#110 – Feliz Natal!

Antes de começarmos a falar das notícias, queria agradecer a você por estar aqui e te desejar um Feliz Natal. Fico muito feliz de você estar mais um ano por aqui e espero que continuemos juntos em 2022 – um ano extremamente importante para o nosso país.

Espero que você goste dos conteúdos – faço tudo com muito amor e carinho. É um projeto que gosto demais e que espero aumentar e evoluir cada vez mais. Te convido a enviar este e-mail para mais pessoas e peça para elas se cadastrarem para receber a nossa newsletter. Basta acessar o site margem.jor.br e deixar o e-mail.

Neste domingo, os chilenos escolheram o novo presidente do país: Gabriel Boric de 35 anos, o líder mais novo de todo o planeta. A vitória da esquerda é um marco tanto para o Chile quanto para a América Latina. 

Para o país, a chegada de Boric é resultado de anos e anos de protestos sociais que começaram em 2011 e se intensificaram nos últimos anos – Boric esteve nas ruas contra o então presidente Sebastián Piñera. A mobilização popular também foi a responsável por conseguir a Constituinte que está escrevendo a nova carta do país que caberá a Boric colocar em vigor.

Boric é considerado uma nova esquerda latino-americana. Ele está mais para Boulos do que para Lula, por exemplo, e para você ter uma ideia de quem é o chileno. Ele é fruto da geração progressista do petista e de outros líderes como Evo Morales, Pepe Mujica, Hugo Chávez, Néstor Kichner, entre outros. Essa geração da esquerda que pintou o continente de vermelho agora dá lugar para uma nova turma – pelo menos no Chile.

A vitória de Boric pode influenciar toda a América Latina. Teremos eleições presidenciais no Brasil em 2022, por exemplo. Na Argentina, o governo de Alberto Fernández e sua vice Cristina Kirchner passa por problemas, mas tende a se unir. No Peru, Pedro Castillo ganhou e coloca a esquerda no poder. Em Honduras, Xiomara Castro é a primeira mulher presidente do país e colocou a esquerda no governo. A onda de Boric ainda pode mexer em países com governos mais de centro-direita como Paraguai e Uruguai. Será que teremos uma nova onda progressista na América Latina?

Por outro lado, a vitória de Boric freia uma guinada da extrema-direita no Chile. O legado da ditadura de Pinochet é bem forte no país e isso deu força para a candidatura de extrema-direita por lá. Mas não podemos achar que tudo está vencido. Antonio Kast teve uma votação considerável e sai com força política. E não devemos achar que é um fato isolado: Bolsonaro ainda tem força no Brasil, a extrema-direita cresce na Argentina com o nome de Javier Milei, há forte oposição tanto na Bolívia quanto no Peru… O extremismo está vivo e precisa ser olhado.

Lula termina o ano liderando a corrida presidencial

Diversas pesquisas eleitorais foram divulgadas nos últimos dias e todas mostram o mesmo cenário: o ex-presidente Lula liderando e com chances reais de levar a presidência já no 1º turno. Veremos os números da Genial Quest.

Segundo os números da pesquisa, 46% das pessoas querem que Lula vença em 2022 – a mesma quantidade do levantamento feito em novembro deste ano. E 24% querem que Bolsonaro vença, 2% acima da pesquisa anterior. Outros 24% preferem que “nem Bolsonaro nem Lula” vençam, 1% a menos em relação a novembro e 5% abaixo da pesquisa de outubro. Ao que tudo indica, os eleitores estão caminhando, definitivamente, para Lula ou Bolsonaro e a dita terceira via vem perdendo força.

De maneira espontânea (sem a divulgação dos nomes), 54% se diz indeciso, 6% acima do índice de novembro. 23% apontaram o nome de Lula, recuo de 6% em relação a pesquisa anterior, e 15% disseram Bolsonaro, 1% atrás.

Quando os nomes foram apresentados, o ex-presidente Lula lidera em todos os cenários, seguido com Bolsonaro, que tem cerca de metade das intenções de voto do petista.

Em um possível segundo turno, Lula também venceria em todos os cenários.
A disputa mais “fácil” seria contra o Rodrigo Pacheco, presidente do Senado: 57% contra 14%, respectivamente. O embate com menor diferença de votos seria com o atual presidente: 55% contra 31%, respectivamente.

