#047 – A eleição vem aí!

Colunistas da semana

– Lara Bianco em sua coluna “Cine e Série” conta sobre a história da maravilhosa juíza norte-americana Ruth Bader Ginsburg que faleceu recentemente. Assisti, junto com ela, a indicação da semana – e é bom demais. Leia aqui.

– Ana Júlia Lacerda polemiza sobre obrigação de agradar ou “o desejo de ser aceito”. Tema interessante e que cutuca. Clique aqui para ler.

– Nandes Castro conta sobre “A Vida de Axel Alberigi – Parte 2”, diretamente do Vale do Paraíba e, para ele, uma das obras musicais cinematográficas mais interessantes da atualidade. Conheça aqui.

Média de idade dos candidatos em 2020 sobe para 45,6 anos

A média de idade dos candidatos que solicitaram registro para o as eleições municipais de 2020 é de 45,6 anos. Os dados são do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O número cresce pelo menos desde 2012, quando era de 44,4 anos. 

Em 3 partidos, a média de idade dos candidatos fica igual ou acima de 46 anos e 6 meses: PSTU, MDB e PSDB. O PSTU é também o que mais envelheceu no período. Em 2012, a média de idade dos postulantes era de 40,8 anos. Agora, é de 46,9.

Apenas em 1 partido a média de idade fica abaixo dos 40 anos: o recém-criado Unidade Popular. Os 133 candidatos da legenda até agora têm, em média, 36,7 anos.

De 2012 para cá, o PCO foi o partido em que a média de idade dos candidatos mais se reduziu. Era de 42,8 há 8 anos. Agora, é de 40,8. Além dele, o PCB também observou uma leve variação negativa na faixa etária: passando de 42,6 para 42,3 anos.

Entenda mais no Poder360.

Proporção de candidatos negros nas eleições de 2020 é a maior já registrada; pela 1ª vez, brancos não são maioria

Marielle Franco, em foto de novembro de 2017. Professor da UFMG afirma que a vereadora morta no Rio se tornou um símbolo e motivou pessoas negras a entrar na política — Foto: Mario Vasconcellos/Câmara Municipal do Rio de Janeiro/AFP/Arquivo
Segundo dados do TSE coletados pelo site G1 no início da manhã de segunda-feira, cerca de 215 mil candidatos são pardos e aproximadamente 57 mil são pretos. Juntos, pretos e pardos são considerados negros, segundo classificação utilizada pelo IBGE. Assim, as eleições de 2020 têm cerca de 272 mil candidatos negros, o que representa 49,9% de todos os concorrentes.

Já 260,6 mil candidatos se autodeclaram brancos, ou 47,8% do total. Além de ser a primeira vez que não representam mais da metade dos postulantes, esta é também a primeira vez que uma eleição tem mais candidatos negros que brancos.

O PCO o partido com a maior quantidade de brancos, 81,8%, seguido pelo NOVO (80,8%) e o MDB (54,6%). Por outro lado, o PCdoB é quem mais tem pardos (47,9%) e o PSTU com mais negros (41,2%).

O professor de Ciência Política da UFMG Cristiano Rodrigues afirma que, nos últimos anos, houve “vários movimentos que levaram ao aumento das candidaturas negras”.

“Um deles é o efeito Marielle. Ela se tornou um símbolo e tem motivado várias pessoas negras a entrar na política. Neste ano, especialmente, também temos visto a questão racial ganhar espaço na mídia e no debate público tanto no Brasil quanto fora. Há uma reação ao governo federal, que tem adotado posturas que podem ser consideradas racistas ou que levam os negros a não se sentirem representados”, diz Cristiano. Leia no G1.

PT perde filiados. PSOL e REDE crescem.

Assim como aconteceu na direita, partidos tradicionais de esquerda também perderam filiados e encolheram desde 2019, enquanto partidos mais jovens dispararam em número de filiações.

O maior exemplo disso é o PT. De abril de 2019 a abril de 2020, o partido perdeu 64,8 mil filiados. Ao mesmo tempo, Psol e Rede Sustentabilidade ganharam 41 mil novos filiados.

