#046 – Só Lula pode vencer Bolsonaro

Brasília(DF), 24/04/2017 – Luiz Inácio Lula da Silva durante evento do PT em Brasília. – Foto: Daniel Ferreira/Metrópoles
Parece que 2022 está longe, mas o jogo político já está se movendo para a próximo campanha para a Presidência da República. Tudo ainda está muito aberto e vago, mas as pesquisas recentes mostram que o ex-presidente Lula ainda é um forte candidato para ocupar o cargo. A pesquisa PoderData mostrou que, se o segundo turno da eleição fosse hoje, o petista teria 41% dos votos, a mesma fatia do presidente Jair Bolsonaro.

Neste cenário, temos:

– a maioria do Centro-Oeste votando em Bolsonaro. Lula ganharia no Sudeste e no Sul do país. O grande fato aqui é a vitória do atual presidente no Nordeste: 46% para ele e 40% para Lula, uma inversão histórica quando analisamos que o PT sempre ganhou na região;

– os homens votariam mais em Bolsonaro do que em Lula;

– Lula ganha bem no Ensino Superior: 48% a 30%;

– Lula ganha entre quem ganha de 2 até 5 salários mínimos e Bolsonaro leva em quem não tem renda fixa e entre 5 e 10 salários mínimos. O petista tem mais voto ainda dentre quem ganha mais de 10 salários mínimos.
A pesquisa mostrou em quem as pessoas que votaram no 1º turno em outra pessoa votariam em um cenário entre Lula e Bolsonaro.

Lula ganha a maior quantidade de votos dos eleitores de Flavio Dino (PCdoB): 55% – mas 31% iria para Bolsonaro – um número considerável sabendo do histórico do governador e de sua militância contra o presidente. 

Um ponto a se destacar é o empate técnico dos eleitores de Moro: 35% votariam no presidente e 32% em Lula. Será que os lavajatistas sentiram mesmo a saída do governo e não votariam de jeito nenhum em Bolsonaro, mesmo que isso os faça votar no petista?

Outra parte bem interessante são os votos que viriam de João Doria: 45% iriam para Lula e 26% para Bolsonaro. Decretou-se o fim do Bolsodoria.
A pesquisa analisou ainda um possível segundo turno entre Bolsonaro e Moro.
Neste cenário, o presidente tem 40% e o ex-ministro aparece com 37%.

Dos eleitores que votassem no Lula no 1º turno, 54% votariam no Moro no 2º turno e apenas 8% iriam no Bolsonaro.

A maior fatia para Bolsonaro no 2º turno viria dos eleitores de Flavio Dino (PCdoB): 36% – contra 57% para Moro.

Ninguém que votasse no Mandetta votaria em Bolsonaro no 2º turno.
Os dados mostram uma inversão de eleitores.
Historicamente, o PT sempre recebeu votos das camadas mais populares e, principalmente, do Nordeste. Por sua vez, o presidente Bolsonaro foi eleito com o apoio da classe média antipetista e das elites econômicas. Agora, temos os mais escolarizados e ricos com possibilidades de votar em Lula e os sem renda e nordestinos votando no Bolsonaro. Acredito que isso possa estar ligado em dois pontos principais.

Um deles é o auxílio-emergencial, claro. O presidente, que não apoiava e depois quis que fossem pagos R$ 200, aproveitou da medida aprovada pelo Congresso e nadou de braçada para roubar a paternidade do projeto. Para quem ganhava R$ 100 no Bolsa Família e passou a receber 6x mais, o presidente transformou-se em um rei. Soma-se a isso as recentes viagens de Bolsonaro ao Nordeste e aos acordos com o Centrão, o que leva o nome do presidente para os quatro cantos do país por causa das emendas liberadas para os redutos dos deputados e senadores.

O outro ponto é que os brasileiros mais instruídos passaram a ver o governo como ele realmente é: bizarramente e como um local de pessoas despreparadas. Os absurdos ditos pelo presidente e sua equipe, os recentes casos de corrupção e a relação próxima do clã Bolsonaro com a milícia e o descaso total com a pandemia, fizeram com que faixas da população virassem as costas para o capitão. 

Outra perspectiva que merece ser analisada é a dependência que PT tem do ex-presidente Lula – e, se quisermos ampliar o foco, a “luladependência” da esquerda como um todo

A pesquisa trouxe um cenário com Fernando Haddad contra Bolsonaro no 2º turno, mas, novamente, o petista perderia: 45% a 38%. Trouxe ainda um embate de Bolsonaro com Ciro Gomes, na qual o atual presidente ganharia de 48% a 33%.

