#063 – O que o brasileiro pensa da próxima década

Uma pesquisa exclusiva feita pelo Instituto Travessia e divulgada com exclusividade pelo jornal Valor desta última sexta-feira, trouxe um panorama bem interessante da opinião do brasileiro para este ano e o que ele espera da próxima década que se inicia em 2021.

Segundo o jornal, tanto para este ano quanto para os próximos 10, há um cenário para otimismo, mas que divide o protagonismo com dois medos: os problemas ligados ao desemprego e à precariedade do sistema de saúde.

Analistas tiveram duas visões sobre o pensamento do brasileiro com a sua vida para o o próximo ano. Há apenas 2% de diferença entre quem acha que vai ser pior e quem acha que vai ser melhor. “No atual contexto, ainda em meio a uma terrível pandemia, isso mostra uma visão surpreendentemente otimista” disse ao Valor o cientista político José Álvaro Moisés, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). “Afinal, apenas 24% esperam por um agravamento do quadro geral”

Por outro lado, há uma visão não tão animadora assim. Para o cientista político Carlos Melo, professor da Escola de Negócios do Insper, o quadro atual é bastante ruim. De acordo com o Valor, o Brasil passa por uma crise sanitária que se sobrepõe à econômica, sendo que ambas costumam se somar a impasses políticos. “Assim, quando as pessoas afirmam que a situação permanecerá ‘igual’, em grande medida, querem dizer que continuará ruim” disse. Logo, para Melo, temos sete em cada dez brasileiros pessimistas.

No geral, temos um brasileiro muito preocupado com a saúde e o emprego. Tanto é que a maior esperança é encontrar um emprego melhor e o maior medo é o crescimento do desemprego. “Em pesquisas qualitativas, que envolvem pequenos grupos e onde os temas são debatidos com maior profundidade, vemos que o aumento de preços está preocupando muito as pessoas. Mas a questão do emprego é mais presente. Sua importância cresce e impressiona” disse ao Valor Renato Dorgan Filho, analista e sócio do Instituto Travessia.

Na saúde, quase metade apontou isso como o fator mais importante de felicidade e um terço disse que essa área é a principal para melhorar nos próximos 10 anos.

O brasileiro acha que seus pais viviam melhor que ele e que seus filhos vão viver melhor. Ou seja: ele sabe que está em um momento ruim. “Na verdade, é até provável que os pais desses entrevistados nem sequer tenham tudo uma vida realmente melhor. Mas isso certamente revela uma sensação de que as coisas pararam de melhorar ou mesmo que estão indo para trás” disse o sociólogo e cientista político Sergio Abranches. Para ele, isso é “impressionante e grave“. “Assim, tende a produzir inquietações e conflitos. Muitas vezes é ela, por exemplo, que também alimenta a polarização na política”.

José Moisés, da USP, disse ao Valor que essa visão pode estar sob forte influência dos efeitos da recessão. “Quando temos um fenômeno dessa natureza que se estende por tanto tempo, essa visão sobre o passado remoto passa a ser lógica. Se hoje uma pessoa está desempregada, é natural que imagine que seus pais tenham vivido melhor independentemente da real situação do país naquela época”.

Em relação aos descrentes – tanto para 2021 quanto para a próxima década – a maior parte é formada por homens, moradores do Sul, pessoas com idade entre 45 e 59 anos e renda média mensal entre dois e cinco salários mínimos. Para Dorgan, esse grupo apresenta um perfil conhecido. “Tem as mesmas características do eleitor médio do presidente Jair Bolsonaro. Essa turma parece ser mais revoltada” disse Renato para o Valor

Sobre o país, ele não sabe no que o país vai se destacar, acredita que a polarização no debate político vai aumentar e que precisamos melhorar o nosso sistema de saúde e ter políticos mais honestos. “A menção em segundo lugar mostra o quanto a pauta de corrupção ainda está forte no Brasil” comenta Camila Rocha, pesquisadora do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento).

Queria destacar dois assuntos curiosos sobre as maiores esperanças dos brasileiros para os próximos 10 anos: ganhar na loteria (8%) e a descoberta de um novo planeta onde a vida humana é possível (4%).

Vejamos algumas percepções sobre 2021:

1. maior problema que o Brasil vai enfrentar
33% desemprego;
26% crises econômicas;
14% Covid-19
14% inflação;
8% não sabem;
5% falta de vacina.

2. em relação a 2020, como a vida vai estar.
44% se manter igual; 
24% vai piorar;
22% crê em uma melhora.

3. as crises políticas no governo federal
31% permanecer iguais;
26% não sabem;
26% vão aumentar;
17% vão diminuir.

4. maiores esperanças
31% ter um emprego melhor;
24% fim da pandemia;
21% guardar dinheiro;
13% não sabem;
11% consumir mais.

