#049 – Grupo de extrema-direita dos EUA queria sequestrar governadores de Michigan e Virginia

O FBI desmantelou dois planos para sequestrar a governadora democrata de Michigan Gretchen Whitmer e do também democrata Ralph Northam da Virginia

No começo do mês, a política norte-americana prendeu 13 pessoas em Michigan que tramavam um ataque a Assembleia Legislativa do estado para sequestrar a governadora Whitmer e instigar uma guerra civil. Segundo eles, a democrata tinha um “poder descontrolado” e queriam levar a um “colapso da sociedade”.

Os presos faziam parte de um grupo extremista chamado Wolverine Watchmen. Eles faziam algumas de suas reuniões no porão secreto de uma loja, no qual se entrava por um alçapão oculto sob um tapete, e nesses encontros debatiam a criação de uma sociedade “que acatasse apenas a Carta de Direitos dos Estados Unidos de 1791” e na qual pudessem ser “autossuficientes”. Em uma dessas reuniões, discutiu-se a necessidade de contar com mais gente, segundo o FBI, e um dos conspiradores então estabeleceu contato com um grupo local em que os agentes federais já tinham um informante.

O FBI conseguiu conhecer os movimentos e motivações do grupo graças à intercepção de mensagens criptografadas e à infiltração de agentes no grupo. Os planos deles eram violentos e ambiciosos. Falou-se, por exemplo, da necessidade de contar com “200 homens” para atacar o Capitólio de Lansing, que abriga o Poder Legislativo e o gabinete da governadora, e tomar reféns, entre eles Whitmer, a quem julgariam por “traição”. Também cogitaram, segundo o FBI, “invadir a tiros” a residência de férias da governadora ou tentar sequestrá-la nos arredores da moradia.

Os extremistas também discutiram a prisão do governador Ralph Northam da Virginia. Vale lembrar que tanto Ralph quanto Whtimer foram duramente criticados pelo presidente Donald Trump que chegou a tuitar, todas as letras maiúsculas, para que os estados comandados por eles fossem “libertados”.

Em junho, houve uma reunião em Ohio com cerca de 5 pessoas da milícia para decidir os possíveis planos. Foi nessa reunião, segundo o FBI, que a a ideia de sequestro dos governadores foi levantada, onde foram mencionados especificamente os governadores da Virgínia e Michigan. Um dos suspeitos, Adam Fox, voltou para Michigan e começou a recrutar possíveis cúmplices para o sequestro.

Fox e outros vigiaram a casa de férias do governador à beira de um lago e em determinado momento Fox disse aos outros que queria sequestrar a governadora, levá-la de barco para longe de casa, “deixá-la no barco” e então  teriam que vir resgatá-la. Outra opção discutida foi levar Whitmer a um local secreto onde a colocariam “em julgamento”, possivelmente em Wisconsin.

O FBI disse ainda que os suspeitos discutiram, várias vezes, a possibilidade de atacar a polícia. A certa altura, um membro do grupo mencionou a ideia de atacar edifícios da Polícia do Estado de Michigan.

As informações do El País e do Washington Post.

Da esquerda para direita: Kaleb James Franks, 26; Daniel Joseph Harris, 23; Brandon Caserta, 32; Adam Dean Fox, 37; Ty Gerard Garbin, 24. Todos são acusados de conspirar para o sequestro da governadora Gretchen Whitmer

Na Eleição 2020, teremos muitos pastores, militares e policiais

Mesmo com a classe médica no centro das atenções devido à pandemia, as candidaturas de médicos nas eleições municipais não decolaram. Ao todo, 2,7 mil médicos vão se candidatar a prefeito, vice-prefeito e vereadores nas eleições deste ano. Em 2016, foram 2,6 mil médicos candidatos. O aumento em 2020, portanto, foi de apenas 6%.