Um dado interessante é que a maior quantidade de branco/nulo/não votaria aconteceria numa disputa entra Bolsonaro e Sérgio Moro: 30%.

Sem Lula no 2º turno, Bolsonaro ainda perderia para Moro e para Ciro Gomes.

A pesquisa analisou o conhecimento das pessoas sobre os candidatos e se elas votariam ou não neles.

O presidente Bolsonaro é o mais rejeitado: 64% disse que conhece e não votaria. Depois aparece o ex-ministro Sergio Moro com 61% e o governador de São Paulo João Doria (59%). Lula, por exemplo, tem 43%.

O petista é quem mais as pessoas conhecem e votariam: 36%. Vem na sequência o presidente Bolsonaro (17%) e Moro (6%).

Foram apresentados números sobre os problemas do Brasil e as percepções das pessoas sobre o momento do país.

A economia continua sendo apontada como o principal problema, mas caiu 7% de novembro para agora. Por outro lado. Por outro lado, subiu 2% a questão de saúde/pandemia (um medo talvez da nova variante). E, de outubro para agora, subiu 4% os problemas ligados as questões sociais. Ao que tudo indica, o brasileiro está bem preocupado com o crescimento da pobreza, principalmente.

Quando foram analisados apenas os fatores econômicos, houve uma troca de posições como o principal problema: caiu de 23% para 14% o crescimento econômico e subiu de 14% para 18% o desemprego. Ao que tudo indica, o brasileiro está mais atento ao seu dia a dia na busca de um emprego do que no ambiente macroeconômico do país.

Nas questões sociais, disparou a preocupação com a fome miséria: era 5% em agosto, subiu para 7% em outubro, foi para 10% em novembro e agora já está em 11%.

A pesquisa ainda trouxe a avaliação dos brasileiros sobre o governo Bolsonaro.

O interessante é que caiu a avaliação negativa e subiram as que acham regular e positiva. A grande questão é por quê? Será que é por causa da filiação do presidente a um partido do Centrão e, com isso, mais gente acha que ele vai se policiar e ser mais polido? Não sei. Será que é porque menos pessoas estão morrendo pela Covid-19 e, por consequência, o ganho vai para Bolsonaro? Será que é porque ele reduziu as suas falas absurdas? Não sei.

Podemos ver que a avaliação negativa despencou em várias regiões, locais esses onde esse pensamento vinha crescendo consideravelmente desde setembro. Caso do Centro-Oeste, onde a avaliação negativa subiu de 36% em setembro para 54% em novembro e agora caiu para 44%. O mesmo aconteceu no Norte: de 37% em setembro para 59% em novembro e agora para 50%. Caso igual no Sul: de 37% em setembro para 54% em novembro e agora para 40%.

Tal fenômeno da queda negativa aconteceu também quando vemos por sexo, renda familiar, escolaridade, faixa etária e religião. 

Alguns pensamentos sobre tudo isso acima:

1 – Parece ter dado certa a estratégia de Bolsonaro de abaixar o termômetro dos seus ataques e parecer ser um cara mais democrático, ainda mais depois que ele se filiou ao PL, partido do Centrão (grupo político que os bolsonaristas tanto criticaram, inclusive o presidente).

2 – Essa cara mais mansa de Bolsonaro pode dispersar seu núcleo duro radicalizado que gira em torno de 10%/15%. É a sua tropa de choque que perde intervenção militar e fechamento do Congresso, por exemplo. Eles querem ver o presidente rugindo contra a democracia e a esquerda e estão tendo que se virar para engolir e explicar a adesão do presidente ao PL. Essa turma é o Bolsonarismo que sobrevive sem o Bolsonaro. A questão que fica é: eles vão junto com o presidente e o Centrão, seja nacionalmente ou estadualmente, ou vão criar um novo nome para 2022?

3 – Lula é o nome e o único que pode derrotar Bolsonaro. Fim.

4 – A terceira via, como eu sempre disse, não existe e não vem decolando. Neste vácuo, o ex-presidente Lula tem tentado ser o cara do centro democrático – tanto é que mantém conversas com o ex-governador Geraldo Alckmin para uma possível chapa presidencial. 

