#072 – Hoje não tem Bolsonaro! Tem Mianmar, vacina e machismo

Gráficos da Covid-19 que precisam ser vistos

Busquei alguns dados sobre a pandemia para termos a noção real do que anda acontecendo com o Brasil. Tem muita gente que não está nem aí. Ando fotografando o caos em Mogi das Cruzes e vejo muita gente sem máscara, lojas fingindo que estão fechadas, grupos conversando em praças… O negócio está bem complicado.

Gráfico da XP Investimentos mostrando a situação dos principais estados. Significativa a subida de São Paulo no começo de fevereiro – resultado, claro, das festas de final de ano. Destaque também para o crescimento no Rio Grande do Sul, por exemplo, região de muito turismo no final e início de ano. Interessante a queda no Amazonas, depois do boom que a região teve. 
Informações também da XP Investimentos mostram como o Brasil não consegue manter um crescimento no isolamento social: é um sobe e desce desenfreado. Impressão que tenho é que a população fica com medo por causa de algum fato e todo mundo se isola; depois, ela desiste e volta para a rua até ver alguma outra notícia que vá lhe chocar.
A situação está seríssima em praticamente todos os estados do Brasil – exceto, talvez, o Amazonas e Roraima, estados que já passaram pelo caos recentemente. Me deixa curioso o grande número de ocupações no Mato Grosso do Sul, por exemplo: será que são poucos leitos? O que aconteceu para ter esse bom de gente internada? Não sei. Vale lembrar que a região Centro-Oeste é onde o presidente Jair Bolsonaro mantém forte apoio. Santa Catarina e Rio Grande do Sul são resultados, claros, do turismo de início do ano. 
Nenhum estado ainda decolou mesmo na vacinação. Estamos a passos lentos. O Amazonas vai sai na frente e é o estado onde há o cenário mais “tranquilo” sobre os leitos, o oposto do Mato Grosso do Sul e de São Paulo, que também estão em ritmo maior de vacinação. 
O Brasil deu uma decolada na vacinação a partir do meio de março. Coincidência de que foi justamente nessa época que o ex-presidente Lula discursou e pressionou o governo federal? Foi nessa época que Bolsonaro começou a usar máscara, mentiu que sempre apoiou a vacina e assinou – finalmente – contratos de compras de vacinas. Com um ano de atraso, o governo deu uma leve movimentada e a vacinação deu uma guinada.
A Prefeitura de Araraquara fechou a cidade por 10 dias, mas fechou de verdade. No final da semana passada, a cidade não teve nenhuma morte em 24 horas. “Araraquara fez aquilo que a ciência diz que se deve fazer” disse o prefeito Edinho Silva (PT). Resultado disso é o gráfico acima: queda considerável no número de mortes diárias.
Em Mogi das Cruzes, houve um pico de crescimento no começo do ano, resultado, claro, das festas de Natal e reveillon e Carnaval. Mogi fica muito próximo da praia e muitos mogianos têm casa no litoral. O maior índice no começo de março reflete, claro, as comemorações do carnaval. A queda abrupta na segunda quinzena de março pode ser resultado de um medo momentâneo da população: a Prefeitura começou uma campanha na imprensa e nas redes sociais para chocar as pessoas – ela foi chamada até de “terrorista” por alguns cidadãos. Foi nessa época que os leitos da cidade bateram 100% de ocupação.

