#083 – Fica: vai ter Boulos!

Na última quinta-feira, tive o prazer de acompanhar a agenda do Guilherme Boulos (PSOL) em Mogi das Cruzes e em Suzano. Fui convidado pelos dirigentes do partido em Mogi e fiquei durante todo o dia ao lado da comitiva do pré-candidado ao governo do Estado de São Paulo.

Confesso que foi bem legal e uma experiência única. Não é todo dia que a gente tem a oportunidade de ouvir de perto o que pensa um ex-candidato à Presidência e um cara que foi para o 2º turno da Prefeitura de São Paulo – e quase levou. Um dos momentos mais legais foi quando sentamos na mesma mesa para almoçar: Boulos falou sobre sua relação com o Lula, o Ciro Gomes, as ideias do PSOL para as eleições de 2022 e contou como tem sido a sua agenda.

Ele disse algo que eu já vinha pensando, mas que não tinha 100% de certeza: Bolsonaro tá mais vivo do que nunca. Segundo ele, o presidente ainda tem chance de crescer. Boulos lembrou que a vacinação está acelerando e que a tendência é que a pandemia chegue bem mais amena nas eleições de 2022; ele lembrou também que a tendência é que a economia comece a esquentar com o passar do tempo e que chegue mais forte no ano que vem; por fim, ele ainda disse que tem tudo para o governo relançar um pacote de auxílio-emergencial a partir de janeiro para tentar angariar mais votos. (Bolsonaro já até confirmou isso na semana passada). “Engana-se quem acha que o jogo tá ganho” disse na mesa do restaurante.

A agenda passou por vários veículos de Comunicação da região e também contou com uma plenária com lideranças da esquerda. O tom do encontro foi um só: tentativa de se criar uma aliança para frear o Bolsonarismo. Estavam presentes representantes do PSOL, PT, PCdoB e de movimentos sociais. Boulos bateu muito na necessidade de vencer o Bolsonarismo rápido e se mostrou muito aberto para a criação de uma Frente Ampla. O problema, principalmente em São Paulo, está na relação do PSOL com o PT. Segundo a colunista Mônica Bergamo, os petistas pediram para Boulos abdicar da candidatura ao estado, apoiar Fernando Haddad e sair como deputado federal; com isso, o PT tiraria a candidatura para a Prefeitura na próxima eleição e apoiaria Boulos. As costuras partidárias estão acontecendo.

Boulos também visitou os moradores do Duto, em Jundiapeba, uma das regiões mais pobres da cidade, e a Ocupação Iluminados, em Brás Cubas.

A vinda do psolista para a região também, claro, tem o objetivo de marcar território junto à esquerda local e tentar unir as correntes progressistas em torno da sua candidatura. Nas eleições municipais passadas, por exemplo, o PT e o PSOL formaram chapas únicas em Mogi e em Suzano, por exemplo. Isso fortaleceu os laços entre os partidos para um possível futuro mais unidos.

Tentei uma entrevista com ele para o Margem Podcast. O assessor dele topou, mas por causa da agenda, não conseguimos. A partir dessa semana, vou entrar em contato com a assessoria dele para batermos um papo. Torçam!

No Sindicato dos Policiais Civis, o presidente Waldir Fernandes fez um bolo especial para o convidado onde estava escrito “Boulos PSOL 50”. O político lembrou que faria aniversário no sábado (há dois dias)
Boulos ouvindo as liderança da Ocupação Iluminados
O pré-candidato ao Governo de São Paulo conversou com os moradores da Ocupação Iluminados

