#102 – Para onde vão os Faria Limers?

Brasília está sacudindo com o briga da Turma do Guedes e a Turma de Bolsonaro. 
Podemos ficar pensando e tal em um monte de coisa, mas a coisa é simples: Guedes é o neoliberalismo em sua essência e Bolsonaro precisa do Estado para se reeleger. Como ambos vivem juntos? Eis a grande questão e que ninguém sabe direito responder até agora. 

A união de gregos e troianos em 2018 teve, claro, interesses mútuos e bem claros. Bolsonaro precisava de Guedes para conseguir o apoio do dito mercado. O Posto Ipiranga seria a cara do governo bolsonarista quando o assunto fosse economia: o neoliberalismo de Chicago em sua essência. E Guedes precisava de Bolsonaro para, enfim, ter algum destaque em sua vida econômica. O casamento saiu, mas não foi nenhum conto de fadas.

Sempre houve um embate entre a ala econômica e a ala ideológica. Tudo ficou ainda pior quando o bolsonarismo se rendeu ao canto do Centrão e entregou tudo de bandeja para os partidos fisiológicos da Câmara e do Senado, em troca, claro, de que o processo de impeachment não andasse. Nesse cenário, tudo seria grana – e grana a vontade não era o que Guedes pretendia (pelo menos para os outros porque para ele…..)

Eis que o embate maior entre o bolsonarismo e a Turma do Guedes veio essa semana: a furada do Teto de Gastos para que o governo criasse uma marca sua, o Auxílio Brasil, e despejasse milhões de reais nas contas dos brasileiros mais pobres. Guedes e sua turma ficaram uma fera. Bolsonaro nem ligou porque ele sabe da necessidade dessa grana para sua reeleição. Logo, manda quem pode, obedece quem tem juízo.

A pergunta que fica é: depois de tudo isso, para onde vão Guedes e sua turma na eleição de 2022? Vão continuar abraçados com Bolsonaro ou vão trocar de barco rumo a terceira via? A Faria Lima vai fechar com quem dessa vez? 

🇺🇸 Trump anuncia rede social própria com investimento de empresa de deputado brasileiro. (Folha de S.Paulo)

🇪🇸 Partido de extrema direita espanhol tece aliança anticomunista na América Latina. Vox lançou manifesto que alerta para suposto “avanço comunista” na Ibero-América e reuniu nomes como Eduardo Bolsonaro, no Brasil, e Keiko Fujimori, no Peru. (El País)

🇪🇸 Isabel Díaz Ayuso, a esperança da direita da Espanha. (O Estado de S. Paulo)

🇩🇪 Grupo alemão de extrema direita tenta bloquear migrantes. (BBC)

🇭🇺 Oposição húngara se une e define nome conservador para disputar contra o presidente da extrema-direita Viktor Orbán. (Folha de S.Paulo)

🇧🇴 Bolívia vira santuário do Narcosul, o cartel da droga do PCC. (O Estado de S. Paulo)

🇧🇴 Governo da Bolívia diz que assassinos de presidente haitiano tinham plano para matar o presidente boliviano (The Intercept Brasil)

🇪🇨 Presidente equatoriano declara estado de exceção por aumento da violência (BBC)

🇵🇪 No Peru, emprego formal cresceu a primeira vez desde o começo da pandemia.
(La República)

🇨🇴 “Não me matem. Sou Otoniel”. As Forças Especiais da Colômbia prenderam o maior narcotraficante do país. (El Tiempo)

🇸🇻 Migrantes ultrapassam barreira da Guarda Nacional salvadorenha em longa caminhada até a capital do México (El Salvador)

🇳🇮 O que pretende Ortega com a prisão do maior empresário da Nicarágua? (La Prensa)

🇨🇺“Esperamos por anos e agora não podemos falhar“. A perseverança dos novos empresários cubanos. (Cubadebate)

🇲🇽México busca paradeiro de bebês roubados durante “guerra suja” contra esquerda. Esse período sombrio lembra o drama vivido por mulheres que tiveram seus filhos raptados durante as ditaduras no Chile e na Argentina. (Carta Capital)

🇮🇳 Montanha de lixo com “18 andares de altura” garante sobrevivência de pobres na Índia (g1)

🇰🇵 Fãs de Kim Jong-un, brasileiros enaltecem Coreia do Norte e vibram com mísseis. (Folha de S.Paulo)

