#088 – A Fada do Skate

Eu não sei vocês, mas minha vida anda se resumindo a trabalhos e Olimpíadas. Sou fá demais dos Jogos Olímpicos e tô vendo tudo que dá rs Fico migrando de um canal pro outro e vendou um esporte atrás do outro: começo com vôlei de praia, pulo pra esgrima, vou pro judô, chego no vôlei de quadra, vejo o surfe, passo para o skate, assisto a ginástica artística e assim vai…

Nesta Olimpíadas, queria ver algumas pessoas e estou tendo este prazer. A começar pela Rebeca Andrade na Ginástica Artística com Baile de Favela em seu solo (maravilhosa!!!). A presença dela é muito importante e representativa. Uma mulher negra ao som de funk no Japão é muito significativo para o estilo musical e para o empoderamento do funk.

As meninas do skate são perfeitas e merecem todo o destaque. O surfe, claro, também estava entre as minhas prioridades – peguei onda dos meus 10/12 até meus 17. Muito curioso pelo Isaquias Queiroz na canoagem. E os clássicos: vôlei de quadra e de praia, o judô, o basquete norte-americano e por ai vai…

Foto – Gaspar Nóbrega

Vale destacar a atitude das ginastas alemãs que escolheram usar uniformes que cobrem o corpo inteiro e não mais os maiôs que sexualizam o corpo feminino. “Queremos mostrar que todas as mulheres, qualquer uma, devem decidir o que usar”, disse Elisabeth Seitz, que competirá pela terceira vez nos Jogos. “Isso não significa que não queremos mais usar o collant normal”, disse Seitz, de 27 anos. “É uma decisão tomada dia a dia, com base no que sentimos e no que queremos. No dia da competição, decidiremos o que vestir”.

Foto: Reprodução/Elisabeth Seitz

Da proibição a medalha histórica: o skate no Brasil

Neste final de semana, o Brasil ganhou duas medalhas inéditas em Tóquio com o skate, estreante em Olimpíadas.

A primeira prata ficou com Kelvin Hoefler, nascido no Guarujá e com seis títulos mundiais de street pela WCS (World Cup Skateboarding) e mais duas medalhas de ouro, uma prata e dois bronzes nos X-Games.

O skate entra na vida de Kelvin com oito anos, quando ele improvisou, dentro da própria casa, as primeiras pistas de skate pois a sua rua era de terra. Em entrevista ao jornal O Globo, o jovem lembra que costumava deixar a mãe, Roberta, furiosa ao atrapalhá-la na hora da novela. Ele andava de skate para lá e para cá na sala de casa, e passava em frente à televisão com frequência. “Ela ficava p… da vida”. Foi aos nove anos, um ano depois de ganhar o primeiro skate, que o skatista conquistou seu primeiro campeonato. Aos 13, a decisão estava tomada: ele seguiria carreira no esporte.

Foto – Confederação Brasileira de Skate (CBSk) no Twitter

A vitória de Kelvin gerou muita polêmica com os outros competidores, principalmente a também skatista Letícia Bufoni que comentou em seus stories o afastamento dela com Kelvin. Também veio a tona problemas políticos dentro Confederação Brasileira de Skate (CBSk) com acusações de privilégios e muito incômodo. Leia aqui

A segunda medalha de prata veio nesta madrugada com Rayssa Leal, a Fadinha, atleta de 13 anos – a mais jovem da delegação brasileira e a mais jovem da história a conseguir uma medalha pelo Brasil.

Nascida em Imperatriz, sudoeste do Maranhão, ela ficou conhecida em 2015 depois de postar um vídeo na internet onde ela dava uma manobra de skate fantasiada de fada. Ela tinha sete anos. O vídeo foi compartilhado por Tony Hawk, um dos maiores skatistas de todos os tempos – Rayssa chama ele de Toninho. De lá para cá, foi vitória atrás de vitória.

