#061 – 2021 chegou!

2021 chegou, turminha!
Primeiro, que todos tenham um excelente ano e cheio de realizações.
Depois do caos de 2020, espero mesmo que tenhamos um ano melhor!


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Começo então esta primeira newsletter de 2021 com dois pedidos:
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Prefeitos prometem muito sobre Educação e Cultura e quase nada para Transparência

O Portal G1 analisou as 1.097 propostas dos 26 prefeitos empossados nas 26 capitais do país e percebeu que o principal tema levantado por eles é Educação e Cultura, seguido por Saúde e Mobilidade Urbana. O tema menos prometido é sobre Transparência Pública.

Interessante que há mais promessas de “Direitos humanos e sociais” do que Economia, por exemplo – e há mais de Meio Ambiente do que do setor econômico.

Covid-19 foi a principal causa de morte na cidade de São Paulo em 2020

De acordo com os dados levantados pelo portal G1, 16.209 pessoas morreram por causa do coronavírus na capital – 18 vezes mais do que o número de cidadãos mortos pela violência urbana, segundo dados da Secretaria de Segurança Públioca (SSP-SP) tabulados pelo Instituto Sou da Paz.

A segunda maior causa de mortes na cidade em 2020 foram de doenças isquêmicas coração: 6.903 – quase um terço das mortes confirmadas de Covid-19. Em terceiro aparecem as pessoas mortas por “suspeita de Covid-19”: 6.372. Ou seja: o número de mortos pela pandemia deve ser ainda maior.

Para a professora Marcia Furquim de Almeida, que dá aulas na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), esse chamado “excesso de mortes” pode ser um impacto indireto da pandemia.

“Os portadores destas doenças ficam com medo de procurar serviços de saúde, ou morrem devido a complicações pela falta de tratamento necessário e pela saturação dos serviços de saúde”, explicou ela.

A professora disse ainda para o G1 que volume de mortes provocadas pela Covid-19 deve reduzir a esperança de vida média da população paulistana e em outras partes do Brasil, além de possivelmente alterar o perfil populacional.

“A esperança de vida é o cálculo que você faz de qual é a expectativa de vida. Eu acho que nós vamos ter uma queda da expectativa de vida do município de São Paulo”, afirmou ela. 

“Provavelmente, como você tem uma maior mortalidade também dos idosos, você deve ter uma mudança do perfil da própria população, porque o impacto foi muito grande entre os idosos. E também, se você parar para pensar, o impacto também foi muito maior entre os afrodescendentes e na população que reside mais na periferia de São Paulo”.

7 em cada 10 brasileiros querem manter o voto na urna eletrônica

Fotografia que fiz do então candidato Rodrigo Valverde (PT) que concorreu ao cargo de prefeito na última eleição.

Os dados são do Datafolha e foram divulgados na Folha de S.Paulo deste último domingo. Para 73%, o Brasil deve continuar usando as urnas eletrônicas nas eleições. Outros 23% disseram que o país deve voltar a usar o papel – coincidência ou não, mas este número se aproxima do índice de aprovação do presidente Jair Bolsonaro.

Do total de entrevistados (2.106), 69% disseram que confiam muito ou um pouco no sistema de urnas informatizadas. Outros 29% disseram que não confiam – novamente o número está próximo de quem apoia o presidente.

Das pessoas que confiam:
– 48% entre quem tem Ensino Superior;
– 55% entre quem ganha mais de 10 salários mínimos;
– 37% entre brancos;
– 48% entre funcionários públicos;
– 44% entre estudantes;
– 45% entre quem reprova o governo Bolsonaro.

Das pessoas que não confiam:
– 34% entre quem tem de 25 a 34 anos;
– 34% entre moradores do Centro-Oeste/Norte;
– 33% entre pardos;
– 34% entre desempregados (não procuram emprego);
– 38% entre quem aprova o governo Bolsonaro;
– 43% entre quem está vivendo normalmente a pandemia.