Gabriel Boric vence a presidência do Chile e a esquerda vai comandar o país

Como já disse no começo, o Chile terá um novo presidente.
Analisei os dados de como votaram as várias regiões do país e falo deles agora.

1 – Boric venceu em duas regiões onde venceram outros candidatos que não eram nem ele nem Antonio Kast.
Em Antofagasta, a vitória no primeiro turno foi de Franco Parisi com 33,9%, seguido por Kast (21%) e Boric em terceiro com 20,6%. Agora, no segundo turno, Boric levou com quase 60% dos votos. 

No Atacama, a vitória no primeiro turno ficou com Yasna Provoste com 25,9% – Boric ficou em terceiro com 19,2%. Neste segundo turno, o candidato vencedor teve 50,6% e Kast apareceu com 49,4%, uma diferença de pouco mais de 1,1 mil votos.

2 – Boric virou a derrota do primeiro turno e venceu no segundo
Isso aconteceu em várias regiões: Arica Y Parinacota, O’Higgnins, Los Ríos, Los Lagos e Aysén. Em O’Higgnins, por exemplo, a diferença entre Kast e Boric no primeiro turno foi de apenas 1,2% e agora, no segundo turno, Boric venceu por mais de 15%. Em Aysén, no primeiro turno, Kast ganhou por 4,5% – agora Boric levou por 13%. 

🇫🇷 Futebol francês tenta entender razões para onda de violência nos estádios.
(Folha de S.Paulo)

🇨🇱 Boric, presidente eleito do Chile, foi roqueiro frustrado e logo despontou no ativismo estudantil. (Folha de S.Paulo)

🇨🇱 Kast perdeu, mas está consolidado como representante da ultradireita no Chile. 
(Folha de S.Paulo)

🇵🇪 Justiça abre processo contra Alberto Fujimori pelas esterilizações forçadas no Peru nos anos 90. (El País)

🇸🇻 Presidente de El Salvador acusa os EUA de financiar “movimentos comunistas” em seu país. (Página12)

🇵🇦 Filho de ex-presidente do Panamá confessa ser culpado de lavagem de dinheiro. (AP)

🇸🇩 Milhares de pessoas marcharam até o palácio presidencial na capital do Sudão para rejeitar a tomada militar de 25 de outubro. (Al Jazeera)

🇱🇰 Sri Lanka prende 55 pescadores indianos e cria tensão entre os países. (The Hindu)

🇮🇳 O que está por trás de onda de suicídios de donas de casa na Índia. (UOL)

🇨🇳 Zhou Peng: a morte de jovem ‘afeminado’ na China em meio a cruzada do país por homens ‘mais viris’ (UOL)

#MandaDicas

Embora a origem do feminismo muitas vezes se restrinja à narrativa de “ondas”, protagonizadas por um grupo restrito de mulheres, o movimento foi e continua a ser global. Amparada por uma sólida pesquisa, a historiadora Lucy Delap parte de oito grandes temas – sonhos, ideias, espaços, objetos, visuais, sentimentos, ações e canções – para examinar as diferentes formas pelas quais mulheres se mobilizaram pela igualdade de gênero ao redor do mundo. Abrangendo uma gama ampla de revoluções, religiões, impérios e lutas anticoloniais, Feminismos esmiúça as complexidades do movimento, sem deixar de lado o paradoxo central de que as feministas também praticaram as próprias exclusões, ouvindo determinadas vozes e silenciando outras. Ao jogar luz sobre esses episódios e figuras, Delap nos mostra como conhecer o passado pode ajudar a direcionar o futuro desta luta. (Texto – Companhia das Letras)
Tom Zé, o último tropicalista, escrito pelo jornalista italiano e pesquisador de música brasileira, Pietro Scaramuzzo, trata-se da primeira biografia oficial deste seminal músico brasileiro. O autor percorre a trajetória de vida e da obra de Tom Zé, desde seu nascimento em Irará, em 1936, até o lançamento do álbum Sem você não A, de 2017, passando pelo seu período de ostracismo nos anos 1970 e 1980, e por sua redescoberta por público e crítica nos anos 1990. Além de cronologia, discografia e vasta quantidade de fotos do cantor, o volume conta ainda com um texto introdutório do próprio Tom Zé e com um prefácio do ex-líder dos Talking Heads, David Byrne, um dos grandes responsáveis pela carreira internacional do brasileiro. (Texto – Amazon Brasil)
Giovana Xavier, autora de “História social da beleza negra”, e Kiusam de Oliveira, autora de “Tayó em quadrinhos”, entre outros livros voltados para público infantojuvenil, falam de como a beleza e a autoestima são usadas para o fortalecimento da identidade negra, da indústria de cosméticos e do resgate de histórias de pessoas negras que foram invisibilizadas. (Texto – 451 MHz)

