#119 – Edição Extra: Pesquisa eleitoral

Terça-feira diferente com um conteúdo exclusivo e cheio de análises.
Hoje repercuto a pesquisa “Genial nas Eleições” da Quaest Consultoria e Pesquisa e Genial Investimentos do mês de fevereiro. Foram feitas duas mil entrevistadas entre 03/02 e 06/02 entre eleitores com 16 anos ou mais. A coleta de dados foi realizada de maneira pessoal a partir de um questionário.

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Principais pontos quando analisamos a avaliação do governo.

1. Bolsonaro mantém os mesmos valores de avaliação negativa e positiva desde dezembro. Não houve grandes mudanças. Agora, 51% avaliaram negativamente e 22% positivamente. Isso pode ser uma tendência de teto para ambos os lados, mostrando, realmente, a base bolsonarista está em torno de 20%.

2. Houve crescimento da avaliação negativa no Nordeste e no Norte, este aqui bem curioso por se tratara de um local que apoia bastante o presidente Bolsonaro. O que aconteceu? Não sei. O crescimento veio depois de constantes quedas: de 59% em novembro para 42% em janeiro – e agora subindo para 48%. Por outro lado, houve queda de 6% no Centro-Oeste quando vemos a avaliação negativa. Bastião bolsonarista, o recuo acontece depois de um crescimento de 4% de dezembro para janeiro. Motivo? Não sei.

3. Bem curioso o crescimento de 4% na avaliação negativa dos homens. Isso aconteceu depois de constantes quedas desde novembro. Interessante para ficarmos de olho.

4. Vem aumentando a avaliação negativa em várias faixas etárias: 16 a 24, 45 a 59 e 60 anos ou mais. Nos brasileiros entre 35 e 44 anos, a avaliação negativa vem caindo sistematicamente desde novembro: era 55% e agora está em 47%. A maior avaliação negativa está nos cidadãos entre 16 e 24 anos: 56%.

5. Cresceu 4% a avaliação negativa entre quem tem até o Ensino Fundamental. Vale destacar que, de novembro para dezembro, as opiniões negativas recuaram de 59% para 50%, uma queda considerável – e agora subiram para 54%. Acredito que aqui ainda seja reflexo da crise econômica e dos auxílios que não ajudam em nada.

6. Entre os mais pobres que ganham até 2 salários mínimos, a avaliação negativa subiu de 52% para 57%, depois de recuar bem de novembro até o mês passado. Os mais pobres estão se distanciando do governo. Quando vemos a renda, interessante olharmos o recuo da avaliação negativa entre os ricos: de 52% para 48%. Medo da volta do PT? A ver.

7. Tudo embolado entre os evangélicos. Hoje, 37% avaliam negativamente e 32% positivamente – e ainda temos 29% que não sabem. Eles ainda devem estar confusos entre a questão moral/ideológica e a financeira. Eis um filão social para ficarmos de olho.

A pesquisa ainda analisou outras percepções sobre o governo.

– 53% afirmaram que o governo Bolsonaro está pior do que esperavam, queda de 2% em relação a janeiro. Outros 29% disseram que não está nem melhor nem pior. E 16% está melhor do que esperavam. Essa última opinião já foi de 19% em julho do ano passado.

– 80% desaprovam o jeito de lidar do presidente no combate à inflação. Aqui temos a indicação de que a pauta econômica ainda tira o sono das pessoas e que ela vai ter muita influência na eleição deste ano. A maior aprovação está no combate à corrupção: 36% – e o menor etá, justamente, no combate à inflação (18%).

Vejamos agora as percepções sobre o país e os problemas enfrentados

A pesquisa mostra que a economia ainda é apontada como o principal problema do país (35%), mas este número já chegou em 48% em novembro do ano passado e, desde então, vem caindo mês após mês. Em contrapartida, vem subindo a questão da saúde/pandemia. Em novembro, 17% apontavam o assunto como o principal problema. Depois subiu para 19% em dezembro, 28% em janeiro e agora está em 27%.

O terceiro tema de gera maior preocupação são as questões sociais com 13% – ela já foi 7% em julho do ano passado. Com o passar do tempo, o tema veio ganhando relevância a partir do crescimento da pobreza e do desemprego.

Destaca-se ainda a subida de 9% para 11% de janeiro para fevereiro do tema corrupção. Resultado dos discursos bolsonaristas? Aproximação da corrida presidencial? Não sei bem. Vamos aguardar se o aumento continua.

Na economia, o principal problema ainda continua sendo o desemprego (15%), mas o assunto vem perdendo espaço para a crise econômica (11%) e a inflação (10%). Essas duas últimas vem crescendo, enquanto que a primeira vem caindo, pouco a pouco, desde dezembro do ano passado. O recuo no medo do desemprego não se dá por causa da geração de novos postos de trabalho, mas sim porque os outros assuntos estão mais fortes mês após mês. A crise econômica é generalizada e a inflação voltou com força.