Hoje, o campo da esquerda não tem nenhum político capaz de ganhar de Bolsonaro exceto o ex-presidente Lula. Mas como fica para o futuro? Lula está caminhando para o fim da sua carreira política e como a esquerda ficará então? Muita gente diz que o Lulismo é maior do que o Petismo – fato que concordo – e isso é perigossísimo para o Partido dos Trabalhadores que não conseguiu criar quadros de força nacional – muito menos regionais.

A esquerda, por sua vez, tem quadros com maior expressão. Caso do Ciro Gomes (PDT), Manuela D’Ávila (PCdoB), Flavio Dino (PCdoB), Guilherme Boulos (PSOL), Marcelo Freixo (PSOL), entre outros. Esses nomes ainda não tem força para ganhar uma eleição presidencial, mas já fazem força contra o outro lado da política – fato que nenhum petista consegue, exceto Lula.

238 brasileiros têm R$ 1,6 trilhão em suas contas

É isso mesmo que você leu: nosso país tem 238 bilionários que somam R$ 1,6 trilhão de reais, crescimento de 33% em relação à soma de 2019. Se pegarmos os números do ano passado, este ano mais 33 brasileiros se tornaram bilionários e entraram para a lista dos mais ricos da Forbes Brasil.

De acordo com a revista, a maioria dos novos novos bilionários brasileiros conseguiu sua fortuna no mercado de ações, seja pela oferta inicial de papéis (IPO) de suas empresas na Bolsa, seja pela disparada da cotação das companhias das quais são acionistas.

O aumento no número de bilionários também teve um impulso da fabricante de motores Weg. São dez novos bilionários ligados à empresa – os estreantes na lista herdaram participações acionárias deixadas pelos fundadores, Werner Ricardo Voigt, Eggon João da Silva e Geraldo Werninghaus.

O estreante mais bem posicionado é o investidor Alexandre Behring da Costa, cofundador do fundo de investimentos 3G Capital, que aparece na sexta posição, com fortuna estimada em R$ 34,32 bilhões. Ele também é presidente do conselho da administração da gigante alimentícia Kraft Heinz e copresidente da mesa da Restaurant Brands International, dona das redes de fast food Burger King, Popeyes e Tim Hortons.

O top dez dos bilionários apresenta outro nome pela primeira vez: o empresário maranhense Ilson Mateus Rodrigues, na nona colocação, com um patrimônio estimado em R$ 20 bilhões. Ele é presidente e principal acionista do Grupo Mateus, rede de varejo que tem 137 lojas físicas em 54 cidades do Norte e do Nordeste.

Vazamento de arquivos questiona tratamento de grandes bancos a oligarcas e redes criminosas

Um vazamento maciço de arquivos oficiais dos Estados Unidos, conhecido neste domingo, revela que grandes bancos violaram as regulações internacionais sobre lavagem de dinheiro e favoreceram ―através de movimentos milionários― questionados magnatas do Leste Europeu, redes criminosas e operadores políticos acusados de corrupção. De oligarcas ucranianos à rede do empresário colombo-venezuelano Álex Saab, suposto testa de ferro de Nicolás Maduro detido em Cabo Verde e ameaçado de extradição para os EUA, passando por narcotraficantes procurados pela Justiça norte-americana, as transações de recursos ilícitos deram a volta ao mundo e envolvem instituições como JP Morgan e HSBC.

A investigação começou com um vazamento de documentos secretos para o site BuzzFeed News, que compartilhou os arquivos com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês). Trata-se de milhares de relatórios que as entidades bancárias norte-americanas remetem diante de qualquer suspeita ao escritório de Controle de Crimes Financeiros (FinCEN), subordinado ao Departamento do Tesouro dos EUA. Os registros demonstram, segundo a apuração, que “cinco bancos globais (JP Morgan, HSBC, Standard Chartered Bank, Deutsche Bank e Bank of New York Mellon) continuaram se beneficiando” desses clientes inclusive depois de terem sido punidos pelas autoridades norte-americanas.

Leia mais sobre o caso.