A situação do Brasil é muito delicada – e não só na questão da vida das pessoas (o que, claro, é o principal). Mas na imagem do país  e no quanto isso pode atrapalhar o nosso futuro em todos os campos: diplomáticos, econômicos, turismo…

Abaixo listo algumas reportagens de grandes veículos mundiais sobre o atual momento do Brasil e o que eles acham disso

The New York Times (EUA) – A Collapse Foretold: How Brazil’s Covid-19 Outbreak Overwhelmed Hospitals

Washington Post (EUA) – Brazil’s rolling coronavirus disaster is a global problem

CNN (EUA) – No vaccines, no leadership, no end in sight. How Brazil became a global threat

NPR (EUA) – Brazil Is Looking Like The Worst Place On Earth For COVID-19

The Guardian (Inglaterra) – Brazil’s Covid outbreak is global threat that opens door to lethal variants – scientist

El País (Espanha) – Brasil se convierte en una amenaza mundial por los contagios desbocados y los hospitales atestados

Le Monde (França) – En plein désastre sanitaire, Jair Bolsonaro nomme un nouveau ministre de la santé

Protestos em Mianmar têm centenas de mortos

E

ste final de semana foi de brutalidade em Mianmar, o pequeno país do Sudeste Asiático que vive uma crise interna desde o golpe de Estado de 1º de fevereiro.

Sábado foi comemorado o Dia das Forças Armadas, data que lembra o início da resistência à ocupação japonesa em 1945. A população resolveu então se mobilizar por todo o país para se manifestar contrário aos militares que lideram o país, com o comando do genederal Min Aung Hlaing. 

Imagens veiculadas pelo Twitter mostram soldados e homens de grupos paramilitares torturando civis pelas ruas e matando-os a queima roupa. Há imagens de crianças baleadas e pessoas mortas sendo arrastadas por várias cidades do país. Também há informações de pessoas sequestradas por forças de segurança, caso de um artista chamado Hline Nyi

De acordo com o Myanmar News, foram 169 pessoas mortas em 50 cidades.

Ainda segundo eles, um bebê de 1 ano teria levado um tiro no olho de bala de borracha em Thamin, Yangon. O bebê estava brincando perto das forças armadas quando foi baleado, de acordo com o Myanmar Now.

A CBS News divulgou que, segundo o veículo local Irrawaddy, há pelo menos quatro crianças mortas, com 5, 10, 13 e 15 anos. De acordo com a UNICEF, 23 crianças já foram mortas desde o começo da crise

Em Pale, na região de Sagaing, mais de 100 mil pessoas fizeram um grande protesto. De acordo com o Twitter Myanmar News, há freiras e monges entre os manifestantes.
No distrito de Dooplaya, em Karen, as pessoas também foram para as ruas. As imagens do Myanmar News no Twitter mostram soldados do KNU protegendo as pessoas. Esses militares fazem parte de um grupo armado de oposição ao regime.

Delegação da União Europeia no país emitiu uma nota dizendo que este sábado “vai ficar gravado como um dia de terror e desonra”. Segundo a delegação, “a matança de civis desarmados, incluindo crianças, são atos indefensáveis”.

Thomas Vajda, embaixador dos Estados Unidos no país, condenou os assassinatos e pediu o “fim imediato da violência e a restauração do governo eleito democraticamente” e completou dizendo que “este derramamento de sangue é horrível”.

Organização das Nações Unidas (ONU) também se manifestou e disse que está horrorizada com a “perda desnecessária de vidas” e disse que este sábado marca o “dia mais sangrento desde o golpe”. Para a ONU “a violência é completamente inaceitável e deve parar imediatamente” e completou: “Os responsáveis ​​devem ser responsabilizados”.

“Hoje é um dia de vergonha para as Forças Armadas”, disse Sasa, porta-voz do CRPH, um grupo anti-golpe criado por políticos depostos.

Manifestantes em várias cidades de Mianmar

Desfile militar em Naypyidaw

Mas nem todo mundo condenou os ataques em Mianmar

A Rússia enviou o vice-ministro da Defesa Aleksadr Fomin para as comemorações do dia das Forças Armadas e ouviu do líder militar Min Aung Hlaing que seu país é um “verdadeiro amigo” de Mianmar. Além de Fomin, outros sete países enviaram representantes: China, Índia, Paquistão, Bangladesh, Vietnã, Laos e Tailândia.