Os dados sinalizam uma tendência para a eleição municipal deste ano. Legendas médias e pequenas têm atraído mais filiados, em detrimento dos grandes partidos, à direita e à esquerda. Leia na revista piauí.

Jairo Nicolau: “Bolsonaro é uma liderança inequívoca. É um Lula da direita”

Nos últimos dois anos, o cientista político e professor Jairo Nicolau (Nova Friburgo, RJ, 1964) se dedicou a estudar quem são as pessoas que elegeram Jair Bolsonaro presidente da República. Com base em pesquisas eleitorais e nos resultados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, conseguiu fazer uma radiografia do eleitorado. Descobriu o tamanho da força do antipetismo, reforçou a importância da comunicação feita pelo WhatsApp em uma disputa com novas regras e percebeu que nem só extremistas apoiam o polêmico presidente brasileiro. 

Em entrevista ao EL PAÍS (que você pode ler aqui), Nicolau destacou que a oposição tem combatido Bolsonaro de maneira equivocada, insistindo em dizer que seus eleitores seriam fascistas ou extremistas, enquanto que a maioria deles não é. “Parte realmente é formada por pessoas de extrema direita, mas grande parte é de pessoas comuns que vê nele um mito, que tem enorme identidade com ele, que tem admiração por ele”, diz.

Nesse sentido, ele vê paralelos entre o atual presidente e o antigo, seu antagonista político Luiz Inácio Lula da Silva. “O bolsonarismo mexeu com a política brasileira de uma maneira muito forte (…) Bolsonaro é uma liderança inequívoca. É um Lula da direita”.

Menos cocaína e mais maconha. Como mudou o consumo de drogas durante a pandemia

Foto – Alberto Ortega / Getty Images
As mudanças no modo de vida impostas pela pandemia alteraram o pódio das drogas mais consumidas na Europa. A cocaína e o MDMA, dois produtos associados ao lazer e aos contatos sociais, perderam a liderança em favor de substâncias como a cannabis e os benzodiazepínicos (com efeito analgésico ou sedativo).

O Observatório Europeu das Droga e da Toxicodependência publicou o seu relatório anual, marcado pela crise do coronavírus, no qual também aponta que os vendedores de substâncias ilegais se reinventaram e ganharam força no comércio digital.
 “É uma tendência lógica. As pessoas podem consumir substâncias como maconha e álcool em casa, sozinhas, mas para os demais estimulantes é necessário um clima de festa”, enfatiza Julián Vicente, epidemiologista-chefe do órgão e um dos autores do estudo. Um relatório da ONU já apontava em maio que o fornecimento de cannabis não estava tão sujeito às viagens internacionais porque geralmente ocorre perto dos mercados de consumo.

Leia mais no El País.

Tortura em nome de Deus? Justiça condena padre por impedir aborto legal

No dia 18 de agosto de 2020 o Supremo Tribunal Federal (STF) tornou definitiva a decisão de que o padre Luiz Carlos Lodi deve pagar R$ 398 mil de indenização por danos morais ao casal Tatielle Gomes e José Ricardo Dias. Isso deu desfecho a uma história que começou 15 anos antes, quando o padre impediu que eles realizassem um aborto permitido pela lei brasileira.

Em 2005, então com 19 anos aos cinco meses de gestação, Tatielle faz um ultrassom de rotina e descobriu que o feto tinha uma anomalia. Moradora de Morrinhos, no interior de Goiás, ela precisou se ausentar do trabalho no chão de uma fábrica e viajar 130 km até Goiânia para fazer mais exames. Na capital, quatro ultrassons trouxeram o diagnóstico: síndrome de body stalk, doença rara que faz com que os órgãos do feto fiquem do lado de fora do corpo e torna a vida fora do útero inviável. Conheça a história no AzMina.

