#103 – Que sejamos pária! E somos.

A participação do Brasil no encontro do G20 foi vergonhosa. Durante o tempo que o presidente passou na Itália, não houve absolutamente nenhum notícia boa para o nosso país. Zero. Nada mesmo!

Para quem não está tão habituado com esses encontros mundiais, eles servem para uma coisa só: geopolítica. Os chefes de Estado se encontram, dão risadas, tiram fotos e só. Tudo para posar para a imprensa e saírem como democratas. O que vale mesmo são as conversas bilaterais, as agendas organizadas paralelamente e os bate-papos de canto de ouvi entre os comandantes do mundo. Acredite: Bolsonaro não fez nada disso.

Foi unânime na imprensa brasileira: o presidente ficou isolado. O jornalista Jamil Chade, do UOL, filmou o presidente no canto da sala, sozinho, enquanto todas as lideranças mundiais confraternizavam – ou seja: faziam política.  O mesmo Jamil, em seu Twitter, postou um vídeo onde o presidente mente sobre economia, sobre popularidade, crítica imprensa, ataca Petrobras e ainda elogia militares. O cara ainda ainda tomou uma indireta da chanceler alemã Angela Merkel por pisar no pé dela, ele sequer foi posar para a foto oficial do G20 e ainda esnobou a fala do príncipe Charles. Por fim, claro, o presidente brasileiro não teve nenhuma reunião bilateral.

Quer mais? Tem, é claro.
Junto com o ministro da Saúde Marcelo Queiroga, o presidente se reuniu com o com o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom, e ambos esnobaram da possibilidade dos dois serem acusados de crime contra a Humanidade em Haia. Riram. Ainda com Tedros, Bolsonaro ainda questionou a origem da Covid-19 e deu risada, num típico tiozão do churrasco.

Mas duas passagens foram bizarras demais.
A primeira a violência contra a imprensa. O presidente não quis responder a vários questionamentos dos jornalistas e seus seguranças agrediram vários repórteres. Um absurdo sem tamanho!

A segunda foi quando o presidente trocou o nome do ex-secretário de estado dos Estados Unidos e enviado especial para o clima, John Kerry, com o ator e humorista canadense Jim Carrey, astro de filmes como Débi & Loide e O Mentiroso. Sim: ele fez isso!

Nossa imagem está cada vez mais manchada no mundo afora. Viramos motivo de chacota e, claro, viramos um pária mundial. Quem é que não se lembra que esse era o desejo do ex-chanceler olavista Ernesto Araújo? Ele quis e conseguiu.

Foto – Alan Santos/PR

As novas táticas antiaborto da ultradireita da América Latina. Uma investigação em cinco países da região revela que entidades afiliadas à organização norte-americana Heartbeat International usam estratégias que incluem publicidade enganosa, albergues para gestantes e falsas promessas de adoção para convencer mulheres vulneráveis a não interromper a gravidez. (El País)

🇨🇱 Eleições chilenas: candidato da extrema-direita toma a frente e lidera a corrida presidencial (El Comercio)

🇧🇴 Dois casos de aborto entre meninas de 11 e 12 anos sacodem a Bolívia.
(El País / La Razon)

🇵🇪 67% dos peruanos acreditam que a situação econômica piorou (El Comercio)

🇨🇴 Gustavo Petro lidera a disputa pela presidência da Colômbia (WRadio)

🇪🇨 Equador anuncia ampliação da reserva de Galápagos e pede troca da dívida para conservação. (Yahoo Brasil)

🇳🇮Oposição da Nicarágua apresenta documento de ação para que os grupos oposicionistas atuem juntos contra o governo de Daniel Ortega. (La Prensa)

🇳🇮  O que você deve saber das eleições na Nicarágua? (TeleSUR)

🇮🇹  Senado italiano barra lei anti-homofobia.  Senadores rejeitam projeto aprovado pela Câmara que tornaria violência contra pessoas LGBTQI+ um crime de ódio similar ao racismo. Proposta foi alvo de oposição de partidos de direita e do Vaticano. (g1)

🇮🇹  Bolsonaro visita pequena cidade italiana e é recebido com protesto
(Corriere della Sera)

🇬🇧 Na Inglaterra, um em cada quatro jovens de 35 a 54 anos não cumpre o auto-isolamento da Covid-19. (The Guardian)

🇵🇹 Por que a ‘geringonça’ do governo português pode acabar. Coligação informal de esquerda naufraga após seis anos de estabilidade, e pode levar o país europeu a antecipar eleições. (Nexo)