🇦🇫 Reconstruir o hímen, uma questão de vida ou morte no Afeganistão. Religião, família, violência e uma cultura ancestral pesam sobre as mulheres afegãs para que se casem virgens, uma prova que pode ser exigida tanto pelos pais como pelas autoridades.
(El País)

🇷🇺 Rússia adverte OTAN sobre entrada da Ucrânia na aliança transatlântica. Citando vice-ministro das Relações Exteriores russo, agência estatal de notícias diz que qualquer movimento para admissão de Kiev no bloco terá consequências. (CNN)

🇺🇿 Uzbequistão tem eleição presidencial em pleno desgaste das reformas (UOL)

🇧🇫 “Mate todos eles. Não poupe ninguém”. Um massacre em Burkina Faso. Os ataques de grupos armados a civis estão aumentando no país da África Ocidental. Um sobrevivente da cidade em Solhan faz um relato angustiante do derramamento de sangue. (Al Jazeera)

🇰🇪 Por que as igrejas do Quênia estão banindo os políticos dos púlpitos. (BBC)

#MandaDicas

Neste primoroso romance de estreia, acompanhamos a trajetória de Raimundo, homem analfabeto que na juventude teve seu amor secreto brutalmente interrompido e que por cinquenta anos guardou consigo uma carta que nunca pôde ler. Aos 71 anos, Raimundo decide aprender a ler e a escrever. Nascido e criado na roça, não foi à escola, pois cedo precisou ajudar o pai na lida diária. Mas há muito deixou a família e a vida no sertão para trás. Desse tempo, Raimundo guarda apenas a carta que recebeu de Cícero, há mais de cinquenta anos, quando o amor escondido entre os dois foi descoberto. Cícero partiu sem deixar pistas, a não ser aquela carta que Raimundo não sabe ler ― ao menos até agora. Com uma narrativa sensível e magnética, o escritor cearense Stênio Gardel nos leva pelo passado de Raimundo, permeado de conflitos familiares e da dor do ocultamento de sua sexualidade, mas também das novas relações que estabeleceu depois de fugir de casa e cair na estrada, ressignificando seu destino mais de uma vez.
(Texto – Amazon Brasil)
Desde sua origem, o feminismo se baseou na experiência de mulheres brancas de classe média e alta, que há muito se autoproclamaram as especialistas no assunto. São elas que escrevem, palestram, dão entrevistas. Ao mesmo tempo, para manter seus privilégios, demarcam a branquitude do movimento ao sobrepor suas falas às das mulheres de pele negra e marrom. No entanto, o diálogo só será possível quando todas as mulheres estiverem em patamares iguais. E é partindo do princípio de igualdade na diversidade que Rafia Zakaria, muçulmana, advogada e filósofa política, defende uma reconstrução do feminismo. Contra o feminismo branco é um contramanifesto que insere as experiências de mulheres de cor no centro do debate. Em uma leitura direta e impactante, a autora questiona desde pensadoras como Simone de Beauvoir a produtos culturais como Sex and the City. O resultado é uma obra crítica à adesão do feminismo branco ao patriarcado, à lógica colonial e à supremacia branca. Ao seguir a tradição de suas antepassadas feministas interseccionais Kimberlé Crenshaw, Adrienne Rich e Audre Lorde, Zakaria refuta a indiferença política e racial do feminismo branco em uma crítica radical, na qual coloca o pensamento feminista negro e marrom na vanguarda. (Texto – Intrínseca)
Guilhotina | Le Monde Diplomatique. Bianca Pyl e Luís Brasilino recebem a antropóloga Beatriz Accioly Lins, autora do livro “Caiu na net: nudes e exposição de mulheres na internet” lançado em setembro pela editora Telha. Fruto da sua tese de doutorado, a pesquisa minuciosa analisa os mecanismos e as consequências do vazamento de imagens eróticas de mulheres na internet. Conversamos sobre as diferentes formas de captação e divulgação dessas fotos e vídeos, o perfil das vítimas e dos responsáveis, novos tipos de violência de gênero, a popularização da tríade smartphone, câmera frontal e redes sociais, a evolução dos entendimentos jurídicos sobre o tema, culpabilização das mulheres, retórica do consentimento e muito mais! Beatriz é antropóloga, doutora e mestra em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo, além de Pesquisadora do Núcleo de Estudos sobre Marcadores Sociais da Diferença (Numas-USP). Ela desenvolve pesquisas sobre acesso a direitos, noções e percepções de justiça em se tratando de violência contra mulheres e suas interseções com marcadores sociais da diferença e é autora dos livros “A lei nas entrelinhas: a Lei Maria da Penha e o trabalho policial” (Unifesp, 2018) e co-autora de “Diferentes, não desiguais: a questão de gênero na escola” (Reviravolta, 2016). *Trilha: Lulu Santos, “Aviso aos navegantes”; e Gilberto Gil e Os Mutantes, “Domingo no parque” (Gilberto Gil). (Texto – Le Monde Diplomatique)