Segundo a agência Reuters a partir de informações da agência estatal russa TASS, Fomin disse que Mianmar é um aliado confiável e um parceiro estratégico da Rússia na Ásia. 

Os laços de Defesa entre os dois países aumentaram nos últimos anos. Moscou forneceu treinamento para o Exército e bolsas universitárias, assim como vendendo armas para militares incluídos na lista negra de vários países ocidentais por supostas atrocidades contra civis, segundo a Reuters.

Fomin (esquerda) recebendo uma medalha de Min, líder da junta militar que comanda Mianmar

A relação entre os dois países já vem de antes

Em 2007, a Rússia e a China vetaram no Conselho de Segurança da ONU uma censura sobre as violações dos direitos humanos em Miannar.

Dez anos anos, ambos os países vetaram uma resolução condenando o governo por seu tratamento contra a minoria Rohingya.

Quando o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (UNHRC), em 12 de fevereiro (10 dias depois do golpe), pedia a libertação de pessoas detidas pelos militares, tanto a Rússia quanto a China se desvincularam da resolução do Conselho. Segundo os russos, o estado de emergência imposto pelos militares fera um assunto doméstico.

Como já disse, ambos os países têm uma relação forte no âmbito da Defesa. Quase uma semana antes da declaração de emergência, o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, estava em Mianmar para uma visita oficial. Durante este período, acordos foram assinados para o fornecimento do sistema de mísseis terra-ar Pantsir-S1, drones de vigilância e equipamento de radar. Esta venda de drones é a primeira vez que a Rússia faz no “espaço de exportação de drones”.

A venda de armas continua sendo o ponto alto da relação bilateral entre Rússia-Mianmar. Os russos são o segundo maior vendedor de armas para Mianmar, atrás apenas da China. As estimativas são que, entre 2015 e 2019, Mianmar importou 49% de suas armas da China, enquanto a participação da Rússia e da Índia foi de 16% e 14%, respectivamente. E vale lembrar que a Rússia treinou milhares de técnicos e oficiais militares de Mianmar ao longo dos anos.

Os relatos da imprensa local sugerem que o general Min considera Shoigu um amigo. O líder do golpe em Mianmar já visitou Moscou seis vezes, a última delas em 2020 para participar do 75º aniversário do desfile do Dia da Vitória – visita essa lembrada agora pelo russo.

Agora, na pandemia, o governo de Mianmar foi o primeiro país do Sudeste Asiático a aprovar a vacina Sputnik V – as informações são de que o general Min está por trás dessa aprovação.

Tanques militares de Mianmar. (Foto – EPA/Hein Htet)

Mas o que está por trás de tudo isso?

A começar pelo desejo de Mianmar deixar de ser dependente totalmente da China. Sem se envolver nas questões locais, a Rússia seria vista como uma potência neutra. Enquanto Mianmar busca expandir seus laços, a Rússia seria uma adição bem-vinda à atual mistura de potências na região, que também inclui Índia, Tailândia e Japão.

A apreensão em relação às sanções ocidentais por causa do golpe militar também torna a Rússia atraente para Mianmar, com a qual tem compatibilidade em questões como a não ingerência e a soberania.

Isso também reforçaria os esforços de Moscou para melhorar os laços com os países do Sudeste Asiático, que faz parte de seu eixo mais amplo para o Leste. Esta ideia ganhou importância renovada desde o rompimento de suas relações com o Ocidente após 2014. É vital para uma política externa com vários braços e que busca aumentar a influência russa na Ásia-Pacífico.

O objetivo é estabelecer-se como um importante player em uma região que está se tornando o centro da geopolítica e da economia global.

De cobras a funk: a guinada na Comunicação do Butantan

Antes da pandemia, o Instituto Butantan sempre foi pauta e assunto entre quem era ligado a Ciência. A população, em si, mal falava da instituição – vez ou outra quando alguma escola fazia visitas. Mas só. Claro que a pandemia colocou o Butantan como protagonista, mas muito disso se deve a forma do instituto se comunicar.

