#058 – Acredite: Bolsonaro ainda venceria em 2022

Com milhares de mortos e absurdos no governo, o presidente ainda é o favorito para 2022

Uma nova pesquisa de intenção de voto para 2022 foi divulgada pela XP/Ipespe.
O instituto ouviu 1.000 pessoas entre 7 e 9 de dezembro e a margem de erro é de 3,2%. Muitos temas foram abordados como a aprovação do governo, o futuro, as eleições para 2022, avaliações de governadores e do Congresso, entre outros.

ELEIÇÕES 2022
– Se o pleito fosse hoje, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) teria 29% dos votos;
– Em 2º aparece o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) com 12%;
– O ex-ministro Sérgio Moro (sem partido) vem na sequência com 11%;
– Ciro Gomes (PDT) tem 9% e Luciano Huck (sem partido) conta com 7%;
– Guilherme Boulos (PSOL) tem 5%, mais que o governador João Doria (PSDB) com 4%;
– O interessante são os 19% que disseram não saber/nenhum deles/branco/nulo.

O histórico das possibilidades de votos também precisa ser levado em conta.
– Bolsonaro tem hoje seu segundo melhor percentual de voto desde o levantamento divulgado de setembro de 2019. Ele chegou em 31% em outubro de 2020 e agora mantém, pela segunda vez, os 29%. O presidente chegou em 20% entre abril e maio – o começo do caos da pandemia. Também cresceu vertiginosamente (resultado, talvez, do auxílio emergencial).

– Por outro lado, os candidatos do PT, seja Haddad ou Lula, vem caindo sistematicamente desde janeiro de 2020, quando chegaram no pico de votação, 24%, empatado com o presidente. Agora estão com 12% e vem caindo desde setembro deste ano, quando estavam com 15%.

– Outro ponto interessante de notarmos era que, até outubro deste ano, o psolista Guilherme Boulos não pontuava. Agora, tanto em novembro quanto em dezembro, ele já aparece com 5%. 

– Já Ciro Gomes (PDT) vem murchando nas pesquisas. Em setembro de 2019, o ex-ministro tinha 12%. Caiu para 9% no final de abril, se recuperou um pouco entre maio e julho (chegando em 11%), mas regrediu para os 9% agora em dezembro.

– Outro que vem caindo é o ex-ministro Sergio Moro: estava com 15% em setembro de 2019, chegou a 18% em abril deste ano e agora está com 11%. Muito se deve ao fato de que o ex-juiz era visto como o candidato próximo ao presidente Bolsonaro e, por consequência, de seus apoiadores mais radicais (que o largaram rapidamente). Outros pontos que precisam ser levados em conta foi o fracasso da Lava Jato nestes anos de governo bolsonaristas e o péssimo desempenho de candidatos lavajatistas, como a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP).

Cenários de 2º turno
a) Bolsonaro x Sérgio Moro
– Temos um cenário que mudou bastante. Vamos conseguir ver o derretimento de apoio e político do ex-ministro Moro e o crescimento do presidente Bolsonaro depois do auxílio-emergencial.
– Quando a pandemia começa a ficar forte no Brasil, Moro dispara nas intenções de voto contra o presidente: de março deste ano para abril, o ex-ministro sobe de 35% para 58% – enquanto que Bolsonaro sai de 25% para 24%. Essa subida vertiginosa deveu-se a queda de 40% para 19% entre quem não sabe/não respondeu/branco/nulo.
– Mas, a partir de abril, quando o auxílio-emergencial começa a entrar em cena e os bolsonaristas escanteiam Moro, o ex-juiz despenca de 58% em abril para 35% em setembro. Nesta fatia de tempo, Bolsonaro sobe dos 24% para 36% e ultrapassa Moro. 
– De agosto até novembro, Moro volta a tomar a dianteira – talvez mais por demérito de Bolsonaro do que por mérito seu. Mas o cenário muda de novo e, agora em dezembro, o presidente ganharia do ex-ministro: 36% contra 34%, respectivamente. Possivelmente, o recente emprego conquistado por Moro por ter manchado a sua reputação com os eleitores de direita e isso fez com que Bolsonaro conseguisse avançar.

