#126 – LULApallooza

O festival Lollapalooza movimentou São Paulo neste final de semana, mas também mexeu com a internet e, claro, com a política brasileira. A cantora Pablo Vittar levantou uma bandeira do ex-presidente Lula e a internet veio a abaixo. Rapidamente, o PL, partido de Bolsonaro, acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a atitude da drag dizendo que houve realização de propaganda eleitoral irregular. O ministro Raul Araújo determinou que o Lollapalooza proíba quaisquer manifestações eleitorais por parte dos músicos. Eis a grande polêmica instaurada.

A decisão foi analisada como absurda por muita gente. Sugiro este fio do advogado Sergio Tuthill Stanicia para entender o quão bizarra foi a escolha do TSE. Muita gente lembrou as dezenas de vezes que Bolsonaro fez campanha política – vale ver alguns aqui e outras aqui.

O “fora Bolsonaro” foi a temática deste Lollapalooza. Artistas como EmicidaFresnoLulu SantosMarina Sena e Djonga foram alguns dos músicos que criticaram o presidente. Legal demais foi a atitude da Anitta: a cantora disse que pagaria a multa de R$ 50 mil de qualquer artista que fosse processado por causa de posições políticas no Lolla. Rainha!

Mas os caras são tão péssimos que eles erraram o CNPJ do Lollapalooza e o festival não foi notificado pelo TSE. Sim, os caras conseguiram fazer isso. Leia aqui.

Interessante nisto tudo é que, enquanto rolou o festival neste domingo, o presidente se filiava ao PL em um evento tipicamente eleitoral. O presidente do partido disse que que Bolsonaro era o “futuro presidente pelo segundo mandato”. Entendi… Juliana Dal Piva contou tudo neste texto do UOL.

O evento tinha tanta cara eleitoral que os caras divulgaram uma arte para o rolê (de cima) e depois trocaram por outra arte (a de baixo).

Obviamente que a tentativa do PL foi um tiro no pé. Se antes ninguém tava nem ai para Bolsonaro, a atitude de censura por parte do governo só acirrou os ânimos dos presentes no festival e da galera na internet. O presidente e temas relacionados a ele ficaram entre os assuntos mais falados no Twitter durante todo o final de semana.

Os bolsonaristas estão desesperados (só ver alguns tweets dessa galera logo abaixo). O presidente pode estar começando uma estratégia de união da sua base mais radical para não perdê-la – tanto é que, no evento do PL, ele falou do PT, da Venezuela, do “bem contra o mal” e por ai foi. Essa base radical vai ser importante para Bolsonaro ir para o segundo turno. Mas ele precisa de mais – dos anti-petistas e dos cabrestos eleitorais do Centrão. Por isso, um grande evento do PL e os afagos aos grupelhos extremistas. Bolsonaro vai se agarrar a tudo para conseguir vencer – e ele não vai aceitar a derrota, se ela vier.

🇺🇾 Plebiscito no Uruguai pode reverter reformas liberalizantes do presidente Lacalle Pou. Entre os artigos mais questionados estão uma regra fiscal que limita o crescimento dos gastos públicos e a autorização para que o Executivo fixe a cada 60 dias o preço dos combustíveis com base em critérios de mercado. (Valor)

🇦🇷 PIB da Argentina cresce 10,3% em 2021. (Poder360)

🇨🇱 Convenção Constitucional do Chile define o país como plurinacional e intercultural. (Sputnik)

🇲🇽 Presidente do México diz que seu país não é colônia nem dos EUA, nem da Rússia, nem da China. (El País)

🇵🇪 Precariedade e desinformação fream a vacinação no Peru (La Republica)

🇧🇴 Prefeitos de La Paz e El Alto, Iván Arias e Eva Copa, apontam o ex-presidente boliviano Evo Morales como um empecilho para a renovação política da sigla dominante na esquerda do país, o MAS. “Com o respeito que ele merece, (porque) ele é ex-presidente e já foi uma liderança indígena, mas acho que o ciclo dele (Morales) acabou”. (Opinión)

🇨🇴 Governo Bolsonaro teme vitória da esquerda na Colômbia e envia general ao país. Planalto ainda confia em que direita poderá barrar vitória inédita da esquerda no país vizinho e envia missão chefiada por general para estreitar colaboração com administração de Iván Duque. (O Globo)

🇪🇨 No Equador, presidente Guillermo Lasso tem projeto de lei derrotado no Congresso e chama os responsáveis por derrubar o texto de “ladrões, corruptos e traidores”.
(El Universo)

🇸🇻 El Salvador baixa regime de exceção, a pedido de Bukele, para enfrentar crimes de gangues. (UOL)

🇨🇷 Há uma semana da eleição que vai decidir o próximo presidente da Costa Rica, candidatos conservadores estão tecnicamente empatados. (La Nación)

