#085 – Os alckmistas estão voltando

Ex-governador tucano lidera corrida para
governo do Estado – mas nada está decidido

Geraldo Alckmin anda sumido – não estamos ouvindo falar muito dele. Mas a última pesquisa Exame/IDEA para governador de São Paulo mostra que o tucano ainda tem força e o coloca em primeiro lugar.

Em um primeiro cenário (sem a presença do atual governador João Doria), Alckmin lidera com 18% dos votos – seguido bem de perto por Márcio França (PSB) com 17% e um pouco depois por Guilherme Boulos (PSOL) e Fernando Haddad (PT), onde cada um tem 13%. Há ainda 10% para Paulo Skaf (MDB). Não podemos deixar de lado os 10% de brancos/nulo e os 9% que ainda não sabem.

Num segundo cenário (com a presença de João Doria), a liderança cai no colo do petista Fernando Haddad com 15% – seguido bem de perto pelo atual governador com 14%, a mesma porcentagem do ex-governador Alckmin. Aqui, tanto França (PSB) quanto Boulos (PSOL) têm 12%. Skaf (MDB) mantém os mesmos 10%.

Em um terceiro cenário (sem Márcio França e João Doria), o ex-governador Alckmin dispara na liderança e aparece com 20%. Depois aparecem o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) com 14%, Guilherme Boulos (PSOL) com 13% e Skaf (MDB) com 11%.

“A pesquisa de intenção de voto mostra que existe uma memória positiva em relação ao ex-governador Geraldo Alckmin, que lidera numericamente os vários cenários de primeiro e de segundo turno. Quando fazemos as quebras regionais, na região do Vale do Paraíba, na região sul do estado, e no interior de São Paulo, ele é muito bem avaliado” Maurício Moura, fundador do IDEIA

“Existe o recall positivo do Márcio França, que foi governador, e do Paulo Skaf, que foi candidato na última eleição, e eles se colocam com dois dígitos na simulação de primeiro turno. Percebemos também uma força da esquerda, representada pela candidatura de Fernando Haddad e de Guilherme Boulos. Não sabemos se haverá uma ou duas candidaturas, mas se houver uma que represente esse sentimento mais à esquerda, ela é muito forte na capital e na região metropolitana. Com certeza será uma candidatura muito competitiva” Maurício Moura, fundador do IDEIA

Num cenário de 2º turno, Geraldo Alckmin ganha de todo mundo!

“As simulações de segundo turno mostraram que ainda existe uma rejeição enorme ao PT, quando olhamos principalmente fora da capital e da região metropolitana. Isso é um grande desafio para uma eventual candidatura do ex-prefeito Fernando Haddad” Maurício Moura, fundador do IDEIA

– Alckmin sai na frente neste momento. As discussões de bastidores mostram que ele tende a ir para o PSD, de Gilberto Kassad, ex-prefeito de São Paulo. A ida de Alckmin para o partido mostra a força de Kassab como um partido de Centro e coloca a sigla no principal estado da nação. Vale lembrar que o PSD sempre se colocou como independente do governo federal. 

– ponto interessante o enfraquecimento do bolsonarismo na disputa. Em 2018, o presidente Bolsonaro teve quase 68% dos votos no estado de São Paulo. Dentre os dois senadores eleitos, um era bolsonarista: Major Olímpio (PSL). Os dois primeiros deputados federais mais votados do estado eram totalmente ligados ao presidente: seu filho Eduardo Bolsonaro (PSL) e Joice Hasselmann (PSL). O que vemos é um estado indo para o pragmatismo e para a centro-direita.

– para a esquerda, o jogo é unir as forças entre PT e PSOL, principalmente. A conversa já acontece nos bastidores, como fora adiantado pela coluna da jornalista Monica Bergamo na Folha de S.Paulo e até pelo próprio Boulos durante um almoço que participei com ele durante sua visita ao Alto Tietê. Se vão conseguir essa união, só o tempo dirá – mas ela é fundamental caso a esquerda sonhe com algo em São Paulo.

– temos ainda um governo Doria bem mais ou menos. Para 39%, a gestão em São Paulo é irregular. 19% dizem ser ruim e outros 19% afirmaram ser péssima. Há ainda 19% que avaliaram como boa. Ou seja: tá tudo muito confuso. Mas 63% acham que Doria não merece continuar como governador.