5. prioridade na vida profissional
22% aumento de salário;
18% busca de qualidade de vida;
16% um emprego público;
13% priorizar a abertura de um negócio;
7% mudar de emprego.

6. se tiver condições, quais as preferências para fazer com o tempo livre
36% ficar mais perto da família;
22% ampliar suas amizades;
16% não sabem;
11% querem encontra um(a) novo(a) parceiro(a);
8% mais opções de lazer;
7% praticar mais esportes.

Agora vamos analisar os resultados para os próximos 10 anos.

1. em relação a hoje, o que você acha da sua vida na próxima década
40% vai ser melhor;
26% permanecer igual;
19% não sabem;
15% vai piorar.

2. mais importante para o Brasil
29% melhorar os serviços de saúde;
20% governos honestos;
19% mais oferta de emprego;
19% educação de qualidade;
11% redução da violência.

3. como vai ficar o destaque do Brasil no mundo
29% não sabem;
29% ficar igual;
23% vai aumentar;
19% vai diminuir.

4. seus maiores medos
32% aumento do desemprego;
28% novas pandemias;
18% não sabem;
8% aumento da violência
5% guerra mundial
5% desmatamento da Amazônia

5. suas maiores esperanças
37% encontrar um trabalho melhor;
28% a descoberta de tratamentos mais eficazes contra o câncer;
20% não sabem;
8% ganhar na loteria;
4% a descoberta de um novo planeta onde a vida humana é possível;
3% o fim do aquecimento global

6. se você pudesse escolher a área que daria o maior salto
33% saúde;
30% educação;
14% emprego e segurança;

7. o que é mais importante para trazer felicidade
48% saúde;
16% desenvolvimento pessoal;
10% dinheiro;
9% convivio com parentes;
8% estabilidade emocional;
7% amigos.

8. quando seus pais tinham sua idade, eles viviam melhor do que você?
61% sim
33%

9. quando seus filhos tiverem a sua idade, eles vão viver melhor do que você?
55% sim
40% não

Norte-americanos querem que Trump saiam agora

Cobertura que fiz em outubro de 2016 de apoiadores do presidente Donald Trump na Avenida Paulista

Uma grande pesquisa do Instituto Ipsos com a Reuters mostrou o cenário da política norte-americana depois da invasão do Capitólio.

No geral, as informações mostram que os cidadãos queriam que Trump saísse agora, que houve uma forte repulsa a invasão no Congresso, muitos taxaram de criminosos as pessoas que participaram dos atos e quem aprovasse tanto as ações de Biden quanto de Trump. Porém, todas as conclusões e opiniões dependem muito se é um democrata ou um republicano. Os dados mostram a polarização do debate político por lá: republicanos estão, majoritariamente, ao lado de Trump e são críticos ao novo presidente Biden.

30% gostariam que o presidente Donald Trump fosse removido imediatamente de suas funções a partir do uso da 25ª Emenda. Este número sobe para 47% entre os democratas e cai para 11% entre os republicanos.

14% acreditam que Trump deveria sofrer um processo de impeachment.
Entre os democratas, são 25%; nos republicanos, 5%.

13% acham que o presidente deveria renunciar.
Nos democratas, são 16% – e 8% entre os republicanos.

43% gostariam que Trump continuasse o seu mandato até o fim.
O número despenca para 11% entre os democratas, mas dispara para 77% entre nos republicanos.

Você apoia ou se opõe ao manifestantes que invadiram o Capitólio dos EUA?
– 72% se opuseram fortemente;
– entre os democratas, 87% se opuseram;
– entre os republicanos, 58% se opuseram;
– a quantidade de republicanos que apoiaram fortemente é 4x maior do que a de democratas;
– 13% dos republicanos foram um pouco contrários; entre os democratas, foram 5%;
Você aprova ou desaprova as ações de Joe Bieden em relação a invasão?
– 44% dos republicanos desaprovaram com força;
– 61% dos democratas aprovaram muito. Houve ainda 18% que aprovaram um pouco;
– entre todos os ouvidos, 32% aprovaram bastante e 21% desaprovaram com força;

Você aprova ou desaprova as ações de Donald Trump em relação a invasão?
– 55% dos entrevistados desaprovaram muito e 16% aprovaram demais;
– entre os republicanos, a forte aprovação foi de 38%;
– entre os democratas, a forte desaprovação foi de 86%;
– 1% dos democratas aprovaram com força;
– 20% dos republicanos desaprovaram muito

Qual palavra ou frase descreve melhor os grupos que invadiram o Capitólio?
– 59% disseram que eles são “criminosos”, 20% que são “tolos” e 9% que são “cidadãos preocupados”;
– entre os democratas, 73% taxaram as pessoas de “criminosas”;
– entre os republicanos, 47% disseram ser “criminosos”.
– o número de republicanos que taxaram essas pessoas de “patriotas” é quase 5 vezes quando comparado com a quantidade de democratas que rotularam assim;
– o número de republicanos que taxaram essas pessoas de “cidadãos preocupados” é 6 vezes mais quando comparamos com os democratas.