– Documentos secretos do governo americano mostram como cinco bancos multinacionais ignoraram alertas e movimentaram dois trilhões de dólares de clientes investigados por crimes de todo tipo durante anos. (revista piauí)

– Bancos multinacionais desafiaram sistema antilavagem americano para movimentar US$ 2 trilhões de investigados por todo tipo de crime (Época)

– Bancos serem a oligarcas, traficantes e terroristas em explosão de lavagem de dinheiro (Poder360)

– Bancos globais buscam conter danos após divulgação de mais de US$2 trilhões em transferências suspeitas. (UOL)

– Banco dos EUA levanta suspeita sobre lavagem de R$ 1,4 bi na Eucatex de Maluf. (Poder360)

 – “Estou morrendo”. Ucrânia, JP Morgan e os cleptocratas. (Poder360)

– Vazamento demonstra como grandes bancos dos EUA lavam dinheiro sem serem impedidos pelo governo (DCM)

– Ações do JP Morgan, HSBC e Deutsche Bank desabam com notícia de movimentações suspeitas (Seu Dinheiro)

Inteligência Artificial comunista!!!

A “The Communist AI” é uma inteligência artificial (IA) que foi treinada com 8 milhões de páginas da internet e com livros comunistas e socialistas. O objetivo do estudo era entender o quão profundo a IA pode entender ideias e conceitos filosóficos profundos. A inteligência é capaz de vincular frases com outras, mas o mais importante é a capacidade de mostrar uma ligação clara entre diferentes parágrafos em sua saída, proporcionando compreensão da memória de longo e curto prazo.

Sempre que pudesse, a inteligência estava atacando o capitalismo, defendendo o trabalhador e pedindo a revolução. Além disso, ao ser apresentada para os estudos do anarquista Kroptkin, os estudiosos perceberam que a IA passou a usar palavras mais agressivas. Um dos pontos mais interessantes é o entendimento da IA sobre Deus, liberdade e autoridade a partir dos escritos.

Leia o texto completo de Mohamad Ali Nasser.

A Covid-19 ainda não acabou

Leituras complementares

– A renda média do brasileiro registrou queda média de 20,1% no primeiro trimestre completo da pandemia de covid-19, iniciado em março. Nesse mesmo período, a desigualdade social, medida pelo Índice de Gini, subiu 2,82%. Os dados são do estudo “Efeitos da pandemia sobre o mercado de trabalho brasileiro”, coordenado pelo economista Marcelo Neri, da Fundação Getulio Vargas (FGV). Estes são os piores resultados da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. Leia no Congresso em Foco.

– Justiça do Rio decreta prisão de Eduardo Fauzi por ataque a Porta dos Fundos. . De acordo com a denúncia do Ministério Público do estado, o homem teria assumido o risco de matar o vigilante do local durante a ação. O texto detalha que a porta de acesso ao edifício é de vidro e que o segurança poderia ser visto do lado de fora. Leia na CNN Brasil.

– O Bolsonarismo é de um senso estético bizarro e tosco. O Flávio Bolsonaro foi convocado pela Polícia Federal pra ficar cara a cara com Paulo Marinho que o acusa de envolvimento no vazamento de operação sobre corrupção, mas ele não aparece e vai para manaus dizendo que tem agenda importante na cidade. Mas ele participou do programa do Sikêra Jr. e gravou este vídeo deprimente.

– Pré-candidata do PT tem vice do PSL em cidade do interior de São Paulo, e aliança viraliza nas redes. Veja no Extra.

– Polícia investiga possível envolvimento de fazendeiros em queimadas do Pantanal. Assista na Globo News.

– Quantas pessoas são necessárias para derrubar uma ditadura de acordo com a ciência? Para saber disso, a cientista política de Harvard Erica Chenoweth olhou para a História e chegou a um resultado. Leia na BBC.

– Desde o domingo, 13 de setembro, a Record tem mobilizado esforços no combate ao que ela chama de “império”: o Grupo Globo e os seus sócios principais, os irmãos Marinho. No que é possível caracterizar como uma campanha, já foram 71 minutos dedicados a um mesmo alvo, com reportagens explorando em sua maior parte temas já conhecidos, nos quais a empresa e seus donos são acusados de uma lista enorme de crimes. Leia na UOL.

 – “É cruel”: professores encaram aulas virtuais com 300 alunos e demissões por ‘pop-up’ na tela. Em meio à pandemia, milhares de docentes foram demitidos de universidades privadas em São Paulo e relatam precarização e depressão. Leia no El País.

– Belarus é o último lugar no mundo onde a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) parece nunca ter caído. Muitas ruas ainda levam nomes de heróis soviéticos e efemérides gloriosas, a economia ainda é nacionalizada, o russo é ensinado como segunda língua e as estátuas antigas de Lênin ou Stálin continuam em seus pedestais de mármore. Leia na BBC.

#chargedasemana