🇵🇱  Polônia se torna o primeiro país expulso do Conselho Judicial da Europa
(Notes From Poland)

🇯🇵  A princesa que largou realeza para se casar com namorado de origem humilde. (BBC)

🇹🇼   Taiwan confirma presença de tropas dos EUA para treinar soldados locais.
(O Estado de S. Paulo)

🇮🇳   Na Índia, o Facebook luta com uma versão ampliada de seus problemas. Documentos internos mostram a luta contra a desinformação, o discurso de ódio e as comemorações da violência no país, maior mercado da empresa. (The New York Times)

🇦🇫 “Talebãs hoje moram na minha casa e dirigem meu carro”: juízas contam como escaparam do Afeganistão. (BBC)

🇦🇫   Homem-bomba ataca hospital em Cabul e deixa ao menos 23 mortos
(The Wall Street Journal)

🇺🇸 Nos EUA, há muito mais apoio do que oposição para a separação entre Igreja e Estado. (Pew Research Center)

🇺🇸 A maioria dos norte-americanos acredita que as eleições são justas, mas existem divisões acentuadas. (NPR)

🇺🇸  Democrata Eric Adams é eleito prefeito de Nova York. Ele será o segundo negro a comandar a cidade. (Reuters)

🇺🇸  Senado  confirma primeira mulher LGBTQ para servir em Tribunal Federal (CNN)

🇪🇹   Etiópia declara estado de emergência. A medida aconteceu depois que os combatentes do Tigrayan afirmaram que capturaram duas cidades estratégicas na região de Amhara e consideraram marchar sobre Addis Abeba, a capital etíope. (Al Jazeera)

#MandaDicas

Escritora, jornalista e documentarista, Eliane Brum faz um mergulho profundo nas múltiplas realidades da maior floresta tropical do planeta. Com quase 35 anos de experiência como repórter, há mais de vinte ela percorre diferentes Amazônias. Em 2017, adotou a floresta como casa ao se mudar de São Paulo para Altamira, epicentro de destruição e uma das mais violentas cidades do Brasil desde que a hidrelétrica de Belo Monte foi implantada. A partir de rigorosa pesquisa, Brum denuncia a escalada de devastação que leva a floresta aceleradamente ao ponto de não retorno. E vai mais além ao refletir sobre o impacto das ações da minoria dominante que levaram o mundo ao colapso climático e à sexta extinção em massa de espécies. Neste percurso às vezes fascinante, às vezes aterrador, a autora cruza com vários seres da floresta e mostra como raça, classe e gênero estão implicados no destino da Amazônia e da Terra. Um livro imprescindível para quem tem a coragem de buscar respostas para o tempo de urgência que vivemos, escrito por quem não teme se arriscar para buscá-las. (Texto – Companhia das Letras)
O ex-juiz federal Sergio Moro se mobiliza para se posicionar como possível candidato ao Palácio do Planalto em 2022. O ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro encerrou o vínculo de trabalho que mantinha com uma consultoria americana, voltou ao Brasil e pretende se filiar ao Podemos em 10 de novembro. O “Durma com essa” desta segunda-feira (1º) fala sobre as perspectivas de Moro, que se mobiliza ao mesmo tempo em que a Lava Jato está desgastada na opinião pública. Pela primeira vez, autoridades do Paraná cumpriram mandados de busca e apreensão ligados aos escândalos na Petrobras sem citar o nome da operação, segundo o jornal Folha de S.Paulo. O programa também traz a redatora Mariana Vick, que fala sobre as metas de corte na emissão de gases do efeito estufa anunciadas pelo Brasil na COP26, o redator Estêvão Bertoni, que detalha o andamento da vacinação de crianças contra a covid no mundo, e o repórter especial João Paulo Charleaux, que comenta a passagem de Jair Bolsonaro pela Itália para a cúpula do G20. (Texto – Nexo)
Cinebiografia de Carlos Marighella, ex-deputado, poeta e guerrilheiro brasileiro que foi assassinado pela ditadura militar em 1969. Adaptação do livro “Marighella – O Guerrilheiro Que Incendiou o Mundo”, de Mário Magalhães. A direção é do ator Wagner Moura, que faz sua estreia na função.  (Texto – Cinemark)

Leituras complementares

O que o episódio Mauricio Souza ensina sobre a campanha 2022. Apoio à demissão de jogador por declaração homofóbica mostra que bolsonarismo perdeu monopólio nas redes sociais. (Veja)

Destaque do Brasil na COP, jovem indígena tem pai perseguido pelo governo Bolsonaro e mãe ameaçada de morte. (Folha de S.Paulo)

