#086 – Conhecerei a verdade…

Bolsonaro tá lascado e Lula surfa rumo ao Planalto

Nas última semana, foram ao menos cinco pesquisas que analisaram o cenário do governo Bolsonaro e as próximas eleições presidenciais. Hoje trouxe os dados e a análise de três: Datafolha, DataPoder e XP Investimentos. Em todas, o cenário é praticamente o mesmo: governo muito mal avaliado, presidente em apuros e Lula vencendo em 2022

Pegando todas as informações, quero fazer alguns pensamentos:

1 – Bolsonaro e o Bolsonarismo estão acuados. Fato. Não tem mais como esconder isso: eles estão com medo. A caixa de Pandora foi aberta e, agora, já era.

2 – O presidente está tentando, a todo custo, unir a sua pequena base que ainda o acompanha. Segundo as pesquisas, está entre 20% e 30% – o que eu acho muito. São aquelas pessoas que ficam nas redes e que participam da tais motociatas que Bolsonaro tem feito por ai. E como ele une essa turma? Radicalizando no discurso: voto impresso, Lula ladrão, pedofilia de ministro do Supremo, volta do PT ao poder… Pode ver que ele deu até uma abaixada de bola no negacionismo da pandemia. Percebeu? Viu que isso não tava colando mais e até mudou o discurso: compramos vacinas e agora o Brasil tá sendo vacinado com o dinheiro do governo. O presidente vai usar e abusar da narrativa radical e golpista porque ele não pode perder essa pequena base. Mas ele já tem perdido – e isso o deixa mais preocupado ainda.

3 – Muita gente perguntando: mas quem ainda apoia este governo? Te conto. César Felício, editor de Política do jornal Valor, trouxe em sua coluna de sexta uma análise de Mauricio Moura, da Ideia Big Data. Segundo Moura, o presidente tem hoje três pilares: o primeiro é o mais ideológico, de homens, dos grandes centros urbanos, com um sentimento anti-institucional exacerbado; o segundo é o neopentecostal, da classe C, forte nas periferias; e o terceiro é o das regiões que vivem do agronegócio, o eleitor do Norte, Centro-Oeste e interior do Sul.

4 – Não há uma terceira via para 2022. O embate vai ser entre Lula e Bolsonaro. Tentaram construir o governador João Doria, mas não decolou. Ciro Gomes tenta se colocar nesse vácuo, mas ele não tem o apoio nem da centro-direita nem das faixas da esquerda e muito menos de uma turma lavajatista e de tecos bolsonaristas não tão radicais. Estão tentando emplacar o governador gaúcho Fernando Leite, mas nada de conseguir até então. A grande questão é: para onde irá a direita não bolsonarista? Vai votar em Lula-PT? Vai abraçar o Bolsonaro contra a volta da esquerda? Vão ficar em cima do muro? Essa é uma pergunta extremamente importante. O ex-presidente FHC e Rodrigo Maia já disseram que vão de Lula. E os demais?

5 – Qual vai ser a narrativa de Bolsonaro para ser reeleito? O que ele vai falar para que a população vote nele? Ele não tem discurso! Ele vai flertar com a volta da esquerda ao poder – fato. Como dise Bruno Boghossian em sua coluna na Folha de S.Paulo de sábado: “O estímulo a um embate direto com o PT deve ser a principal arma de Bolsonaro. Os governistas querem convencer alguns anti-bolsonaristas de que é melhor reeleger o presidente para evitar a volta de Lula”. Mas e ai? As pessoas podem olhar o governo bolsonarista e comparar com o governo lulista. O que elas farão então? Votarão em Bolsonaro ou em Lula? O presidente deve jogar com a volta do comunismo – mas as pessoas vão cair nessa de novo? Ou vão olhar os últimos anos e pensar: aumento do desemprego e da inflação, falta de vacina, corrupção, rachadinha, mais de 500 mil mortos, Amazônia em chamas, ministro caindo, xingamento ao Supremo, atentando contra a democracia…? O que Bolsonaro tem para oferecer para as pessoas votarem nele? Ao meu ver, nada.

