#091 – Acho que você vai gostar

Muito bom dia!
Espero que você esteja bem e que tenha uma baita semana <3
Continuamos: a pandemia tá ai. Mesmo com a vacina, cuide-se.
Hoje eu tomo minha segunda dose da vacina. Feliz demais!

Essa semana resolvi não destacar nenhum assunto e deixar mais a curadoria de conteúdo para vocês. Confesso que não achei nada extremamente legal para destrinchar e refletir com vocês. Ia falar daquele patético militar em Brasília, mas nem merece atenção. Teve o relatório catastrófico do IPCC da ONU sobre as mudanças climáticas – mas a imprensa deu muito e não tinha como alarmar mais você.

Algumas pessoas tem me perguntado sobre o caminho que o Brasil vai tomar daqui pra frente, muito por causa da escalada de tom do presidente. Eu não sei, mas como eu sempre digo: para mim, é bravata. Agora são duas: o impeachment dos ministros do Supremo e uma suposta intervenção militar em 7 de setembro (é o papo nas redes bolsonaristas). Novamente: tudo narrativa para aquecer ainda mais o país e tentar juntar a turma da milícia digital. A ver.

Mas talvez a grande notícia da semana vem do Oriente Médio: o Talibã tomou Cabul, a capital do Afeganistão, e comanda todo o país. Ao que tudo indica, a queda da capital aconteceu sem a necessidade de grandes combates.

Tem muita coisa envolvida na questão afegã e que pode movimentar a geopolítica mundial. Começando pela influência iraniana na região, arqui-inimigo dos Estados Unidos. Depois com uma reaproximação por ali de China e Rússia – as potências querem pegar o vácuo dos norte-americanos e controlar a região central da Ásia. Não podemos deixar de lado as influências secundárias dos Países do Golfo, Turquia, Síria, Líbano, Iraque e, principalmente, o Paquistão, aliado de primeira ordem dos americanos e dono de ogivas nucleares. Num terceiro estágio, temos os grupos jihadistas da região, como o Hamas (Palestina), Hezbollah (Líbano) e o restante do Estado Islâmico na Síria – apenas para citar alguns – todos com influências em diversos países, além de rixas. Aguardemos o que vai acontecer daqui pra frente.

🇦🇫 Pontos-chave para entender o que se passa no Afeganistão. A derrota da URSS em 1989, os atentados de 11 de Setembro e a retirada das tropas dos EUA são alguns dos marcos que explicam a atual escalada da violência no país da Ásia Central. (El País)

🇮🇱 A turbulenta ‘guerra do sorvete’ entre a Ben & Jerry’s e o governo de Israel (BBC)

🇫🇷 Pelo quinto final de semana seguido, franceses vão para as ruas contra as medidas de restrição da Covid-19. (The Guardian)

🇻🇪 A expansão precoce de dois empresários farmacêuticos em Caracas. Venda a baixo custo, falta de experiência, distribuição de remédios para o Irã e a Índia e uma loja que parece um bunker, a Farmácias Caribe de Atef Ghazi Nassereddine Nassereddine e Mahdi Nassereddine Nassereddine chama a atenção. (Armando Info)

🇨🇴 Desaprovação de presidente colombiano chega ao seu pior nílve (Valora Analitik)

🇦🇷 Foto de festa na casa do presidente argentino Alberto Fernández gera polêmica. Reunião com várias pessoas era pra comemorar o aniversário da primeira-dama e aconteceu quando os argentinos mal podiam sair de casa. (El País)

🇦🇷 Condenação histórica na Argentina por crimes sexuais perpetrados no maior centro de detenção da ditadura. (El País)

🇧🇴 A seca do lago Poopó na Bolívia e o desastre ecológico (Perfil)

🇭🇹 Terremoto no Haiti deixa mais de 700 mortos. (Terra)

🇩🇿 Pelo menos 65 pessoas morreram por causa dos incêndios na Argélia (Reuters)

🇨🇱 Os desafios das mulheres no 1º mês da Constituiente chilena (Open Democracy)

🇬🇳O que é o vírus de Marburg, doença ‘prima’ do Ebola que fez vítima na Guiné e preocupa a OMS (BBC)

🇿🇲 Presidenciais na Zâmbia: Opositor lidera contagem de votos. Hakainde Hichilema, líder da oposição zambiana, lidera com vantagem a corrida presidencial, de acordo com os primeiros resultados anunciados pela comissão eleitoral da Zâmbia. O presidente Edgar Lungu aparece em segundo lugar. (DW)

