#064 – Bolsonaro começa a cair

A última pesquisa sobre o governo Jair Bolsonaro divulgada nesta segunda-feira (17/01) pela XP Investimentos acende um sinal de alerta, seja de esperança para quem não gosta do governo ou de preocupação para o Planalto e seus apoiadores: aumentou a avaliação negativa e diminuiu a positiva.

Foram entrevistadas mil pessoas entre 11 e 14 de janeiro deste ano – ou seja, os problemas enfrentados em Manaus ainda não tinham sido divulgados em todo o país.

No geral, o que podemos concluir: o atual presidente ainda está conta com um grande apoio popular e chega forte para as eleições de 2020, mas o cenário já demonstra algumas rachaduras que, dependendo do contexto, podem aumentar e prejudicar os planos do Bolsonaro para o futuro. O cenário ainda é confortável para ele, mas o pequeno sinal amarelo já precisa ser ligado em Brasília.

Há algo que não pode fugir do nosso norte: a votação para a presidência da Câmara e do Senado. O presidente está agindo muito para conseguir o comando das duas – mas muito mais da Câmara. Na Casa, a candidatura de Arthur Lira (PP-AL) é a aposta do Bolsonarismo para segurar os deputados federais. Atualmente, de acordo com o Estadão, o candidato do presidente teria 186 votos – o último apoio conquistado veio do PTB.

Além disso, temos o recente caos em Manaus (que pode prejudicar a imagem do presidente), a péssima gestão do Ministério da Saúde com a questão da vacina, o protagonismo dos governadores na vacinação (caso, principalmente, de João Doria) e a programação de como será a vacinação no país que, caso gere problemas, pode arranhar ainda mais a imagem do governo.

Hoje, 40% avaliaram o governo como “ruim e péssimo” – 5% acima de dezembro de 2020. Trata-se do maior valor desde agosto de 2020. Naquela época, 37% avaliaram deste jeito – depois de uma sequência de quedas que vinha desde abril.

Por outro lado, 32% avaliaram como “ótimo e bom”, queda de 6% quando comparado com o último mês do ano passado. Este valor também desde agosto de 2020.

Caiu também a quantidade de brasileiros que acreditam que o restante do mandato de Bolsonaro será “ótimo e bom”: de 40% em dezembro de 2020 para 37% em janeiro deste ano. Logo, subiu quem acredita que vai ser “ruim e péssimo”: agora são 37% contra 33% no final do ano passado.

A XP Investimentos perguntou qual percepção das notícias sobre o governo Bolsonaro. De maio até setembro do ano passado, despencou quem achava que eram “mais desfavoráveis”: de 63% para 40%. Mas, a partir de então, só subiu e chegou em 53% em janeiro deste ano.

Se pegarmos quem acha que as notícias são “mais favoráveis”, o índice vem caindo desde outubro do ano passado, quando estava em 17%, e agora soma 9%.

De outubro para cá, também vem caindo quem tem a percepção de que as notícias não são “nem favoráveis, nem desfavoráveis”: estava em 35% e agora está em 29%.

O que o brasileiro pensa do futuro
– 50% acredita que o desempenho do Congresso vai se manter igual. Vale destacar o crescimento de quem acha que vai melhorar: de 22% em novembro, para 23% em dezembro e chegando em 24% em janeiro deste ano.

– vem aumentando o número de brasileiros que acreditam que a corrupção vai “aumentar ou aumentar muito” nos próximos 6 meses. Em outubro do ano passado eram 40% – subiu para 42% (novembro), 44% (dezembro) e agora soma 46%. O discurso de combate à corrupção do presidente Bolsonaro foi por água abaixo seja pela saída do ex-ministro Sérgio Moro ou pelas acusações que envolvem seus filhos.

– o brasileiro está mais otimista sobre a manutenção do seu emprego. Em janeiro deste ano, 60% têm a percepção de que a chance de manterem o emprego nos próximos 6 meses é “muito grande + grande” – eram 54% em outubro do ano passado. Isso não tem nada a ver com as medidas tomadas por Paulo Guedes e sua turma, claro. 

– o brasileiro tem a percepção de que suas dívidas vão “aumentar + aumentar muito” nos próximos 6 meses. Em agosto de 2020, 24% achavam isso – hoje são 36%.

– metade da população acredita que o governo deveria criar, por mais alguns meses, outro auxílio semelhante ao auxílio emergencial, mas apenas 27% acredita que ele vá fazer isso.

Coronavírus
– 42% da população “está com muito medo” do surto da Covid-19. Este valor vem crescendo desde outubro do ano passado, quando estava em 28% e depois subiu para 37% (novembro) e 40% (dezembro).

– 56% acreditam que o “pior ainda está por vir” – 8% acima da pesquisa feita em dezembro do ano passado e mais do que os 47% de novembro de 2020.

