Escolha suas batalhas

Mas se tem uma coisa que eu amo na maternidade é o quanto a gente “cospe pra cima” ou “paga a língua”. Antes de ser mãe eu tinha aqueles discursos de “não mães” prontinhos na ponta da língua: “Essa criança não tem limites”, “Nossa, se fosse meu filho…”, “Quando eu tiver um filho ele nunca…”. E assim vai.

Então queridos leitores vim aqui te contar uma coisa: Seu filho vai fazer tudo isso aí que está passando pela sua cabeça. Vai subir no sofá com 8 meses e cair de cabeça. Vai puxar seu aparelho de DVD pro chão. Vai roubar uma faca da gaveta da cozinha. Vai subir escada sem nem ter aprendido a andar ainda. Vai te bater, vai fazer birra no meio do shopping, vai se recusar a dar um beijo na avó bem no dia do aniversário dela. Vai amassar e/ou riscar seu livro preferido, quebrar aquele enfeite de cerâmica que você tem em cima do rack da televisão e vai jogar um quilo de ração do gato no chão.

Aí, eu vejo três opções de ações. A primeira é a mãe do “não”. Eu cheguei a passar dias em que a palavra que eu mais falava era “não”. Não sobe aí, não joga, não quebra, não suja. Não é por acaso que a primeira palavra de muitos bebês é não. Comecei a estudar sobre o assunto, conversei com educadores e psicólogos. E é unânime a opinião de que “não” não leva a lugar nenhum. Você vira, aos poucos, uma mãe autoritária, que fala não pra tudo e que recebe reações cada vez mais enfurecidas do bebê, afinal, ele não sabe controlar, ainda, suas
emoções e impulsos.

Ah, claro! Você está falando então pra eu ser uma mãe permissiva? Vou deixar meu filho fazer tudo o que quer? Largo lá, na sala, ligo a televisão e simplesmente deixo viver? Vou ser aquela mãe que tudo pode, tudo deixo, que não apresenta nenhum tipo de frustração pro meu filho? Claro que não! Não queremos que nossos filhos virem adultos deprimidos, egoístas, que achem que no mundo todas as vontades deles devem ser satisfeitas.

Mas então como ficar no meio termo? É, ninguém disse que criar filhos seria fácil. E realmente não é. Precisamos sim colocar limites saudáveis e pra isso é preciso estar presente emocionalmente e racionalmente nas nossas decisões e ações do dia a dia. Então estou aqui, pra te dar um abraço apertado e dizer que te entendo. Vou te contar as duas frases que me guiam e que me direcionam nas minhas tentativas de acertar, errando muitas vezes, obviamente.

Escolho as batalhas que eu quero entrar.
Primeiro, decidi fazer uma lista, que modifico sempre, com o que é essencial de limites pra mim e pro dia a dia da minha família. Eu quero e acho necessário que meu filho tome banho e escove os dentes todos os dias, por exemplo. Se ele vai feliz naquele dia, ótimo! Se ele não quer, uso de todos os artifícios possíveis, mas o fato é que não vou desistir dessa batalha, ele vai tomar banho e escovar os dentes todos os dias.

Outro exemplo são desenhos fora do papel. Matheus sempre insistiu em desenhar na sua mesinha. E eu enlouquecida sempre limpava e pedia, chamava atenção, brigava pra que ele escrevesse no papel. Parece bobo, mas isso tomava uma boa parte do meu dia. Um belo dia resolvi me perguntar o quão importante era pra mim isso? E a verdade é que não era. Eis que, agora, sua mesa é toda desenhada, como vocês podem ver na foto. E tá tudo bem.

Último exemplo mas não menos importante. Minha casa tem muitas escadas. Desde os 8 meses Matheus insistia em ir pra escada. Eu tinha duas possibilidades: Me descabelar, ter medo, gritar e ordenar que ele não subisse e descesse. E é o que eu fazia. Até o dia que eu me descuidei um minuto e ele caiu de um degrau e bateu a cabeça. Nesse dia mudei minha estratégia. Ensinei ele, incansavelmente, a subir e descer escadas. Eis que, com 1 ano, nem portãozinho mais na escada eu tinha. Ele sobe e desce na maior facilidade. Nunca mais caiu. Ganhei paz, e ele também

Foco em soluções.
Não sou permissiva. Nem perto disso. Na verdade minha maternidade está muito mais próxima do autoritarismo (criação que eu tive com broncas e castigos). Mas na tentativa de não ser tão autoritária eu acabo caindo no “deixa pra lá” o que, obviamente, caia no permissivo. Então essa estratégia me tira do autoritarismo e não me deixa cair no permissivo. Eu foco em soluções. Quer um exemplo?

Meu filho está me ajudando a colocar a mesa (sim, ele me ajuda). Ele quebrou uma caneca. Qual o meu automático? Brigar (autoritarismo) e colocar ele no sofá enquanto eu limpo (permissividade). O que eu tento fazer? Respirar fundo e chamar ele pra responsabilidade. Qual a solução que temos? Recolher e limpar os cacos? É o que vamos fazer. Ele me ajuda a pegar a vassoura, segura a pá e vai comigo até o lixo jogar fora. Entende a
diferença?

Abriu a mamadeira e deixou todo o leite cair no chão! O que eu faço? Dou um pano para ele (ou ele mesmo pega) e faço ele secar o leite comigo. Muitas vezes ele faz mais bagunça ainda, claro! Mas ele entende a solução pra isso. Difícil ter essa reação logo de cara? Lógico que é! Mas conforme vamos mudando nosso automático a vida vai ficando bem mais leve.

Meu último tópico é o seguinte: Não se importe com o julgamento dos outros. Antes eu era super criticada de deixar meu filho subir e descer escadas sozinho. Hoje, muitos ficam boquiabertos de ver a tranquilidade em que ele faz isso (e a minha tranquilidade em não ficar o tempo todo correndo atrás dele). Muitos me criticavam por dar uma vassoura e uma pá pra ele limpar suas bagunças. Hoje, se impressionam pelo automático do Matheus ser ir até a lavanderia e pegar uma vassoura pra limpar sua “caca”. Decida qual tipo de criação você quer
dar. Se encoraje e vá até o fim. O filho é seu. Quem vai lidar com o bônus e o ônus disso é você. Nada melhor do que você colher os frutos da sua própria colheita e não da colheita dos outros, não é mesmo? Ser mãe, pai ou cuidador é um desafio diário e requer muita inteligência emocional e dedicação. E cá entre nós, é uma delícia quando você vê que uma atitude tomada por você por longos meses deu certo.