Leituras complementares

Datafolha: Lula é melhor presidente da história para 51%, e Bolsonaro, o pior para 48%. (Folha de S.Paulo)

Chapa Lula-Alckmin seria uma revolução republicana. (Folha de S.Paulo)

O primeiro encontro de Lula e Alckmin. (Metrópoles)

PT decide abrir oficialmente conversas sobre federação de esquerda. (Poder360)

Para eleitores, Lula defende pobres, e Bolsonaro se guia pela religião. (Folha de S.Paulo)

João Doria tem reprovação de 38% e aprovação de 24% em São Paulo. (CNN)

Alckmin, Haddad e França lideram disputa para o Governo de São Paulo.
(Folha de S.Paulo)

Orçamento secreto: levantamento mostra repasses a 290 parlamentares, a maioria aliada de Bolsonaro. (O Globo)

Radicais amenizam o tom e anunciam que pretendem disputar cargos eletivos. Depois de ataques contra as instituições, nomes da ala mais extremada do bolsonarismo se filiam a partidos políticos de olho em 2022. (Veja)

Cresce número de brasileiros fora do País; classe média foge da crise e da violência.
(O Estado de S. Paulo)

Em meio a pedido de falência, dono da Itapemirim abre empresa de R$ 6 bilhões no Reino Unido. (Congresso em Foco)

Covid matou mais crianças no país que doenças com vacina em 15 anos. (UOL)

Insegurança alimentar aumenta e crianças dependem de merenda. (Agência Mural)

Pantanal está em risco por danos dos incêndios de 2020 e 3º ano de seca.
(Folha de S.Paulo)

Cientistas do Brasil que você precisa conhecer. Em vídeos, entrevistas e podcasts, o Nexo apresenta a história de pesquisadores do passado e o trabalho e a trajetória de profissionais que estão em atuação. (Nexo)

“Você aguenta, você é forte”. Quatro histórias de violência obstétrica no intervalo de oito anos, que teria sido cometida pelo mesmo médico; vítima mobiliza mulheres para uma ação coletiva. (Agência Pública)

Militar da Marinha é condenado por assédio sexual contra aluna-sargento.
(Ponte Jornalismo)

Gabriela Prioli rejeita rótulos: ‘A habilidade do futuro é se reinventar’. (UOL SPLASH)

Pablo Escobar: imagens inéditas do traficante. El Chino, seu fotógrafo pessoal, foi a sombra do bandido durante sua guerra contra o Estado colombiano. (El País)

Entenda por que o Nubank é mais valioso do que o Itaú.
(Pequenas Empregas Grandes Negócios)

O limbo dos pardos e o desafio de definir quem é negro. Cancelamento do curso de medicina de uma estudante prestes a se formar expõe um impasse ao estabelecer uma negritude e o enorme racismo que dificulta o trabalho de comissões de heteroidentificação. (The Intercept Brasil)

Facebook lucrou com anúncio da Brasil Paralelo que associa Simone de Beauvoir à pedofilia. A produtora é a maior anunciante de posts sociais e políticos, o que talvez explique o fato do Facebook dizer que o anúncio não viola suas políticas. (The Intercept)

Formado em medicina, filho de cortador de cana diz o que vai fazer com o primeiro salário de médico: ‘Tirar o meu pai do corte de cana’. (g1)

#FotosDaSemana

Foto – Ricardo Stuckert
Carla Vieira, de 20 anos, é moradora do Turano, na Zona Norte do Rio, e registrou quando os jovens Ruan, Isaque, Weverton e Natan, além da cadelinha Bela, uma pitbull de 1 ano e 7 meses, tomavam banho de chuva. Clique aqui e entenda mais sobre a imagem.