É melhor “jair” se acostumando que Bolsonaro é o pai das rachadinhas

Segunda-feira começou com reportagens exclusivas da jornalista Juliana Dal Piva, para mim, uma das melhores do país. São três matérias que colocam o presidente da República no centro de um esquema de rachadinhas

Na primeira, a fisiculturista Andrea Siqueira Valle, ex-cunhada do presidente, disse que Bolsonaro demitiu irmão dela porque ele se recusou a devolver a maior parte do salário de como assessor.

segunda reportagem revela que, dentro da família Queiroz, Jair Bolsonaro é o verdadeiro “01.” Em troca de mensagens de áudio, a mulher e a filha de Fabrício Queiroz, Márcia Aguiar e Nathália Queiroz, chamam Jair Bolsonaro de “01”

E a terceira matéria diz que um coronel da reserva do Exército, ex-colega do presidente na Aman (Academia Militar das Agulhas Negras), atuou no recolhimento de salários da ex-cunhada de Bolsonaro no período em que ela constava como assessora do antigo gabinete de Flávio na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio).

As denúncias vem depois de um final de semana recheado de manifestações contra o presidente. A grande novidade desses atos foi a soma dos termos corrupção e ladrão na boca dos manifestantes. O jornalista Octavio Guedes falou sobre isso em sua coluna “Oposição, enfim, encontra um xingamento que todos entendem”.

Ontem mesmo o presidente começou a espanar: fez uma série de tweets no maior estilo Carluxo e QAnon misturando um monte de coisa para induzir que o ministro do STF Luis Roberto Barroso teria vídeos íntimos com menores de idade. Tem citação a Cuba, Fidel Castro, pedofilia, traficantes e até a um “Daniel” (tem gente ligando isso ao nome que o ex-ministro José Dirceu usava na época da ditadura militar).

🇨🇱 Professora mapuche Elisa Loncón é eleita presidente da Constituinte chilena (BBC). Veja aqui o discurso dela.

🇨🇦 Canadá vive comoção ao totalizar 1.100 restos mortais localizados onde havia internatos de crianças indígenas (El País)

🇰🇵 O que se sabe sobre a crise da Covid-19 na Coreia do Norte (Cultura)

🇦🇲🇦🇿 Cessar-fogo na guerra entre Armênia e Azerbaijão não reduziu tensão no Cáucaso (O Globo)

🇺🇸 Teórico da conspiração QAnon admite corrupção de menores (The Daily Beast)

🇰🇭 Onze pessoas morrem no Camboja após beber vinho intoxicado em funeral (Estadão)

🇳🇷 O minúsculo país no Pacífico que pode tornar realidade a temida mineração no fundo do mar (BBC)

🇺🇸 Donald Trump lançou a sua própria rede social, a GETTR, uma cópia do Parler, GAB e Twitter. Segundo David Nemer, estudioso da extrema-direita, o nome seria uma abreviação de “Get Her” (pegue ela). Em 2016, durante as eleições, Trump dizia que iria pegar e prender a ex-senadora Hilary Clinton. (Politico)

#MandaDicas

Sueli Carneiro é uma das principais intelectuais públicas brasileiras. Em mais de quarenta anos de ativismo, ela vem combinando escrita, academia e intelectualidade para qualificar uma luta política que enegreceu o feminismo no Brasil e, ao mesmo tempo, colocou as mulheres como protagonistas do movimento negro. “Entre a esquerda e a direita, sei que continuo preta”. Mais do que célebre, a tirada proferida por Sueli Carneiro sintetiza um lugar político fundamental para o movimento negro brasileiro. E sua vida oferece o desenho exemplar dessa posição. Para dar conta de uma longa trajetória política, que se confunde com a própria história do Brasil pós-redemocratização, a jornalista Bianca Santana realizou dezenas de horas de entrevistas e empreendeu uma escavação documental cuidadosa nesta biografia que é, a um só tempo, tributo à caminhada de Sueli Carneiro, repositório de informação sobre a luta das mulheres negras no Brasil e, por tudo isso, preciosa fonte de inspiração para as futuras gerações.
(Texto – Companhia das Letras)
Neste best-seller internacional, a jornalista Isabel Wilkerson, vencedora do prêmio Pulitzer, compara os Estados Unidos, a Índia e a Alemanha nazista, revelando como nosso mundo foi moldado pela noção de casta ― e como suas hierarquias rígidas e arbitrárias nos dividem ainda hoje. Escrito de modo criativo e original, Casta fornece pistas importantes para entender a crise da democracia nas sociedades ocidentais e o que está por trás dos protestos antirracistas que assumiram dimensões globais após o assassinato de George Floyd. Ninguém pode se dar ao luxo de ignorar a clareza moral de seus insights ou seu apelo urgente por um mundo mais livre e justo. Um dos livros de maior sucesso nos Estados Unidos em 2020, esta é uma obra fundamental para o debate antirracista no Brasil e no mundo. (Texto – Amazon)
A antropóloga Isabela Kalil falou do seu estudo recém lançado sobre o uso político de Teorias da Conspiração no governo Bolsonaro. Assista aqui.