b) Bolsonaro x Lula/Haddad
– A linha do tempo da disputa num eventual 2º turno entre o atual presidente e um representante da esquerda pode ser dividida em duas partes: de dezembro de 2019 até junho de 2020 e partir dali até agora.
– Do fim de 2019 até o meio deste ano, o presidente Bolsonaro veio caindo de 44% até 36% em junho de 2020. Por outro lado, a esquerda manteve sem grandes crescimentos, mas conseguiu ficar a frente de Bolsonaro em junho com 38%. Essa liderança deveu-se mais ao péssimo governo do presidente do que ao mérito da esquerda.
– Porém, a partir dali, e muito por causa do auxílio-emergencial e dos problemas internos da esquerda, a votação de Bolsonaro subiu e a da esquerda caiu. De junho até dezembro, o presidente cresceu 9%, enquanto que o candidato do PT caiu 3%.
– Um ponto que precisa ser levado em conta foi o crescimento da intenção de voto do petista entre agosto de 2020 e novembro: de 32% para 37%. Explicações? Talvez algumas: as eleições municipais que deram mais visibilidade para o partido; as atuações de parlamentares contra o governo bolsonarista; a péssima gestão do governo federal com a pandemia.
– Mesmo com tudo isso, hoje Bolsonaro ganharia de 45% a 35% de um candidato petista – e o gráfico mostra uma tendência para que essa distância seja ainda maior.

c) Outros cenários possíveis
– Bolsonaro ganharia de Luciano Huck: 40% contra 33%
– Sérgio Moro venceria Lula/Haddad: 45% 27%
– Bolsonaro deixaria Ciro Gomes para trás: 43% 36%
– Bolsonaro levaria a disputa contra Guilherme Boulos: 47% a 31%.

4 EM CADA 10 AVALIAM O GOVERNO POSITIVAMENTE
– Desde agosto de 2020, o governo Bolsonaro mantem um certo equilíbrio no índice de aprovação do governo: estava em 37% e agora está em 38%. Chegou em 39% em setembro e outubro. Isso mostra uma certa estabilidade e que nem a péssima gestão na pandemia e os problemas ligados aos seus filhos fizeram a população mudar tanto assim de opinião.

– A grande questão que fica é: por quê? Ao meu entender, tudo está muito ligado ao auxílio-emergencial e a um jogo de narrativa e medos que o governo faz. O dinheiro do auxílio ajudou muita gente, mas vale lembrar que o Planalto e o Ministério da Economia não queriam – e ainda tentaram impôr um valor menor. O Congresso se impôs e conseguiu o valor final, mas o governo conseguiu pegar para si a benfeitoria e saiu como o pai da criança. Essa narrativa o bolsonarismo conquistou. Além disso, há ainda a eterna politização e polarização de todo o discurso. Sempre que pode, o presidente e sua turma apelam para os problemas com a vacina chinesa, colocam a culpa em governadores, lembram dos problemas econômicos do lockdown, criam teorias da conspiração para atrapalhar e assim a população vai acreditando.

– Ao meu ver, a aprovação do presidente tem a ver sim com o auxílio e com essa onda de cortina de fumaça (que é estratégica sim) para quem acredita em tudo que vê e lê. Tem ainda a grande narrativa de uma volta da esquerda (totalmente pauta por discursos morais e conservadores) e a aliança do presidente com o Centrão.

– 48% acham que o governo Bolsonaro é melhor que o governo Dilma. 44% acham que é melhor que o governo Lula e que o governo Temer. E 35% acham que é melhor que o governo de FHC; 

– a pesquisa perguntou em qual área o governo Bolsonaro se saiu melhor até agora. 33% disseram que não sabem/não responderam. Em 2º lugar ficou o combate à corrupção com 14%, mas este valor caiu 7% de dezembro do ano passado para agora. Depois vem Economia com 14% (que reduziu 2% do ano passado para cá) e 10% disse que em nenhuma das áreas. Destaque para o crescimento de 1% em dezembro de 2019 para 6% no combate à fome/miséria (resultado, claro, do auxílio-emergencial) e de 2% para 5% na Saúde.