Bolsonaro é criticado após visitar área de garimpo ilegal em terra indígena que prometeu anular. (Folha de S.Paulo)

Bolsonaro envergonha evangélico, mas o atrai pela defesa da família, diz antropólogo. (Folha de S.Paulo)

Governo vai pagar R$ 60 milhões para promover “zelo pela democracia” de Bolsonaro no exterior. (O Globo)

TSE cassa mandato de deputado bolsonarista que espalhou fake news sobre urna.
(O Estado de S. Paulo)

Tucanos divergem sobre economia, armas e reeleição. (O Globo)

Exército monitorou redes sociais para identificar detratores de projeto de lei. Exército monitorou cidadãos, parlamentares, jornalistas e influenciadores digitais para identificar e neutralizar detratores de projeto de lei que reestruturou carreira militar. Documento afirma que é preciso “ganhar a narrativa” contra praças e partidos de oposição.
(Correio Braziliense)

Deportação de brasileiros dos EUA dispara e já é mais que o dobro dos últimos três anos somados.  Dados da U.S. Customs and Border Protection apontam que nos últimos 12 meses 56.881 brasileiros foram detidos após cruzarem a pé a fronteira com o México.
(El País)

O que muda no “nova Bolsa Família”. Programa Auxílio Brasil é marcado por benefícios acessórios que, sem orçamento, vão competir com o principal. (revista piauí)

Moradores de prédios emparedados na Cracolândia não conseguem retirar pertences. Famílias reclamam que não foram avisadas antes pela prefeitura que os imóveis seriam lacrados. (SP2)

Na contramão do mundo, Brasil aumentou emissões em plena pandemia. Desmatamento na Amazônia foi principal responsável pela elevação de 9,5% nos gases de efeito estufa verificada em 2020. (Observatório do Clima)

Economia verde para inglês ver. Depois de aumentar em 47% o desmatamento, governo Bolsonaro anuncia às vésperas da conferência do clima – a COP26, na Escócia – que pretende estimular a sustentabilidade, mas não diz como. (revista piauí)

“Os Millennials perceberam que a meritocracia não existe, não importa o quanto você se esforce”. Anne Helen Petersen sabe de quem é a culpa pela epidemia de ‘burnout’ e no seu livro ‘Não aguento mais não aguentar mais’ analisa por que esse grupo social é a geração mais cansada. (El País)

‘Todes’ não pode: governo proíbe uso de linguagem neutra em projetos financiados pela Lei Rouanet. (O Globo)

Ao virar servidora pública, ela descobriu que fazia política desde infância (ECOA UOL)

“Abandonei estudos, fingi ter emprego e escrevi carta de suicídio”: os riscos do vício em games. (BBC)

Na volta às aulas, a ausência dos que tiveram que abandonar os estudos: “Queria ser médica, mas não consegui continuar”.  Falta de computador, de internet e de apoio do Governo afasta estudantes brasileiros pobres da educação, ampliando o fosso da desigualdade. Enem tem o menor número de inscrições desde 2005. (El País)

Facebook muda sua marca para Meta em meio a uma séria crise de reputação. (El País)

#FacebookPapers: o que a maior crise da empresa significa para você. A rede não tem agido para resolver os problemas que ela mesma tem criado, como ampliação de desinformação, danos à saúde mental, polarização política e impulsionamento de discurso de ódio. (Núcleo Jornalismo)

Toda a história do #FacebookPapers (protocol)

Facebook treinou algoritmo para identificar atiradores após massacre. (Olhar Digital)

Como a fórmula do Facebook fomentou a raiva e a desinformação.
(The Washington Post)

Como motéis da ditadura ajudaram mulheres a se libertarem sexualmente (UOL)

Boris Cyrulnik: “Os adolescentes mais afetados pela pandemia terão depressão crônica quando adultos”. (El País)

A violência contra jornalistas e comunicadoras mulheres no Brasil
(Instituto Vladimir Herzog)

O protagonismo de mulheres quilombolas no semiárido para garantir direitos e mitigar efeitos das mudanças climáticas. (Gênero e Número)

Justiça de SP condena hospital a pagar R$ 10 mil a mulher denunciada por autoaborto. (Folha de S.Paulo)

Dois indígenas isolados são mortos a tiros por garimpeiros na Terra Yanomami (g1)

No iFood, restaurantes aparecem com nomes trocados: “Lula ladrão”. Nomes de diversos restaurantes do aplicativo foram trocados para ataques a políticos e frases contra vacina. (Metrópoles)

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A revista brasileira praticamente cortou a cabeça do Trump e colocou a de Moro.

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