#114 – Aborto, maconha e LGBT

A opinião do brasileiro sobre temas que são tabu

Foto que fiz em outubro/2015 de uma manifestação contra o então deputado Eduardo Cunha.

O PoderData fez uma série de levantamentos sobre alguns temas considerados tabu em nosso país: aborto, maconha medicinal e casamento de pessoas do mesmo sexo. A pesquisa foi feita por meio de ligações para telefones celulares e fixos. Foram 3.000 entrevistas em 501 municípios, nas 27 unidades da Federação, de 2 a 4 de janeiro de 2022.

1 – Liberação do aborto
Segundo a pesquisa, mais da metade (55%) dos brasileiros são contrários.
Mas o número é 3% menor em relação a pesquisa feita em janeiro de 2021.

Quando vemos os brasileiros que são a favor, a quantidade caiu 7%: de 31% em janeiro de 2021 para 24% neste ano. 

A pesquisa mostra que aumentou o número de brasileiros que não sabem.
Agora são 20% contra 11% há um ano.

  • entre as pessoas que são a favor temos, principalmente: mulheres entre 16 e 24 anos e de 45 a 59 anos;
  • moradoras do Sul e Nordeste;
  • majoritariamente com Ensino Superior (quase 50% delas);
  • principalmente com renda acima de 5 salários mínimos (52%).

Quanto mais pobre e menor a escolaridade, menor o índice de aprovação ao aborto.

O Norte é a região com menor índice de aprovação e um dos maiores entre as pessoas que não sabem. Está no Centro-Oeste o maior número de mulheres contrárias. Coincidência ou não, são essas as duas regiões com maior quantidade de apoio ao presidente Jair Bolsonaro.

Quando vemos a renda, temos uma fatia muito grande de mulheres que não sabem – a maior entre todos os extratos analisados. O maior índice de reprovação está entre dois e cinco salários mínimos, a dita classe média – também alinhada ao governo Bolsonaro.

A pesquisa fez essa ligação de quem aprova ou não o aborto com a avaliação das pessoas sobre o governo Bolsonaro – e a ligação é claríssima.

2 – Maconha medicinal
Confesso ter ficado surpreso com o resultado.
Segundo a pesquisa, 61% dos brasileiros acreditam que deveria liberar o uso da maconha em tretamentos médicos. Outros 26% disseram que não. E temos ainda 13% que não sabem.

Há mais homens do que mulheres defendendo a liberação: 65% contra 57%, respectivamente. Entre elas, há mais que não sabem do que não querem.

Quando vemos os estratos sociais, conseguimos ver que: quanto mais jovem, escolarizado e rico, maior o índice de aprovação.

Entre as regiões, está no Norte (bastião bolsonarista) o menor índice de aprovação, ao passo que no Sul está o maior. Interessante que há mais gente a favor no Nordeste do que no Sudeste. Aqui, na nossa região, temos a maior quantidade de pessoas que não sabem. 

A pesquisa também relacionou a defesa da maconha medicinal com as pessoas que aprovam e desaprovam o governo Bolsonaro e, claro, temos uma ligação. 

3 – Casamento homessexual
45% das pessoas disseram ser a favor. Mas o cenário já foi melhor: em janeiro de 2021, 51% apoiavam. Por outro lado, subiu o número de quem é contrário: de 33% há um ano para 39% agora. Será culpa do bolsonarismo? Será que o governo Bolsonaro fez com que as pessoas perdessem a vergonha de serem homofóbicas e expusessem suas opiniões sem nenhum tipo de rancor ou pudor?

As mulheres aceitam mais do que os homens – 46% contra 43%, respectivamente.

Quanto mais jovem, maior o apoio. Entre quem tem de 16 a 24 anos, 60% são favoráveis. Já quem tem acima de 60%, o apoio é de 33%.

Nas regiões brasileiros, o maior apoio está no Nordeste (52%), seguido de Norte (46%) e Sudeste (45). A maior quantidade de brasileiros contrários encontra-seno Centro-Oeste (60%), reduto conservador e bolsonarista.

Quanto maior a escolaridade, maior o apoio: começa em 37% entre quem tem Fundamental, sobe para 45% no Médio e vai para 64% entre quem tem Ensino Superior.

Nas faixas de renda, a maior quantidade de brasileiros que apoiam está entre quem recebe mais de cinco salários mínimos: 61%. Interessante que em segundo lugar aparecem as pessoas que não tem renda fixa (48%).

Como se pode imaginar, este é um tema que a opinião tem relação direita com o apoio ou não ao governo bolsonarista.