Na final desta madrugada, muita coisa chamou a atenção. A começar pela Rayssa estar sorrindo a todo momento e dançando a cada parada de competição. Ela estava solta, leve e se divertindo, como ela mesma disse. Outro ponto bastante levantado foi a amizade entre as atletas: muitas conversavam e comentavam as manobras durante as provas, se cumprimentavam, torciam uma pelas outras, se abraçavam – e dançavam, caso da Raysa e da filipina Margielyn Didal, que virou ídola dos brasileiros

O legal é que todo mundo comemorou a vitória de Kelvin e Rayssa nas redes sociais. Gente que nunca andou de skate ou que jamais esteve neste meio começou a comentar do esporte e mostrar interesse. Isso é muito importante porque o skate ainda é uma modalidade muito marginalizada e criticada.

Sobre isso, trouxe uma série de tweets (o famoso fio) do Hugo Fernandes, Biólogo, PhD. Professor da UECE | Orientador na UFC e UFMG | Colunista da Jangadeiro Band News | Diretor do @svbroficial I Colaborador do @obscovid19br (segundo a bio dele no Twitter). Ele comentou da relação do skate com a política.

Na década de 80, São Paulo já convivia com o skate há cerca de 20 anos, mas skatista era sinônimo de marginal. O principal ponto de street skate era o Parque do Ibirapuera, só que tinha um probleminha. A Prefeitura de São Paulo funcionava lá, na época.
O prefeito era Jânio Quadros, que não gostava nada dos skatistas, mal vistos pela elite e considerados baderneiros. Ainda em 1986, a PM apreendeu 4 skates no Parque por ordem de Jânio.
O caldo foi entornando por mais dois anos até que o seu Jânio não aguentou mais. Ele, que já tinha realizado grandes feitos enquanto Presidente como proibir biquíni em concurso de miss e lança-perfume em Carnaval, resolveu proibir o skate no Ibira em agosto de 1988.
Os skatistas não gostaram nem um pouco e saíram em protesto organizado para negociar uma pista pública no local para a prática do esporte.
E o que o seu Jânio fez? O que fazia de melhor na vida (além de renunciar). Proibiu o skate na cidade toda. Uma decisão baseada em critério nenhum, só na pirraça mesmo.
Antes mesmo da eleição, Erundina viu na polêmica infantil de Jânio um caminho de articulação. Aproximou-se dos skatistas e prometeu revogar a proibição assim que assumisse a Prefeitura, caso ganhasse.

Covid-19 atingiu mais de 80% das prisões em 14 estados

Levantamento inédito foi feito pela Agência Pública com base nos pedidos d Lei de Acesso à Informação (LAI) e contatos com assessorias de imprensa. Importante lembrar que as informações são de 31 de janeiro a 19 de abril.

Segundo a reportagem, pelo menos 877 unidades prisionais registraram infecções. No Ceará, Distrito Federal, Roraima e Sergipe, houve casos em 100% das prisões. Outros dez estados tiveram mais de 80% das prisões com contaminação: Santa Catarina, Piauí, Espírito Santo, Alagoas, Rio de Janeiro, São Paulo, Acre, Mato Grosso, Pará e Bahia.

A Penitenciária Estadual de Dourados (PED), no Mato Grosso do Sul, é a recordista nacional em número de presos contaminados, segundo o levantamento. Foram 1.236 casos até o início de fevereiro, para uma população carcerária na faixa de 2.380 presos. Maior estabelecimento penitenciário do estado, a prisão teve uma morte entre os detentos, além de 33 servidores contaminados.

Estado com a maior população carcerária do país, com mais de 215 mil internos, São Paulo teve apenas 22 prisões que não registraram casos positivos entre as 178 unidades. Ao todo, 33 prisões paulistas tiveram mortes até 14 de abril, data do levantamento. Até 7 de maio, quando o último boletim geral do estado foi publicado, eram 13.631 casos e 50 óbitos entre os detentos. O estado ocupa quatro lugares no ranking das “top 5” prisões com mais casos de Covid-19

Leia mais na reportagem completa da Agência Pública.

