#120 – O próximo governador de São Paulo

Haddad lidera corrida para governador em São Paulo

A pesquisa Ipespe divulgada na semana passada colocou o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) na liderança para conquista o governo do Estado. A pesquisa diz muita coisa sobre a eleição para o governo, dentre elas a que a disputa ainda está totalmente aberta e pode mudar muito conforme os acordos costurados e os candidatos que entrarão na disputa.

Para mim, a grande informação da pesquisa está quando os eleitores foram perguntados em quem eles vão votar, mas sem apresentação de nenhum nome (a chamada pesquisa espontânea). Deste jeito, 64% não sabe/não respondeu.

Existem várias possibilidades para essa resposta: a eleição para governador não engrenou; a disputa no Estado está bem de lado por causa do caos nacional entre Lula (PT) e Bolsonaro (PL); as pessoas não tem ideia de quem são os candidatos; ninguém chama a atenção dos eleitores. Enfim: são várias as possibilidades. O fato é que o eleitor não tem ideia em quem ele vai votar.

Em todos os cenários apresentados, o petista Fernando Haddad (PT) lidera a disputa. Vale destacar o candidato do presidente Bolsonaro, o ministro Tarcísio de Freitas (PL): ele sempre aparece entre 7% e 15% a depender do cenário analisado. Se formos comparar esses percentuais com os índices de voto do presidente, o ministro orbita bem torno do núcleo duro bolsonarista. Os demais paulistas que apoiam Bolsonaro mas não votam em Tarcísio podem ir para o ex-ministro Abraham Weintraub, por exemplo, ou em candidaturas mais de direita ou centro-direita, como do vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB) e Vinícius Poit (NOVO).

A pesquisa mostrou como os candidatos se comportariam com o apoio de nomes nacionais. Fernando Haddad (PT) subiria para 38% com o crivo de Lula e Geraldo Alckmin. Tarcísio de Freitas (PL) iria para 25% com o apoio do presidente Bolsonaro (PL). Rodrigo Garcia (PSDB) chegaria em 10% com o amparo de João Doria. (PSDB).

Ao que tudo indica, a polarização lulista-bolsonarista do Brasil pode influenciar e impactar a eleição no estado de São Paulo. Com Lula e Bolsonaro no jogo, os eleitores tendem a acompanhar a indicação dos políticos no âmbito estadual. Tarcísio, por exemplo, chega ao percentual de intenção de voto do presidente. Haddad não está tão longe dos índices nacionais de Lula.

Essa polarização nacional pode tirar do governo os tucanos do PSDB depois de décadas. Doria ainda patina em fazer decolar o vice-governador Rodrigo Garcia. O PSDB não consegue mais ter tanto destaque em São Paulo e ficou com terceira força no estado.

Claro que o apoio altera ou não a possibilidade de um voto. Para 45% dos eleitores, o apoio de Bolsonaro (PL) diminui a chance deles votarem no indicado pelo presidente. Este é o maior índice entre todos os políticos de força nacional apresentados pela pesquisa.

Para 43%, o apoio de Doria (PSDB) reduz a chance deles votarem no indicado pelo governador. Para o nome sugerido por Lula, por exemplo, 42% não votariam exatamente por isso. Aqui tem um pulo do gato muito interessante. O ex-governador Geraldo Alckmin é quem tem o menor índice de rejeição do nome indicado por ele: 26% não votariam em quem o ex-tucano orientasse. Eis um ponto que justifica a aliança nacional Lula-Alckmin.

Quer mais um? 33% votariam em quem Lula (PT) apoiasse, o maior índice – o segundo com o maior percentual é Geraldo Alckmin com 25%. O ex-ministro Sergio Moro (Podemos) e Bolsonaro (PL) têm 20% cada.

Em meio a tudo isso, em quem as pessoas poderiam votar?

O cenário não é tão bom para Haddad (PT) e Alckmin – se ele fosse sair como governador. Cada um tem 52% de “não votaria de jeito nenhum”, os maiores índices entre todos os candidatos. Depois parece Guilherme Boulos (PSOL) com 50%. O ex-ministro Abraham Weintraub aparece com 46%.