“A linha do tempo dos perfis do Instituto Butantan nas redes sociais conta a história de uma guinada na estratégia digital de comunicação da instituição centenária, que ganhou protagonismo no desenrolar da pandemia principalmente por causa da busca de vacinas contra o coronavírus no Brasil” diz a jornalista Laís Martin na reportagem incrível do Núcleo Jornalismo.

A grande mudança de chave na Comunicação foi em dezembro de 2020, pouco antes do início da campanha de vacinação com o imunizante do Butantan. “Quando assumiu a gerência de comunicação do instituto, em janeiro de 2020, a jornalista Vivian Retz tinha a missão de mudar a imagem que o público tinha do Butantan, ainda muito ligado a cobras e répteis – a instituição é referência no país no estudo desses animais, inclusive com um serpentário aberto a visitação pública” diz a reportagem.

Leia aqui.

Jornalismo e violência contra a mulher

Finalizando este mês da Mulher, trago algumas informações que recebi na newsletter Farol Jornalismo (excelente para quem é da área) cheio de recomendações de leituras sobre as mulheres no Jornalismo. Abaixo coloco as indicações deles:

  • pesquisa “O jornalismo frente ao sexismo”, feita pela ONG Repórteres sem Fronteira que analisa 112 países e como é ser uma jornalista nesses locais. De todas essas nações, em 40 foram considerados perigosos ou muito perigosos para as mulheres na profissão;
  • ICFJ mergulhou no caso específico da jornalista Maria Ressa, que sofre perseguição do governo filipino por suas reportagens críticas e corre o risco de ser presa;
  • em um relatório da Federação de Jornalistas da Espanha (FAPE) é mostrado que o assédio a jornalistas mulheres nas redes sociais se tornou mais persistente e perigoso durante a pandemia;
  • por que a imprensa tem tanto medo de falar sobre assédio sexual nas redações? Melanie Walker, na WAN-IFRA, fala sobre isso. Para ela, Um dos motivos do silêncio é o fato de que o assédio sexual é ruim para os negócios, pois pode prejudicar a reputação da organização jornalística;
  • Reuters Institute pesquisou 12 mercados em quatro continentes para encontrar mulheres em cargos de liderança. Em 11 deles, a maioria dos editores-chefe são homens, incluindo países como Brasil e Finlândia, onde mulheres são maioria entre os jornalistas profissionais;
  • Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) identificou que ataques contra mulheres jornalistas têm se mostrado cada vez mais frequentes e preocupantes. Ao longo de 2020, mulheres foram alvos diretos de 61 violações à liberdade de imprensa, ou 17% do total de ataques. Dentre os ocorridos no meio digital, 56,76% das vítimas eram jornalistas mulheres;
  • Para chamar atenção para a luta das mulheres, as jornalistas do Congresso em Foco fizeram uma greve simbólica no #8M e lançaram um manual antimachismo para os colegas homens e empregadores
  • No site do FOPEA, uma série de guias ajudam os jornalistas a cobrirem temas como violência contra as mulheres;
  • No GIJN, materiais úteis para mulheres jornalistas;
  • Science Pulse lançou ferramenta gratuita para facilitar a descoberta de mulheres pesquisadoras, cientistas e especialistas em Covid-19;
  • a Amazônia Real publicou o especial “Um vírus e duas guerras”, sobre violência contra a mulher na região amazônica.