A SENSAÇÃO É DE UM FUTURO UM POUCO MELHOR
– 40% acreditam que o restante do mandato do presidente será ótimo/bom, 3% acima da avaliação de novembro. Igualou-se ao valor de agosto e é a maior desde o começo do ano. Por outro lado, caiu de 35% em novembro para 33% agora os que acham que vai ser ruim/péssimo;

– subiu de 35% em novembro para 39% em dezembro os brasileiros que acham que a economia está no caminho certo;

– 57% acham que a chance é muito grande/grande de manterem o emprego nos próximo 6 meses, 3% a mais do levantamento anterior. É o maior valor desde fevereiro;

– único ponto que contraria o prognóstico é sobre as dívidas nos próximos 6 meses. As pessoas que acham que elas vão aumentar/aumentar muito subiu de 24% em agosto para 32% agora.
CORONAVÍRUS
– 48% da população avalia a atuação do presidente como ruim/péssima no combate à pandemia. O valor já foi pior: 58% em maio, por exemplo. Se compararmos com novembro, caiu 1% – e esse valor foi para quem acha que está ótima/boa, que subiu de 25% em novembro para 26% em dezembro;

– subiu a quantidade de pessoas que está com muito medo: de 28% em outubro para 40% em dezembro. Por outro lado, caiu quem não está com medo: de 34% há dois meses para 22% agora;

– 48% acredita que o pior ainda está por vir. Este número cresceu bem quando vemos outubro (30%) e novembro (37%).

– quase metade ainda está mantendo o isolamento social da maneira que vinha fazendo nas semanas anteriores;

– 49% têm a expectativa de que haverá vacina apenas depois de março de 2021.

Em 3 anos, policiais mataram ao menos 2.215 crianças e adolescentes no Brasil

Todos os dias, ao menos 2 crianças e adolescentes são mortos pela polícia no país.

Além desses números alarmantes, a situação é ainda pior quando vemos que as mortes vem crescendo. Em 2017, representavam 5% do total de mortes violentas nessa faixa etária. No ano passado, já eram 16%.

O levantamento exclusivo para a Folha de S.Paulo foi feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e só considerou os estados que tinham informações sobre a idade das vítimas nestes 3 anos. São eles: Alagoas, Ceará, Distrito Federal, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo.

Foram classificados como criança e adolescentes aqueles que tinham entre 0 e 19 anos, seguindo a recomendação da Unicef e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O homicídio é o crime violento que mais mata crianças e adolescentes no estado do Rio de Janeiro. Logo em seguida vem a violência policial. O estado é o 1º no ranking em letalidade policial nesta faixa etária, mesmo com metade dos registros sem informação de idade. Foram 700 vítimas entre 2017 e o primeiro semestre deste ano.

Entre janeiro e junho deste ano, 99 crianças e adolescentes foram mortos por policiais no estado do Rio de Janeiro (27% na capital e 73% em outras cidades) – quase 40% das mortes decorrentes de intervenção policial no país, valor este que mais que dobrou nos últimos 2 anos.

São Paulo aparece em 2º. Em 2019, foram 120 crianças e adolescentes mortos pela polícia – 53% na capital. Ao contrário do Rio de Janeiro, o número vem caindo.

Outro dado possível é analisar a raça dos mortos, mesmo um grande número de ocorrências virem sem essa informação. No Pará, por exemplo, 98% dos casos não tem informação sobre raça/cor.

Mesmo deixando de lado essas imprecisões, é possível saber que 69% das vítimas mortas pela polícia entre crianças e adolescentes são negras e que os casos se concentram entre 15 e 19 anos. No Rio de Janeiro, o percentual chega a quase 90%.

2020 foi o ano com o maior número de jornalistas presos da história

Police officers detain a photojournalist during an opposition rally to protest the official presidential election results in Minsk, Belarus, Saturday, Sept. 26, 2020. Hundreds of thousands of Belarusians have been protesting daily since the Aug. 9 presidential election. (AP Photo/TUT.by)
Em sua pesquisa global anual, o Comitê para a Proteção aos Jornalistas (CPJ) identificou pelo menos 274 jornalistas presos em relação ao seu trabalho em 1º de dezembro de 2020, ultrapassando a alta cifra de 272 em 2016.

