#017 – Bolsonaro sobrevive e se candidata em 2022?

A próxima eleição já é logo ali!

Uma pesquisa lançada pelo instituto Paraná Pesquisas traçou alguns cenários para as próximas eleições presidenciais. Sim, é cedo – e muita coisa ainda vai e pode acontecer (ainda mais no Brasil). Mas os dados podem nos mostrar qual é a percepção hoje do brasileiro.

CENÁRIO 1
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) venceria todos os demais candidatos listados, com 27% dos votos. Em segundo aparece o ex-ministro Sérgio Moro (sem partido) com 18,1%, seguido do petista Fernando Haddad (14,1%) e do ex-ministro Ciro Gomes (PDT) com 10,3%.

a) os dois primeiros colocados são símbolos de setores mais conservadores e do Bolsonarismo que, independente de quem será, será o método político vitorioso;

b) o presidente teria o seu um terço do país, aquele núcleo que não o solta, seja por compactuar com seus pensamentos, seja pelo medo da volta da esquerda ao poder;

c) a esquerda não consegue apresentar novos quadros e se mantém fiel aos de sempre, mesmo sem chance alguma de vitória. Na direita, temos vários nomes diferentes, como João Doria (PSDB), Wilson Witzel (PSC), Luciano Huck e o próprio Moro;

d) Luciano Huck pode ser uma via de acordo nacional contra o Bolsonarismo e contra a esquerda clássica. O apresentador pode renascer o Estado de Bem-Estar Social e a Social-Democracia e aglutinar em torno de seu nome os quadros mais centrais da esquerda e da direita. A ver.

CENÁRIO 2: com o ex-presidente Lula na disputa
A vitória continua sendo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), com 26,3%, mas agora quem aparece em segundo lugar é o ex-presidente Lula (PT) com 23,1% – um empate técnico. O ex-ministro Sérgio Moro (sem partido) cai para terceiro (17,5%), seguido de Ciro Gomes (PDT), com 8,1% e João Amôedo (NOVO), com 4%.

 a) com Lula no páreo, o presidente Bolsonaro praticamente não mexe no seu percentual de voto – o que mostra que o Bolsonarismo não vai migrar votos para o Lulismo. Quem fecha ali, seguirá com o capitão até o fim;

b) o mesmo vale para Sérgio Moro que perde muito pouco com a presença de Lula. Os lavajatistas vão com ele e não soltam;

c) com Lula, o PT ganha quase 10% a mais de votos do que com Haddad. Isso mostra que o ex-presidente ainda tem muito cacife eleitoral e pode ser uma possibilidade real para a esquerda;

d) para o presidente Bolsonaro, talvez seja importante a presença de Lula. O capitão do Exército precisa de um inimigo para combater; ele precisa de alguém antagonizando com ele para conseguir reunir seus seguidores e lutar contra um mal comum; 

e) as decepções eleitorais continuam a mesma: Doria (PSDB) com 3,8% e Marina Silva (Rede) com 2,3%.

Para embrulhar ainda mais a disputa, o PSL (ex-partido de Bolsonaro) disse que pode lançar a deputada federal Janaína Paschoal para a presidência. Como fica o Bolsonarismo?

Bolsonaro começa a cair – e vai cair ainda mais?

revista piauí (uma das melhores do país), junto com a empresa de pesquisa Ideia Big Data trouxe números bem interessantes e que mostram o que pode ser o começo do tombo do presidente Jair Bolsonaro – eu disse do presidente, não do Bolsonarismo, notem bem. 

De acordo com os dados, de 16 para 30 de abril, o número de pessoas que consideram o governo “ruim/péssimo” subiu de 34% para 41%. É a primeira vez no mandado do capitão que esse índice ultrapassa os 40%.  Desses 41%, 25% são “péssimo” e 16% “ruim” – há uma semana, os números eram 19% e 15%, respetivamente. 

Também caiu 8% a avaliação “ótimo/bom”: de 36% para 28%.

Podemos perceber que os que acham o governo “péssimo” é quase igual aos que acham “ótimo/bom”. Percebem?

Segundo o jornalista José Roberto de Toleto:
“O salto de impopularidade ocorreu de uma vez mas não foi surpresa. Bolsonaro construiu o aumento de sua rejeição live a live, tuíte a tuíte, entrevista a entrevista. Brigou com governadores, fritou Mandetta, humilhou Moro. Desrespeitou a Constituição, provocou o Congresso, atacou o Supremo. Acumulou tensão na opinião pública diariamente. Os grãos de animosidade se acumularam ao ponto de uma parte significativa de seus simpatizantes não conseguir mais aprovar suas atitudes. Ao forçar a demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça, o presidente desencadeou a avalanche vista esta semana, mas as causas para sua aprovação rolar ladeira abaixo se somam há tempos”.

Quando perguntados se aprovam ou desaprovam a maneira de como o presidente está lindando com seu trabalho, 22% disseram que aprova – antes eram 30%. Em fevereiro do ano passado, 45% aprovavam o presidente. 

O que tem de diferente é a aprovação pessoal e do governo. 
“A diferença entre as avaliações positiva do governo e do presidente diminuiu de 10 para 6 pontos: 28% contra 22%. Significa que menos gente crê que Bolsonaro seja passível de tutela. Significa também que as atitudes presidenciais são cada vez menos aceitáveis mesmo entre seus apoiadores. O presidente contamina a popularidade do governo como um vírus contra o qual não há ministro que consiga desenvolver anticorpos. Tampouco há remédio ou vacina à vista” diz o jornalista Toledo.

Um dos dados mais interessantes é quando analisamos a desaprovação por classe social: o índice de “péssimo/ruim” disparou mais nas classes mais ricas do que nas mais pobres.

Por que será? Talvez pela liberação do auxílio-emergencial de R$ 600 que o Bolsonarismo conseguiu pegar para si a criação – mas vale lembrar que a sugestão do governo era de R$ 200 e o Congresso que alterou.

Mas essa ajuda por ser um tiro no pé. Se agora vai ajudar, e depois que acabar os três meses de pagamento? A crise vai aumentar, o governo está sem projeto de retomada econômica e o desemprego em crescimento. Como o governo vai lidar com isso? (sem contar o fato de que a corda está no pescoço do ministro Paulo Guedes).

Não vai ser as falas autoritárias nem os problemas com a Justiça que vão derrubar – ainda mais – o presidente. Será a economia.

Mas será que ele cai? Há uma fatia de 20% que vai afundar com ele. Fica a questão: a que custo para o país?

#mandadicas


Assisti no canal Curta o documentário “O paradoxo da democracia“.
São 70 minutos mostrando desde a Primavera Árabe, passando por Ocuppy Wall Street (EUA), 15-M (Espanha), Junho de 2013 (Brasil), Maidan (Ucrânia), entre outros, até as recentes mobilizações nazistas em Charlottesville (EUA), e como a democracia está em risco e os sinais disso. Assista ao trailer e leia o texto do Justificando
 

Massacre de Columbine foi um dos maiores ataques à escola nos Estados Unidos. Em abril de 1999, Eric Harry e Dilan Klebold entraram em sua escola e mataram 12 alunos e 1 professor. Eles eram adolescentes. Sobre o tema:

1 – O livro “Columbine” de Dave Cullen e lançado pela Darkside. Relato completo e incrível.

2 – O documentário “Tiros em Columbine” de Michael Moore. Tem completo no Youtube. Vale assistir para entender o mercado de armas nos EUA.

3 – O episódio 50 do podcast “1001 Crimes” que conta um pouco sobre o livro. Vale bem também!