#112 – Oi 2022!

Ano fundamental para o Brasil – e para o futuro do país. Já vale lembrar, de cara, que fazemos 200 anos da independência, marco bem importante. Mas falo outro assunto.

Em outubro, teremos eleições presidenciais e o ano começa com o seguinte cenário: o ex-presidente Lula (PT) lidera todas as pesquisas e tem chances de já levar no 1º turno. Em 2º aparece Jair Bolsonaro (PL) com uma distância considerável do petista. Depois vem o ex-ministro Sérgio Moro (Podemos) tentando ainda ganhar fôlego e se cristalizar como a terceira via do “nem Lula nem Bolsonaro”.

Nada ainda está definido, mesmo porque ainda temos 10 meses até as eleições e, como sabemos, tudo muda no Brasil. Muita água ainda vai rolar por essa ponte, mas queria deixar aqui alguns pensamentos sobre o contexto em que estamos.

Acredito que Bolsonaro vai radicalizar o discurso. Não acho que a narrativa bolsonarista vai abaixar a temperatura – muito pelo contrário. O presidente precisa unir sua tropa de choque que gira em torno de 15% e que pode estar se desmantelando. Recentemente, tivemos embates abertos entre personagens clássicos do bolsonarismo, como o ex-ministro Abraham Weintraub e o guru Olavo de Carvalho de um lado e, do outro, o presidente da Fundação Cultural Palmares Sérgio Camargo. Ainda tivemos atritos com Alan dos Santos, bolsonarista de primeira ordem, e o secretário de Cultura Mario Frias. Ao que tudo indica, os bolsonaristas radicias podem estar se descolando de Bolsonaro (muito por causa dessa aproximação do presidente com o Centrão). Ou seja: o bolsonarismo é mais olavista/conservador/radical do que fiel ao Bolsonaro – o que nos mostra que a ideologia pode sobreviver sem o presidente. Neste cenário, Bolsonaro precisa reaproximar essa tropa para que ela não debande de vez. 

A fidelidade do Centrão vai até quando? Os partidos fisiologistas vão abraçar Bolsonaro até que momento? Duvido muito que eles se afundem junto com o presidente. A grande questão é: quando vai ser a debandada? Acredito que ela vai acontecer em algum momento – ainda mais se o cenário der como clara a derrota do atual presidente.

Bolsonaro tem chance de ganhar – e isso depende de alguns pontos mas, principalmente, se ele conseguir levar para o segundo turno. A grande chance de Lula, ao meu ver, é já ganhar no primeiro turno. Se isso não acontecer, as chances de Bolsonaro aumentam. E digo isso porque dai vai, possivelmente, ressurgir a narrativa do anti-PT e da volta da esquerda no poder. Os bolsonaristas vão usar muito disso (e já começaram: basta ver o bate-boca do presidente com seus seguidores quando ele foi questionado do aumento do preço dos combustíveis e, claro, citou os petistas).

Mas não podemos esquecer que 2022 não é 2018 e a grande questão política vai ser se o anti-petismo ainda vai ter força para ser maior que o anti-bolsonarismo. Depois de um governo destruidor e genocida, as pessoas ainda vão votar em Bolsonaro com medo da volta de Lula? Cabe ao PT relembrar os tempos de governo Lula e comparar com os últimos quatro anos bolsonaristas. Essa é uma boa estratégia. Claro que os petistas serão atacados na onda da corrupção, mas, até ai, o clã Bolsonaro até envolvido em roubos e muito mais – vide a morte de Marielle. Minha grande questão é se as pessoas vão “esquecer” do governo Bolsonaro e votar nele apenas pelo fato de, no outro lado, estar o Lula.

Ai vem outro ponto. Qual será a temática da campaha de 2022? Costumes, economia ou Covid-19? Em 2018, bateu-se muito na tecla da mudança e nas pautas de costumes. Isso não vale mais para 2022. Acredito que o que vai pautar o debate será a economia: aumento da pobreza, desemprego, preço do gás, inflação… É triste, mas acredito que Bolsonaro não perde pelo assassinato das mais de 600 mil pessoas pela Covid-19. As pessoas vão colocar na conta dele o caos econômico do país – e ai o PT pode relembrar o governo Lula e nadar de braçada.

