#104 – Todo mundo vai sofrer

Final de semana trágico depois da morte da cantora Marília Mendonça, uma das principais vozes da música brasileira. Triste demais ver um talento ir tão cedo – e ainda deixar uma filha de dois anos. É de partir o coração.

Eu não acompanho o cenário sertanejo nem a carreira da Marília, mas sabia da sua importância para as mulheres neste meio tão machista e misógino. Para mim, ela era quase como que uma entidade: eu não a via, mas quando citavam seu nome, já me vinha na cabeça uma baita mulher. Ela era gigante e vai continuar sendo – basta ver o quão chocado o país ficou e as centenas de homenagens de todos os cantos. E não adianta: quem tem ainda um pouco de humanidade no coração, sofre com essa perda. Todo mundo sofre com a rainha da sofrência.

Para as mulheres, a força de Marília pode ser sintetizada nessa sequência de tweets.

🇺🇸 Mães que votaram em Biden explicam porque agora votaram em um republicano na eleição estadual da Virginia (CNN)

🇺🇸  Empresa norte-americana fez experimentos de risco na China com vírus da síndrome respiratória do Oriente Médio. Documentos da EcoHealth Alliance contradizem afirmações anteriores sobre as experiências em Wuhan com o vírus da MERS. (The Intercept Brasil)

🇺🇸 Aproximando-se o prazo para se vacinarem contra a Covid-19, milhares de funcionários federais buscam isenções religiosas para evitar a vacina. (The Washington Post)

🇦🇷 Alberto Fernández: “A recuperação argentina deve ser uma das mais rápidas do mundo”. (El Destape)

🇨🇱 Choque de realidade: o impacto no entorno de Kast, o candidato da extrema-direita chilena, por causa do súbito crescimento na reta final das eleições presidenciais
(La Tercera)

🇨🇱 A duas semanas de eleição, avanço de líder da ultradireita no Chile anima seus pares na América Latina. (O Globo)

🇵🇪 Os primeiros 100 dias de Pedro Castillo, presidente do Peru. Veja como está a economia, trabalho, educação e saúde. (El Comercio)

🇧🇴  Deputados bolivianos alertam sobre mobilizações golpistas. (Prensa Latina)

🇳🇮 Nicarágua vai às urnas com a oposição a Ortega presa ou em exílio. O enviado do jornal percorreu a capital Manágua em meio a eleições com vencedor definido, em que os principais opositores estão presos ou exilados. As ruas da capital vivem entre o medo e a indiferença à investida repressora do líder sandinista. (El País)

🇨🇴 Comissão de Justiça e Paz denuncia massacre na Colômbia. (TeleSUR)

🇻🇪 A repulsa contra a Venezuela está alimentando a extrema-direita na América Latina. (The Economist)

🇨🇺 Parlamento cubano condena ‘conteúdo ingerencionista’ de resolução do Congresso dos EUA contra Cuba. (Brasil247)

🇵🇱  Três quartos dos poloneses querem que a lei sobre o aborto seja amenizada em meio a protestos contra a morte de uma mulher grávida. (Notes from Poland)

🇧🇾 Belarus tem muitos amigos e não aceita interferência do Ocidente, diz novo embaixador no Brasil. (Folha de S.Paulo)

🇷🇺  Morre em Berlim um suposto espião do Kremlin depois de cair do prédio da embaixada russa. O homem, de 35 anos, filho de um alto funcionário dos serviços secretos russos, estava credenciado como diplomata. Foi encontrado na calçada em frente ao prédio.
(El País)

🇸🇩 Manifestantes no Sudão anunciam greves e rejeitam divisão de poder com o Exército. (Al Jazeera)

🇪🇹  Na Etiópia, rebeldes estão se aproximando da capital. (NPR)

🇱🇾  Líbia vai abrir registros para os candidatos da próxima eleição presidencial (Anadolu)

🇮🇶 No Iraque, há o medo de uma maior instabilidade depois do ataque na residência do Primeiro-ministro (The New York Times)

🇮🇷  Ameaça ao Irã é contra os interesses dos EUA. (The National Interest)

🇬🇷 Gregos anti-vacina pagam 400 euros para médicos aplicarem água ao invés da vacina e terem assim acesso aos locais. Mas os médicos estão pegando o dinheiro e aplicando a vacina contra a Covid-19. (Keep Talking Greece)

Oposições na Europa apostam em frentes amplas para derrotar extrema-direita (UOL)