Na questão social, a fome/miséria continuam como o maior problema do país, seguido da desigualdade.

Falaremos agora sobre economia!

63% dos brasileiros acreditam que a economia do país piorou nos últimos doze meses. Este valor era de 73% em novembro do ano passado e veio caindo, mês após mês, até chegar agora neste patamar. Será que o brasileiro está mais contente e acha que a vida melhorou? Acredito que não. A opinião que cresceu foi a de que a economia ficou do mesmo jeito: de 14% em novembro para 23% agora em fevereiro. As pessoas que acham que melhorou somam 13%, mesmo patamar há meses.

Para o futuro, 44% acreditam que a economia brasileira vai melhorar nos próximos 12 meses. Este valor vem subindo, pouco a pouco, desde dezembro do ano passado – mas já foi de 50% em agosto de 2021. Há 28% que disse que vai piorar e 24% que vai ficar do mesmo jeito.

65% das pessoas que ganham até dois salários mínimo disseram que piorou a capacidade deles pagarem as contas nos últimos três meses. Em janeiro, eram 60%. Ou seja: a crise bateu nos mais pobres. Mas ela também atingiu a classe média, onde há muitos bolsonaristas. Entre quem ganha de 2 a 5 salários minímo, 48% afirmaram que piorou, 4% do índice de janeiro.

No Nordeste, disparou o número de nordestinos dizendo que piorou o cenário nos últimos três meses: de 57% em janeiro para 64% em fevereiro. Também cresceu muito no Centro-Oeste (reduto bolsonarista): de 36% em janeiro para 45% em fevereiro. No Norte, outra região bolsonarista, caiu os que disseram que melhorou: de 35% para 26% – e subiu os que afirmaram estar igual: de 14% para 22%.

Eis agora o assunto de 2022: a eleição presidencial

Nos diversos cenários expostos, ao ex-presidente Lula (PT) lidera em todos – e com índices que beiram os 50%. O presidente Bolsonaro (PL) aparece sempre em segundo com uma pontuação próxima de 25%, o percentual clássico de sua base.

Sérgio Moro (Podemos) e Ciro Gomes (PDT) aparecem embolados na terceira posição e ambos não decolaram até então. Os dois candidatos ficam em torno de 10% dos votos. Outros nomes da dita terceira via, como o governador João Doria (PSDB) e a senadora Simone Tebet (MDB) vão de mal a pior e não passam de 2%.

A tendência das pesquisas mostra que a disputa deve mesmo ficar entre Lula (PT) e Bolsonaro (PL). Dificilmente algum outro nome vai despontar e quebrar essa disputa entre o petista e o capitão. O brasileiro vai precisar decidir entre essas duas formas de governar.

Ao meu ver – e é o que eu venho repetindo semanalmente por aqui – a eleição deste ano será pautada pelo anti-bolsonarismo. Será uma avaliação de como foram os quatro anos do governo Bolsonaro. Claro que o presidente vai tentar usar suas armas de sempre, como o anti-petismo, a volta de Lula, a agenda dos costumes e a questão da corrupção. Mas, ao meu ver, esses assuntos não são as temáticas da vez. 2022 não é 2018. As pessoas estão preocupadas com a questão econômica: querem emprego, melhores salários, queda nos preços… Em meio a isso tudo, ainda temos a pandemia e a maneira com que o governo lidou com ela. Acertando na narrativa, o PT tem tudo pra levar já no primeiro turno.

O interessante da pesquisa é vermos o comportamento da intenção de voto desde julho do ano passado. Lula se mantém sempre próximo dos 45% e Bolsonaro navega por volta dos 25%. Não há grandes variações.

Pensando nisso, justifica-se as articulações de Lula para tentar buscar mais apoios, como o de partidos de centro como o PSD, ou os acenos aos evangélicos, por exemplo. O ex-presidente também está de olho no Centrão, grupos políticos que compuseram seu governo e que agora estão com Bolsonaro, mas que não veem a hora de pular do barco. Não podemos esquecer ainda das conversas petistas com o PSB, partido tão rachado nacionalmente, e com o MDB, que pretende lançar a senadora Simone Tebet, mas que tem muitos caciques próximos de Lula.