Tarcísio de Freitas (PL), o candidato do presidente, tem 33% de “não votaria de jeito nenhum”, o segundo menor índice, perdendo apenas para Vinícius Poit (NOVO), mas Poit tem 63% de “não conhece o suficiente para votar” enquanto Tarcísio tem 45%. 

Márcio França (PSB) é quem tem o maior índice de “poderia votar”: 28% – seguido de Geraldo Alckmin com 25% e Haddad (PT) com 21%.

Resumindo a obra:
– os bolsonaristas podem ganhar mais voto no Estado. Basta o gabinete do ódio fazer os paulistas conhecerem o ministro Tarcísio;
– Márcio França pode ser a terceira via do Estado;
– Alckmin dando apoio pro Haddad pode fazer o petista crescer em São Paulo;
– as pessoas não conhecem Rodrigo Garcia (PSDB). Talvez o governador Doria (PSDB) consiga fazer ele crescer nas pesquisas, mas, ao saberem que Garcia é ligado ao governador, as pessoas podem não votar. Faca de dois gumes para os tucanos.

🇭🇳 Por que EUA pediram extradição de ex-presidente de Honduras. (BBC Brasil)

🇨🇱 O direito a propriedade no Chile: a norma constitucional que despertou traumas e fantasmas do passado. (La Tercera)

🇨🇺  Cuba consulta população sobre casamento igualitário. (AP)

🇪🇨 Equador descriminaliza aborto em casos de estupro. (g1)

🇨🇴 PIB da Colômbia cresce 10,6% em 2021, o maior aumento que já teve registro.
(El País)
 🇧🇴 Juiz interrompe greve de fome que a ex-presidente boliviana Jeanine Áñez realizava há 11 dias para pedir sua liberdade. (El País)

🇵🇦 Panamá investiga denúncia sobre esterilizações de indígenas sem consentimento. (DW)

🇬🇹 Testemunha acusa presidente da Guatemala de financiar sua campanha eleitoral com suborno de construtoras. (El Faro)

🇺🇸 Denúncias de agressão sexual aumentam em academias militares nos EUA. (AP)

🇨🇦 Polícia de Ottawa alerta para manifestantes do ‘Freedom Comvoy’ saírem da área ocupada ou serão presos. (Washington Post)

🇨🇦 Quase US$ 10 milhões foram destinados para as campanhas de apoio aos protestos canadenses contra as restrições da Covid-19. Desse total, mais de 40% veio de doadores dos EUA. (AP)

🇪🇸 Eleições parlamentares na Espanha: pesquisa mostra, pela primeira vez, VOX (extrema-direita) a frente do PP (centro-direita). (El Español)

🇩🇪 Telegram bloqueia 64 canais na Alemanha acusados de atividades ilícitas.
(Núcleo Jornalismo)

🇵🇹 As eleições legislativas em Portugal. (RepúblicaCast)

🇭🇺 Bolsonaro chama presidente da Hungria de irmão, usa lema fascista e volta a sugerir influência sobre Putin. (Folha de S.Paulo)

🇭🇺 Saiba como foi a viagem de Bolsonaro à Hungria (Poder360)

🇨🇭 Banco suíço ajudou traficantes, políticos e espiões a esconder fortunas. (UOL)

🇺🇦 Parlamento da Ucrânia aprova a legalização da criptomoeda. (Bloomberg)

🇷🇺 Por que a Rússia ficou conhecida como celeiro de hacker. Prestes a assumir o TSE, Edson Fachin cita invasores russos como ameaça ao sistema eleitoral brasileiro. Especialistas apontam leniência do governo de Moscou. (Nexo)

🇷🇺  Putin mantém tropas em Belarus e aumenta temor de invasão da Ucrânia.
(Folha de S.Paulo)

🇳🇵 Polícia do Nepal dispara gás lacrimogêneo para dispersar protesto contra ajuda dos EUA. (Al Jazeera)

🇳🇬 Nigéria mata por ‘erro’ sete crianças em ataque aéreo no Níger. (Folha de S.Paulo)

🇮🇷 Parlamento do Irã estabelece condições para retorno ao acordo nuclear. (Al Jazeera)

🇸🇦 Bolsonaro convida príncipe saudita para visitar o Brasil. (g1)