Das pessoas que querem seguir usando a urna eletrônica:
– 81% entre quem tem Ensino Superior;
– 84% entre quem ganha mais de 10 salários mínimos;
– 76% entre moradores do Nordeste;
– 86% entre funcionários públicos;
– 84% entre quem reprova o governo Bolsonaro;
– 81% entre quem nunca confia em Bolsonaro.

Das pessoas que querem voltar para o voto no papel:
– 26% entre quem tem de 25 a 34 anos;
– 26% entre moradores do Centro-Oeste/Norte;
– 29% entre os empresários;
– 37% entre quem está vivendo normalmente a pandemia;
– 32% entre quem aprova o governo Bolsonaro;
– 33% entre quem sempre confia no presidente.

Ou seja: podemos ver um perfil bolsonarista em quem não apoia a urna eletrônica e quer a volta do voto no papel.

Coréia do Sul descriminaliza o aborto

O direito à interrupção voluntária da gravidez, antes só aceito para vítimas de estupro ou em casos de risco à saúde da gestante, agora é extensivo a todas as mulheres. A lei que criminalizava o aborto caiu no 1º dia deste ano.

Na Young é líder da associação Share, organização que defende os direitos das mulheres. Após uma proibição de 67 anos, a interrupção voluntária da gravidez não é mais ilegal na Coreia do Sul.“Os membros da Assembleia Nacional não concordaram em alterar a lei existente. Mas a lei deveria expirar após a decisão do Tribunal Constitucional de abril de 2019, que a declarou ilegal. As disposições penais sobre o aborto na lei que o criminalizava não estão mais em vigor a partir de 1º de janeiro de 2021. Estou muito feliz em compartilhar esta boa notícia da Coreia do Sul ”, declarou Young.

No entanto, não há um limite oficial para a prática do aborto em um país com costumes conservadores. O movimento pró-vida está reagindo e se organizando para que muitas emendas sejam aprovadas. Primeiro, para proibir o aborto depois de seis ou dez semanas de gravidez e, em seguida, para que os médicos tenham a opção de recusar a realização do aborto.

As informações são do portal G1.
A Anistia Internacional divulgou uma carta, em coreano, sobre a aprovação.

Traficantes evangélicos fecham pacto com milícia para expandir “Complexo de Israel”

O “Complexo de Israel”, agora, une tráfico e milícia. Batizado por criminosos que se dizem evangélicos e proibiram em seus domínios a prática de religiões afro-brasileiras, o conjunto de favelas na Zona Norte do Rio passou a englobar uma comunidade dominada por paramilitares.

Um inquérito da Polícia Civil obtido pelo jornal EXTRA revela que um pacto fechado entre traficantes e milicianos do Quitungo, em Brás de Pina, culminou na união das quadrilhas e na adesão da favela ao “Complexo de Israel”, que já abrangia Vigário Geral, Parada de Lucas e Cidade Alta.

O acordo — que prevê a união das quadrilhas em invasões a favelas dominadas pela maior facção do tráfico do Rio, rival de ambas — foi descoberto pela polícia durante uma investigação sobre um duplo homicídio no Quitungo, em junho passado. Jhonatan Batista Vilas Boas Alves, o Cepacol, e José Mário Alves da Trindade, o Cebolão, foram executados e tiveram seus corpos encontrados no porta-malas de um carro queimado na favela.

A Delegacia de Homicídios (DH) descobriu que as vítimas eram integrantes da milícia que, descontentes com o pacto com o tráfico, romperam com a quadrilha. A investigação terminou nas prisões, no mês passado, de três policiais militares acusados de integrar a cúpula da milícia do Quitungo e de serem os mandantes do crime.

Entenda mais na reportagem do Extra.

Todo Poderoso Chefão

Foto – Marcos Ribolli

Andrés Sanchez é um dos personagens mais incríveis, polêmicos e contestados do futebol brasileiro. Ele foi presidente do Corinthians foi três vezes (a última terminou semanas atrás), deputado federal pelo PT e um dos maiores falastrões dirigentes do país. Ou você ama ou odeia o cartola.