Ao mesmo tempo, uma tropa de 6,7 mil policiais civis e militares, membros das Forças Armadas, militares reformados e bombeiros militares estão se candidatando este ano. É mais que o dobro de todos os candidatos médicos. Em 2016, militares e policiais somavam 5,9 mil candidatos. Houve um crescimento expressivo após a maré bolsonarista de 2018.

Para tentar se eleger prefeito, vice-prefeito e vereador nas eleições deste ano, um mar de candidatos escolheu aparecer nas urnas com uma palavra específica ao lado de seus nomes: “pastor(a)”. Ao todo, 4,4 mil pessoas se lançaram candidatas recorrendo a essa alcunha de caráter religioso, geralmente associada a líderes de igrejas evangélicas. É um salto de mais de 30% na comparação com a eleição municipal de 2016, quando 3,3 mil candidatos se disseram pastores, pastoras ou até mesmo filhos e esposas de pastores para disputar o pleito.

Desse universo de 4,4 mil candidatos, a imensa maioria – mais precisamente 4,2 mil – disputa o cargo de vereador. Estão espalhados por 28 partidos. A legenda que concentra a maior quantidade de pastores e pastores é o Republicanos (ex-PRB), partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus.

Era uma vez no país da Cloroquina

Desde quando o presidente Jair Bolsonaro começou a fazer propaganda de supostas “curas” para a Covid-19, prefeituras Brasil afora passaram a adotar os medicamentos ineficazes como parte de suas políticas públicas de combate à pandemia.

Nesta série, a Agência Pública contou a história de dez cidades onde isso ocorreu: Natal (RN), Macapá (AP), Palmeiras de Goiás (GO), Paranaguá (PR), Joinville (SC), Vilhena (RO), Cáceres (MT), Porto Feliz (SP), São Sebastião (SP) e Mirandópolis (SP).

Você pode ter todas as reportagens clicando aqui.

“Não sei se vou comer amanhã”

Dez milhões de brasileiros ficam pelo menos um dia da semana sem comer. Com a pandemia, crise econômica e alta no preço de alimentos, a situação ainda deve piorar, segundo especialistas.

No mês em que o Prêmio Nobel da Paz foi entregue ao Programa Mundial de Alimentação da ONU, o repórter Marcelo Canellas mostrou no Fantástico (veja aqui) como é a vida de quem não tem o que comer.

PCC na contramão da crise

De 2011 a 2020, o número de empresas em atividade a serviço da lavanderia do PCC passou de 11 para 67, e o capital social dessas firmas cresceu treze vezes. Esse crescimento abrupto vai na contramão da economia brasileira, que, ao longo da década, viu o PIB (Produto Interno Bruto, a soma das riquezas do país) aumentar 42%, segundo dados do IBGE. O crescimento das empresas do PCC, portanto, foi proporcionalmente 29 vezes maior do que a economia do país. Não há crise econômica capaz de afetar o mercado atacadista da cocaína e da maconha.

Com o dinheiro nas contas bancárias, começava um sofisticado e complexo esquema de lavagem dos milhões de reais que a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) lucra todos os meses com o tráfico de cocaína e maconha por todo o Brasil.

Uma vez no sistema bancário, o dinheiro viaja por dezenas de contas de empresas, muitas delas de fachada, ou de laranjas, até que, limpo de todos os vestígios do crime, termina investido em novas empresas, imóveis e veículos, ou então retorna para as mãos dos “irmãos” do PCC, para financiarem novas ações criminosas.

Em apenas quatro anos, o esquema, articulado entre 30 pessoas físicas e 78 empresas, entre holdings, postos de combustível, transportadoras e revendedoras de peças para veículos, movimentou 32 bilhões de reais, segundo investigação da Polícia Federal. Para efeito de comparação, as lojas Havan movimentaram valor semelhante no período.

Leia na revista piauí.