🇦🇷 Decreto do governo argentino reconhece as identidades não binárias (Clarín)

🇦🇷 Argentina vai reconhecer cuidado materno como trabalho (Carta Capital)

🇨🇱 Senado do Chile aprovou a legalização do matrimônio igualitário, o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O projeto ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados. Foram 28 votos a favor e 14 contrários. (La Tercera)

🇺🇸 20% dos norte-americanos acreditam que o governo do país usa a vacina da Covid-19 para implantar um microchip na população e 18% acreditam que a vacina causa autismo. (YouGovAmerica)

🇺🇸 Nos EUA, pessoas que confiam na mídia conservadora têm muito menos confiança nas principais instituições de saúde pública e especialistas, e são muito mais propensas a acreditar na desinformação sobre a vacina. (Axios)

🇭🇺 O primeiro-ministro húngaro Viktor Orban já era visto como um bicho-papão perseguindo o Ocidente que transformou uma incipiente democracia liberal em um “estado mafioso pós-comunista” como dizem seus críticos. Para piorar, Orban é acusado de espionagem contra jornalistas e dissidentes ao usar o programa Pegasus (The Washington Post)

🇨🇳 Governo chinês substitui agentes de saúde pela polícia para segurar surto da variante Delta. A segurança pública foi mais eficiente porque tinham acesso às câmeras de segurança de Guangzhou e as tecnologias de reconhecimento facial. (Asia Times)

🇲🇴 Em Macau todos podem ser candidatos desde que defendam o Partido Comunista. Vinte e um candidatos ao parlamento da região administrativa especial chinesa foram impedidos de participar nas próximas eleições. (Publico)

🇦🇴 Bolsonaro escala Mourão para conter crise da Igreja Universal em Angola (O Estado de S. Paulo)

🇷🇸 Líder sérvio ameaça ‘dissolução’ da Bósnia contra lei sobre genocídio (R7)

🇲🇽 No México, estado de Vera Cruz aprova a despenalização do aborto (Telesur)

🇬🇹Juan Francisco Sandoval, principal procurador da Guatemala e líder da Promotoria Especial da Guatemala contra a Impunidade (FECI), fugiu do país com medo de represálias (Prensa Libre)

🇬🇹Governo guatemalteco prende sétimo pré-candidato à presidência (El Observador)

🇦🇺 Centenas protestam contra o lockdown na Austrália (NPR)

🇫🇷 Franceses vão para as ruas contra a vacina e as medidas da pandemia (The New York Times)

🇮🇳 Índia tem mais de 130 mortos por causa das chuvas. (India Today)

🇦🇫Afeganistão impõe toque de recolher para conter o avanço do Talibã (Al Jazeera)

#MandaDicas

A série documental Elize Matsunaga: Era uma Vez um Crime revisita o crime que chocou o país: o assassinato e esquartejamento do presidente da empresa Yoki, Marcos Matsunaga, por sua esposa, Elize Matsunaga. Da infância em Chopinzinho, pequena cidade do Paraná, até o conturbado relacionamento com o empresário antes do assassinato, acompanhamos os detalhes que sucederam o fato, desde tentativas de acobertamento do crime, passando pela confissão, prisão, julgamento em 2016 e também saídas temporárias. Há muitas informações sobre a história de Elize, como a relação com seu padrasto e a forma como ela conheceu Marcos. A série também trata de como era o relacionamento do casal, com excentricidades e fechados numa bolha dos dois. Outro ponto bastante importante é a atuação da imprensa no caso e em como isso serviu para dar o tamanho do crime.
Qual o perfil dos eleitores de Jair Bolsonaro? De que segmento social fazem parte? Qual sua escolaridade, idade, gênero e religião? Em suma: Quem votou em Bolsonaro? Utilizando gráficos e dados comparativos, o cientista político Jairo Nicolau faz uma radiografia do surpreendente desempenho de Jair Bolsonaro e do PSL nas eleições de 2018, que levaram o país a uma radical guinada à direita. Estudioso do processo eleitoral brasileiro, Nicolau apresenta e analisa os números que elegeram um nome até então relativamente inexpressivo no cenário mais amplo da nossa política, esmiuçando pontos centrais como a relação entre tempo de TV, dinheiro e voto; as redes sociais; o voto das mulheres e dos evangélicos; o voto por regiões, estados e cidades. O Brasil dobrou à direita traz uma contribuição decisiva para o debate desapaixonado sobre o fenômeno do bolsonarismo nas urnas e sobre as transformações que mudaram o rumo do Brasil. Um livro fundamental para se entender o que aconteceu e o que pode acontecer nas próximas eleições. (Texto – Companhia das Letras)