Leituras complementares

Depoimentos ampliam indícios de crimes sexuais de Samuel Klein para três décadas. Mulheres contam que ocorreram “orgias” com meninas na sede da Casas Bahia até 2013, período de criação da Globex e Via Varejo. (Agência Publica)

59% dos evangélicos dizem não confiar em Bolsonaro (Metropoles)

Nas PMs, defesa do voto impresso acompanha avanço do bolsonarismo. (UOL)

Bolsonaro dará R$ 100 mi para policial comprar casa (UOL)

Coronel insufla seguidores extremistas a defender Bolsonaro de golpe imaginário. Em artigo dirigido a grupos da Escola Superior de Guerra e divulgado nas redes bolsonaristas, coronel da reserva fala em fantasioso movimento armado de esquerda e em guerra civil. (Agência Pública)

Datena vai ao PSL para ser mais um nome na ‘terceira via’ em 2022. “Datena não é apenas um personagem. Ele chega ao partido para estar nas pesquisas presidenciais”, diz Bozzella. (Veja)

Amazônia tem junho com maior número de focos de incêndio desde 2007 (Estadão)

Mais invisíveis que o vírus. Reportagem sobre as pessoas que perderam a moradia na pandemia. São famílias que vivem nas ruas de São Paulo, mas não entram nos dados oficiais da prefeitura. (Agência Pública)

A milícia perdeu um de seus maiores chefes no Rio, mas segue longe de perder o poder. Surgidos dentro das forças de segurança, os grupos são a parte mais poderosa do crime organizado carioca. Ecko, o líder da mais destacada das milícias, morto pela polícia, é um exemplo de suas mutações. (El País)

Pioneirismo, enfrentamento e violência: os primeiros seis meses das vereadoras trans (GêneroNúmero)

Expectativa de vida de trans no Brasil se equipara com Idade Média (CNN)

Elas têm mais de 50 e são gamers: “falavam que eu era velha para jogar” (UOL)

Maconha: México é 2º país da América Latina a descriminalizar uso recreativo da droga (BBC Brasil)

ONU registra recorde de temperatura na Antártica: 18,3º (France24)

“Fui funkeira, hoje sou caminhoneira. Temi perder clientes por ser trans”. (UOL)

Brilhante ou aterradora? Assim é a cidade do futuro que o Google está construindo em Toronto (El País)

Na onda contra o preconceito, goleiro do Vasco pede para usar a camisa 24: “Me sinto honrado”. (Globoesporte)

O fim do bitcoin? (XP Investimentos)

#GrafosDaSemana

via Pedro Barciela
Analisei 98 notícias falando sobre VANDALISMO, DEPREDAÇÃO e AGRESSÃO (bem como suas variáveis) nas últimas 24 horas. Para a surpresa de zero pessoas, esses foram os principais grupos e páginas que exploraram essas notícias no Facebook. Essa abordagem proporcionou ao bolsonarismo um “escape” para tentar disputar a narrativa pós atos. Ainda assim, o tema aparece concentrado no campo bolsonarista. Entre os que produziram os conteúdos com maior engajamento estão Folha da República, BR7, Antagonista, Gazeta Brasil, Imprensa Brasil, Jovem Pan e Renova Mídia.
via Fabio Malini
às 23h de sábado, a rede bolsonarista (marrom) repercutia as imagens de vidraças quebradas, do banco Santander incendiado por manifestantes e de brigas entre integrantes do PCO e PSDB. As imagens se tornaram “ótimas” para alimentar a ideia do #3J como protesto violento e intolerante. Nesse período, o ator de maior relevância foi a Polícia de São Paulo, narrando em primeira mão as ações incendiárias na manifestação. Isso ajudou o presidente a jogar luz na “narrativa do vandalismo”, enfraquecendo a agenda anti-corrupção dos atos. A “escudo anti-RTs” do bolsonarismo voltou então ao seu estado normal (25% do total de interações), obtendo seus vídeos e imagens para circular pelos seus grupos, perfis e canais para servirem de “respiro” à artilharia pesada que recebeu hoje das ruas.
via Arcelino Neto
Dados sobre as manifestações do #3J.
Usuários: 94.688 Interações: 580.183
Principais # – #3JForaBolsonaro e #3JPovoNasRuas
Azul: #ForaBolsonaro (79%)
Marrom: Bolsonarismo (11%)Segundo Arcelino, os 10% que sobram “são agrupamentos menores que não se relacionaram com a bolha azul. Provavelmente utilizaram a #3j pra fazer alguma observação do dia, sem conexão direta com as manifestações ou outros usuários”.