6 – Se Bolsonaro perder, vai ter golpe? Duvido muito que o presidente aceite pacificamente uma derrota, tanto é que ele já está plantando dezenas de dúvidas para as próximas eleições. Não duvido que ele tente algo – seja nos moldes do que aconteceu no Capitólio (EUA) ou apenas mais bravatas para desestabilizar o país. Como me disse meu pai: “Dá vontade de falar pra ele: tá bom. Então dá o golpe. Muita garganta”. Concordo. Ele fala demais, agita, bota medo, pauta a imprensa, gera pânico e não faz nada. Típico dos neopopulistas de extrema-direita. Tem peito para dar o golpe? Tem nada – mas ele pode sim desestabilizar com a sua derrota.

7 – Bolsonaro ficou para trás e Lula só cresce. Todas as pesquisas indicam isso. Se antes os dois estavam parelhos, agora, de uns tempos para cá (semanas talvez), o petista disparou e o capitão recuou. Motivos? Sugiro alguns, mas acredito que o principal foi o caso de corrupção nas vacinas. Agora as pessoas podem chamar o presidente de ladrão. Antes a esquerda falava de “fascismo, golpista, anti-democrático, genocida”, mas o povo mesmo não entende isso. Mas ele sabe muito bem o que é ladrão – e isso pode ter influenciado diretamente na imagem de Bolsonaro. É interessante isso: o presidente ameaçou golpe, tem responsabilidade em mais de 500 mil mortes, mas foi mesmo a suspeita de roubo que lhe machucou. Sintomático.

8 – Como fica o Centrão e as Forças Armadas? Ao meu ver, os partidos do Centrão vão pular do barco assim que tiverem uma oportunidade – duvido muito eles afundarem junto com o presidente. Eles vão ficar do lado de quem está ganhando. Sobre as Forças Armadas, não sei bem. Que elas estão manchadas isso é fato e foi Bolsonaro que as jogou na lama. Como eles vão lidar com isso? Vale lembrar que o presidente nunca foi tão bem visto assim dentro do Exército, muito menos na Aeronáutica e na Marinha. Em 2018, eles engoliram Bolsonaro. O que as Forças Armadas farão? Lembrando dos milhares e milhares de cargos dentro do governo. Essa é uma grande questão.

9 – Mesmo diante de todo este cenário, Bolsonaro ainda é forte e tem chances. A gente não pode achar que o presidente já era e que ele perdeu. Ele tem 25% em média e se mantém competitivo. Tem muita água para rolar até lá. Muita coisa pode mudar e cito três pontos aqui: a vacinação, na época da eleição, já vai estar bem avançada e a tendência é a normalidade voltar; a economia já dá indícios de retomada e o cenário pode ser melhor em 2022; o presidente quer ampliar os programas sociais e isso pode trazer mais gente para o seu lado. O jogo só acaba quando termina.

10 – 2022 será pautado pelo anti-bolsonarismo e não pelo anti-petismo

XP Investimentos

52% das pessoas avaliaram o governo como ruim/péssimo, uma crescendo que vem forte de meses. Enquanto isso, 25% avaliou como ótimo/bom (olha ai o núcleo duro do bolsonarismo).

63% desaprovam a maneira do presidente governar o país e 31% aprovam.
Com o passar dos meses, aumentou quem desaprova e diminuiu quem aprova.

Metade acredita que Bolsonaro fará um restante de governo ruim/péssimo – e 30% afirmaram que será ótimo/bom.

49% disseram ser a favor do impeachment. Em fevereiro deste ano, 47% eram contrários. Tivemos uma inversão de opinião.

Sobre a pandemia, temos:
– 59% disseram que o presidente está tendo uma atuação ruim/péssima e 22% afirmaram que está ótimo/bom;

– vem despencando o medo das pessoas: 38% disse estar com muito medo – mas a curva mostra uma queda acentuada nos últimos meses. Do outro lado, subiu quem diz estr “sem medo”: já são 25%.

– quase 80% está por dentro que está rolando a CPI da Pandemia. E 65% aprova a instação dela (enquanto 23% desaprova). Mas aumentou o número de pessoas que acha que ela não vai atingir seu principal objetivo: subiu de 35% para 43%.

– caiu quem ache que o principal objetivo da CPI seja apurar as ações e falhas do governo federal. Logo, subiu quem acredite que tenha que ser a investigação do desvio de recursos por estados e municípios. Ou seja: tem mai gente abraçando a narrativa do Bolsonarismo.

– 81% tomou conhecimento da acusação que houve corrupção na compra de 20 milhões de doses de vacinas.