#MandaDicas

Livrásso que devorei em 2 dias. Cecília é o oposto do que se imagina de uma pediatra – uma mulher sem espírito maternal, pouco apreço por crianças e zero paciência para os pais e mães que as acompanham. Porém a medicina era um caminho natural para ela, que seguiu os passos do pai. Apesar de sua frieza com os pacientes, ela tem um consultório bem-sucedido, mas aos poucos se vê perdendo lugar para um pediatra humanista, que trabalha com doulas, parteiras e acompanha até partos domiciliares. Mesmo a obstetra cesarista com quem Cecília sempre colaborou agora parece preferi-lo. Ela fará, então, um mergulho investigativo na vida das mulheres que seguem o caminho do parto natural e da medicina alternativa, práticas que despreza profundamente. Em paralelo, vive uma relação com um homem casado, de cujo filho ela acompanhou o nascimento como neonatologista. E é esse menino que irá despertar sentimentos nunca antes experimentados pela pediatra. (Texto – Companhia das Letras)
Em seu romance de estreia, finalista do Booker Prize de 2020, Brandon Taylor narra um final de semana de um jovem negro e queer que saiu do Alabama para estudar com uma prestigiosa bolsa de estudos. Wallace perdeu o pai há semanas e nenhum de seus amigos da pós-graduação sabe disso. Sem história e identidade como só aqueles que rejeitam o próprio passado podem viver, ele mal se move pelos laboratórios da universidade, onde faz experimentos com criaturas microscópicas, e sente-se incapaz de criar vínculos com os colegas. Desde que recebeu uma bolsa, Wallace enxerga nos estudos a oportunidade de escapar do ciclo de pobreza e violência de sua família. No entanto, na universidade, as pessoas mais próximas são também aquelas que mais lhe dão ódio e tédio. Ele não entende quando Emma, uma das poucas amigas, se emociona ao saber da morte de seu pai e quando os colegas o abordam com condolências, pressupondo um sofrimento que ele próprio acredita não sentir. O luto, no entanto, desencadeia um desconforto novo em Wallace — como se a infelicidade fosse expurgada por uma força interna incontrolável, prestes a romper tudo o que foi conquistado. Mundo real é escrito a partir do olhar de um personagem que, dessensibilizado pela dor, julga-se frio, avesso à vida, ainda que seja profundamente sensível. Ao abordar temas que precisam ser articulados dentro e fora da literatura — violência sexual, racismo, homofobia, machismo, transtornos psicológicos, complexidades da vida acadêmica —, Brandon Taylor cria um romance de alta beleza formal, num estilo delicado e sutil, que sugere e emociona. (Texto – Fósforo Editora)
Punks, skins e socialistas – as virtudes e contradições dos movimentos de juventude dos anos 80. O processo de redemocratização do Brasil, Desmond Dekker, as greves operárias do ABC no fim dos anos 70, a convergência estético-política da origem operária dos punks e skinheads, as contradições e as virtudes que compõem a prática de cada um, a fundação do PT, a coletânea Strenght Thru Oi!, a retomada das mobilizações dos movimentos sociais, Redskins… os que moram do outro lado do muro nunca vão saber o que se passa no subúrbio.
(Texto – Balanço e Fúria)

Leituras complementares

Entenda como os ricos ficaram mais ricos na pandemia. (Folha de S.Paulo)

Campanha para nota de R$ 200 foi mais cara do que para divulgar prevenção contra Covid-19. (O Globo)

Exército alterou status militar de Bolsonaro para viabilizar matrícula de filha.
(Congresso em Foco)

Para presidente de associação do agronegócio, 3ª via não deve ter pressa: “Esse campo vai afunilar”. (Estadão)

Mercado dos disparos em massa resiste ao cerco do TSE e do Congresso e segue ofertado a preços acessíveis. (O Globo)
Indígenas assumem protagonismo na COP26 e irritam o governo. Povos indígenas mandaram para Glasgow sua maior delegação da história em conferências da ONU e atraem atenção do mundo para suas críticas. (Metrópoles)
 Irmã do ministro do Meio Ambiente é sócia da Glock, que vende armas para o governo federal. Desde 2019, empresa recebeu mais de R$ 43 milhões em pagamentos do Executivo e assinou diversos contratos sem exigência de licitação. (Agência Pública)
Pandemia elevou em quase 50% o número de crianças não alfabetizadas nas escolas públicas. (O Globo)

A noite que nunca terminou. O calvário do caso Mari Ferrer (revista piauí)

Gordofobia não perdoou Marília Mendonça nem no dia de sua morte. (Folha de S.Paulo)

Sem perder a ternura. Como a cantora e compositora goiana Marília Mendonça revolucionou a música popular brasileira. (UOL)

Brasil tem a pior política de drogas do mundo, aponta relatório internacional. País ficou no último lugar no Índice Global de Políticas de Drogas, da Harm Reduction Consortium. Estudo aponta que, quanto mais desigual um país, pior sua política de drogas.
(Ponte Jornalismo)

São Paulo, a ressurreição do grafite. Quem o pinta, quem o paga, quem o apaga. Na metrópole mais populosa e rica da América Latina, os murais de rua ganharam uma batalha política e cultural pelo espaço público. Agora, a luta é para que uma arte que nasceu rebelde não se transforme em uma ferramenta do mercado. (El País)

Duas crianças da Cidade de Deus são aprovadas na Escola do Teatro Bolshoi (UOL)

Geração da ‘audição ansiosa’ faz músicas ficarem menores e mais ‘objetivas’. (Estadão)

Top 10 tweets de políticos em 2020/2021. (Núcleo Jornalismo)

#TabelaDaSemana

Valores empenhados nos dias 28 e 29/10 (quinta e sexta) antes da votação da PEC dos Precatórios. Quase R$ 3 bilhões para os deputados votarem junto com o governo federal. (via @gil_branco)

#CapasDaSemana