#mandadicas

O pleito presidencial de 2018, um marco na política brasileira, é o tema em análise neste A eleição disruptiva: Por que Bolsonaro venceu. Tivemos a vitória de um candidato que, de acordo com a maioria dos analistas e dos líderes políticos, tinha poucas chances de vencer. Tivemos também a quebra do longo ciclo político nacional dominado pela rivalidade entre PT e PSDB.O antipetismo mostrou-se, na campanha de 2018, uma força social muito mais mobilizada, e o “partido da Lava Jato” mostrou-se maior que o lulismo. Esse foi o verdadeiro embate dessa eleição, a disputa entre lulismo e o “partido da Lava Jato”, que encarnava o “ser contra tudo que está aí” em substituição à antiga polarização entre PT e PSDB. Esse “partido” não só elegeu Jair Bolsonaro, mas protagonizou uma onda de renovação sem precedentes no Congresso em nossa história recente, relegando à condição de partidos médios as grandes estruturas partidárias herdeiras da Nova República, como MDB, PSDB e DEM
Em todo o Ocidente, há uma maré crescente de pessoas que se sentem excluídas, alienadas da política dominante e que se mostram cada vez mais hostis às minorias, aos imigrantes e à economia neoliberal. Muitos desses eleitores estão se voltando para movimentos nacional-populistas, que representam a ameaça mais séria ao sistema democrático liberal ocidental e seus valores desde a Segunda Guerra Mundial. Os nacional-populistas priorizam a cultura e os interesses da nação e prometem dar voz a essas pessoas que se sentem negligenciadas e desprezadas por elites distantes e corruptas. Seus líderes são fascistas e suas políticas, antidemocráticas; sua existência é um espetáculo paralelo à democracia liberal. Escrito por dois dos principais especialistas sobre fascismo e ascensão da direita populista, contando com material exclusivo sobre o Brasil, este é um guia lúcido, resultado de uma profunda pesquisa acerca das transformações radicais do cenário político de hoje, que revela os motivos pelos quais as democracias liberais em todo o Ocidente estão sendo desafiadas

Leituras complementares

– Joe Biden é o favorito para vencer nos EUA. Veja o especial do FiveThirtyEight.

– AntiCast entrevista Luiza Erundina. Maravilhosa! Ouça aqui.

– Prepare-se para a “eleição mais miliciana da história” Para pesquisadores, disseminou-se pelo país a ideia que ordem e segurança só se resolvem com força e tiros. Mortes e agressões a políticos somam 112 somente neste ano. Leia no The Intercept.

– Mais de 200 candidatos pegam carona com nomes de Lula e Bolsonaro. No caso do ex-presidente, por exemplo, foram 118 os candidatos que quiseram pegar carona no nome do petista. Já para Bolsonaro, foram 103. Leia no IG.
 – Transtornos mentais, como depressão e ansiedade, afetam 90% dos detentos da Penitenciária Federal de Catanduvas, na região oeste do Paraná. É a mesma unidade de segurança máxima onde o traficante Elias Pereira da Silva, conhecido como Elias Maluco, foi encontrado morto dentro da própria cela com sinais de enforcamento no dia 22 deste mês. Leia no UOL.

– Donald Trump desrespeita seus seguidores religiosos. Em particular, muitos dos comentários do presidente sobre religião são marcados por cinismo e desprezo, de acordo com pessoas que trabalharam para ele. Ex-assessores disseram que ouviram Trump ridicularizar os líderes religiosos conservadores, rejeitar vários grupos com estereótipos de desenho animado e ridicularizar certos ritos e doutrinas consideradas sagradas por muitos dos americanos que fazem parte de sua base de apoio. Reportagem de Ed Kilgore na New York Mag.
 – No Brasil, CEO de empresa de capital aberto ganha em média 75 vezes mais que funcionários. Levantamento mostra que principais executivos das empresas do Ibovespa chegam a ter remuneração até 663 vezes maior que a média paga aos funcionários da companhia em que trabalham. Leia no G1.

– Brasil é o 2º pior de ranking mundial em nº de computadores por estudante e 52º colocado em conectividade das escolas, aponta OCDE. País ficou à frente só do Marrocos, e abaixo de países como Albânia e Kosovo, em quantidade de equipamentos por aluno na escola, segundo relatório “Políticas Eficazes, Escolas de Sucesso”, feito com base em dados do Pisa 2018. Veja no G1.