🇬🇧 O investimento da Grã-Bretanha nos esportes olímpicos comparado com as medalhas conquistadas (BBC Sport)

🇨🇦 Canadá nomeará oficial para auxiliar na localização de covas indígenas. Anúncio acontece após mais de mil túmulos não identificados de crianças indígenas terem sido encontrados nos últimos meses próximos de antigas ‘escolas residenciais indígenas’. (OperaMundi)

#MandaDicas

A sociedade paliativa é uma sociedade do curtir. Ela degenera em uma mania de curtição. O like é o signo, o analgésico do presente. Ele domina não apenas as mídias sociais, mas todas as esferas da cultura. Nada deve provocar dor. Não apenas a arte, mas também a própria vida tem de ser instagramável; ou seja, livre de ângulos e cantos, de conflitos e contradições que poderiam provocar dor. Esquece-se que a dor purifica. Falta, à cultura da curtição, a possibilidade da catarse. (Trecho da obra)
Da autora argentina Camila Sosa Villada, um livro de amor e afeto: quando terminamos a última página, queremos que o mundo inteiro o leia também! Quando chegou à cidade de Córdoba para estudar na universidade, a autora argentina Camila Sosa Villada decidiu ir ao Parque Sarmiento durante a noite. Estava morta de medo, pensando que poderia se concretizar a qualquer momento o brutal veredito que havia escutado de seu pai: “Um dia vão bater nessa porta para me avisar que te encontraram morta, jogada numa vala”. Para ele, esse era o único destino possível para um rapaz que se vestia de mulher. Camila queria ver as famosas travestis do parque, e lá, diante daquelas mulheres e da difícil realidade a que são submetidas, foi imediatamente acolhida e sentiu, pela primeira vez em sua vida, que havia encontrado seu lugar de pertencimento no mundo. O romance O parque da irmãs magníficas é isso tudo: um rito de iniciação, um conto de fadas ou uma história de terror, o retrato de uma identidade de grupo, um manifesto explosivo, uma visita guiada à imaginação da autora. Nestas páginas convergem duas facetas da comunidade trans, facetas que fascinam e repelem sociedades no mundo inteiro: a fúria travesti e a festa que há em ser travesti. (Texto – Amazon)
Neste livro monumental, o jornalista e historiador Garrett Graff conta a história como ela foi vivida — e nas palavras de quem a vivenciou. Com base em transcrições nunca antes publicadas, documentos recentemente tornados públicos, entrevistas e relatos de quase quinhentos funcionários do governo, bombeiros, testemunhas, sobreviventes, amigos e familiares das vítimas, Graff pinta um retrato vívido e humano do 11 de Setembro. Assim, ouvimos a voz dos funcionários do aeroporto que, sem saber, conduzem terroristas para seus voos, e também a dos comissários de bordo dentro dos aviões sequestrados. Em Nova York, os bombeiros enfrentam uma cena de horror inimaginável nas Torres Gêmeas. Mais do que simplesmente uma coleção de depoimentos de testemunhas oculares, O único avião no céu é a história de como pessoas comuns lutaram contra eventos extraordinários: o pai e o filho trabalhando na Torre Norte, pegos em extremos diferentes da zona de impacto; o bombeiro em busca de sua esposa que trabalha no World Trade Center; a telefonista que promete compartilhar as últimas palavras de um passageiro com a família dele. O único avião no céu narra as experiências de homens e mulheres que se viram no centro de um acontecimento sem precedentes na história. O resultado é uma exploração única, profunda e marcante da humanidade em um dia que mudou o curso do mundo e da vida de todas as pessoas. (Texto – Livraria da Vila)
Descobrir essa semana esse projeto: sozinho no sótão que, segundo o músico Thiago Neves, trata-se de um “rock alt meio emo meio indie, metal”. Tem umas guitarras bem fodas, umas gritadas, uns synts perdidos, uma melancolia bem profunda e muita pancadaria. Sim, tudo isso junto e misturado. Lembra bem um post-hardcore dos bons. Em 2021, ele lançou o EP Ela Disse Que Não Era Mais Feliz com quatro músicas. A primeira “Acho que você vai gostar” tem uma pegada meio interestalar-Fresno-Bring Me The Horizon-Foals. Coisa boa! Ouve todas que vale!

