#118 – Fuck nazis!

O tema da semana foi um: o nazismo. Dois fatos bizarros movimentaram o pais. A começar pela defesa de um partido nazista por parte do Monark no Flow; depois ainda tivemos a saudação nazista sendo feita pelo comentarista Adrilles Jorge em um programa da Jovem Pan. Em ambos os casos, os envolvidos disseram que não foi bem assim e chegaram até a pedir desculpas. O negócio foi tão sério que os dois foram demitidos e o Ministério Público vai investigar as duas condutas.

O Brasil sempre teve grupos de extrema-direita. Não podemos esquecer dos integralistas do início do século XX comandados por Plínio Sampaio e que nada mais eram do que um fascismo abrasileirado. Sobre o assunto, sugiro a leitura de dois livros: “O Fascismo em Camisas Verdes. Do Integralismo ao Neointegralismo” de Odilon Caldeira Neto e Leandro Pereira Gonçalves; e “Fascismo à brasileira: Como o integralismo, maior movimento de extrema-direita da história do país, se formou e o que ele ilumina sobre o bolsonarismo” de Pedro Doria.

Segundo a antropóloga Adriana Dias, estudiosa do nazismo, o Brasil tem pelo menos 530 núcleos extremistas, um crescimento de 270% entre janeiro de 2019 e maio de 2021. Leia mais aqui. Muitos dizem que o avanço desses grupos nazistas se deve a chegada do presidente Bolsonaro ao poder, o que legitimou essa turma e as fez sair dos bueiros. Falando em Bolsonaro, a mesma Adriana encontrou uma carta do presidente publicada em sites neonazistas em 2004. Diz o site The Intercept: “Três sites diferentes de neonazistas trazem um banner com a foto de Bolsonaro – com link que leva diretamente ao site que o político tinha na época – e uma carta em que o parlamentar afirmava: “Ao término de mais um ano de trabalho, dirijo-me aos prezados internautas com o propósito de desejar-lhes felicidades por ocasião das datas festivas que se aproximam, votos ostensivos aos familiares”. Lei mais aqui.

É bizarro ainda termos que discutir sobre isso.
Nazismo não se discute. Se combate.

🇦🇷 Mulheres protestam contra ator brasileiro acusado de estupro. (UOL).
Entenda o caso. (La Nacion)

🇨🇱 Após Bolsonaro recusar convite, Boric faz sondagens para convidar Lula para posse. (O Globo)

🇲🇽 Sangue, balas e silêncio: o jornalismo sob terror no México. (El País)

🇭🇹 Primeiro-ministro do Haiti está envolvido no planejamento do assassinato do presidente haitiano. (CNN)

🇳🇮 Sobe para 17 o número de opositores condenados na Nicarágua. (DW)

🇨🇷 José María Figueres e Rodrigo Chaves: quem são e o que propõe os candidatos que disputam o 2º turno da presidência do país. (BBC)

🇸🇻 As autoridades salvadorenhas libertaram uma mulher que cumpriu 10 anos de prisão sob acusação de homicídio após sofrer um aborto espontâneo, de acordo com um grupo de direitos humanos local. (Reuters)
🇻🇦  Bento 16 pede perdão e admite erros da igreja ao lidar com abuso sexual na Alemanha. (Folha de S.Paulo)

🇩🇪 Frank-Walter Steinmeier é reeleito presidente da Alemanha. (Poder360)

🇫🇷 Em seu primeiro comício na França, Valérie Pécresse, candidata á presidência, foca na imigração a medida que cresce a ameaça dos rivais. (The Guardian)

🇵🇹 Após se filiarem a partido de extrema-direita em Portugal, vários imigrantes brasileiros, simpatizantes do presidente Bolsonaro, teriam sido vítimas de atitudes xenófobas de portugueses membros do próprio partido, o Chega. (O Globo)

🇮🇹 Ouro ilegal da Terra Indígena Kayapó termina em gigante italiana que fatura R$ 18 bi. (Repórter Brasil)

🇵🇱 Na Polônia, as tentativas de suicídio entre crianças e adolescentes aumentaram 77% no ano passado. (Notes from Poland)

🇭🇺 Viktor Orbán convida Trump à Hungria para impulsionar sua campanha de reeleição na Hungria. (The Guardian)

🇨🇩 A história da barbárie imperialista no Congo. (Jacobin)

🇨🇳 Após título da Copa Asiática Feminina de Futebol, torcedores chineses exigem igualdade salarial para as jogadoras do país. (Sixth Tone)

🇮🇳 Meninas muçulmanas na Índia denunciam proibição do hijab. (Al Jazeera)