O jornalista Bruno Cassucci fez uma reportagem maravilhosa onde traçou a biografia do Andrés. Há bastidores com jogadores, problemas com a ex-esposa, a solidão do cartola e opiniões sobre o futebol brasileiro.

Andrés se diz um “solteirão convicto” e avalia a sua última gestão “nota 6,5” porque governou “sem tesão”. Ele lembra de um episódio polêmico com o ex-atacante Ronaldo (quando teve que intervir nas gravações do circuito interno do hotel onde o time estava hospedado) e da relação da sua relação com a Arena Corinthians – “ele trata como se fosse dele” diz a matéria.

Para quem gosta de bastidores e de histórias, vale muito a leitura!

#MandaDicas

Suburra: Sangue em Roma. Série italiana que conta como funciona os bastidores da política naquele país que envolve a máfia, gangues locais, os políticos e o Vaticano. A série está na Netflix e, até agora, são 3 temporadas. A história é baseada em um livro escrito por Giancarlo De Cataldo e Carlo Bonini, inspirados na vida real. Tem muita ação e intrigas; a série mostra que tudo na Itália está ligado, desde os criminosos, os cardeais, os deputados e por ai vai. Vale lembrar que Suburra era um grande e quarteirão da Roma Antiga. Como a população que vivia ali era mais pobre, o termo “suburra” ainda hoje é um termo genérico para um lugar de má-fama, de alta criminalidade e foco de prostituição.
Em 2015, quando a força-tarefa da Lava Jato fulminou o “clube” de empreiteiras que controlava os contratos com a Petrobras, a Odebrecht liderava com folga o ranking das empresas de engenharia nacionais. Delatados por colaboradores da Justiça,  alguns de seus principais executivos foram presos ,  acusados de uma volumosa coleção de crimes. Para tentar sobreviver à hecatombe, a organização — era assim que os controladores e funcionários se referiam à companhia — e seus dirigentes confessaram um longo histórico de práticas escusas que abalou a República e chocou o mundo, envolvendo propinas a centenas de políticos, de prefeitos a presidentes. Emilio e Marcelo Odebrecht, pai e filho, cujo relacionamento sempre fora difícil, romperam publicamente em meio a um duelo de denúncias. Neste livro sobre a glória e a desgraça da Odebrecht, Malu Gaspar desvenda as engrenagens de um sistema de corrupção que parecia inviolável, e lança luz sobre as espúrias relações entre Estado e empresas que condicionaram por muito tempo uma espécie de “capitalismo à brasileira”.

Leituras complementares

– O algoritmo e racismo nosso de cada dia. Reconhecimento facial aposta no encarceramento e pune preferencialmente a população negra. (revista piauí).

– “Carnaval? Para morrer mais gente? Não vale a pena”. Costureira que trabalha há quase uma década confeccionando fantasias de escola de samba é contra a realização da festa durante a pandemia. (revista piauí)

– Espanha equipara licença paternidade e maternidade, e avança na igualdade de gênero. As licenças de pais e mães pelo nascimento de um filho começam a ser equiparadas na Espanha à partir deste 1º de janeiro em 16 semanas. (El País)

 – Indígenas brasileiros lutaram contra os nazistas na Segunda Guerra. (Folha de S.Paulo)
– Cientistas investigam uma estranha emissão de ondas que pode ter chegado à Terra a partir de um planeta de fora do Sistema Solar e avaliam se ela poderia ser considerada um indício de vida extraterrestre. Especialistas dizem que há indícios de que o sinal teria partido de Proxima Centauri b, o exoplaneta que orbita a estrela Proxima Centauri, a mais próxima do Sol, em uma região considerada potencialmente habitável. (BBC Brasil)

– Nos Estados Unidos, o cidadão é livre para falar, mas não é livre da responsabilidade pelo o que se diz. Mas lá uma lei conhecida como Section 230 gera uma baita polêmica porque libera as empresas da internet, como Google e Facebook, de qualquer responsabilidade. Porém, o grande ponto é na maneira que essas companhias se beneficiam desta tal liberdade. (The Atlantic)

#ChargesDaSemana