#106 – Quem é o presidente do Brasil?

A recente excursão do ex-presidente Lula à Europa trouxe alguns questionamentos. A começar pelo fato de que estamos órfãos de uma liderança de respeito e que tenha, no mínimo, o porte de um chefe de Estado. Lula foi ovacionado no Parlamento Europeu, teve recepções estadistas na França e Espanha onde se encontrou com o presidente francês Emmanuel Macron e o presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, se reuniu com o ex-presidente da França, François Hollande, além de outros eventos. Lula fez o que todo presidente deveria fazer, mas que o nosso só faz o oposto: coloca o Brasil para passar vergonha mundial.

Outro ponto é: por que Bolsonaro é tão pífio e, mesmo assim, parte da população ainda o apoia para que ele tenha possibilidade de reeleição? Não estou falando de partidos, apoios ou candidaturas. Estou falando dos cidadãos que ainda estão ao lado do presidente mesmo com este governo vergonhoso e assassino. Confesso não ter uma resposta clara e direta, mas acredito que tenhamos algumas possibilidades de respostas.

A começar pelo alinhamento cultural, ideológico e de vida com o presidente. Ou seja: são pessoas que comungam do pensamento de Bolsonaro. Simples assim. São cidadãos que acham que tudo é mimimi, que xingam as feministas, que não gostam dos negros, que acham que bandido tem que ser morto (isso se ele for da periferia porque, se for filho do presidente envolvido em rachadinha, ai veja bem) e por ai.

Depois pela alucinação criada contra a esquerda. A volta do PT, o medo do comunismo e todas essas baboseiras criadas ainda empesteiam o imaginário de parte da população brasileira. Anota ai: eles vão usar muito isso na eleição do ano que vem – unido a questão da esquerda com as pautas conservadoras para assustar as pessoas de classe baixa. (deve voltar mamadeira de piroca, kit gay e tudo mais…)

O Brasil está largado as traças. O presidente só fala para sua turma com o objetivo de segurar essa galera e tentar chegar num segundo turno em 2022. Bolsonaro ainda vai comprando o Congresso para se segurar no poder e vai barganhando para, enfim, decidir qual partido será seu. No meio de tudo isso, temos uma país destruído em todos os seus campos. Basta andar nas ruas e ver o que está acontecendo. A grande questão é: quem é que manda no Brasil? Quem governa isso tudo? Porque Bolsonaro não é – e o caminho está mais que aberto para não ser em 2022.

🇻🇪 Venezuelanos participam de votação para eleger 3.082 cargos municipais e regionais (TeleSUR)

🇨🇴 Na Colômbia, a Corte Constitucional adia decisão sobre a despenalização do aborto. (Portafolio)

🇧🇴 Governo boliviano derruba a “ley madre” que causou os maiores protestos desde a saúda de Evo Morales em 2019. (BBC)

🇭🇳 Há uma semana das eleições presidenciais em Honduras, o clima é de incerteza, contro e ódio (La Prensa)

🇳🇮 Nem Covid nem oposição nem eleição. Na Nicarágua, regime de Ortega criou leis para prender opositores e demitiu médicos que criticaram gestão ineficiente do governo na pandemia. (revista piauí)

🇸🇻 Autoritarismo versão millennial. Um presidente da nova geração de autocratas aos poucos mina o regime democrático em El Salvador. (revista piauí

🇨🇷 “Operação dimante”: o caso anti-corrupção que levou a prisão do prefeito de San José, capital da Costa Rica. (BBC)

🇭🇹 Suspeito de participar do assassinato do presidente do Haiti é preso. (Metrópoles)

🇲🇽 Reggaeton, o bode expiatório da violência no México. Jornal fez um passeio noturno pela cidade de Cuernavaca, palco de uma onda de assassinatos. A associação de bares e discotecas propõe que o gênero musical seja proibido como medida preventiva. (El País)

🇨🇺 Yunior García, opositor cubano, deixa a ilha depois de protestos anti-governo serem fracassados. (DW)

🇺🇸 Em Dallas, o programa de saúde para crianças transexuais mudou para ser mais “privado e isolado” depois de se tornar alvo de críticas dos conservadores.
(Texas Tribune)

🇺🇸  Caso Kyle Rittenhouse: Jovem branco que matou dois em ato antirracista é absolvido nos EUA. (O Estado de S. Paulo)