Em meio a tudo isso, temos a terceira via que, cada vez mais, se afunila no nome do ex-ministro Sérgio Moro (Podemos). Um ponto que me chama atenção é qual a mensagem que o juiz vai passar. Seu mote deverá ser a corrupção, mas isso é tão 2016 e não acredito que mobilize mais. Passou o tempo e esse não é mais um assunto que mexa com as pessoas. E ai? Moro vai falar do que? Grande questão para o candidato.

Num cenário geopolítico, temos uma América Latina retomando os eixos dos governos mais alinhados com a esquerda. Casos como o de Gabriel Boric, no Chile, trazem novos ventos para o Brasil. Na região ainda temos Pedro Castillo (Peru), Alberto Fernández (Argentina), Luis Arce (Bolívia), Nicolás Maduro (Venezuela), Xiomara Castro (Honduras) e Miguel Díaz-Canel (Cuba). Em um contexto mundial, a extrema-direita vem perdendo espaço.

Bolsonaro perde vantagem para Lula e Ciro no Twitter e no Youtube e tem liderança digital ameaçada

Bolsonaro apresenta tendência de queda em todas as plataformas e observa crescimentos de adversários, que já se encontram tecnicamente empatados em volume de interações no Twitter e no YouTube;

Lula se aproxima de Bolsonaro no Twitter e no Instagram, na esteira de posts sobre a viagem à Europa e a entrevista ao podcast Podpah;

Sergio Moro se estabiliza como terceiro candidato com mais interações no Twitter e no Instagram, mas não apresenta crescimento desde o anúncio de sua pré-candidatura;

Ciro Gomes se destaca no YouTube, onde esteve à frente de Bolsonaro em três das sete semanas analisadas. Em todas as redes, o pedetista apresentou picos na última semana, em publicações sobre a operação da Polícia Federal que o atingiu no dia 15 de dezembro;

André Janones é o terceiro colocado em interações no Facebook e apresenta alto potencial de engajamento, exibe porém baixa atividade nas outras redes analisadas;

Marina Silva e João Doria apresentam baixa interação em todas as plataformas.

Leia a análise completa da Sala de Democracia Digital da FGV DAPP.

Para ficar de olho em 2022: quais crises geopolíticas podem se agravar? Há tensões entre a Rússia e a Ucrânia, entre a China e Taiwan e conflitos internos na Etiópia, na Venezuela, no Afeganistão e em outros países. (g1)

No Oriente Médio e no Norte da África, queda nos ataques a jornalistas desmente o estado de liberdade de imprensa. (Committee to Protect Journalists)

🇨🇱 “Boric tem oportunidade histórica de avançar e resolver problemas dos povos indígenas”, diz Natividad Llanquileo, representante Mapuche na Constituinte no Chile. (Brasil247)

🇦🇷 Jogadora do Rosário Central acusa o time de a demitir por beijar outra mulher.
(TyC Sports)

🇨🇴 Organização campesina denuncia outro massacre na Colômbia. (desInformémonos)

🇭🇹 Primeiro-ministro do Haiti sai ileso de atentado. (teleSUR)

🇺🇸 Nadadora transexual bate recordes na categoria feminina e gera muita polêmica. Nadadora Lia Thomas competia entre os homens com o nome de Will, mas hoje está na categoria feminina. (Torcedores)

🇺🇸 O pária. Ele rejeitou a oferta do FBI para se tornar um informante. Depois, sua vida foi arruinada. (The Intercept Brasil)

🇨🇦 Start up de tecnologia canadense cria streaming para nacionalista branco. (SPLC)

🇨🇳 A polêmica humilhação pública de suspeitos de crimes na China. (UOL)