– 69% disseram que “com certeza irá se vacinar”. Este valor cai para 63% quando perguntado da certeza de se vacinar pela “Butantan-Coronavac”, mas sobe para 67% sobre a “Fiocruz-Oxford”. Aqui mostra o preconceito e o embate ideológico em relação a vacina vinda da China.

– 52% acreditam que a atuação de Bolsonaro para enfrentar o coronavírus é “ruim e péssima”, 4% a mais da pesquisa de dezembro de 2020. Trata-se do maior valor desde julho de 2020.

– 36% avaliaram a atuação dos governadores como “ótima e boa” e 35% como regular.

Confiança nas urnas eletrônicas
A pesquisa analisou como o brasileiro se comporta em relação às urnas eletrônicas.
Importante notar como muda se a pessoa é eleitora ou não do Bolsonaro.

Eleições 2022
De maneira espontânea, a pesquisa perguntou como seria o 1º turno.
– 53% das pessoas não sabem ou não responderam, um número grande.
– quando vemos os candidatos, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) lidera com 22%.
– em segundo aparece o ex-presidente Lula (PT) com 6%, seguido do ex-ministro Ciro Gomes (PDT) com 3% e o ex-ministro Sérgio Moro (sem partido) com 2% – o mesmo valor do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) e do ex-candidato à prefeitura Guilherme Boulos (PSOL).
– neste cenário, o presidente Bolsonaro caiu de 24% em dezembro do ano passado para 22% agora em janeiro – o menor valor desde março de 2020.
– o destaque aqui fica para o crescimento em quem citou outros: de 9% em dezembro de 2020 para 13% agora no começo do ano.
– outro ponto que precisamos levar em conta é a queda do ex-presidente Lula: há um ano, o petista tinha 11% e agora soma 6%.

Também foram analisados os dados para o 1º turno com a pesquisa estimulada
– o presidente Bolsonaro (sem partido) lidera com 28%, mas o valor já foi maior: chegou em 31% em outubro do ano passado e vem caindo desde então.
– 18% disseram que não sabem/não responderam/nenhum/branco/nulo.
– o segundo candidato é o ex-ministro Sérgio Moro (sem partido) com 12%.
– depois vem os ex-ministros Ciro Gomes (PDT) e o Fernando Haddad (PT): 11% cada.
– no histórico, vale o destaque para quem citou outros (Mandetta, Huck, Amoedo, Doria e Boulos): crescimento de 14% em outubro do ano passado para 31% em janeiro deste ano.
– preocupante para o PT foi a queda de Lula/Haddad: de 15% em setembro de 2020 para 11% no começo de 2021.

E como seria o 2º turno?
– entre Bolsonaro e Moro, a disputa segue acirrada. Cada hora, um vence. Em dezembro, o atual presidente liderava por 36% a 34% – agora, Moro levaria de 36% a 34%.

– entre Bolsonaro e Lula/Haddad, a distância diminuiu: em dezembro do ano passado, a diferença era de 10%, mas agora está em 5%. O atual presidente ganharia de 42% a 37%.

– entre Sérgio Moro e Lula/Haddad, a distância também recuou. o final do ano passado, o ex-ministro tinha 45% e os petistas apareciam com 27%. Agora, Moro aparece com 43% e o candidato da esquerda tem 30%.

– entre Bolsonaro e Luciano Huck, a distância vem caindo. O atual presidente aparece com 38% e o apresentador com 34% – essa vantagem já chegou em 13%.

entre Bolsonaro e Ciro Gomes, o capitão leva com 40% contra 37% do ex-ministro. Essa distância já chegou a 11% em setembro de 2020.

Violência atinge candidatas à Prefeitura nas capitais brasileiras

Manifestação contra a então presidente Dilma Rousseff em dezembro de 2015

O jornal O Estado de S. Paulo enviou uma enquete para toda as 58 mulheres que concorreram aos Executivos municipais das capitais nas eleições do ano passado questionando sobre as mais variadas formas de violência que elas enfrentaram nas eleições.

Das 58 que receberam, 50 responderam.
Entre elas, 44 relataram violência – ou 88%.

Quase 50% disse que as violências foram com frequência e 38,6% afirmaram que elas aconteceram às vezes. A maior forma de violência é a psicológica: apenas 1 disse não ter sofrido – as demais 43 afirmaram que sofreram. A sexual aparece em 2º (6,8%) junto com a patrimonial (6,8%).

78% das candidatas disseram que a violência foi cometida na internet. Para metade, os problemas aconteceram na rua, enquanto faziam campanha. 18% disse ainda que sofreu violência dentro do seu próprio partido. 

Cerca de 72% afirmaram que a violência política de gênero prejudicou a sua campanha.