– Para 41%, os membros do governo estão envolvidos no esquema de compra de vacinas. 15% apontaram o presidente. E 28% disseram que ambos (os membros e Bolsonaro).

– 63% acreditam que as denúncias de corrupção contra o governo Bolsonaro e alguns de seus membros são provavelmente verdadeiras. Outros 26% acham que são falsas (olha o núcleo duro aqui)

Lula deixa Bolsonaro para trás
Como em todas as pesquisas que você vai ver, o petista vem abrindo cada vez mais vantagem sobre o atual presidente. Em um mês, a vantagem de Lula subiu de 4% para 12%.

Hoje, Lula teria 38%, enquanto Bolsonaro 26%.No gráfico você vai ver o crescimento vertiginoso do petista, enquanto o capitão teve uma pequena queda. 

Num segundo turno entre ambos, Lula também disparou nessas últimas semanas.
O petista tem 49% e Bolsonaro aparece com 3%.

Datafolha

A pesquisa analisou a opinião das pessoas sobre o governo Bolsonaro. O cenário é claríssimo: de dezembro para cá, o sentimento do brasileiro mudou completamente em relação ao governo federal – e podemos ver uma alteração nas curvas.

Hoje, 51% disseram que o governo Bolsonaro está ruim/péssimo, o maior índice até agora. 24% afirmaram que o governo é ótimo/bom (o menor valor de todo o governo) – e a mesma quantidade apontou como regular. 

Como efeito de comparação, podemos analisar a opinião das pessoas em relação a outros governos após dois anos e sete meses de mandato:
– 82% ruim/péssimo para Temer
– 68% ruim/péssimo para Collor;
– 58% ruim/péssimo para Sarney;
– 25% ruim/péssimo para Dilma no 1º mandato;
– 23% ruim/péssimo para Lula no 1º mandato;
– 22% ruim/péssimo para Dilma no 2º mandato;
– 16% ruim/péssimo para FHC no 1º mandato;
– 8% ruim/péssimo para Itamar.

Conseguimos traçar alguns perfis para as opiniões sobre o governo.
– homens avaliaram o governo mais positivamente que as mulheres;
– quanto mais velho, maior o índice de ótimo/bom;
– Ensino Superior teve a maior taxa de ruim/péssimo: 58%;
– quem ganha mais de 10 salários mínimos foi quem mais avaliou o governo como ruim/péssimo: 58%. Mas, quanto mais rico, maior também a avaliação de ótimo/bom;
– um terço de quem disse ter preferência pelo PSDB afirmou que o governo ótimo/bom, mas 43% afirmou estar ruim/péssimo;
– metade dos que tem preferência pelo MDB apontaram o governo como ruim/péssimo;
– 34% do Norte/Centro e 30% Sul disseram que o governo é ótimo/bom;
– brancos avaliam o governo mais positivamente do que pretos e amarelos.

Mudou, totalmente, a confiança das pessoas sobre as declarações do presidente.
Em dezembro, havia mais gente que “às vezes confia”: 39%. De lá para cá, disparou quem diz que “nunca confia”. No fim de 2020, eram 37% – agora são 55%.
Caiu até as pessoas que confiam sempre: de 21% em dezembro para 15% agora.

Aqui também podemos traçar alguns perfis:
– homens confiam mais do que as mulheres;
– quanto mais velho, maior o índice de “sempre confia”;
– quanto menor a escolaridade, maior o índice e “nunca confia”;
– entre quem ganha até dois salários mínimos está o maior índice de “nunca confia”: 59% – e o maior de “sempre confia” está na faixa entre cinco e 10 salários mínimos (24%);
– metade dos tucanos nunca confiam e tem pouco mais de 50% de outros partidos que “sempre confia” ou “confia às vezes”;
– 65% dos nordestinos nunca confiam.

A imagem do presidente comparada de junho de 2020 com julho deste ano

– subiu quem acha incompetente: de 52% para 58% (e caiu quem acha ele competente: de 44% para 36%).

– 52% acha ele desonesto, crescimento de 12% neste ano. Por outro lado, caiu 10% quem disse que o presidente é honeste: hoje são 38%.

– 66% disse que Bolsonaro respeita mais os ricos, 8% acima do valor da pesquisa anterior. Só 17% acreditam que ele respeita mais os pobres.

– 57% acha ele pouco inteligente e outros 39% disseram que Bolsonaro é muito inteligente.

– 55% afirmou que ele é falso, aumento de 9% de um ano para outro. Mas 39% o acham sincero.

