Dá para comprar o enxoval perfeito?

Se tem uma coisa que me arrependo de ter feito na gravidez foi o enxoval que fiz pro Matheus.

Já tínhamos uma viagem programada com nossos compadres e meu afilhado quando descobrimos que nosso bebê estava a caminho. Então, unindo o útil ao agradável, resolvi que aproveitaria e faria o enxoval dele nos Estados Unidos. Que sonho né? Ter o privilégio de comprar tudo que meu filho vai “precisar” até os dois anos de idade ou mais em outlets e gastando bem menos do que gastaria no Brasil! Imprimi umas três listas diferentes que achei no pinterest com o título “O que e quanto comprar para o enxoval do seu filho de 0 a 2 anos”.

Andava com uma barriga de 5 meses, pés inchados, por lojas gigantescas em busca do terceiro macacão de algodão com capuz tamanho 0 a 3 meses na cor verde que eu ainda não tinha dado check na lista! É queridos leitores, eis a primeira roubada que me enfiei sendo mãe de primeira viagem. Então cá estou eu, depois de meu filho ter feito 2 anos e ter usado (ou não) todo o enxoval para escrever pra vocês a minha:

“Lista de enxoval do bebê de 0 a 2 anos para mães leves”.

Mas antes de escrever as coisas que fazem parte da minha lista, me dou ao direito de escrever coisas que comprei e foram COMPLETAMENTE inúteis.

  • Roupinhas com renda no pescoço pinicam, macacões com amarração nas costas do bebê machucam quando você coloca-os pra deitar de barriga pra cima, calça jeans ou com fechamento em botões são duras e incomodas.
  • Sapatos até 1 ano são completamente inúteis, além de incomodar o bebê, você compra uma briga eterna no melhor estilo Karatê Kid: “Tira sapato, Bota sapato” e venho aqui te contar um segredo: Seu filho não vai nascer andando! Coloca uma meia pra ele ficar quentinho e já será sucesso.
  • Aquecedores elétricos de mamadeira e aquecedores de lencinho são as coisas mais absurdas que eu já vi! Se você acordar de madrugada, com o bebê chorando e resolver esquentar a mamadeira em um aquecedor que demora 4 minutos (que parecem 3 horas) ou for esperar o lencinho esquentar pra trocar a fralda, seu filho vai gritar tanto que você vai é precisar de um calmante (pra você, no caso)!
  • Não compre roupinhas lindas pra festa! Elas não acontecerão na época em que aquele conjuntinho lindo estava servindo! E se tiver alguma festinha pra ir você colocará um body e uma calça de algodão, afinal, ele vai dormir metade da festa mesmo.
  • Kits de berço são completamente inúteis. Acumulam pó e são perigosos pra uma possível asfixia do bebê quando ele começar a virar! Acredite, serão os 400 reais mais bem economizados da sua vida.
  • Cadeirão! Aquele super caro, estofado, que reclina em três posições e ainda tem brinquedos. Não serve pra nada a não ser juntar sujeira de comida e ser difícil de lavar. Um de plástico, sem firulas, fácil de limpar e que deixe seu filho o mais próximo possível da mesa de convívio social da casa onde ele possa ver as outras pessoas se alimentando e ter exemplo. Esse é a melhor escolha.

Agora vamos a parte boa! A parte da minha lista de enxoval. Vai por mim, leia até o fim porque eu queria muito que alguém tivesse me falado tudo isso.

  • Primeiro, encha-se de coragem. Saiba dar, de maneira doce, limites para palpites e especulações. Ou simplesmente ignore. Não arrume brigas mas também não entre nas cismas dos outros. Você é a melhor mãe que seu filho poderá ter. De o seu melhor e isso já será mais que o suficiente.
  • Compre livros. Tanto para você estudar sobre qualquer assunto de maternidade quanto para você ler para seu filho. Pro bebê, muitas vezes, a voz da mãe já é suficiente para acalma-lo. Ler um livro em voz alta é uma boa saída.
  • Converse com seu companheiro ou, caso não tenha, com uma possível rede de apoio. Divida as tarefas, delegue funções. Ajuda é muito importante nessas horas. Quando alguém oferecer ficar com o bebê pra você dormir, aceite! Você precisa descansar, isso não é vergonha pra ninguém.
  • Deixe um plano pré-programado para alimentação. Comida congelada, alguém pra cozinhar, um bom delivery de marmitas. Na hora do estresse pós parto, você é a primeira que fica de lado e o macarrão instantâneo aparece nesse momento junto com o nuggets causando mais problemas do que você já tem.
  • Tenha a tira colo o telefone de uma amiga que esteja disponível para você! A maternidade é muito solitária e dividí-la com alguém deixa mais leve.
  • Tire fotos! Eu sei, você está se achando gorda, nariguda, com os pés super inchados. Mas esse momento é único e, acredite, você esquece. Não precisa tirar fotos profissionais se não quiser ou não puder. Mas se fotografe. Documente cada semana.
  • Tenha um gatilho de serotonina. Se observe na gravidez e veja o que te faz muito feliz. Comer um pedaço de chocolate? Tomar um banho quente? Passar um creme cheiroso? Assistir um capítulo da sua série favorita? No puerpério, nosso único prazer vira dormir e, muitas vezes, você não se reconhece. Combine com alguém de ficar com o bebê pra você fazer o ritual da felicidade pelo menos a cada três dias. Isso vai te conectar com você mesma, alguém que fica tão esquecida nesse momento.
  • Leia sobre amamentação. Estude. Treine com uma boneca. Saiba ou tenha o telefone de alguém que saiba te ajudar a sair de situações adversas (consultoras de amamentação, fonoaudiólogas, odontopediatras…). Amamentar não é fácil, não é instintivo. É preciso estudar.
  • Ah, já ia me esquecendo, o enxoval de roupas. Sim, claro que seu filho precisa desse ítem. Mas vá com calma. 3 bodys brancos tamanho P e três macacões tamanhos P. Mais os presentes que você vai ganhar de todo mundo: toalhas, fraldinhas, mantas. De resto, acredite, compre conforme o necessário. Lojas de bebê, drogarias, supermercados, TUDO entrega no mesmo dia. Não precisa se desesperar. A chance de você comprar mais do que o necessário é muito grande. Se poupe.

E por último um conselho. Sim, grávidas detestam conselhos, eu sei. Mas esse vale a pena:

Viva seu puerpério um dia de cada vez.

Escreva, nem que seja no bloco de notas do celular, o dia que seu filho teve pequenas conquistas (abriu a mãozinha, gargalhou a primeira vez…). Você vai esquecer essas pequenas coisas e são elas que nos conectam ao que realmente importa na maternidade e ao nosso propósito naquele momento. Respire.

Quando meu médico foi me dar alta na maternidade ele me disse: “Tudo serão fases, como um videogame. Você vai passar cada uma delas e sempre acabará sentindo falta das anteriores”.