam que a economia está no caminho certo.

Daquela época até agora, caiu de 57% para 52% quem disse que o caminho está errado.

 7 – Percepção da chance de manter o emprego nos próximos 6 meses
Reduziu as pessoas que acham que a chance é “pequena e muito pequena”: de 54% no meio de maio para 46% agora.

Os mesmos 46% disseram que a chance é “grande e muito grande”.


8 – Perspectivas em relação às próprias dívidas nos próximos 6 meses
Despencou, de maio para agora, quem acha que vai “aumentar e aumentar muito”: de 42% para 32%.

Agora, há mais gente achando que vai ficar como está: 35%

De abril para agora, subiu, consideravelmente, quem concorde que vá “diminuiu ou diminuir muito”: de 14% para 23%.

Um mergulho na cabeça dos bolsonaristas

jornal Valor, em seu caderno EU&Fim de Semana trouxe uma reportagem assinada por Carlos Rydlewski sobre os chamados “bolsonaristas raíz”. A imagem desses cidadãos foi criada a partir de uma pesquisa realizada pelo Instituto Travessia.

“O bolsonarista que encontramos não é o estereótipo, o agitador radical das redes sociais. Ele é um eleitor fiel, conservador, mas que vive os problemas do dia a dia. Em muitos sentidos, principalmente entre os mais pobres, é mais prático do que ideológico” disse o analista Renato Dorgan Filho, sócio do Instituto Travessia. 

Segundo o levantamento do Instituto, o retrato do bolsonarista padrão é: homem, morador do Sudeste, com idade a partir de 45 anos, renda acima de dez salários mínimos e evangélico.

Para identificar esse bolsonarista, foram feitas entrevistas por telefone, entre 9 e 10 de julho. As pessoas responderam em qual candidato votariam caso a eleição fosse hoje. Foram ouvidos apenas os cidadãos que responderam o presidente Jair Bolsonaro.

Um dos pontos mais interessantes da pesquisa é a visão com tintas mais democráticas do que antes se imaginava (isso vocês poderão ver nos dados que apresento mais abaixo). “Existe uma brecha, um espaço de diálogo com os eleitores do presidente Bolsonaro, que eventualmente pode aproximá-los de um campo mais progressista. Na prática, ela revela que há diversidade entre os eleitores do presidente, e isso não estava tão claro” disse Álvaro Moisés, professor de ciência política da USP. 

O levantamento não explica essa posições, mas uma análise feita pelas pesquisadoras Caminha Rocha, ligada ao Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), e Esther Solano, professora da Unifesp. Elas ouviram 27 pessoas das classes C e D, moradores da Região Metropolitana de São Paulo, e identificaram três grupos bolsonaristas: fiéis, apoiadores críticos e arrependidos.

“Percebemos que muitas dessas pessoas, mesmo as que defendem medidas radicais como o fechamento do Congresso ou do STF, não se consideram antidemocráticas. Elas não querem necessariamente o fim das instituições. Desejam que elas passem por uma renovação profunda, uma espécie de ‘reset’ institucional” disse Rocha. 

“Em geral, todas as pesquisas que avaliam o apoio, o prestígio ou a intenção de voto em Bolsonaro indicam que ele conta com uma parcela de 25% a 30% do eleitorado. Já as análises que verificam a dimensão do grupo de bolsonaristas pesados, chamados de ‘raiz’, apontam para percentuais entre 12% e 15%, chegando às vezes a 20%” comentou Álvaro Moisés.

“O fato é que existe na sociedade brasileira um núcleo de extrema-direita que tem esse tamanho, sendo que muito dos seus integrantes nem sequer consideram que houve um período de ditadura no Brasil. Esse é um resíduo autoritário que perdura ao longo do tempo e não muda” argumentou Moisés. A singularidade é que esse discurso, antes residual, tornou-se oficial por causa da eleição de Bolsonaro.

Isabela Kalil estuda há quase uma década os movimentos conservadores no Brasil. Para ela, existem alterações recorrentes nos 30% de bolsonaristas. Os levantamentos recentes mostram que houve uma mudança na base do presidente: teriam entrado os eleitores de baixa renda (por causa do auxílio emergencial de R$ 600) e saído os integrantes da classe média, entre eles os “lavajatistas”, depois da demissão de Sérgio Moro.

Veja quem são e como pensam o “bolsonarista raíz”.

– 55 são homens.

– 42% moram no Sudeste e 28% no Nordeste.

– 24% têm mais de 60 anos e 24% têm entre 45 e 59 anos. A menor fatia têm de 16 a 24 anos (10%).

– 33% ganha acima de 10 salários mínimos e 30% entre 5 e 10.

– 52% são evangélicos e 24% católicos.

1 – Congresso, Centrão Moro e o STF
95% não apoiam a atuação dos políticos no Congresso;
90% não apoiam a atuação dos ministros do Supremo;
62% apoiam a saída de Sergio Moro – 28% não;
58% não apoiam a aproximação do presidente com os políticos do Centrão.

2 – Imprensa e democracia
84% apoiam as críticas que o presidente faz à imprensa;8
3% apoiam as manifestações a favor da democracia;
62% não apoiam as manifestações a favor de um golpe militar no Brasil.

