#050 – Brasileiros confiam menos em vacina da China do que nas de outros países

A bizarrice em nosso país continua a todo vapor.
Nesta quarta-feira, mais uma crise política e sanitária explodiu em Brasília.

O presidente Jair Bolsonaro cancelou o acordo do Ministério da Saúde para a compra de 46 milhões de doses da Corona-Vac, a vacina feita pela farmacêutica chinesa Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan.

De acordo com o site Poder360, Bolsonaro enviou mensagens a ministros com o seguinte teor: “Alerto que não compraremos vacina da China. Bem como meu governo não mantém diálogo com João Doria sobre covid-19“.

Para completar, o presidente foi ao Twitter e publicou:

Tudo começou com o anúncio, na terça-feira, do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, da compra de 46 milhões de doses da CoronaVac. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e mais 23 governadores participaram da reunião com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

Foi ai que presidente encasquetou e voltou atrás da decisão da compra – claro por causa de Doria e pela pressão de seus apoiadores nas redes sociais. Houve quem pedisse a demissão do ministro Pazuello.
Claro a Ciência não ficou quieta.O diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antônio Barra, disse que a agência reguladora se manterá “fora da discussão política” e que está empenhada em dar respostas à população brasileira sobre a vacina o quanto antes.“Para nós, pouco importa de onde vem a vacina ou qual é o seu país de origem. O nosso dever constitucional é fornecer a resposta de que esses produtos têm ou não a eficácia”, disse Barra. O diretor-presidente afirmou ainda que é dever da Anvisa a dedicação integral ao trabalho técnico e científico.

Essa loucura política interfere, diretamente, na opinião das pessoas.
Segundo dados da CNN BRasil Real Time Big Data, quase metade dos brasileiros (46%) afirma que não tomaria uma vacina contra a Covid-19 de origem chinesa.

A rejeição a um imunizante chinês é maior do que de origem russa, rejeitada por 38% dos entrevistados, de Oxford (Reino Unido) ou dos EUA e Alemanha, ambos com rejeição de 22%. Veja todos os dados nos gráficos abaixo.

Aprovação do governo Bolsonaro nas capitais varia de 18% em Salvador a 66% em Boa Vista

Presidente Jair Bolsonaro, Ministros Paulo Guedes e Ernesto Araújo, com o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Robert O’Brien e Kimberly Reed, presidente do EXIM Bank, anunciaram aporte de aproximadamente R$ 6 bilhões (US$ 984 milhões) para o Desenvolvimento Internacional (DFC) em investimentos. O DFC é um banco de desenvolvimento criado pelos EUA no ano passado para financiar projetos na região. O anúncio foi feito durante a visita da delegação norte-americana ao Brasil, liderada pelo conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Robert. Sergio Lima/Poder360. 20.10.2020Sérgio Lima/Poder360 20.10.2020
A média de aprovação ao governo Bolsonaro é maior nas capitais do Norte e do Centro-Oeste e menor no Nordeste, no Sul e no Sudeste.

Professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Pedro Mundim acredita que, com exceção de Boa Vista e Salvador, que fogem bastante da média, as demais capitais estão mais próximas das pesquisas nacionais divulgadas recentemente.

Nesta primeira rodada de pesquisa Ibope nas capitais, é possível identificar três grupos, segundo o patamar de aprovação e reprovação do presidente. No primeiro estão as cidades com aprovação dentro da média nacional, com pequenas variações dentro da margem de erro, como Goiânia, Palmas, João Pessoa, Maceió, Macapá, Belo Horizonte e Natal.

No grupo das cidades com aprovação acima da média nacional estão, além de Boa Vista, cidades como Manaus, Porto Velho, Cuiabá e Rio Branco. Já no terceiro grupo das cidades com alto percentual de eleitores que reprovam o governo Bolsonaro estão, além de Salvador, cidades como Teresina, Porto Alegre, Fortaleza, São Paulo, Recife, Belém, Vitória e Florianópolis.

Segundo Pedro Mundim, apenas uma análise mais detalhada sobre a conjuntura política em Boa Vista e em Salvador pode dar mais subsídios para explicar essas diferenças tão significativas. Ele ressalta, porém, que a capital baiana tem sido um local de resistência de partidos de esquerda e isso pode estar relacionado à reprovação maior do presidente.

“Em Salvador, há uma tradição de lideranças do PT na capital ou de partidos de esquerda que talvez explique essa reprovação alta. Ou seja, o que é possível dizer é que há questões locais que afetam esses percentuais. Mas, no geral, as capitais estão relativamente dentro da média geral da pesquisa nacional”, observa Mundim.

O professor da UFG chama a atenção dos efeitos que o indicador de aprovação e reprovação do presidente pode ter nas eleições nas capitais. No Rio, o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) e Luiz Lima (PSL) tentam colar a imagem no presidente. A aprovação de Bolsonaro no Rio, contudo, está numericamente abaixo da média nacional (34%). Em São Paulo, onde a aprovação de Bolsonaro é de 27%, Celso Russomano (Republicanos) é o candidato apoiado pelo presidente.

“Há uma relação clara. Onde o governo é muito reprovado, não é interessante para os candidatos colarem a sua imagem no presidente. Onde a aprovação é alta, isso pode resultar em algum ganho para o candidato. Mas será preciso ficar atento ao seguinte: se mais de um candidato buscar essa estratégia, os eleitores não terão como diferenciá-los porque ambos estarão se colocando como aliados do presidente. Quando isso acontece, o eleitor tende a buscar outras informações para identificar como esses candidatos se diferenciam”, explica Mundim.