Leituras complementares

Fim da CPI. Os próximos passos jurídicos e o impacto político. Reportagem maravilhosa e especial com todos os crimes cometidos pelo presidente e todos os acusados. (g1)

O diabo não desiste. O PT não se desculpa por seus erros, e aqueles que o partido pretende repertir, julta ter poder de apagar. (O Estado de S. Paulo)

Terceira via se torna bandeira majoritária de generais. Acrescentar ao antipetismo o abandono da aposta em Bolsonaro é um cenário que ganha cada vez mais adeptos na caserna. (Correio Braziliense)

Extrema-direita no Brasil já não precisa de Bolsonaro para se mobilizar.
(O Estado de S. Paulo)

Desigualdade de renda no Brasil caiu de 2002 a 2015. (Folha de S.Paulo)

Dezoito anos depois, 69% acham a saída do Bolsa Família. (O Estado de S. Paulo)

Documento levado à CPI da Covid aponta superfaturamento de contratos de propaganda na pandemia. (O Estado de S. Paulo)

Blog Terça Livre, de bolsonarista Allan dos Santos, anuncia fim das atividades. (Metrópoles)

Vaza áudio do banqueiro André Esteves, que revela como ele influi na Câmara e no Banco Central. (Brasil247)

Com Pacheco no 2º turno, PSD aceitaria apoio de Lula ou Bolsonaro, diz Paes. Prefeito do Rio de Janeiro afirma que não é preciso unir partidos por 3ª via para que esta chegue ao 2º turno. (Poder360)

Passaporte da vacina é apoiado pela maioria dos deputados. (Metrópoles)

Vítimas do negacionismo: as mortes causadas pela desinformação na pandemia da Covid-19. (g1)União pede direito de resposta à IstoÉ por capa que liga Bolsonaro a Hitler. AGU requer nova capa que diga que o presidente defendeu a vida, o emprego e a liberdade. (JOTA)

Bolsonaro enviou 41 militares para escola nos EUA que treinou assassinos de presidente haitiano. Para pesquisadora, envio de oficiais para ex-Escola das Américas pode ter relação com discurso golpista do presidente. (Brasil de Fato)

Padrão de vida no Brasil deve ficar estagnado pelos próximos 40 anos.
(Folha de S.Paulo)

Renda média dos trabalhadores brasileiros é a menor em 4 anos. (UOL)

A cada hora, cinco crianças e adolescentes são vítimas de violência sexual no Brasil.
(El País)

Traficantes de pessoas mudam tática e atraem mulheres para dívidas impagáveis.
(Folha de S.Paulo)

Jacarés e ‘corridos’: a vida de Gordo, o traficante que sonha ser Pablo Escobar.
(O Estado de S. Paulo)

Produtora conservadora Brasil Paralelo oferece filmes e ‘escola da família’ a Paraisópolis. (Folha de S.Paulo)

Como o Pinterest está combatendo algoritmos racistas. (Fast Company)

Mensagens internas do Facebook mostram que a política define as decisões da rede social. Em conversas de funcionários, eles não aplicam as regras do site em conteúdos da extrema-direita por medo da reação pública. (The Wall Street Journal)

O desaparecimento de um comunista negro na Rússia de Stálin. (The New Yorker)

#GráficoDaSemana

#ChargesDaSemana

Charge – Jean Galvão (Folha de S.Paulo)
Charge – Benett (Folha de S.Paulo)

#FofocaDaSemana

via Guilherme Felitti
O MBL soltou a mão de Paulo Guedes.
Ontem (22), o canal tornou privados 13 vídeos exaltando o ministro da economia. Vídeos como “A REVOLUÇÃO DE PAULO GUEDES!” e “O discurso promissor de Paulo Guedes para os Americanos” não podem mais ser assistidos.