🇳🇮 Embaixador da Nicarágua na Organização dos Estados Americanos (OEA), Arturo McFields, pediu demissão depois de denunciar que o governo do seu país, encabeçado por Daniel Ortega, é uma “ditadura”. (BBC)

🇷🇺 Por que a Rússia concentra seus esforços em Mariupol. Posição geográfica e importância comercial fazem de zona portuária do sudeste da Ucrânia um dos palcos das batalhas mais sangrentas da guerra. (Nexo)

🇷🇺 Principal opositor de Putin é condenado a mais nove anos de prisão. (g1)

🇦🇿 Rússia acusa Azerbaijão de violar cessar-fogo de Nagorno-Karabakh. (Reuters)

🇺🇦 Não há laboratórios biológicos administrados pelos EUA na Ucrânia, ao contrário do que dizem as postagens nas mídias sociais. (PolitiFact)

🇪🇸 A não-revogação da reforma trabalhista espanhola. Nova legislação altera pouco da vigente desde 2012 e nada tem a ver com a reforma brasileira de 2017. (Poder360)

🇦🇫 Talibã ordena que permaneçam fechadas as escolas de ensino médio para meninas. (Reuters)

🇵🇰 Milhares de paquistaneses se reúnem na capital do país à medida que aumenta a pressão sobre o primeiro-ministro Imran Khan. (Al Jazeera)

🇨🇳 A China se encontra em uma posição complicada: presa entre a Casa Branca e o Kremlin. (Politico)

🇰🇵 Governo da Coreia do Norte divulga vídeo sobre lançamento de novo míssel. O teste foi considerado o maior até agora. (푸옹 Phuong DPRK Daily)

 🇲🇲 EUA declaram que exército de Mianmar cometeu genocídio contra Rohingya.
(The Guardian)

#MandaDicas

Guerrilheiras. Memórias da ditadura e militância feminina. Wislawa Szymbroska escreveu que as três palavras mais estranhas são “futuro”, “silêncio” e “nada”. Parafraseando a poetisa polonesa, diria que o livro de Juliana Marques do Nascimento mobiliza outras três palavras, de igual estranheza – “ditadura”, “guerrilha” e “mulheres”. Explico os paralelos: Futuro e ditadura, porque Juliana nos adverte sobre a relação intrínseca entre o relato sobre o passado e seu contexto de formulação. Os sentidos sobre a ditadura alteram-se não somente de acordo com os sujeitos que os elaboram, mas também com a passagem do tempo. Silêncio e guerrilha, porque Juliana nos demonstra que, paradoxalmente, a narrativa da experiência da guerrilha no Brasil possui uma estabilidade, mantendo uma perspectiva de apaziguamento e conciliação nos relatos hegemônicos sobre o passado. Nada e mulheres, porque Juliana nos alerta para os efeitos do patriarcado no registro da experiência de mulheres na luta armada: apenas podem ser narradas se masculinizadas, se despolitizadas, ou, ainda, se suas militâncias forem descaracterizadas. Iara Iavelberg e Dilma Rousseff, nascidas nos anos 1940, não são exatamente a “Iara de Judith Pattara” e a “Dilma de Ricardo Amaral”, dadas a conhecer em 1992 e 2011, respectivamente. Somente através da leitura de “Guerrilheiras, memórias da ditadura e militância feminina” é possível compreender esse estranhamento.
(Texto – Caroline Silveira Bauer UFRGS na Alameda Editorial)
#61 – Chile em tempos de Boric, por Bianca Tavolari. Descendente de chilenos, Bianca Tavolari, colunista da Quatro Cinco Um, foi até Santiago assistir à posse do presidente Gabriel Boric. Com 36 anos, o ex-líder estudantil de esquerda é um marco na política do Chile, criando um ministério formado majoritariamente por mulheres e procurando conciliar um país cindido. (Texto – 451 MHz)
Neonazismo no Brasil. Nesse episódio, Gabriel Carvalho (Ciências Sociais – UNIVASF) e Camila Morse (Agents of Zion) recebem Adriana Dias, cientista social, mestra e doutora em antropologia social pela Universidade Estadual de Campinas, pesquisadora de estudos sobre deficiência, direitos humanos e mídia social e etnógrafa do movimento neonazista, em especial do seu uso político da internet, para falar sobre o neonazismo e o crescimento exponencial de organizações neonazistas no Brasil desde a chegada ao poder de Jair Bolsonaro.
(Texto – Ontocast)
O que as pesquisas mostram é que vamos ter a eleição mais polarizada e mais selvagem da história da Nova República. Preparem-se. Este ano a democracia brasileira vai sofrer seu teste mais duro. (Texto – Canal Meio)

Leituras complementares

Gabinete paralelo de pastores controla agenda e verba do Ministério da Educação.
(O Estado de S. Paulo)