Fonte – Portal G1

Esquerda volta ao poder na Bolívia

Luis Arce, centro, candidato a presidente do Movimento ao Socialismo (MAS) e seu vice David Choquehuanca, segundo à direita, comemoram a vitória nas eleições gerais durante uma entrevista coletiva em La Paz, Bolívia. (Foto: Juan Karita/AP)
O Movimento ao Socialismo (MAS), partido do ex-presidente Evo Morales, venceu às eleições presidenciais na Bolívia e fez com que a esquerda voltasse ao poder no país depois de um golpe de Estado em novembro de 2019.

Coloco abaixo alguns links para você entender o que se passa por lá:

– Como o golpe na Bolívia abriu caminho para um oportunista de extrema direita (The Intercept)

– Bolívia devolve poder a partido de Evo Morales, um ano após golpe aplaudido pelos EUA (The Intercept)

– Quem é Luis Arce, ex-ministro de Evo Morales e o novo presidente (BBC Brasil)

– Vitória de Arce mostra que houve golpe na Bolívia em 2019, diz Evo Morales (UOL)

– Vitória do partido de Evo Morales na Bolívia dá oxigênio à esquerda latino-americana (El País)

– Mesa e OEA reconhecem vitória de Arce nas eleições presidenciais da Bolívia (Folha de S.Paulo)

– #ChoraElonMusk: o que o bilionário tem a ver com as eleições na Bolívia? (UOL)

Proporção de negros na prisão cresce 14% em 15 anos, enquanto o de brancos cai 19%

Hoje, de cada três presos, dois são negros.
É o que revela o 14º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Dos 657,8 mil presos em que há a informação da cor/raça disponível, 438,7 mil são negros (ou 66,7%). Os dados são referentes a 2019.

Segundo o Anuário, as prisões no país estão se tornando, ano a ano, espaços destinados a um perfil populacional cada vez mais homogêneo. “No Brasil, se prende cada vez mais, mas, sobretudo, cada vez mais pessoas negras.

“Existe, dessa forma, uma forte desigualdade racial no sistema prisional, que pode ser percebida concretamente na maior severidade de tratamento e sanções punitivas direcionadas aos negros”, afirma a publicação.

“Aliado a isso, as chances diferenciais a que negros estão submetidos socialmente e as condições de pobreza que enfrentam no cotidiano fazem com que se tornem os alvos preferenciais das políticas de encarceramento do país.”

Amanda Pimentel, pesquisadora associada do Fórum, lembra que, além das condições que levam os negros a serem mais presos do que não negros, existe também o tratamento desigual dentro do sistema judiciário.

“As prisões dos negros acontecem em razão das condições sociais, não apenas das condições de pobreza, mas das dificuldades de acesso aos direitos e a vivência em territórios de vulnerabilidade, que fazem com que essas pessoas sejam mais cooptadas pelas organizações criminosas e o mundo do crime. Mas essas pessoas também são tratadas diferencialmente dentro do sistema de justiça. Réus negros sempre dependem mais de órgãos como a Defensoria Pública, sempre têm números muito menores de testemunhas. Já os brancos não dependem tanto da Defensoria, conseguem apresentar mais advogados, têm mais testemunhas. É um tratamento diferencial no sistema de justiça. Os réus negros têm muito menos condições que os réus brancos” disse Amanda.

O Anuário também fez a coleta de dados referentes a mortes e casos de Covid-19 em 2020 nos presídios do país. Houve 113 óbitos e 27.207 casos entre a população carcerária.

Segundo a publicação, dentro do sistema prisional brasileiro, a pandemia da Covid-19 e as medidas tomadas para contê-la causaram um agravamento das condições de encarceramento da população e aprofundaram as violações de direitos fundamentais.

Leituras complementares

– PCC proíbe campanha política de PSDB e aliados em comunidades de São Paulo (UOL)

– Direita antibolsonarista patina e esquerda come pelas beiradas em SP . (UOL)

– A cruzada judicial de 111 pastores da Igreja Universal contra um escritor por um tuíte. Religiosos demandam que J. P. Cuenca os indenize por danos morais causados por uma frase citando a igreja de Edir Macedo, Bolsonaro, enforcamento e tripas. (El País)

– Por que os evangélicos fundamentalistas usam Jesus para justificar a brutalidade militar. Para o evangélico radical, Jesus não é da paz. É um líder militar apocalíptico, e ele é parte de seu Exército – junto com o Exército regular. (The Intercept)

– O governo dos EUA disse que o Irã está por trás de uma série de e-mails ameaçadores que chegaram esta semana nas caixas de entrada dos eleitores democratas do Alasca e da Florida. (Washington Post) (NPR)

– Masha Gessen: “Trump não aceitará os resultados se perder”. Ela trabalha como analista na ‘The New Yorker’ e assina um novo ensaio, ‘Surviving Autocracy’, sobre o Governo americano. (El País)

– O que pensam os imigrantes ilegais brasileiros que apoiam Trump (BBC Brasil)

– Ex-presidente uruguaio Pepe Mujica formaliza renúncia ao Senado e se retira da vida política (El País)

– Protestos contra violência policial deixam 56 mortos e fecham escolas na Nigéria. (Folha de S.Paulo)