🇦🇹 Milhares de austríacos protestaram contra as restrições da Covid. (The Guardian)

🇵🇹 Portugal, o país mais vacinado contra a Covid-19 na União Europeia, retoma restrições contra a Covid-19. Presidente da República vai adiar a dissolução do Parlamento para permitir a aprovação de medidas de contenção dos contágios, que estão aumentando, apesar de o país ter 86,5% da população com o esquema de imunizações completo. (El País)

🇧🇬 O presidente da Bulgária, Rumen Radev, está caminhando para uma reeleição confortável, de acordo com as pesquisas recentes. (Al Jazeera)

🇨🇩 A busca pelo cobalto do Congo, vital para veículos elétricos e para o esforço mundial contra a mudança climática, está presa em um ciclo internacional de exploração, ganância e espírito esportivo. (The New York Times)

🇸🇩 Premiê do Sudão é solto e reassume o cargo quase 1 mês após golpe militar. General Abdel Fattah al Burhan, que comandou o golpe, assinou acordo com Abdallah Hamdok, primeiro-ministro que estava preso, para reestabelecer processo de transição para governo civil. (g1)

🇨🇳 Peng Shuai conversa com presidente do COI em meio a dúvidas sobre seu paradeiro. A tenista chinesa acusou Zhang Gaoli, ex-vice-premiê da China, de assédio sexual. (Folha de S.Paulo)

#MandaDicas

Uma mulher que precisa de cirurgia para tratar um câncer, mas foi rejeitada nos hospitais por não ter documentos. Outra que, à procura de sua certidão de nascimento, encontra a irmã de quem fora separada havia mais de vinte anos. Histórias assim emergem desta etnografia ao mesmo tempo avassaladora e delicada, que mergulha no cotidiano de exclusão de brasileiros indocumentados, ilegíveis pelo Estado, invisíveis em seu próprio país. O livro narra como a certidão de nascimento se torna um passo imprescindível no longo caminho da cidadania. (Texto – Editora FGV)
Falero nos leva direto ao supermercado Fênix, na região central de Porto Alegre. É ali que trabalham Pedro e Marques, dupla que aos poucos veste a carapuça de um Dom Quixote e de um Sancho Pança amotinados. Moradores de “vila” (a favela no Sul), eles invertem o jogo mesmo que as consequências sejam graves. Os dois conhecem pessoas que traficam na periferia onde moram, por isso insistem em se manter na legalidade. Mas, diante de uma “seca” de maconha devido ao desinteresse dos traficantes em comercializá-la, e já cansados da exploração do trabalho, os dois amigos decidem entrar para o tráfico. É a única opção para melhorar de vida. E também uma recusa à desumanização do trabalho assalariado. (Texto – Todavia)
E quem é Meryl Streep? é um romance desafiador do polêmico autor libanês, Rachid Al-Daif. Como em outros livros seus, ele batiza o protagonista e narrador do romance com seu próprio nome. Rachid, o personagem, é um libanês recém-casado que se vê ameaçado pela ideia da emancipação feminina. Ao se dar conta de que sua esposa usa a presença da TV na casa dos pais como desculpa para ficar longe de casa, Rachid compra uma televisão na esperança de atraí-la, mas à medida que o laço frágil que une o casal se desintegra, a televisão passa a ocupar um lugar cada vez maior na sua vida. Numa cena crucial, ele se vê sozinho assistindo ao filme Kramer versus Kramer. Na ausência de legendas, Rachid se esforça para entender o que se passa no filme e projeta o comportamento de sua esposa na personagem vivida por Meryl Streep, que ao mesmo tempo que o cativa, também o apavora por representar um esforço de libertação das mulheres que ele considera inaceitável. Rachid Al-Daif constrói um personagem reacionário, por vezes repulsivo, e não tem medo de mergulhar na mente desse indivíduo e descrever nua e cruamente sua mentalidade, inclusive sua vida sexual, real ou imaginada. O livro foi considerado pornográfico no mundo árabe e obteve um enorme sucesso tanto no idioma original, como em outros idiomas. (Texto – Editora Tabla)
Neste livro, todas as vozes vêm das ruas, trazendo consigo a potência política dos combates verdadeiros. Das periferias, dos territórios espoliados, das vidas precárias, dos sem-teto e sem-aposentadoria. São as vozes dos transgressores, daqueles que conscientemente querem escapar ao controle neoliberal e, para isso, confeccionam uma nova historicidade solidária que alimenta a luta coletiva. São os criadores de uma “poética da rebelião”, artífices da disputa pelo poder que se expressa com simbolismo nas palavras dos muros, nas performances feministas, nos murais, na derrubada dos monumentos, em cada palmo dos territórios convertidos ao utilitarismo do capital. Esta obra oferece ao leitor brasileiro dezesseis capítulos de autoria individual e dois de autoria coletiva, que apontam as múltiplas dimensões de uma grande transformação. Uma polifonia orientada a um mesmo horizonte histórico da recomposição do comum. Por isso, Chile em chamas é um retrato representativo da diversidade e da inteligência plural do novo sujeito popular que se formou no país. […] O poder destituinte das ruas aponta uma dialética das lutas revolucionárias, nas quais destruir o poder vigente do neoliberalismo em seu berço demanda simultaneamente forjar os novos sentidos solidários para a vida popular e recriar a estratégia anticapitalista no calor da luta: destituir e constituir, como parte dos mesmos gestos políticos. O modelo chileno está virando do avesso. Agora somos nós, os precários do Brasil e da América Latina, que podemos aprender com o Chile. Chile em chamas: a revolta antineoliberal é um pequeno passo para essa longa aprendizagem. (Texto – Elefante Editora)