Leituras complementares

Bolsonaro é condenado a indenizar a jornalista Patrícia Campos Mello. Presidente fez ataque machista à repórter ao dizer que ela “queria dar o furo a qualquer preço contra ele”. (Jota)

Abandonado por Bolsonaro, governador de Santa Catarina é afastado no escândalo dos respiradores. Para escapar do impeachment, Carlos Moisés entregou o governo à “velha política” e fugiu do combate à pandemia, mas não resistiu. (The Intercept)

Geração 1968 de volta: idosos vacinados planejam ir às ruas contra Bolsonaro (revista Fórum)

Análise da Covid-19: como as narrativas antivacinas se tornaram globais durante a pandemia. (BBC)

Um ano sem pisar na escola. Especial sobre a realidade na América Latina e Caribe e os efeitos colaterais desse problema educativo sem precedentes (El País Espanha)

A ascensão do ‘narcopentecostalismo’ no Rio de Janeiro. Parte da cúpula da facção Terceiro Comando Puro se converteu a igrejas evangélicas neopentecostais. Peixão, chefe do crime no conjunto de favelas chamado Complexo de Israel, se refere aos seus soldados como Exército do Deus Vivo. (El País)

4 brasileiras estão entre as mais influentes do mundo em políticas de gênero (UOL)

O algoritmo de recomendação do TikTok está recomendando outras contas de movimentos de extrema-direita. Um porta-voz da rede social disse que a indicação é “baseada no comportamento do usuário”. (Media Matter)

Nos EUA, qual o custo moral de escolher a estabilidade em vez da Justiça? Ao invés de julgar, os norte-americanos preferiram manter a calma – e isso deu margem para o crescimento dos grupos armados pró-Trump. A invasão do Capitólio mostrou a falha em acomodar os extremistas justamente em nome dessa estabilidade. Já há quem sugira que os republicanos estão se transformando no Hezbollah do Líbano, um partido político que também tem um braço armado para coagir outros atores políticos por meio da violência. (The Atlantic)

Google, Facebook e Twitter admitem ao Congresso dos EUA que desempenharam papel no ataque ao Capitólio (El País)

Congregação para a Doutrina da Fé: a herdeira da Inquisição da Igreja Católica tornou público um documento que voltou a pautar a discussão da homossexualidade na Igreja. (revista Época)
A história da semana passada foi um cargueiro que encalhou no Canal de Suez e atrapalhou a economia mundial. O barco tem o tamanho de 4 campos de futebol e a altura de um prédio de 12 andares. Como tirar? Eis a questão! (Wired)

Venezuela está sem dinheiro vivo. A hiperinflação devora os Bolivares e as sanções internacionais dificultam a chegada do dólar. (El País Espanha)
 100 anos de Barbosa. O goleiro ficou marcado pelo vice campeonato Mundial do Brasil em 1950. Até hoje, o Vasco da Gama e sua filha tentam preservar o seu legado. (UOL Esporte)

O movimento nos Estados Unidos que quer excluir meninas trans do esporte. De um lado, estão as atletas cis e, do outro, uma grande conspiração liberal. A grande discussão é sobre o uso de hormônios. Quem não aceita a participação das meninas trans diz que há uma vantagem injusta e que elas vão roubas as medalhas e as bolsas universitárias que pertencem as atletas do sexo feminino. (The New Yorker)

Governo russo justifica a privação do sono de Navalny como parte da “disciplina” na prisão. O oposicionista tem sido acordado a cada hora para verificar se não fugiu e que se trata de uma medida de segurança normal. (El País)
 Sem beijo e de máscara: prostitutas criam regras para trabalhar na pandemia (UOL)

Terapia, ioga, meditação: quanto gastamos por mês para aliviar o impacto do trabalho em nossa saúde? (El País)

Os equipamentos, as tecnologias e os produtos médicos cubanos para enfrentar a pandemia da Covid-19. O programa Mesa Redonda, do site Cubadebate, conversou com médicos e pessoas envolvidas com a saúde cubana. (Cubadebate)

Mulheres que sobrevivem à Covid-19 têm mais risco de doenças persistentes (Poder360)

Barragem de mineração de ouro rompe em Godofredo Viana (MA) (Movimento dos Atingidos por Barragens)