3 – Corrupção
91% acreditam que o governo Bolsonaro combate a corrupção;
57% não acham que o presidente ou integrantes da sua família se envolveram em casos de corrupção.

4 – Armas e segurança
98% é a favor que a polícia atue com mais rigor contra os criminosos;
75% apoiam uma maior liberação do uso de armas.

5 – Sobre a pandemia
90% apoiam a redução das medidas de isolamento social;
79% apoiam a atuação do presidente no combate à Covid-19;
58% aprovam o decreto de Bolsonaro que não torna obrigatório do uso de máscaras;
42% acha que o presidente se expôs demais à Covid-19.

6 – Religião, LGBT e racismo
63% apoiam as manifestações contra o racismo que aconteceram no mundo;
60% não acreditam que a religião deve orientar as ações do governo;
53% não apoiam movimentos que defendem os direitos dos LGBT.

7 – Reserva indígenas e floresta amazônica
55% apoiam maior flexibilização na política de preservação da floresta;
55% acreditam que não é preciso diminuir as áreas das reservas indígenas na Amazônia;
41% acham que a maior ameaça para a Amazônia são os países estrangeiros que querem dominar a região;
25% apontaram as ONGs que atuam na região.

8 – Intervenção do Estado na economia
Há um empate técnico: 45% acreditam que sim e 42% que não.

9 – Programas de transferência de rendaAqui também há um empate técnico: 42% são a favor e 38% são contrários.

#colunistas

#colunistas

Começamos as indicações dessa semana com o começo de uma revolução dentro da Academia do Oscar. A Lara Bianco contou às novidades e trouxe dicas para você fugir dos clichês hollywoodianos

Na coluna “Mãe e Filho”, o tema da vez é “Tenham filhos”

Para fechar os convidados da semana, o produtor musical Nandes Castro fala sobre “Música e Educação” e a importância da música preta.

#mandadicas

Este livro traça a história do fascismo no Brasil desde sua origem, com Plínio Salgado, Gustavo Barroso e Miguel Reale, até às ações mais recentes, como o ataque à produtora Porta dos Fundos, ocorrido no Natal de 2019. Os autores elucidam como foi a trajetória do integralismo, cujo principal líder foi Plínio Salgado, e descrevem o início deste movimento sob influência do fascismo original, após encontro do então futuro líder dos camisas-verdes, como era conhecido o movimento integralista no Brasil, com Benito Mussolini, líder dos fascistas italianos, conhecidos como os camisas-negras.

A história também atravessa todo o período do neointergalismo, com especial atenção aos movimentos que iniciaram em 2004 e chega ao evento do Natal de 2019, considerado pelos autores como a mola propulsora para a elaboração deste livro, uma vez que nas buscas policiais aos responsáveis pelo ataque à sede da produtora, a polícia apreendeu simulacros de armas, facas e mais de 100 mil reais, além de livros relacionados com o universo da extrema direita: de Plínio Salgado a Olavo de Carvalho, cujo nome circula com frequência nas redes sociais e conversas do cotidiano. Trata-se uma obra voltada a um público amplo, com uma escrita fluida e que certamente ajudará a compreender o atual momento em que o Brasil se encontra.
Em O capital no século XXI, Thomas Piketty inflamou o debate em todo o mundo sobre a distribuição de renda e a desigualdade, o que alçou a obra ao status de importante referência da área de economia e uma das mais influentes da atualidade. A partir de discussões fomentadas em palestras, congressos e artigos, Piketty percebeu que uma questão lançada em seu best-seller precisava ser aprofundada: a forma como a ideologia agiu para justificar e perpetrar a desigualdade em todas as sociedades ao longo dos últimos séculos.
Partindo de uma monumental pesquisa de dados coletados no Ocidente e também em nações pouco analisadas como a Tunísia, a Rússia, o Líbano e a China ― e discutindo longamente o caso do Brasil ―, o autor faz em Capital e ideologia um apanhado que remonta às sociedades pré-Revolução Francesa e chega aos dias de hoje, para mostrar como a economia não é produto da natureza: como construção histórica, é passível de ser mudada e até revolucionada.
Tido como uma continuação de O capital no século XXI, mesmo podendo ser lido como obra independente, Capital e ideologia está destinado a ocupar um lugar de destaque nas discussões políticas, econômicas e sociais do Brasil e do mundo graças à crítica contundente que faz das políticas atuais e por sua proposta arrojada de um novo sistema econômico, mais justo.

Leituras complementares

1 – A nova Guerra Fria entre EUA e China já chegou à tecnologia e o Tik Tok está no centro dessa disputa. Reportagem da BBC explica porque os norte-americanos estudam banir o aplicativo em seu território.

2 – Grupos evangélicos e olavistas ajudaram a espalhar fake news de Bolsonaro sobre a esquerda e pedofilia. Matéria muito interessante da Agência Pública.

3 – Na batalha das redes, a extrema-direita ganha de WO. Análise no The Intercept de como a direita domina a narrativa nas redes sociais.

4 – São Paulo tem uma nova ação com pedido de despejo a cada 22 minutos durante pandemia do coronavírus. Reportagem no Yahoo Brasil.

5 – PSL foi o partido mais influente nas redes sociais no 1º semestre.
Reportagem do Poder360