Leituras complementares

“Tenho que voltar para recuperar o prestígio do Brasil, e que o povo coma três vezes por dia”. Ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, em turnê pela Europa, afirma que seu país pode voltar ao cenário internacional a partir das eleições do próximo ano.
(El País)

Prestígio internacional de Lula contrasta com a falta de relevância de Bolsonaro. Enquanto o petista visitou líderes europeus, o presidente prestigiou regimes autoritários de governos ultraconservadores. (Carta Capital)

Ex-aliado diz que deputados receberam R$ 10 mi em emendas por apoio a eleição de Eduardo Lira (PP-AL). (Folha de S.Paulo)

Com foco na ‘geração Z’, congresso do MBL ‘elege’ moro como líder da 3ª via.
(Carta Capital)

Moro diz que já ‘conversa’ com outros nomes da terceira via por união nas eleições.
(O Estado de S. Paulo)

Facebook Papers: grupo monopolizou conteúdo nas eleições brasileiras de 2018. (O Estado de S. Paulo)

‘Fora Bolsonaro Racista’: movimentos marcham no Dia da Consciência Negra.
(Ponte Jornalismo)

Opacidade fardada. Tiro, porrada e processo disciplinar: como o governo Bolsonaro usa caminhos antijurídicos para restringir o acesso à informação no Brasil. (revista piauí)

Brasil aparece na ‘lanterna’ de crescimento econômico entre países emergentes.
(O Estado de S. Paulo)

Para 59%, imagem do Brasil no exterior piorou nos últimos meses. Só 20% avaliam que houve melhora. A maioria (57%) acha que Bolsonaro tem imagem ruim fora do país. (Poder360)

Desmatamento na Amazônia tem a maior taxa em 15 anos. (BBC Brasil)

Invasões, incêndios e ameaças de morte: indígenas vivem onda de ataques após COP26. (El País)

O abuso de antibióticos na pandemia aumentou a resistência anti-micróbios.
(El Ojo Publico)

41 países proíbem grupos religiosos. (Pew Research Center)

Prováveis marqueteiros dos presidenciáveis: Sidônio com Lula, Vieira com Moro; saiba quem está com quem. (Poder360)

Bayern corta salário de jogadores que se recusam a se vacinar contra a Covid-19. Pelo menos Kimmich, Gnabry, Musiala, Cuisance e Choupo-Moting aumentam a lista dos que permanecem fora, por quarentena, e o clube da Baviera tira mais de um milhão de euros deles. (El País)

Enem 2021 tem questões sociais e aborda temas políticos de forma indireta. (UOL)

#FotoDaSemana

O piloto Lewis Hamilton venceu o GP do Catar usando um capacete com as cores da bandeira LGBTQIA+. O governo catari é conhecido pela perseguição aos direitos humanos e pelo país ter pena de morte para essa população.