🇮🇳 Índia corta financiamento estrangeiro da instituição de caridade de Madre Teresa. A mudança faz parte de um endurecimento das regras sobre as organizações financiadas por doações do exterior e ocorre em meio a um aumento nos ataques a minorias religiosas. (The New York Times)
🇭🇰  Hong Kong prende seis em operação contra jornal pró-democracia.
(Folha de S.Paulo)

🇹🇼 EUA e Japão esboçam plano em caso de invasão a Taiwan. Acordo prevê instalação de base norte-americana no sul do Japão se houver ofensiva chinesa. (Poder360)

🇹🇷 O ataque da Turquia aos curdos sírios visa aprofundar a fenda com os curdos.
(Al Monitor)

🇱🇾 Morte de migrante expõe crueza de tratamento em centro de detenção na Líbia. (Folha de S.Paulo)
 🇷🇺 Suprema Corte da Rússia ordena fechamento da Memorial, principal organização de direitos humanos do país. (O Globo)

🇦🇿 Azerbaijão fez informe ilegal sobre comunidade armênia na Argentina.
(Diario Armenia)

🇦🇫 A fuga do afegão que chegou ao Brasil no Natal: ‘Senti medo o tempo todo’. (BBC)

🇸🇩 Forças de segurança do Sudão matam dois manifestantes anti-golpe, dizem médicos. (Al Jazeera)

🇮🇱 Israel ataca posições do Hamas na Faixa de Gaza. (DW)

🇮🇷 Irã pede a ONU que os EUA sejam condenados pela morte do comandante Qassem Soleimani. (Al Jazeera)

#MandaDicas

A partir de uma pesquisa bibliográfica aprofundada e de entrevistas e relatos de mulheres de diferentes idades e origens que exercem a profissão de trabalhadoras domésticas, o livro traça um painel histórico e social do trabalho doméstico no Brasil. A autora Juliana Teixeira traça as origens históricas escravocratas da condição atual da mulher trabalhadora doméstica e discutir a importância da regulamentação dessa atividade, além das interseccionalidades entre gênero, raça e classe desse grupo, assim como o racismo estrutural e o papel da branquitude no assunto, seja por meio de suas ações ou dos silenciamentos que promove. Trabalho doméstico apresenta uma discussão indispensável, escancarando as desigualdades e opressões sofridas pela categoria e enfatizando a presença da nossa herança colonial escravista ainda na sociedade atual. (Texto – Editora Jandaira)
Se escutarmos o que o oceano tem para nos dizer, o que podemos aprender? A partir dessa indagação, o naturalista francês Bill François nos convida a uma viagem pelos mistérios do mundo submarino. De baleias musicais a enguias imortais, do bacalhau que descobriu a América ao arenque que quase causou um conflito militar, as histórias aqui reunidas viajam o mundo e passam inclusive pelo Brasil. No melhor estilo da tradição oral, François apresenta com humor e lirismo esse mundo secreto em que a linguagem, as emoções e os ritos sociais das espécies que o habitam abrem uma discussão sobre o futuro da nossa sociedade. (Texto – Todavia Livros)
137 – Perspectivas para 2022 no Revolushow. Zamiliano, Diego Miranda e Jones Manoel analisam o ano de 2021 e fazem suas projeções de tarefas para a classe trabalhadora em 2022. 
Em A Garota de Oslo, Pia e dois de seus amigos, jovens israelenses, são sequestrados pelo Estado Islâmico. Para que eles sejam liberados, o grupo exige que as autoridades façam uma troca dos reféns pela liberdade do líder preso Abu Salim. Caso o acordo não seja cumprido, Pia e outros 12 reféns que estão em cativeiro serão executados. Alex (Anneke von der Lippe) fará o impossível para conseguir se reencontrar com a filha. Ela pede ajuda de Arik (Amos Tamam) e Layla (Raida Adon), enquanto Karl (Anders T. Andersen) entra em contato com o grupo terrorista em Oslo. A série conta a história de luta dos pais para libertá-los e como as condições humanas se tornam difíceis em situações de vida ou morte, principalmente quando decisões precisam ser tomadas contra o relógio. (Texto – Adoro Cinema)

Muito legal para quem gosta de relações internacionais, geopolítica e os conflitos o Oriente Médio. Para sacar bem a série, é importante ter um pouco da base histórica do que acontece na região – facilita muito. Fala sobre as relações do Hamas com o Estado israelense, as forças extra-oficiais. deIsrael que atuam em Gaza, espionagem e por ai vai. São 10 episódios que dá pra assistir num dia. Episódios com cerca de 30 minutos. Muito boa!