“Os ataques são voltados ao corpo da mulher ou relacionados a estereótipos de gênero, tal qual o questionamento a papéis sociais tradicionais ou outros meios com objetivo de negar sua competência na esfera política” disse, ao Estadão, Tássia Rabelo, doutora em Ciência Política e professora da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

O Estadão contou na matéria publicada na edição do último domingo que uma candidata, sob anonimato, contou ter recebido uma oferta de R$ 10 mil para retirar a sua candidatura já que, segundo o autor da proposta, ela era “nova e mulher”. Enquanto uma ouviu durante um debate que “mesmo sendo mulher, era boa candidata”, outra escutou, de um jornalista, que não servia para ser prefeita, pois era “mulher, feia e sem alma“.

O jornal trouxe outras histórias. De acordo com a reportagem, uma das candidatas disse que lhe “perguntaram se meu companheiro estava de acordo com minhas candidatura”. Outra, segundo o Estadão, disse ter sido alvo de campanhas difamatórias e de desinformação com postagens insinuando um relacionamento com um ex-chefe.

“Não voto (em você) para prefeita. Te queria na minha cama” ouviu a deputada estadual Marina Helou (Rede), durante um ato de campanha na Avenida Paulista.

Uma das candidatas mais atacadas foi a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP). O cenário piorou muito depois dela romper com o presidente Jair Bolsonaro. “Sofri por um ano e dois meses um estupro moral, que me levou a um hospital e a perde meu útero” disse Joice ao Estadão. De acordo com o jornal, a deputada recebeu, em um hotel, a cabeça de um porco (Joice foi muito xingada de ‘Peppa Pig’), uma peruca loira e uma carta com a mensagem “vai sofrer, depois morrer”.

Leituras complementares

– Comecei uma série de entrevistas com vereadores e vereadoras de Mogi das Cruzes. Já divulgamos com o vereador John Ross (Podemos) e a vereadora Inês Paz (PSOL). Todos os dias teremos uma nova entrevista. Acesse e acompanhe.

– Nas entranhas. Em São Paulo, as pessoas já não moram somente embaixo, mas dentro de buracos de pontes e viadutos. (TAB UOL)

– Cientistas brasileiros travam guerra contra a desinformação bolsonarista por vacinação. Pesquisadores, artistas e ‘influencers’ tornam-se contrapontos ao presidente Bolsonaro para desmentir notícias falsas e gerar onda pró-imunização no Brasil. (El País)

– Bolsonaro: “Quem decide se o povo vai viver democracia são as Forças Armadas” (Poder360)

– Na pandemia, Exército volta a matar brasileiros. Pazuello e outros generais operam o projeto de Bolsonaro: fazer com que morra um número cada vez maior de pessoas (Época)

– Saiba quem vai receber a CoronaVac primeiro em cada Estado. (Poder360)

– PIB da China cresce 2,3% em 2020. (UOL)

– Tensão entre governo federal e governo de SP sobre planos de vacinação deve agitar os próximos dias (XP Investimentos)

– Número de agrotóxicos registrados em 2020 é o mais alto da série histórica; maioria é genérico, diz governo (G1)

 – “Desisti do Enem porque tive de começar a trabalhar” relata estudante sobre prova na pandemia. Estudantes falam sobre dificuldades para se preparar para a prova. Em todo o país, mais de 5 milhões de alunos prestarão o exame que dá oportunidades no ensino superior. (Agência Mural)

– Mais de 80% dos moradores de Heliópolis relatam sinais de depressão por causa da pandemia. (Band)

#ChargesDaSemana

#GrafosDoBolsonarismo

via Fabio Malini (Twitter): “Precisamos de falar também sobre o Facebook, onde 1018 diferentes links impulsionando o “tratamento precoce” contra covid se espalhou em 1.949 grupos e páginas, entre os dias 01 a 11 de janeiro deste ano. O grafo (pages-links) revela o viés bolsonarista dos grupos. Há muito ‘aliança pelo Brasil’ porque eles multiplicaram grupos locais do quase-partido do Bolsonaro, sincronizando disparos de links. O link+ viralizado do período com 10 mil comentários é do perfil oficial do presidente. Livre, leve e solto com a complacência do Facebook”.
via Fabio Malini (Twitter): “Temos de falar sobre Youtube e mentiras espalhadas milhões de vezes por lá. Extraí os 500 vídeos considerados de maior relevância sobre “tratamento precoce” contra covid-19. É um desastre. Com exceção do canal “Olá, ciência”, há uma ecologia da desinformação da cura milagrosa. Os canais fazem lives, entrevistas e outros bichos para “demonstrar” evidências do milagre da profilaxia governista. No vídeo mais visto o médico ensina sobre dosagens, numa espécie de tutorial do milagre médico, com quase 1 milhão de views.