🇸🇾 Líder do Estado Islâmico foi morto na Síria, mas terroristas ganham força na África. Biden celebrou o ataque que ‘removeu com sucesso’ o líder do Estado Islâmico. Táticas similares dos EUA não conseguiram deter terroristas na África. (The Intercept Brasil)

🇪🇬 A história inacreditável de Amr Fahmy, o líder dos ultras do Al Ahly que encabeçou revoluções. Amr Fahmy fundou os Ahlawy e esteve na linha de frente da Primavera Árabe, enquanto também vinha de uma família influente de dirigentes e lutou contra a corrupção nos corredores da CAF. (Trivela)

🇦🇫 Após meses de espera, casal de refugiados da etnia hazara conseguiu resgatar familiares do Afeganistão. (Folha de S.Paulo)

🇨🇦 Protesto de caminhoneiros por restrições no Canadá cresce e inspira similares no exterior. (UOL)

#MandaDicas

Em 1998, o historiador Sidney Aguilar Filho dava uma aula sobre o nazismo alemão para uma turma de ensino médio quando uma aluna mencionou haver centenas de tijolos estampados com a suástica, o símbolo nazista, na fazenda de sua família. Esta informação despertou a curiosidade do historiador e desencadeou sua pesquisa, a qual revelou que empresários ligados ao integralismo e ao nazismo removeram 50 meninos órfãos do Rio de Janeiro/RJ para a Campina do Monte Alegre/SP na primeira metade do século 20. Esses meninos viveram dez anos de escravidão e isolamento em uma fazenda. O trabalho reconstituiu laços estreitos entre setores das elites brasileiras e as perspectivas nazifascistas, refletidos em um projeto eugênico. Aloísio Silva, um dos sobreviventes, lembrou essa terrível experiência, que escravizou e numerou os meninos, ele mesmo transformado no menino 23. Entre integralistas e nazistasapresenta a história dos anos 1920, 1930 e 1940 explicando como o Brasil absorveu e aceitou as teorias de eugenia e de pureza racial a ponto de incluí-las na Constituição de 1934. A trajetória da pesquisa reforça ainda mais as teses de que os conceitos de “supremacia branca” e as tentativas de “branqueamento da população” marcaram nossa sociedade, sendo o racismo e – mais ainda – a negação do mesmo ainda perenes. (Texto – Alameda Editorial)
Caso Monark: ideias radicas e liberdade de expressão. Na última terça-feira, Monark (Bruno Aiub), apresentador do Flow, um dos maiores podcasts do país, foi desligado do estúdio responsável pelo programa após defender o direito de existência de um partido nazista. Como resposta às declarações de Monark, empresas romperam parcerias com o podcast. O apresentador pediu desculpas nas redes sociais. O caso, que acontece em meio a um cenário de crescimento de grupos extremistas, gerou uma enxurrada de análises e de manifestações de repúdio na internet. Ao mesmo tempo, suscitou debates sobre os limites da liberdade de expressão. este episódio, o Café da Manhã trata das circunstâncias em que as ideias radicais se disseminam e dos riscos que os grupos extremistas representam. O podcast conversa com Isabela Kalil, coordenadora do Observatório da Extrema Direita e professora na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. (Texto – Café da Manhã)
O Brasil de Bolsonaro na aliança ultraconservadora mundial | Influencers gamers e extrema-direita. No Cruzando Fronteiras, o jornalista Jamil Chade recebe a antropóloga e professora Rosana Pinheiro-Machado. Eles conversam sobre o retorno do debate em torno do nazismo, o contexto brasileiro atual e o crescimento de movimentos ultraconservadores ao redor do mundo. (Texto – Canal MyNews)
Por que não pode Partido Nazista? Partido Nazista pode nos Estados Unidos, mas não pode na Alemanha? Por que Partido Nazista não pode, mas Partido Comunista pode? Como é que a gente decide se uma ideia é perigosa demais para circular? A semana ficou carregada com essas perguntas pairando no ar. E elas têm respostas. (Texto – Meio)

Leituras complementares

Alusão ao nazismo em mensagem do governo federal: um estudo a partir da economia dos sinais e da ecologia da comunicação.
(Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia – Ibict)
[documento incrível da minha amiga Agnes Arruda, professora, doutora e mestra e inscrita em nossa newsletter]

A tempestade ideológica apenas começou. O desligamento de Jair Bolsonaro do cargo máximo do chefe do Executivo – exercido com desonra − não é garantia de que o bolsonarismo fenecerá visto que a extrema-direita saiu das franjas do debate público e hoje está no mainstream.  (Insight Inteligência)