A China, que prendeu vários jornalistas por sua cobertura da pandemia, foi o pior carcereiro do mundo pelo segundo ano consecutivo. O país foi seguido pela Turquia, que continua a processar jornalistas em liberdade condicional e a prender outros; pelo Egito, que não mediu esforços para manter aprisionados jornalistas que não foram condenados por nenhum crime; e pela Arábia Saudita.

Os países onde o número de jornalistas presos aumentou expressivamente incluem Bielorrússia [Belarus], onde ocorreram protestos em massa pela duvidosa reeleição do presidente há muito tempo no poder, e a Etiópia, onde a agitação política se degenerou em conflito armado.

Algumas constatações do censo do CPJ:dois terços dos jornalistas presos são acusados ​​de crimes contra o Estado, como terrorismo ou participação em grupos proibidos.nenhuma acusação foi divulgada em 19% dos casos; mais da metade desses 53 jornalistas está na Eritreia ou na Arábia Saudita.quase todos os jornalistas presos em todo o mundo trabalham em seu próprio país. O CPJ encontrou pelo menos sete estrangeiros ou possuidores de dupla nacionalidade, encarcerados na China, Eritreia, Jordânia e Arábia Saudita.36 jornalistas, ou 13%, são mulheres. Algumas cobriam direitos das mulheres no Irã ou na Arábia Saudita; várias foram presas cobrindo protestos na Bielorrússia.

Leia mais no site do Comitê para entender a realidade de cada país.

Brasil e Coréia do Norte eram os únicos países que ainda não reconheciam Joe Biden como presidente eleito dos EUA. Mas Bolsonaro tuitou no fim desta terça (15/12) e reconheceu

Em azul, eram os países que já reconheciam até então.

Leituras complementares

– Acompanhei uma manifestação da extrema-direita contra a vacina chinesa comprada pelo governador João Doria (PSDB). Saiu no Yahoo Notícias.

– Jornalismo no Brasil em 2021. Site da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) com textos incríveis e projeções para o Jornalismo no Brasil em 2021. Acesse!

– Governo Bolsonaro implanta agentes da Abin em diversos ministérios. Pelo menos 15 agentes foram lotados em ministérios como Economia, Infraestrutura, Saúde e Casa Civil; agente da Abin, Rafael Augusto Pinto é o responsável pelo relacionamento com ONGs na Secretaria de Governo. (Agência Pública)

– Para 52% dos brasileiros, o presidente Jair Bolsonaro não tem culpa pelas mortes por Covid-19. Só 8% acham que ele é responsável. (Portal360)

– Pesquisa revela as dificuldades do centro para crescer no universo digital. Os nomes que se apresentam como alternativa a Bolsonaro e PT patinam nas redes sociais, cada vez mais cruciais nas disputas eleitorais. (Veja)

– O ano sem adeus. Como a pandemia afetou os rituais de despedida e o luto de milhares de brasileiros em 2020. (TAB UOL)

– Brasil perde cinco posições no ranking mundial de IDH, apesar de uma leve melhora do índice. País agora ocupa posição 84 entre 189 países analisados em termos de Desenvolvimento Humano. Média brasileira é menor do que a de Chile, Argentina, Uruguai e Colômbia; ranking é liderado pela Noruega. (G1)

– Brasil tem a 8ª pior desigualdade de renda e supera só países africanos: África do Sul, Namíbia, Zâmbia, São Tomé e Príncipe, Reúplica Centro-Africana, Suazilândia e Moçambique. (UOL)

– Maioria de prefeitos de capitais ignora mulheres, negros ou LGBT+ em seus planos de governo (Gênero e Número)

– O ex-morador de rua que superou 20 anos de dependência das drogas e se tornou professor universitário. Anthony Brown fugiu de casa na adolescência para escapar da violência doméstica. (revista Época)

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