#MandaDicas

Muitos livros foram escritos sobre os eventos do Onze de Setembro, mas são raríssimos os relatos que resgatam a experiência daqueles que, apenas por haver nascido em certos países, tiveram suas existências transformadas, frequentemente de forma devastadora. Neste livro eletrizante, resultado de entrevistas colhidas em primeira mão, a jornalista Simone Duarte revela a vida de sete pessoas de quatro nacionalidades distintas que nada teriam em comum, não fossem a tragédia do atentado às Torres Gêmeas em Nova York em 2001 e suas consequências. Ao dar voz a essas personagens, Duarte faz emergir a ponta de um iceberg de histórias que o Ocidente desconhece ― mesmo passadas duas décadas do instante em que o vento mudaria de direção ― e nos lembra dos perigos de aceitar uma história única. (Texto – Amazon Brasil)
Mahmud Darwich, o grande poeta da Palestina e um dos mais importantes do mundo árabe, descreve um longo dia de agosto de 1982, durante a invasão israelense ao Líbano e o cerco a Beirute. A narrativa de Darwich, embora considerada prosa, jamais se inscreve de forma absoluta como tal; traz sempre, como em Da presença da ausência, o tom e a dimensão poéticos dos eventos, das memórias, dos atos triviais, do fato histórico, da vida política. Como em toda a obra de Darwich, trata-se de um texto que apresenta muitas camadas, tanto temporais quanto temáticas. Em uma dessas camadas, Memória para o esquecimento é uma reflexão sobre a invasão israelense e suas consequências política e histórica. Mas há também as memórias pessoais e as questões que se impõem em meio aos jatos que sobrevoam e às bombas que são despejadas sobre Beirute: qual o significado do exílio? Qual o papel do escritor em tempos de crise e de guerra? Qual amor é possível nesses tempos sombrios? Darwich também não deixa de lançar um olhar crítico e clínico sobre os aspectos que envolvem a resistência palestina e a noção de nação árabe. Memória para o esquecimento é uma homenagem a um povo que há mais de 70 anos “rexiste” — com coragem, criatividade e resiliência — à opressão e ao colonialismo.
(Texto – Editora Tabla)
Diferença salarial entre homens e mulheres executivas é a maior desde 2012. Hoje você escuta sobre como a diferença salarial entre homens e mulheres chegou ao maior patamar desde 2012, sobre como a França tá retirando as tropas do Mali e sobre como uma pesquisa mostrou que o desmatamento no Brasil faz com que as terras para plantio percam valor ao longo do tempo. (Texto – Ouvi na Bloomberg Línea)
Os relatos de quem vive a tragédia de Petrópolis. Deslizamentos, desabamentos, quedas de muros e árvores. Rios de lama arrastando carros pelas ruas. Casas destruídas, ferro retorcido, pessoas desesperadas lidando com escombros para encontrar parentes soterrados, trabalhando junto com as equipes de resgate. A tragédia de Petrópolis, na região serrana fluminense, já contava quase 70 mortos no meio da tarde de quarta-feira (16) por causa das fortes chuvas da véspera. O “Durma com essa” traz relatos de quem vive esse drama. Já o redator Cesar Gaglioni explica o fenômeno climático que causou as tempestades na cidade e mostra o que o poder público pode fazer para evitar os recorrentes desastres do tipo. O programa traz também o repórter especial João Paulo Charleaux comentando o histórico de ciberataques que partem da Rússia. (Texto – Durma com essa)

Leituras complementares

TCU aponta ‘indícios robustos’ de fraude por fornecedora de insumo para cloroquina do Exército. (Folha de S.Paulo)

Único acordo assinado em visita de Bolsonaro à Rússia trata de nomenclatura de documentos. (O Globo)

Bolsonaro é bom ou ótimo para 41% dos evangélicos. (Poder360)

Lula vence todos no 2º turno, mas vantagem diminui. (Poder360)

Tensão eleitoral selou saída de Azevedo do TSE. Ex-ministro da Defesa, Fernando Azevedo havia sido escolhido pela cúpula do tribunal justamente para fazer uma interface entre a Corte e as Forças Armadas. (CNN Brasil)

Os efeitos da viagem à Rússia na imagem de Bolsonaro no Brasil. Para analistas, reunião com Putin agita base, mas potencial de negócios e reforço de uma agenda externa personalista pouco acrescentam ao cenário local e à disputa presidencial. (Nexo)