Brasil teve maior partido nazista fora da Alemanha. (UOL)

Desinformação on-line e contestação das eleições. Quinze meses de postagens sobre fraude nas urnas eletrônicas e voto impresso auditável no Facebook.
(Democracia Digital FGV)

“A questão da vacina gerou um desgaste para o presidente”, diz Flávio Bolsonaro.
(O Globo)

“Bolsonaro facilitou a vida das milícias digitais” diz Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (O Globo)

Forças Armadas não questionaram segurança das eleições, diz TSE. (R7)

Como o Exército brasileiro se posiciona em missões de paz. (Nexo)

Lula diz a pesos-pesados do agronegócio que Alckmin irá para o PSD. (Revista Época)

“Estou livre, solto”: os movimentos de Joaquim Barbosa para as eleições. (TAB UOL)

“Tentarão reacender o antipetismo”, diz Dilma em live do PT. (Poder360)

Aprendiz de Lula. Na disputa pelo governo do Rio, Marcelo Freixo mira a classe C e tenta se cacifar como antibolsonarista palatável. (revista piauí)

Economia do Brasil recupera nível pré-crises só em 2026. (Poder360)

Famílias, barracas e recém-desempregados: cresce novo perfil em situação de rua na pandemia. (Brasil de Fato)

Reabertura de escolas em cidades de SP não agravou pandemia, mostra estudo.
(Revista IstoÉ)

A próxima guerra: a vacinação para crianças menores de 5 anos. (Axios)

Analfabetismo entre crianças de 6 e 7 anos chega a 40,8%. Entre 2019 e 2021, número de pessoas da faixa etária que não sabiam ler e escrever aumentou em 65,6%, segundo dados do IBGE levantados pela ONG Todos Pela Educação. (Nexo)

Diplomas que fazem falta. As faculdades brasileiras formam muitos pedagogos, bacharéis em direito e administradores – que, somados, respondem por um quarto de todos os diplomas expedidos a cada ano. Outras profissões, enquanto isso, são menos prestigiadas. (revista piauí)

Menino de 9 anos, filho de líder rural, é morto a tiros em Pernambuco. (Folha de S.Paulo)Um quilombo maranhense ao deus-dará. Nos últimos dois anos, cinco quilombolas foram assassinados no povoado de Cedro, mas ninguém foi punido. (revista piauí)

Área incendiada no ‘Dia do Fogo’ foi transformada em plantação de soja.
(Repórter Brasil)

“A gente é homem e tem útero”: o time de futsal formado só com trans. (TAB UOL)Amazon reforça pressão para legalizar maconha nos EUA. Empresa está direcionando sua influência em Washington para conquistar o apoio de democratas e republicanos.
(O Estado de S. Paulo)

Apple AirTag: como dispositivo está sendo usado para perseguir mulheres. (BBC Brasil)

Autoras latino-americanas conquistam espaço no mercado editorial brasileiro.
(Estado de Minas)

Internação no interior de SP, uso de canabidiol e memórias da carreira: a luta de Maguila pela vida. (Globoesporte)

CV: Samantha Almeida. Diretora de criação na Globo e ex-head do Twitter Next, a premiada profissional de conteúdo acredita na comunicação como ferramenta de transformação social. (Gama Revista)

“O que se canta nas letras não se vê nos bailes funk”, diz pesquisador. Em entrevista, doutorando em música e funk pela USP fala do fenômeno musical como expressão da cultura jovem periférica. (O Estado de S. Paulo)

Como Caetano Veloso revolucionou o som e o espírito do Brasil. (The New Yorker)

#GrafoDaSemana

via @pedro_barciela
Tardou mas não falhou: o bolsonarismo [verde] saiu em peso para defender o gesto nazista feito por Adrilles durante programa da Jovem Pan. A justificativa? Aparentemente foi “apenas um tchau”. Se ontem (08/02) o cluster bolsonarista representava menos de 6%, hoje (09/02) superaram 41% dos usuários.

#GráficosDaSemana

Relatório da Eurasia, maior agência de risco político do mundo cravando em 70% a probabilidade combinada de vitória de Lula nas presidenciais de outubro. Bolsonaro mantém-se competitivo (20%). Outro candidato teria 10%. Chances de 2/3 de haver um segundo turno.

#ChargeDaSemana

#FotoDaSemana

Marina Granovskaia, diretora executiva do Chelsea, e Leila Pereira, presidente do Palmeiras.
Duas mulheres comandando os dois times que chegaram na final do Mundial de Clubes.

#CrimeDaSemana