A comunidade latina e as campanhas de desinformação sobre a Covid-19. Pesquisadores debatem a melhor forma de combater narrativas falsas – e estereótipos raciais.
(The New Yorker)

🇵🇪Juiz peruano condena jornalista depois de ação de ex-candidato presidencial. Christopher Acosta recebeu uma pena de dois anos de pena privativa com suspensão condicional, mais uma multa de aproximadamente 100 mil dólares. Ele foi acusado de crime de difamação qualificada contra o ex-candidato presidencial e empresário César Acuña, pela publicação do livro “Plata como cancha”. (El País)

🇳🇮 Daniel Ortega toma posse em seu quarto mandato na Nicaragua. Site do país chama Ortega de ditador e lembra que o chefe do jornal está preso. (La Prensa)

🇭🇹 Ariel Henry, primeiro-ministro do Haiti, é acusado de ter falado, antes e depois do tiroteio fatal, com o principal suspeito do assassinato do presidente do país. (The Times)

🇨🇱 Empresas chinesa e chilena vencem licitação para exploração de lítio no Chile. (Yahoo)

🇨🇴 Uma economia de guerra sem guerra: a Colômbia de Álvaro Uribe. (CELAG)

🇦🇷 Mar del Plata registra a maior temperatura dos últimos 60 anos. (Telefe Notícias)

🇺🇸 O novo normal: as pesquisas do Google revelam os hábitos de compras dos norte-americanos durante a Covid-19. (Axios)

🇨🇦 Québec proíbe maconha e álcool para não vacinados, e busca por vacina sobe 300%. (Folha de S.Paulo)

🇨🇦 Canadá aprova cogumelos e MDMA para uso medicinal em prol da saúde mental. (MixMag)

🇨🇳 Vivendo com HIV no nordeste da China. (Sixth Tone)

🇨🇳 Como os interesses econômicos da China serão afetados pelos protestos no Cazaquistão? (China Macro Economy)

🇱🇰 “Não há mais dinheiro”. Crise da Covid-19 deixa Sri Lanka à beira da falência.
(The Guardian)

🇹🇴 Tsunami atinge Tonga após erupção de vulcão submarino. (O Globo)

🇷🇸 Autoridades sérvias ajudaram Djokovic a forjar teste. Um grupo de jornalistas alemães do Der Spiegel revelaram uma investigação que prova que o tenista teve ajuda para forjar um teste da Covid-19. (Metrópoles)

🇰🇿 Crise no Cazaquistão é uma ameaça que paira sobre o mercado de urânio.
(The Economist)

🇮🇷 Irã busca laços mais estreitos com a China à medida que as negociações nucleares se arrastam. (The Wall Street Journal)

🇮🇱 Israel planeja começar vacinação de bebês contra covid-19 em abril. (UOL)

🇧🇬 Manifestantes anti-vacina tentam invadir parlamento búlgaro. (ABC News)

🇫🇷 França enfrenta greve de professores por gestão da Covid-19 nas escolas. Professores, pais e administradores escolares têm tido dificuldades para lidar com a pandemia e com as reviravoltas nas regras contra a pandemia nas escolas. (Exame)

🇳🇱 Na Holanda, manifestantes protestam contra as medidas da Covid-19. (Reuters)

#MandaDicas

Em nove contos, Cristhiano Aguiar mergulha nos elementos góticos e folclóricos – buscando referências nas séries televisivas, no cinema e nos quadrinhos – para criar narrativas vibrantes e inesperadas, que fogem da prosa literária tradicional. As histórias vão desde os tempos do cangaço, passando pela ditadura militar e chegando até os ecos sombrios de um futuro próximo. Um menino é obrigado a cruzar o descampado perto do vilarejo de Riachão da Frente para levar uma carta que a mãe escreveu a Zé Barbatão, o cangaceiro local. Na madrugada, as sombras no caminho e a ameaça do bando crescem conforme a narrativa avança, e a realidade parece a ponto de se romper. “Anda-luz”, história que abre este volume, prenuncia o que virá nos oito contos seguintes. Em Gótico nordestino, o autor sonho e a vigília, dialoga com outros gêneros e compõe um livro totalmente distinto do usual. (Texto – Companhia das Letras)
Em janeiro de 2022, Nara Leão completaria 80 anos. Na série documental O Canto Livre de Nara Leão – produção original Globoplay – conhecemos a história de uma das artistas mais importantes da bossa nova. A princípio, conhecida pelo show Opinião, onde revelou nomes como Chico Buarque, Nara Leão rompeu preconceitos no cenário musical brasileiro e se opôs à ditadura militar vigente durante seus anos em atividade. O seu talento, combinado com sua personalidade única, provocou transformações na música e no comportamento da época. A produção conversa com pessoas que conviveram com a artista e resgata um arquivo de imagens inédito. A partir dos achados de entrevistas e apresentações raras, a série percorre diversos momentos da carreira e vida pessoal de Nara Leão, costurando os acontecimentos com os depoimentos de figuras importantes como Roberto Menescal, Paulinho da Viola, Maria Bethânia, Edu Lobo, Dori Caymmi, Marieta Severo, Fagner e a família da cantora. (Texto – Adoro Cinema)
O Metaverso do Facebook (quer dizer, “Meta”) tem futuro? As NFTs vão “pegar” e se tornarem tão populares quanto o PIX? No primeiro episódio do Conversas Paralelas em 2022, o jornalista, programador e podcaster Guilherme Felitti fala das consequências de curto e longo prazo (ou até a falta delas) desses novos conceitos digitais que estão na boca do povo – mas que nem todo mundo sabe o que realmente significam. (Texto – Conversas Paralelas)