– quase 60% apontou o presidente como indeciso, 4% a mais. E 41% o cravaram como decidido.

– 66% colocaram Bolsonaro como autoritário e 28% como democrático.

– 62% disseram que ele é despreparado, crescimento de 4% (contra 34% que afirmaram que ele é preparado)

Temos também este dado sobre corrupção no governo. Como ficam os Lavajatistas e Moristas que embarcaram no discurso bolsonarista? Esta é uma grande questão para ser analisada para as eleições de 2022

O Datafolha também trouxe o cenário para 2022. Lula continua liderando e abre cada vez mais distância na disputa pela cadeira do Planalto em 2022

Com 46% dos votos, o ex-presidente aparece em 1º lugar, seguido por Bolsonaro com 25% e Ciro Gomes com 8%.

Conseguimos ver onde os candidatos são mais fortes:
Segundo o Datafolha, a preferência pelo petista fica acima da média entre:

  • brasileiros com escolaridade fundamental (56%);
  • na parcela dos mais pobres, com renda familiar de até 2 salários (57%);
  • Nordeste (64%);
  • pretos (57%) e pardos (50%);
  • no segmento dos católicos (51%);
  • desempregados que buscam emprego (64%).

Conseguimos ver onde Bolsonaro é mais forte em comparação a Lula:

  • homens: 43% para Lula e 31% para Bolsonaro;
  • mulheres: 48% o petista e 20% para Bolsonaro;
  • faixa de 60 anos ou mais: 42% Bolsonaro e 28% para Lula;
  • mais escolarizados: 34% para Bolsonaro e 28% para Lula;
  • Sul: 35% para Bolsonaro e 30% para Lula
  • Centro-Oeste/Norte: 41% para Bolsonaro e 35% para Lula
  • brancos: 34% para Bolsnaro e 30% para Lula.

Entre os mais ricos, Bolsonaro fica à frente do ex-presidente: 41% a 21% entre quem tem renda familiar de 5 a 10 salários, e 36% a 22% na faixa de renda familiar acima de 10 salários.

No segmento de empresários, o atual presidente também lidera, com 52% das intenções de voto, contra 25% do petista.

Nos evangélicos, há um empate estreito entre Lula (37%) e Bolsonaro (38%). Dado importantíssimo esse!

A pesquisa também questionou a população sobre corrupção e a capacidade do presidente em liderar o país

70% dos brasileiros disseram que há corrupção no governo Jair Bolsonaro – enquanto que 23% falaram que não há (olha aí, mais uma vez, no núcleo duro do bolsonarismo.

Quem mais acredita que há corrupção na gestão  são: mulheres (74%), jovens (78%), moradores do Nordeste (78%) e pessoas que reprovam o governo (92%).

Entre os empresários ouvidos, 50% acreditam que há malfeitos no governo e 48% discordam.

Os dados também mostram que 63% dos entrevistados acham que há corrupção no Ministério da Saúde e 64% acham que o presidente sabia.

Sobre a capacidade de Bolsonaro, 63% acreditam que ele não tem capacidade – e 34% afirmaram que ele tem sim. O interessante é notar que, a partir de janeiro, há uma disprepância na curva: aumenta muito quem acha ele incapaz e cai quem acha o presidente capaz.

DataPoder

Nesta pesquisa, o cenário não é diferente dos demais: o ex-presidente Lula lidera e abriu a maior vantagem contra o presidente Bolsonaro. A diferença entre ambos é de 14% – há um mês, os dois estavam empatados na margem de erro de 2%: 31% para o petista e 33% para o capitão do Exército.

Segundo a pesquisa, Lula (PT) tem 43% dos votos, 12% a mais do levantamento feito no começo de Junho. Em segundo aparece Bolsonaro (sem partido) com 29%, queda de 4% em relação a pesquisa anterior

Ciro Gomes (PDT), que contratou João Santana para começar a sua pré-campanha e tem lançado vídeos de posicionamento, caiu de 10% em junho para 6% agora.

Nesta pesquisa, o DataPoder tirou os nomes de Luciano Huck (sem partido) e João Amôedo (Novo) porque ambos afirmaram que não vão participar das eleições presidenciais.

Um ponto interessantíssimo é que, se somarmos os índices de todos os candidatos exceto Lula, eles têm 43% – e o petista aparece com 44%. Na margem de erro, o ex-presidente poderia ganhar no 1º turno se as eleições fossem hoje.