Bolsonaro, por sua vez, tenta, a todo custo, reunir sua tropa mais radical e não perdê-la para um possível candidato bolsonarista que não seja ele. O presidente, sempre que pode, solta alguma frase para reunificar a tropa radical. Nos últimos dias, o presidente voltou a colocar em xeque as urnas eletrônicas ao dizer que as Forças Armadas detectaram uma vulnerabilidade no equipamento. Ele disse ainda que “nos próximos dias vai acontecer algo que vai nos salvar no Brasil” depois de falar sobre ditaduras. Bolsonaro também já começa a citar a volta da esquerda ao poder para botar medo na população e tentar renascer o anti-petismo. Paralelo a isso, começam também as agendas de costumes, como aborto, religião, drogas, armas e por ai vai. O presidente quer unir sua base, angariar uns anti-petistas, pegar os liberais e tentar ir pro segundo turno.

E quem vota em quem? Vamos ver.

– quanto mais rico, maior o voto em Bolsonaro. Os mais pobres estão com Lula. Entre quem ganha até dois salários mínimos, o petista tem 55% dos votos e Bolsonaro parece com 16%. Já entre quem ganha acima de cinco salários mínimos, cada um tem 31%. Ou seja: a renda é fator decisivo para a escolha do candidato. Os mais pobres devem lembrar dos governos Lula e, por isso, vão com ele. Eles também devem analisar suas vidas nos últimos tempos, onde tudo piorou e, por isso, não querem continuar com Bolsonaro.

– o Nordeste é lulista: 61%, contra 13% de Bolsonaro. O ex-presidente ganha em todas as regiões. A menor diferença está no Centro-Oeste: 32% para ele contra 31% do atual presidente. 

– entre quem acha que o principal problema do Brasil são as questões sociais, Lula tem 56% dos votos e Bolsonaro aparece com 12%. Quando vemos entre as pessoas que apontam o desemprego, Lula tem 52% e Bolsonaro 16%. O capitão do Exército só lidera entre quem aponta a corrupção: 39% contra 27% para o petista. Os dados deixam claro que o Lula é o candidato da melhoria social.

A pesquisa também analisou o quão definitiva é a escolha dos eleitores.

Os lulistas são os mais fiéis: 74% afirmaram que estão fechados com Lula.
Entre os bolsonaristas, 65% disseram que a escolha é definitiva – e 35% podem mudar caso algo aconteça. O que será que eles pensam? Outro candidato mais radical? O radicalismo de Bolsonaro pode afastar algumas pessoas? Não sei.

Entre a dita terceira via, os eleitores estão mais propensos a mudar de candidato do que se manterem com os seus. O maior contingente que pode mudar vem do governador João Doria (PSDB), onde 73% dizem que trocam de barco se algo acontecer. Depois vem os eleitores de Sergio Moro (Podemos) com 70% e de Ciro Gomes (PDT) com 62%. Nem mesmo os eleitores da terceira via acreditam nela. A grande questão é para onde vão esses votos todos: Lula ou Bolsonaro?

Merece atenção os eleitores que iriam de branco/nulo/não vota. Entre eles, 53% afirmaram que podem mudar de ideia caso algo aconteça. Tem muita gente que ainda está analisando tudo para escolher o candidato – e isso pode colocar Bolsonaro no segundo turno ou dar a vitória para Lula no primeiro turno.

O cenário no 2º turno é claro: Lula ganha de todo mundo.

A disputa mais “acirrada” seria contra Bolsonaro: 54% contra 30%, com vitória do petista.
Lula ganharia de Sergio Moro (Podemos): 52% x 28%.
Lula ganharia de Ciro Gomes (PDT): 51% x 24%
Lula ganharia de João Doria (PSDB): 55% a 16%
Lula ganharia de André Janones (Avante): 56% a 14%.

O levantamento ainda mostrou o conhecimento que os eleitores têm dos candidatos e as chances delas votarem em cada um deles.

Bolsonaro (PL) é quem tem a maior rejeição. 66% disseram que o conhecem mas não votariam. Em segundo aparece Sergio Moro (Podemos) com 62%, seguido de João Doria (PSDB) com 61% e Ciro Gomes (PDT) com 54%. Lula (PT) tem 43% de rejeição.

O ex-presidente é quem tem a maior fatia de “conhece e votaria”: 36%. 
Na sequência vem Bolsonaro (PL) com 18%.

Há ainda os que disseram que “conhecem e poderiam votar” nos candidatos.
Aqui, Ciro Gomes (PDT) aparece em primeiro com 24%.
Moro (Podemos) e Lula (PT) tem 18%.
Bolsonaro (PT) surge com 13%, o mesmo valor de João Doria (PSDB).

No balaio todo, há candidatos desconhecidos.
76% disseram não conhecer a senadora Simone Tebet (MDB).
72% desconhecem o deputado federal André Janones (Avante).
74% não conhecem Felipe D’Ávila (Novo).
58% desconhecem o senador Rodrigo Pacheco (PSD).