Leituras complementares

Lição de golpismo. Um ano após a invasão ao Capitólio, Trump se fortalece e ensina a Bolsonaro que a radicalização às vezes compensa. (revista piauí)

Bolsonaro de 2022 será o extremista de sempre. (O Globo)

Após defender Moro, governo muda tom e diz à ONU que decisões do STF pró-Lula tornam processo nulo. (CNN Brasil)

O agrobolsonarismo. O presidente cooptou uma parte relevante do agronegócio, mas está longe de ter apoio incondicional. (revista piauí)

Impulsionada por políticos, desinformação sobre vacinação infantil soma 618 mil interações no Facebook. (Aos Fatos)

Gastos ocultos da SECOM com Google somam R$ 11 milhões. Soma leva em conta 33 notas fiscais emitidas pela empresa desde jul.2019, mas que não constam no Portal da Transparência. (Núcleo Jornalismo)

Bolsonaro liberou Fábio Faria para se encontrar com Allan dos Santos. (Metrópoles)

Ministros militares perdem espaço na agenda de Bolsonaro. General Ramos foi o mais presente nos compromissos de Bolsonaro em 2021, mas perdeu espaço no 2º semestre. (Poder360)

PM só tem 45% da tropa vacinada com segunda dose. (O Globo)

Mortes em chacinas crescem 50% em um ano na região metropolitana do Rio.
(Folha de S.Paulo)

Família de ambientalistas é assassinada a tiros no Pará. (O Globo)

Justiça decreta prisão preventiva de pastor acusado de estuprar pelo menos oito mulheres. (Extra)

“Coach messiânico” integrou quadrilha que desviou dinheiro de bancos. Pablo Marçal, resgatado com 32 pessoas em trilha na semana passada, foi condenado por furto qualificado, em 2010, mas pena foi extinta. (Metrópoles)

Bloqueio de jornalistas por autoridades brasileiras no Twitter supera 300 notificações. (Núcleo Jornalismo)

Compostos de maconha podem prevenir covid, mostra estudo. (Poder360)

Casais de mulheres não conseguem registrar bebês fruto de inseminação caseira – mas casais hétero, sim. Casais de mulheres precisam atender determinação da Justiça e mostrar comprovante de inseminação ou entrar com ação judicial. (The Intercept Brasil)

Trabalhadoras rurais lutam por autonomia na agricultura familiar. Mulheres brasileiras representam 80% da mão de obra na produção nacional de alimentos, mas são donas de apenas 5% das terras do país; Feminismo camponês busca soberania alimentar. (AzMina)

Cirurgiões americanos realizam com sucesso transplante de coração de porco em homem. “Eu quero viver. Sei que é um tiro no escuro, mas é minha última escolha”, disse David Bennet, de 57 anos, que tinha uma doença cardíaca terminal. (CNN Brasil)

Quase metade dos adolescentes brasileiros tem conta no TikTok. (O Estado de S. Paulo)

A noite em que 21 óvnis invadiram o espaço aéreo brasileiro e foram perseguidos por caças da FAB. Fenômeno, ‘um dos mais importantes casos de ufologia mundial e com o maior número de testemunhas em todo o planeta’, continua despertando curiosidade quase quatro décadas depois. (g1)

#GráficoDaSemana

Fonte: Parrot analytics; Chart: Will Chase and Allie Carl/Axios

#FotosDaSemana

Papa Francisco visitou uma loja de discos em Roma. (Foto – Javier Martínez-Brocal)
Foto que tem rolado nas redes sociais mostra um grupo de milicianos em Cascadura (RJ).
(via @tomphillipsin)

#CapasDaSemana