Leituras complementares

Brasil tem 1 órfão por covid a cada 5 minutos: “Pensamos que crianças não são afetadas, mas é o oposto”. (BBC Brasil)

Em um ano de pandemia, 377 brasileiros perderam o emprego por hora (G1)

A ‘fábrica de oficiais’ por onde passa a política brasileira dos militares. A AMAN é responsável pela formação militar e pelos valores do presidente Bolsonaro e dos principais ministros que estão hoje no poder. A “tutela” da República é um dos princípios que guiam os generais. (El País)

Mesmo com crise na saúde, pauta antiaborto avança de maneira acelerada no Congresso. Aliança entre parlamentares e membros ultraconservadores do Executivo garantem aumento das proposições antidireitos reprodutivos. (Agência Pública)

Sistema de espionagem que Bolsonaro ensaiou compra visou 18 jornalistas (UOL)

Ricos miram lazer pós-Covid, e pobres, comida (Folha de S.Paulo)

O impacto da Covid-19 nos crimes no estado do Rio de Janeiro  (Governo do RJ)

A vida de Joe Ligon, preso aos 15 anos e libertado aos 83. Ele foi julgado em 1953 e saiu da prisão em fevereiro, depois de 68 anos. Era o condenado juvenil à prisão perpétua mais velho ainda detido nos Estados Unidos. Não quis sair em liberdade condicional. Sua história reflete a dureza da Justiça americana com os menores de idade. (El País)

Do que é feito o pensamento? A Ciência por trás da voz na sua cabeça. Algumas pessoas falam com si mesmas o dia todo; outras têm mentes silenciosas. Algumas formam imagens mentais vívidas; em outras, o olho da mente é cego. Faz poucas décadas que os psicólogos criaram ferramentas para investigar nosso fluxo de consciência. Até que ponto podemos acessar – e explicar – o interior de nossas próprias cabeças? (Superinteressante)

O significado por trás do look viral de Olivia Rodrigo para a Casa Branca (UOL)

“É meu lazer e meu sustento”, diz pipeira com mais de 500 mil seguidores (UOL Tab)

Com pix, pedintes virtuais se amontoam no Twitter e no Instagram (Núcleo Jornalismo)

“Quem diz tolices sobre black bloc nunca esteve perto de um”: professor da UEPG define a ética black bloc. (Ponte Jornalismo)

A fotojornalista Gabriela Biló explora ângulos, luz e cor em cliques memoráveis na cobertura política de Brasília que contam a história do país (Gama Revista)

A oportunidade de viver uma vida com os seus próprios termos. A trans Luv-Luv foi cabeleireira durante muitos anos, mas encontrou na Amazon um trabalho seguro (Amazon)

Arrecadação do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) com patrocínios cresce 518% desde a Olimpíada de 2016 (Poder360)

#ChargeDaSemana

#FotoDaSemana

Manifestantes colocaram fogo na estátua Borba Gato na Zona Sul de São Paulo (Foto – @lucasport01/JornalistasLivres)

#GrafoDaSemana

via @pedro_barciela
Coletei aqui algumas dezenas de milhares de comentários sobre o Borba Gato no Facebook. Apesar de uma maioria reprovar a intervenção (52,5%), me chama atenção o volume – e os argumentos – de quem apoiou a ação (39,7%), como o “ninguém fala das estátuas que ainda estão de pé”. Quando a abordagem é HISTÓRICA, o volume de usuários que apoiam a ação é muito superior: 73% entendem o ato como reparação histórica. 24% ainda pedem respeito aos assassinos que teriam “ajudado a expandir o Brasil”. Alguns também pedem abaixo-assinados como alternativa. A CRIMINALIZAÇÃO DA ESQUERDA tenta conectar a ação às manifestações que rolaram hoje, ignorando que elas aconteciam bem longe dali. Os termos utilizados por esse perfil remetem ao bolsonarismo, como “extrema imprensa”, “esquerdistas” e o “impedir que eles voltem em 2022”. Por fim, vale destacar aqui quem abordou o tema com HUMOR, pelo fato de esse tipo de abordagem se amparar em algumas falas de Bolsonaro. Linhas como “quer que eu faça o que? não sou bandeirante” e “ninguém fala das estátuas que estão em pé” estiveram presentes.

#GráficoDaSemana