Em quem você votou em 2020?
– 45% dos ouvidos indicaram o nome de Joe Biden. Entre os democratas, o número sobe para 85% – mas entre os republicanos, ele despenca para 9%;
– 33% falaram em Trump. O presidente teve 76% entre os republicanos e apenas 4% entre os democratas;
– 15% disse não ter votado – entre os republicanos, foram 10%, e 8% nos democratas;

Metade dos brasileiros é a favor do casamento homossexual

A pesquisa feita pelo PoderData entre 4 e 6 de janeiro deste ano mostrou que 51% da população brasileira é a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo. 33% disse sem contra e 16% não souberam ou não responderam.

– as mulheres são mais favoráveis do que os homens: 56% a 46%, respectivamente;

– quando mais jovem, mais favorável. Entre quem tem de 16 a 24 anos, 78% são a favor. Com 60% ou mais, a aprovação cai para 40%. A maior reprovação entra entre 45 e 59 anos: 49%;

– entre as regiões do país, o Sul tem a maior aprovação (57%) e o Centro-Oeste a maior reprovação (42%);

– pessoas com ensino superior aprovam mais do que tem ensino médio: 69% a 46%, respectivamente;

– quando vemos a renda, a maior aprovação está em quem ganha de 5 a 10 salários mínimos (70%) e a maior reprovação está entre 2 e 5 salários mínimos (48%).

A pesquisa cruzou ainda as informações de quem apoia ou não o casamento homoafetivo com as avaliações do presidente Bolsonaro.

Entre quem avalia o governo como ruim/péssimo, 66% são favoráveis.
Entre quem avalia o governo como ótimo/bom, 49% são contrários.

Ou seja: temos uma ligação clara entre apoiadores de Bolsonaro e contrários a união.

Leituras complementares

– O Ministério dos Direitos Humanos não gastou nenhum centavo dos R$ 4,5 milhões orçados para a Diretoria de Políticas de Promoção e Defesa dos Direitos LGBT em 2020. (Época)

– Eugênio Pacelli Mattar, irmão do ex-secretário de Desestatização do governo Bolsonaro, Salim Mattar, foi a pessoa física que mais recebeu recursos da União em 2020. Eugênio ocupou o topo do ranking dos dez maiores favorecidos com recursos públicos no ano passado: um total de R$ 15,2 milhões dos cofres públicos. (Congresso em Foco)

– Impostos sobre fortunas se tornam cada vez mais globais. Discussões crescem em meio ao aumento das fortunas das pessoas mais ricas do mundo em 2020, mesmo com a crise econômica causada pela pandemia (Infomoney)

– “Encontre a fraude”. Em 23 de dezembro, o presidente Trump pressionou o investigador eleitoral da Georgia para encontrar a fraude na eleição do estado, dizendo que o oficial seria um “herói nacional”. Segundo o Washington Post, o presidente tentou intervir em uma investigação em andamento o que pode representar obstrução da Justiça e outras violações criminais. (Washington Post).

– Lembram do homem de chifres e roupa de pelos que invadiu o Capitólio e virou famoso? Então, foi preso na Florida. (The Daily Beast) E lembram de um cara que saiu todo sorridente e carregando um púlpito? Também foi preso. (The New York Times)

– O italiano Fabrizio Chiodo é professor de Química na Universidade de Havana e encabeça a lista de colaboradores estrangeiros que participam do desenvolvimento de suas vacinas contra a Covid-19 em Cuba: a Soberana 01 e Soberana 02. Atualmente, o país tem quatro vacinas candidatas para os testes clínicos. Leia a entrevista com Fabrizio. (Cubadebate)

– Taxa de eficácia da CoronaVac iguala a de vacinas em uso no Brasil. (Poder360)

– Para 91% dos brasileiros, preservação da Amazônia é muito importante (Poder360)

– A China tem grandes novidades em tecnologia de comunicação. Cientistas chineses afirmam ter estabelecido a primeira rede de comunicação quântica do mundo, combinando mais de 700 pontos de cabeamento de fibra ótica no chão com 2 satélites para atingir a distribuição de informações criptografas por uma extensão de 4.600 km. (Exame)

– Uso de aplicativos e serviços digitais por idosos é impulsionado na pandemia. Além dos apps de mensagens e redes sociais, grupo aprende a usasr aplicativos de bancos e a fazer compra pela internet (Estadão)

#LeiaEstaColuna

#FotoDaSemana

#CapaDaSemana

Kamala Harris, vice-presidente dos EUA, na capa da Vogue. Toda chique e ditando tendência com o seu famoso All Star. Leia a matéria completa aqui.