Simone Tebet aposta em União Brasil, fuga de estados petistas e divisão tucana.
(Folha de S.Paulo)
Para furar bolha da Lava-Jato e se aproximar dos jovens, Moro lança “morocast”.
(O Globo)

Nise se filia ao PTB para disputar Senado, e aliado diz que Janaina é de centro-esquerda. (Folha de S.Paulo)
 Quem é o advogado conservador que articula votos evangélicos para Sergio Moro. Uziel Santana, que já foi presidente da Anajure, coordena pré-campanha de ex-ministro de Bolsonaro entre os religiosos. (Agência Pública)

Tirar Brasil do Mapa da Fome será agenda central de Lula, diz ex-ministra petista.
(Folha de S.Paulo)

TSE firma parceria com redes sociais para combate à desinformação nas eleições. Assinaram acordo Twitter, TikTok, Facebook, WhatsApp, Google, Instagram, YouTube e Kwai. Plataformas se comprometeram a identificar ‘fake news’ e a remover conteúdo que viole regras. (g1)

Como o Telegram se tornou o anti-Facebook. (Wired)
Empresários, advogados e artistas lançam movimento Lula no 1º Turno em São Paulo. (Folha de S.Paulo)
 Por que agentes do mercado amenizaram o ‘efeito Lula’. Presidente do Banco Central cita menor receio em torno de uma possível vitória do petista. O ‘Nexo’ falou com analistas sobre o que está por trás desse movimento. (Nexo)

Milícias digitais em ação podem definir novo cenário para Lula e Bolsonaro. (UOL)

Ex-PM, olavista e braço direito de Frias: a trágica atuação de André Porciuncula. Número 2 da Cultura do país, Porciuncula recebeu a missão de paralisar os incentivos da pasta. Em 2021, sua gestão gastou menos de um terço das verbas. (The Intercept Brasil)

Licença para atirador abastece o crime organizado no Brasil. (O Globo)

A culpa não é da natureza. Tragédias como a de Petrópolis estão associadas à ocupação de áreas de risco – tolerada e incentivada pela sociedade. (revista piauí)

Centro nacional que monitora desastres naturais teve menor orçamento da história em 2021. (BBC Brasil)

Com Doria, violência policial em SP foi a menor em nove anos. (Ponte Jornalismo)

O caminho do ouro. Nova refinaria de ouro da Amazônia tem como sócio condenado por lavagem de dinheiro na Bélgica. (The Intercept Brasil)

Carrefour é condenado por vender alimentos com agrotóxicos proibidos e acima do limite. (Agência Pública)

A luta de classes em torno do Carnaval. O Carnaval é um patrimônio imaterial de toda classe trabalhadora de Pernambuco e precisa ser defendido. Precisamos pautar um evento realmente popular, que gere emprego e renda para quem mais precisa, valorize e fortaleça os artistas locais, tenha a cara do nosso povo e seja uma explosão de alegria nos espaços públicos. (Blog da Boitempo)

Jornalistas trans lamentam poucas pautas para além do “mês da visibilidade”.
(Rede de Jornalistas Internacionais)

Graças ao trabalho remoto, muitos na geração Z podem nunca trabalhar em um escritório. Eles se importam com isso? (The Wall Street Journal)
O que as marcas ganham tendo celebridades em cargos executivos. (Propmark)

O que os dados do Spotify mostram sobre o declínio do inglês. (The Economist)

Como piratas lucraram com o Mundial de Clubes via Youtube. (Núcleo Jornalismo)

“Sou tatuadora de cicatrizes e ajudo mulheres a recuperar a autoestima”. (UOL)

Primeira mulher trans a se tornar coronel da Polícia Militar fala da importância de abrir portas na corporação. (g1)

Minha casa, minha vida. Carol Quintanilha fotografou o interior de 50 moradias de conjuntos do programa Minha Casa Minha Vida em São Bernardo do Campo (SP). (Quatro Cinco Um)

#FotoDaSemana

Homens carregam corpo de pessoa morta em deslizamento em Petrópolis (RJ).
(Foto – Ricardo Novaes/Reuters)

#VergonhaDaSemana

O filho do presidente, ao lado do pai, em reunião durante visita do governo brasileiro á Rússia.
A grande pergunta é: o que ele estava fazendo ali? Qual o motivo da presença dele na comitiva?