Leituras complementares

Steve Bannon vem aí. Marqueteiro de Trump pode trabalhar pela campanha de reeleição de Bolsonaro (Veja)

Brasil vive escalada de grupos neonazistas e aumento de inquéritos de apologia do nazismo na PF. Discurso sectário de Bolsonaro contribui para ascensão de ideologia extremista, avaliam estudiosos. (Folha de S.Paulo)

Parada militar foi fiasco nas redes sociais: 93% dos posts são chacota (G1)

Bolsonaro gastou R$ 711 mil em inauguração de microponte no AM, quase o triplo usado na sua construção (O Globo)

Farmácias venderam mais de 52 milhões de comprimidos do “kit covid” na pandemia. Hidroxicloroquina, propagandeada por Bolsonaro, teve mais de 1,3 milhão de caixas vendidas no país. (Agência Pública)

Militarismo é a nova onda do TikTok. Análise do Núcleo mostra crescimento de vídeos exaltando armas de fogo, militares e policiais na rede social repleta de crianças e adolescentes (Núcleo Jornalismo)

Se os atletas LGBTQ fossem um país, eles seriam o 7º no quadro de medalhas com 11 ouros, 12 pratas e 9 bronzes. E mais: eles ficariam na frente de todos os países que criminalizam a homossexualidade. (Outsports)

1.200 pedras de crack achadas em um dos batalhões mais mortais da PM de SP (Ponte Jornalismo)

Grande imprensa está se lascando para efeitos das reformas sobre os pobres. Estudos mostram que não há pluralidade nos jornalões quando o assunto são as reformas: previdenciária, administrativa, trabalhista, tributária. Opiniões contrárias não ganham espaço. (The Intercept Brasil)

Qual o efeito da presença de mulheres no jornalismo? (Observatório da Ética Jornalística)

Bob Burnquist exalta skate nas Olimpíadas e defende uso da maconha (Folha de S.Paulo)

Respeita a nossa onda! Na cidade do campeão olímpico Italo Ferreira, elas buscam espaço no surfe e driblam o machismo até no grito (UOL Universa)

Superando Simone Biles, Rayssa Leal é a atleta mais mencionada no Twitter durante os Jogos Olímpicos (B9)

Você já reparou que, de uns tempos para cá, as celebridades estão despejando uma sequência de fotos aleatórias no Instagram sem nenhuma explicação? É um carrossel de imagens sem ligação alguma em apenas um post e com uma legenda indiferente. É essa a nova tendência da rede social. (Input Mag)

Algoritmos da gordofobia. Por que ser feliz e plena como mulher gorda soa incompatível para a publicidade na internet? (Azmina)

O jovem que criou a ‘Amazon’ das drogas e ganhou duas séries na Netflix. Faculdade, primeiro emprego, o começo da vida adulta, parecem alguns caminhos para jovens de 19 anos, mas esse alemão resolveu virar um traficante pela internet. (Exame)

Influenciadora do tráfico? Blogueira cristã e advogada é presa com cocaína em aeroporto (Yahoo Notícias)

Mudança do clima acelera criação de deserto do tamanho da Inglaterra no Nordeste (BBC)

Burnout pode ser tratado com derivado da maconha, diz estudo da USP (Folha de S.Paulo)

‘Proibidão’ pela Anvisa, ‘melzinho do amor’ faz sucesso na 25 de Março. Estimulante sexual é mania entre os jovens. (TAB UOL)

#PrintsBolsonaristas

Tem um Twitter que eu amo que se chama @printsminions. Nada mais é do que uma curadoria de prints ditos pelos bolsonaristas em seus grupos de Telegram. Gosto muitode ver para sair da minha bolha e perceber o quão alucinada as pessoas são e estão. Acho importante a gente ter essa ideia do que está acontecendo por ai. Pensando nisso, estreia hoje o #PrintsBolsonaristas: vou trazer uma doideira toda a semana por aqui.

#FotoDaSemana

A Ável Investimentos, “o maior escritório de assessoria digital da XP”, divulgou uma foto de sua equipe e gerou grande polêmica: onde está a diversidade? Os funcionários são homens brancos – e ainda estão aglomerados e sem máscara. Quase não há mulheres e nenhum negro. O escritório se posicionou e está lidando com a crise.

#GráficosDaSemana

#ChargesDaSemana