#MandaDicas

Margem Podcast é mais um braço de conteúdo dessa newsletter. Tenho entrevistado algumas pessoas bem interessantes sobre os mais variados temas. Daqui a pouco sai uma conversa especial sobre o Dia Mundial dos Refugiados: conversei com uma refugiada palestina que tem uma ONG e o diretor executivo do projeto.
Meu podcast de fotografia. Tá cheio de entrevista irada com gente do Brasil inteiro. 
Desde os anos 1990, quando a América Latina se livrou de seus vários regimes autoritários, raramente o continente viveu um ano sem um impeachment consumado, ou ao menos a ameaça séria de um. Só no Brasil, houve mais de 250 denúncias de crime de responsabilidade e o afastamento de dois presidentes. Em Como remover um presidente , o jurista Rafael Mafei reconstitui o desenvolvimento histórico do impeachment ― seu surgimento na Inglaterra, importância para a Constituição americana e utilização no Brasil ―, para então examinar a fundo não apenas os casos de Collor e Dilma, que marcaram o país na redemocratização, mas também as tentativas contra Vargas, FHC, Lula e Bolsonaro. Neste livro fundamental e urgente ― e que já nasce clássico ―, Mafei lança nova luz sobre os elementos que podem evitar que nossa democracia esteja sob permanente ameaça de quarteladas ou parlamentadas, ou condenada a sucumbir quando um tirano vença uma eleição. (Texto – Amazon Brasil)
O Deputado Alessandro Molon, líder da oposição na Câmara dos Deputados, foi além do rostinho bonito que todo mundo conhece e deu a letra para nossa bancada feita por Jairmy, Regrets, Leila e Tesoureiros. No bate papo divertido, mas também alarmante, ele destacou a importância de ser uma resistência articuladora em tempos sombrios e como nós, meros mortais, podemos contribuir.

Leituras complementares

Em 8 eleições para presidente, nenhuma 3ª via deu certo no Brasil. Em 1989, esquerda se dividiu para ficar em 2º lugar. Opção de 3ª via de centro inexistiu em todas as disputas (Poder360)
Muito além de 500 mil mortes. Rastro de destruição de meio milhão de vítimas da covid no Brasil atinge setores mais vulneráveis da sociedade. (UOL)

Índice de miséria dispara e é o maior em nove anos (Valor)

Ex-negacionistas se convertem, aceitam vacina e descartam kit Covid (Folha de S.Paulo)

Youtube botou verba pública em canais que mentiram sobre tratamento precoce – e o governo permitiu. (The Intercept)

Governo Bolsonaro atuou 84 vezes no exterior por produção de cloroquina, apontam telegramas (Extra)

Militares inativos e pensionistas podem custar mais de R$ 700 bi ao país. (UOL)

Investimento no Brasil retrocede 20 anos, e país despenca em ranking global (UOL)

Lideranças religiosas denunciam violência de equipes policiais que buscam por “serial killer do DF” (O Estado de S. Paulo)
Pregadores mirins, irmãos querem arrebatar mercado gospel (Folha de S.Paulo)

Códigos secretos e acordos de 600 páginas: assim Vicky Safra se transformou em uma das mulheres mais ricas do mundo (El País)

Inflação no Brasil é a que mais avança entre os países do G20. IPCA segue bem acima do teto da meta do governo para o ano, que é de 5,25%. (Poder360)

Bitcoin: quem são os ‘criptoevangelistas’ que querem destruir o dólar e mudar o sistema financeiro internacional (BBC Brasil)

Empresário que tirou Kevin das ruas diz que funk é principal oportunidade de ascensão para jovem de periferias (UOL)

‘Sem futuro’, jornaleiro mais antigo de SP se despede da profissão (UOL Tab)

#CapasDos500Mil

#DadosDaSemana

via Pedro Barciela (grafo e análise)
A revolta causada pela marca de 500 mil mortos enterrou a narrativa de que se tratam de manifestações “apenas partidárias”. As manifestações contra Bolsonaro e seu governo foram ampla maioria, com mais de 80% dos usuários se manifestando contra o genocídio em curso no Brasil. É interessante observar como o antibolsonarismo hoje cumpre um papel muito próximo ao que um dia foi o antipetismo: ele fomenta a criação de alianças contranaturais e intensivas entre setores que antes eram marcados estritamente por alianças sociopolíticas. A ideia de “contranaturais” se aplica a união de atores não politicamente conectados ao redor de temáticas específicas que, por si só, não produzem filiação. O campo antibolsonarista representou mais de 80% dos usuários divididos em uma série de agrupamentos. O bolsonarismo, por sua vez, segue isolado em um único cluster, formado pelo núcleo do bolsonarismo. No mais, reforço o fato de que a triste marca de 500 mil mortes jogou uma pá de cal na narrativa de que “eram apenas movimentos partidários”, fazendo com que atores que até então não haviam se posicionado voltassem sua atenção para o genocídio em curso no Brasil.

#FotoDaSemana