Os eleitores de Lula: mulheres de 16.a 24 anos, moradoras do Nordeste e/ou Sudeste. Na escolaridade, há mais gente com Ensino Médio e Superior do que Fundamental (e isso pode ser uma mudança de eleitorado: a chegada de pessoas mais escolarizadas). A mesma lógica vale para a renda: ainda há mais gente que ganha até dois salários mínimos – mas não há uma discrepância com as pessoas que ganham mais de 10, por exemplo: a diferença é de apenas 3%.

Os eleitores de Bolsonaro: homens de 25 a 44 anos, moradores do Norte e Centro-Oeste, com Ensino Fundamental e que ganham de dois a 10 salários mínimos (a tal classe média).

A pesquisa mostrou os possíveis cenários de 2º turno.
Pela primeira vez, Bolsonaro perde para Ciro Gomes (PDT) e João Doria (PSDB)

Contra Lula, o atual presidente também perde – e a distância entre ambos aumentou.
Hoje, o petista teria 55% contra 32% de Bolsonaro.
Em junho, Lula tinha 48% e Bolsonaro 37%.

Contra os demais candidatos, Lula ganha de todos.

Mas, para mim, uma das maiores informações dessa pesquisa é essa: despencou a rejeição de Lula e aumentou a de Bolsonaro.

Hoje, o ex-presidente Lula (PT) é o menos rejeitado entre os pré-candidatos à Presidência: 36% não votariam nele de jeito nenhum. Por outro lado, Bolsonaro (sem partido) e Doria (PSB) são mais mais rejeitados: 56% para cada.

Lula é o primeiro quando a pesquisa perguntou “quem é o único que votaria” com 35%, crescimento de 4% de junho para cá. Bolsonaro tem 32%.

Quando perguntado em quem poderia votar, Bolsonaro tem 10%, 5% a menos em relação a pesquisa de junho. Lula subiu de 18% para 22%. Ciro Gomes (PDT) caiu de 37% para 32% e Doria de 32% para 29%.

🇭🇹 Governo do Haiti prende mercenários que mataram presidente do país (BBC / La Republica / Telesur / El País)

🇨🇺 Cuba vive os maiores protestos contra o governo desde os anos 90. Milhares de pessoas foram as ruas empurradas pela escassez de produtos básicos, racionamento de energia e aumento dos casos e mortes pela Covid-19. Rapidamente, os protestos começaram a virar contra o governo: foram ouvidos gritos de “liberdade” e “abaixo a ditadura”. (El País

🇳🇮 As prisioneiras de Daniel Ortega na Nicarágua. Uma heroína da revolução contra a ditadura da família Somoza e a filha da primeira presidente mulher do continente foram presas na nova onda de repressão. (Agência Pública)

🇦🇫 Mulheres afegãs vão para as ruas e protestam contra o Talibã (The Guardian)

Toda uma nova geração instruída cresceu no Afeganistão nas últimas duas décadas sob o guarda-chuva militar americano que agora saiu do país. Jovens profissionais afegãos avaliam como sobreviver aos tempos sombrios que se aproximam e fugir antes do avanço do Talibã. (The Wall Street Journal)

🇾🇪 No Iêmen, as famílias enviam seus filhos para os chamados acampamentos de verão. Lá, os adolescentes recebem treinamento de combate e são ensinados dos motivos que devem lutar por Deus. Tanto as forças do governo quanto os rebeldes Houthi usam crianças soldados. (DW)

🇷🇺 Na ONU, Rússia vota para manter corredor humanitário na Síria. Medida é vitória diplomática para governo norte-americano. (CNN)

🇺🇸 Ligado ao lobby imobiliário, Eric Adams caminha para se tornar 2º prefeito negro de Nova York. Democrata com instinto de pugilista vence primária do partido, o que o coloca como virtual vencedor das eleições de novembro. (Folha de S.Paulo)

🇺🇸 Virgínia remove estátua de ex-governador, um ferrenho segregacionista (Washington Post)

🇨🇦 “O que aconteceu no Canadá foi genocídio”, diz parlamentar indígena. Em maio, foram encontrados restos mortais de 215 crianças em sepulturas não identificadas na província de Colúmbia Britânica. (BBC)

🇨🇳 A extrema-direita chinesa nos Estados Unidos (Yahoo Notícias)