Medicina transfóbica: as dificuldades do atendimento ginecológico para pessoas trans com vagina

Você já deixou de ir ao médico por medo de sofrer violência psicológica, verbal ou até física? Ou foi, porque sabia que era importante, e foi desrespeitado unicamente por ser quem você é? Essa é a realidade de muitos homens trans e pessoas transmasculinas que tentam acessar o sistema de saúde, principalmente o sistema ginecológico e obstétrico.

Em uma sociedade em que a genitália define o seu gênero, homens trans (pessoas que não reconhecem o gênero de nascimento e reivindicam o gênero masculino) e pessoas transmasculinas (pessoas que não se encaixam no gênero do nascimento nem na binaridade dos gêneros – homens ou mulheres), com vagina e útero, precisam enfrentar muitas dificuldades para conseguir acessar um serviço básico como a saúde sexual e reprodutiva.

Não são só mulheres que precisam acessar esse serviço, muito pelo contrário, homens trans e pessoas transmasculinas também precisam. Doenças como o câncer de mama ou câncer de colo de útero, que podem ser prevenidas nas consultas ginecológicas, acabam atingindo essa população justamente pelo afastamento dos consultórios médicos.

Leia na Ponte Jornalismo.

Leituras complementares

– Trump chama Biden de “socialista” e o acusa de querer “entregar tudo para Cuba, Venezuela e Nicarágua”. Na Flórida, presidente dos EUA retoma campanha com um grande comício após se curar da covid-19. Leia no El País.

– Esposa grávida, três filhos e dois despejos em 2 meses: o drama dos inquilinos expulsos de casa durante pandemia. (BBC Brasil)

– O Bolsa Família é a maior conquista social da Nova República e deve ser protegido. Artigo do Rodrigo Oliveira no Mercado Popular.

– Pesquisa feita no início de setembro, em 70 favelas brasileiras, mostra que 87% dos entrevistados conhecem alguém que teve covid-19. O estudo também aponta que 13% dizem ter sido contaminados pelo novo coronavírus (covid-19) e outros 28% não sabem se foram ou não contaminados. (Agência Brasil)

– Como é ser negro no Japão, onde 98% da população é nativa (BBC Brasil)

– Guerra no Afeganistão: os terríveis crimes contra mulheres usados em propaganda de guerra contra o Talebã. (BBC Brasil)

– Como despejo de uma ocupação feminista mobilizou 1.500 policiais em Berlim. (UOL)

– Menino com doença rara volta a andar ao usar canabidiol. Pais adotivos afirmaram que passaram por cima do preconceito e pesquisaram sobre o medicamento, percebendo que poderia ser a melhor opção para tratamento de criança. (G1)

#mandadicas

Retrato Narrado é uma série original do Spotify e da revista piauí, produzida pela Rádio Novelo. Cada temporada traça um perfil de uma personalidade de relevo, buscando explicar suas origens, motivações, sucessos, derrotas e contradições. Fruto de uma apuração iniciada ainda em 2019, a primeira temporada traz a repórter Carol Pires detalhando a trajetória de Jair Bolsonaro. São seis episódios, publicados semanalmente, nas manhãs de quarta-feira. Já foram divulgados 2. Ouça
A família de Paula Ramón traduz de diferentes formas a história da Venezuela: seu pai, espanhol que emigrou para a América Latina após ser solto de um campo de prisioneiros na Segunda Guerra Mundial; sua mãe, uma professora aposentada com saúde frágil que entende como poucos as decisões que precisam ser tomadas para gerir uma família; e seus irmãos, um encantado com o regime chavista que vira policial e se desilude com a política, outro, um empreendedor que tenta de todas as formas encontrar um rumo para sua vida. Ao juntar a esse elenco os acontecimentos do país, é possível entender com clareza como as decisões dos governos Chávez e Maduro impactaram não só as condições sociais e econômicas de uma família, como também o seu íntimo e os seus afetos. Com um olhar jornalístico apurado e grande habilidade narrativa, Paula Ramón tece a história de seu país enquanto investiga as consequências da escassez e da brutalização das relações interpessoais.

#chargedasemana