Prefeito diz que pastor pediu 1 kg de ouro por verba do Ministério da Educação. (UOL)

O amigo de Bolsonaro: pastor intermediário de verbas no MEC esteve 19 vezes no Palácio do Planalto nos nove primeiros meses de 2019. (Sportlight)

“O pastor tem mais moral do que deputado”, diz prefeito recebido por Milton Ribeiro.
(O Globo)

Como o governo Bolsonaro expõe uma gestão paralela do Brasil. Lobby religioso no MEC, ‘gabinete do ódio’ no Planalto, influência negacionista na Saúde e ‘orçamento secreto’ no Congresso revelam um jeito de operar ‘puxadinhos ideológicos’ contra instituições. (Nexo)

MPF processa Bolsonaro e Wal do Açaí por improbidade. (Poder360)

Consultor de Moro quer voto conservador de Bolsonaro: “Mais cristão”. (Metrópoles)

Onyx participa de evento nos EUA com Allan dos Santos, foragido da Justiça. Ministro de Bolsonaro criticou PT durante discurso por videoconferência em encontro conservador. (Folha de S.Paulo)

Diretor que levou dados do SUS para Amazon deixou gestão Bolsonaro para trabalhar na empresa. Jacson Barros migrou dados do Ministério da Saúde para a nuvem Amazon Web Service, onde hoje é gerente de negócios. (Brasil de Fato)

Como a desinformação sobre Covid-19 contaminou a América Latina. (Aos Fatos)

País tem uma das mais baixas coberturas vacinais dos últimos 20 anos e pode viver retorno de doenças erradicadas. (O Globo)

Fome, sede e martírio à beira do mar. Ministério Público do Trabalho pede indenização de 5,7 milhões de reais para família do congolês Moïse Kabagambe e aponta condições análogas à escravidão em quiosques. (revista piauí)

Confissões de uma mulher dentro do MBL. Participante testemunhou machismo sem freios nos grupos de chats do movimento, antes e depois do episódio de Arthur do Val na Ucrânia. (The Intercept Brasil)

Violência de gênero contra jornalistas. Dados sobre os ataques com viés de gênero e casos que vitimaram mulheres no Brasil em 2021. (ABRAJI)

Chefe do esquema de Saul Klein é ligada a marca ‘queridinha’ de famosas. (UOL)

Escuta revela envolvimento de policial do Denarc com traficante da Cracolândia. (g1)

Endividamento por cartão de crédito atinge 72% dos consumidores. (CNN)

Uma revista que gera trabalho para pessoas em situação de rua.
(Rede de Jornalistas Internacionais)

Pela primeira vez, microplásticos são encontrados em sangue humano. (The Guardian)

Para simular buraco negro, cientista brasileira faz aplicação inédita de inteligência artificial. Jovem de 25 anos é formada em Física pela USP, onde realiza seu doutorado. Projeto acelera simulações científicas e pode auxiliar pesquisas em outras áreas da astronomia. (Terra)

YouTube vai excluir vídeos com fake news sobre eleições de 2018. (Nexo)

“Se há telas, não há descanso”. O psicólogo Alexandre Coimbra Amaral fala sobre como vivemos tempos de exaustão e da necessidade de ficar offline para nos reconectarmos com nossa humanidade. (Gama)

A “casa inteligente” do futuro pode ser total ou parcialmente autossuficiente em energia. (Axios)

O Dilema das Redes está cada vez mais vivo. Fundador do Center for Humane Technology e um dos criadores do documentário viral de 2020, Tristan Harris ainda tem esperanças para mudança no funcionamento das redes. (Meio&Mensagem)

Mais de 33 milhões de brasileiros não têm acesso à internet. (g1)

Maconha, antidepressivo e dor no peito: o que cerca a morte de Taylor Hawkins, baterista da Foo Fighters. (O Globo)

#GráficoDaSemana

#MapaDaSemana

Os países em amarelo são os que aplicaram sanções à Rússia desde o início da guerra

#ReflexõesDaSemana

#BrabaDaSemana

Depois de uma mobilização em todo o país, a Anitta conseguiu colocar sua música Envolver no 1º lugar do Spotify Global. O Brasil parou para que este feito fosse possível – e o Google a parabenizou por isso: lembrou do bairro que a cantora nasceu, Honório Gurgel (RJ).

#VergonhaDaSemana

Celebridades e anônimos se mobilizaram para pedir aos jovens que tirassem o título de eleitor. A movimentação teve um viés de oposição ao governo Bolsonaro. Por isso, a milícia digital bolsonarista subiu a tag que você vai ver abaixo. Foram dezenas de robôs tuitando a mesma coisa. Note as fotos dos perfis – e alguns até usaram a foto da atriz pornô Mia Khalifa dizendo que era sobrinha deles.