🇵🇱 Proibição quase total do aborto na Polônia não diminuiu os números no país. Fizeram apenas as mulheres a viajarem para o exterior para abortar e a buscarem tratamento de saúde mental em casa. (Notes From Poland)

🇪🇸 O mundo de exploração sexual de mulheres na Espanha (El País)

🇭🇺 Eurocopa: Hungria é condenada pela Uefa por comportamento discriminatório (UOL)

#MandaDicas

Série maravilhosa feita pela jornalista Juliana Dal Piva. A primeira temporada “A Vida Secreta de Jair”, mostra como o escândalo da movimentação atípica de Fabrício Queiroz tornou público os 30 anos de indícios da prática de rachadinha em toda a família Bolsonaro. Aula de apuração, roteiro, montagem e investigação. Material fundamental para entender o quanto a corrupção está, há anos, na família – e muita gente caiu neste conto do vigário.
Atenção: livro com gatilho de abuso! Leitura bem pesada e cheia de detalhes.
Estamos em 2014. Euforia no Brasil e especialmente na cidade do Rio de Janeiro. Copa do Mundo prestes a acontecer, Olimpíadas de 2016 à vista. Tempo de esperança e construção. Júlia é sócia de um escritório de arquitetura que está planejando alguns projetos na futura Vila Olímpica. No dia de uma dessas reuniões com a prefeitura, Júlia sai para correr no Alto da Boa Vista. A certa altura, alguém encosta um cano de revólver na sua cabeça e a leva para uma área baldia. É estuprada. Deixada largada e exangue na mata, ela se arrasta para casa, onde o namorado e alguns familiares a esperam. O rosário de dor é descrito com crueza e qualidade literária poucas vezes vistas em nossa ficção. (Texto – Todavia)

Leituras complementares

Advogado do presidente ataca colunista (UOL)

Chega de chantagem: Estadão defende impeachment de Bolsonaro (Estadão)

Os dois lados do trabalho do presidente: Bolsonaro trabalhou, em média, menos de três horas por dia em junho (Carta Capital); Exaustão de Bolsonaro preocupa gabinete; presidente está com insônia (Metrópoles)

Milícia digital bolsonarista ativa robôs por ataque de Bolsonaro à CPI. Hashtag “CagueiPraCPI” chegou ao topo das mais usadas por contas inautênticas. (Metrópoles)

Governo federal vai lançar mais um canal de televisão que vem sendo chamado internamente de “TV Olavo”, em referência a Olavo de Carvalho. Ela deve custar entre R$ 50 milhões e R$ 100 milhões e a verba vai vir do Ministério da Educação. (UOL)

Em meio ao crescimento das tensões entre a CPI da Covid e as Forças Armadas, o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Junior, falou. “Não temos intenção de proteger ninguém à margem da lei”. (O Globo)
Haiti: o caos político e social que culminou no magnicídio de Jovenel Moise. País vive em estado de crise permanente – desde o fim da 2ª Guerra Mundial foram 23 tentativas de golpes de Estado, das quais só 8 fracassaram. Ariel Palacios perpassa os principais acontecimentos históricos que culminaram no assassinato do presidente. (Latin America Business Stories)

Michael Pollan, um dos maiores especialistas quando o assunto são as drogas, escreve sobre o momento dos EUA em relação a essas substâncias. Segundo ele, os norte-americanos parecem prontos para avançar na descriminalização das drogas. O próximo passo a ser avançado seria com as drogas psicodélicas. Embora agora possamos começar a vislumbrar o fim da guerra às drogas, é muito mais difícil imaginar como será a paz das drogas. Como vamos incorporar essas substâncias poderosas em nossa sociedade e em nossas vidas, de modo a minimizar seus riscos e usá-las de forma mais construtiva?” questiona. (The New York Times)

No 1º mês de uso das câmeras ‘grava-tudo’, PM de SP atinge menor letalidade em 8 anos. (Folha de S.Paulo)

O número de vereadoras trans mais que triplicou em 2020, mas o preconceito ainda limita a atuação delas. (Carta Capital)

Sikêra Jr. perde 43 patrocinados após fala homofóbica (Metrópoles)

Euro 2020 chega à final com participação feminina em 46% das transmissões de TV (O Globo)

Família que mora há nove gerações na Mata Atlântica conta sobre a vida, os saberes e a luta pela floresta. (UOL ECOA)