Leituras complementares

Pré-candidatos impulsionam conteúdo nas redes em busca de mais exposição. (O Globo)
 Planalto admite desgaste com postura de Bolsonaro em relação à crise na Bahia.
(O Globo) Lideranças de esquerda se dividem entre desmistificar ou ignorar debate sobre comunismo em 2022. (Folha de S.Paulo)

Vice-presidente do PT diz que Dilma não tem mais relevância eleitoral. (Metrópoles)

PSB dribla resistências a Lula, mas ainda trava em acordos com PT para 2022.
(Folha de S.Paulo)

Preferência pelo PT chega a 28%, melhor resultado desde 2013. (Folha de S.Paulo)

Jovem evita falar de política com medo de cancelamento. Pesquisa Ipec mostra que 60% dos jovens entre 16 e 34 anos prefere não discutir o assunto nas redes sociais. (IG)
Moro e MBL marcam reuniões para integrar movimento à campanha do ex-juiz.
(Folha de S.Paulo)

Moro diz que Lava Jato combateu PT de forma eficaz, mas recua. (Folha de S.Paulo)
 Bolsonaro diminuiu agendas com Mourão em 85% desde o início do mandato. (Metrópoles)
 10 vezes em que as semelhanças entre o Brasil e o filme “Não olhe para cima” não foram mera coincidência. (Congresso em Foco)
 “Ele era tudo na minha vida”, diz avó que perdeu o neto de 10 anos para Covid-19.
(O Globo)
Proerd não evita que alunos usem drogas e álcool nas escolas de SP. (Folha de S.Paulo)
 Policiais influencers exibem metralhadora, distintivo e farda nas redes sociais. Mas o governo Doria proibiu os “PMs influencers”. 
(Folha de S.Paulo / Ponte Jornalismo)
 64% das gestantes infectadas com o vírus HIV em 2021 são negras. (Gênero e Número)

Jornalistas sob ataque: uma nova tendência perturbadora é a extrema direita intimidar, abusar e ameaçar jornalistas, especialmente mulheres. (Hope not Hate)

Vereadora é eleita a contragosto com votos para “embelezar” mesa diretora em Canguçu: “desrespeito a todas as mulheres”. (g1)

“Ele abriu meu sutiã no meio da sala”: USP demite professor acusado de assédio sexual por alunas. (O Globo)

Gordofobia. “Fui xingada por ia à praia de biquíni. Corpo de mulher é sempre julgado”. (UOL UNIVESA)

Noite fora da caixa. Do agito puro ao engajamento: as novas festas e sons que estão mudando a vida noturna de São Paulo. (UOL)

Micropix chega a cultos, missas e conquista comércio de rua. (Folha de S.Paulo)

Pouco conhecida e sem patrocínios antes de Tóquio, Rebeca Andrade escolhe marcas e ganha projeção mundial. (g1)

Drible Negro: como elementos da cultura afro-brasileira foram inseridos no futebol contra o racismo. (Globoesporte)

#FotosDaSemana

Itambé, 27 de dezembro de 2021. (Foto – Felipe Iruatã)
Itambé, 28 de dezembro de 2021. (Foto – Amanda Perobelli/Reuters)

#GráficosDaSemana

Proporção de vacinados e mortes mais recentes. (via @MBittencourtMD)
Dados recentes de Nova York divulgados pelo The New York Times. (via @MBittencourtMD)
Reportagem de André Trigueiro no Jornal Nacional

#ChargeDaSemana